Formação coletiva e inventiva no Curso de Extensão com Professores/as Diretores/as de Turma
DOI:
https://doi.org/10.24220/2318-0870v31a2026e16380Palavras-chave:
Escola, Formação de Professores, UniversidadeResumo
A prática docente e as políticas de formação de professores/as são alvos da lógica neoliberal, instituindo ideias de competitividade, concorrência, eficiência e individualismo. O presente artigo tem como objetivo discutir a experiência de um Curso de Extensão de Formação de Professores/as Diretores/as de Turma como forma de problematizar a formação docente em tempos de neoliberalismo na educação. Para isto, utilizou-se o recorte de uma pesquisaintervenção com Professores/as Diretores/as de Turma – função estabelecida pela política educacional do Estado do Ceará – de uma escola pública de Fortaleza/CE. Para fundamentação teórica, utilizou-se de autores do campo da Educação, Psicologia Social e Psicologia Escolar Crítica que problematizam o neoliberalismo e as políticas de formação de professores/as. Destaca-se, portanto, a potencialidade do encontro entre Escola e Universidade através do Curso de Extensão, que possibilitou uma formação pautada na coletividade e na inventividade a partir do encontro entre pesquisadoras e professores/as. Conclui-se que o curso, como dispositivo de fala e troca coletiva entre experiências docentes, rompe com os modelos neoliberais de formação que individualizam a prática docente e mercantilizam o conhecimento.
Downloads
Referências
Abe, S. K. Continuum curricular: possibilidades para a flexibilização. Saberes e Práticas. [S. l.]: Cenpec, 2021. Disponível em: https://saberesepraticas.cenpec.org.br/noticias/continuum-curricular-olhares-e-possibilidades-para-a-flexibilizacao. Acesso em: 18 jun. 2025.
Bandeira, A. S. Análise do Projeto Professor Diretor de turma: um estudo a partir da abordagem do ciclo de políticas. Revista Pesquisa e Debate em Educação, v. 13, p. 1-15, 2023. Doi: https://doi.org/10.34019/2237-9444.2023.v13.33450.
Bueno, E.; Almeida, K. Um olhar para além do capital: a possibilidade de superação do modelo neoliberal em educação. Porto das Letras, v. 1, 2016, p. 128-142. Disponível em: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/1782. Acesso em: 29 jun. 2025.
Deleuze, G. O que é um dispositivo? In: Deleuze, G. O mistério de Ariana. Lisboa: Vega, 1996.
Dias, R. O. Deslocamentos na formação de professores: aprendizagem de adultos, experiência e políticas cognitivas. Rio de Janeiro: Editora Lamparina, 2011.
Dias, R. O. Formação inventiva de professores. Rio de Janeiro: Editora Lamparina, 2012.
Dias, R. O.; Pinto, L. S.; Mello, A. L. G. D. Por entre feras, escutas e encantos: práticas de formar perspectivadas pela invenção. Aceno – Revista de Antropologia do Centro-Oeste, v. 10, n. 24, p. 237-256, 2023. Doi: https://doi.org/10.48074/aceno.v10i24.15721.
Foucault, M. Microfísica do poder. 13. ed. São Paulo: Paz & Terra, 2021.
Foucault, M. Nascimento da biopolítica. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
Gadelha, S. Biopolítica, governamentalidade e educação: introdução e conexões, a partir de Michel Foucault. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.
Gonsales, P. Parcerias e assimetrias. In: Evangelista, R. (org.). Educação em um cenário de plataformização e de economia de dados. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2024. p. 61-108. Disponível em: https://cgi.br/publicacao/educacao-em-um-cenario-de-plataformizacao-e-de-economia-de-dados-parcerias-e-assimetrias/. Acesso em: 20 jun. 2025.
Guattari, F.; Rolnik, S. Micropolítica. 4. ed. Cartografias do desejo. São Paulo: Petrópolis, 1996.
Hartog, F. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
Laval, C. A escola não é uma empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensino público. São Paulo: Boitempo, 2019.
Leite, E. A. P. et al. Alguns desafios e demandas da formação inicial de professores na contemporaneidade. Educação & Sociedade, v. 39, n. 144, p. 721-737, 2018. Doi: https://doi.org/10.1590/ES0101-73302018183273.
Lima, V. B.; Pereira, M. Z. C.; Sá, V. I. M. O Professor Diretor de Turma entre Portugal e o Brasil: do contexto da influência ao contexto da prática. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação, v. 35, n. 2, p. 515, 2019. Doi: https://doi.org/10.21573/vol35n22019.91461.
