As diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores
uma anestética da formação docente
DOI:
https://doi.org/10.24220/2318-0870v31a2026e16139Palavras-chave:
Docência, Formação estética, Formação integral, Formação de professoresResumo
Neste artigo são analisadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores a fim de verificar se nelas é possível perceber a presença da dimensão estética como componente da formação docente. Entendendo o estético como experiência a partir de autores como Buck-Morss, Larrosa e Freire, este estudo propõe uma leitura crítica do texto que, a partir da Resolução CNE/CP nº 4, de 29 de maio de 2024, passou a orientar a formação de professores nos cursos de licenciatura no Brasil. A conclusão é de que o documento constrói uma ideia de formação anestética, nos termos de Buck-Morss, uma vez que não garante o lugar da experiência estética na formação docente inicial, reduzindo essa dimensão a um saber a ser adquirido pelos professores e aplicado de modo prescritivista.
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