Machado, E. K. S. Constituintes de uma práxis de mediação pedagógica do Professor Diretor de Turma. 2017. Dissertação (Mestrado) − Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2017. Disponível em: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=82977. Acesso em: 18 jun. 2025.
Masschelein, J.; Simons, M. Em defesa da escola: uma questão pública. Belo Horizonte: Autêntica, 2014.
Matta, C. E.; Ribeiro, M. A.; Pamplona, L. S. Impactos da plataformização na educação básica: desafios e implicações no contexto educacional. Educação & Formação, v. 10, e15109, 2025. Doi: https://doi.org/10.25053/redufor.v10.e15109.
Miranda, L. L. et al. A Relação Universidade-Escola na Formação de Professores: Reflexões de uma Pesquisa- Intervenção. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 38, n. 2, p. 301-315, 2018. Doi: https://doi.org/10.1590/1982- 3703005172017.
Moraes, A. C. Ciência e ideologia na prática dos professores de sociologia no ensino médio: da neutralidade impossível ao engajamento indesejável, ou seria o inverso? Educação & Realidade, v. 39, n. 1, p. 17-38, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edreal/a/HBRMyJpWDRsNFHhKqvyCFJv/abstract/?lang=pt. Acesso em: 18 jun. 2025.
Mortari, A. D., Palitot, T. Neoliberalismo, trabalho e o tempo que não dá tempo. Jornal da Universidade – UFRGS, 29 abr. 2021. Disponível em: https://www.ufrgs.br/jornal/neoliberalismo-trabalho-e-o-tempo-que-nao-da-tempo/. Acesso em: 18 jun. 2025.
Oliveira, D. A. Reestruturação do trabalho docente: precarização e flexibilização. Educação e Sociedade, v. 25, n. 89, p. 1127-1144, 2004. Doi: https://doi.org/10.1590/S0101-73302004000400003.
Oliveira, D. J. Finalidades educativas da escola: formação de professores a partir da Resolução n.º 2 de 1º de julho 2015. 2023. 200 f. Tese (Doutorado em Educação) − Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiás, 2023.
Passos, E.; Barros, R. B. A cartografia como método de pesquisa-intervenção. In: Passos, E.; Kastrup, V.; Escóssia, L. Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2020. p. 17-31.
Patto, M. H. S. A produção do Fracasso Escolar: histórias de submissão e rebeldia. 4. ed. São Paulo: Intermeios, 2015.
Paulon, S. M.; Romagnoli, R. C. Pesquisa-intervenção e cartografia: melindres e meandros metodológicos. Estudos e Pesquisas em Psicologia, v. 10, n. 1, p. 85-102, 2010. Doi: https://doi.org/10.12957/epp.2010.9019.
Ribeiro, D. M. et al. Pesquisando com professores: a centralidade do diário de campo e da restituição em uma pesquisa-intervenção. Revista de Psicologia, v. 7, n. 1, p. 81-93, 2016. Disponível em: http://periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/view/3675. Acesso em: 29 jun. 2025.
Rocha, M. L. Educação em Tempos de Tédio: um desafio à Micropolítica. In: Tanamachi, E. R.; Proença, M.; Rocha, M. L. (org.). Psicologia e Educação: desafios teórico-práticos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
Rocha, M. L. Falando de pesquisa-intervenção na formação escolar. In: Dias, R. O. (org.). Formação inventiva de professores. Rio de Janeiro: Editora Lamparina, 2012. p. 42-51.
Saviani, D. Teorias pedagógicas contra-hegemônicas no Brasil. Ideação, v. 10, n. 2, p. 11-28, 2008. Doi: https://doi.org/10.48075/ri.v10i2.4465.
Silva, L. A.; Santos, N. I. S. Subjetividade e trabalho na educação. Revista Mal-estar e Subjetividade, v. 11, n. 4, p. 1429-1460, 2011. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-61482011000400006. Acesso em: 18 jun. 2025.
Stakonski, A. C.; Silva, I. M. (Re)invenção da Educação e da Aprendizagem em Tempos de (Pós)pandemia: vislumbrando possibilidades a partir do diálogo com crianças e professoras brasileiras. Revista Interacções, v. 19, n. 64, p. 1-28, 2023. Doi: https://doi.org/10.25755/int.30767.












