Espiritualidade e Interculturalidade

diálogo sem opressão institucional

Autores

  • Brasil Fernandes de Barros Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, Departamento de Ciências da Religião. https://orcid.org/0000-0002-5285-4871

Palavras-chave:

Diálogo inter-religioso, Ensino religioso, Religiosidade Institucional, Trabalho missionário

Resumo

A espiritualidade pode ser definida como uma realidade profundamente humana, que toca a nossa existência e se encontra presente antes mesmo de qualquer religiosidade e é característica de um ser multifacetado que possui múltiplas dimensões: física, psicossocial, existencial e espiritual, e essas na maioria das vezes antecedem às experiências religiosas. São essas facetas que permitem que o ser humano expresse o seu sentido existencial profundo, onde este demonstra a capacidade de conectar-se consigo mesmo, com os outros, com o cosmo e com a divindade, uma capacidade de transcendência e de integração da diversidade na unidade, o que neste artigo chamamos de espiritualidade ontológica e que está presente em muitas das suas manifestações de existência, seja no pessoal, seja na religiosidade institucionalizada. Mas todas essas capacidades se expressam naquilo que lhe é essencial e comum a todos os seres humanos. Através de uma pesquisa bibliográfica, procuramos identificar qual o melhor caminho para o diálogo intercultural, de forma que se reconheça a existência desta espiritualidade ontológica em ambientes institucionais na educação. Para atingir este objetivo desenvolvemos uma discussão que usa os pensamentos de Fidel Tubino e as considerações e os conceitos de alteridade de Raúl Fornet Betancourt como fio condutor para refletir sobre quais são as condições imprescindíveis para que o diálogo intercultural possa ser alcançado em diversas tradições culturais sem que a religiosidade institucional seja opressora tanto no trabalho missionário quanto na educação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

Barbosa, I. P. B. et al. Significados das práticas de cuidado em saúde no ritual de iniciação do candomblé de Ketu. Semina: Ciências Sociais e Humanas, v. 39, n. 1, 2018. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-54432018000100009. Acesso em: 31 ago. 2024.

Barros, B. F. Na intimidade do coração: a mística em Chico Xavier. Curitiba: Editora CRV, 2025.

Borges, C. In: Zuchel, L.; Albertsen, T.; Astrain, R. S. (org.). Interculturalidad y Reconocimiento Revitalización del conocimiento indígena en la pedagogía intercultural: Enseñanza, práctica y lengua. Santiago de Chile: Ariadna Ediciones, 2023.

Caputo, S. G. Educação nos terreiros e como a escola se relaciona com crianças do candomblé. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

Dewey, J. Una fe común. Buenos Aires: Ed. Losada, 2005.

Dussel, E. Europa, modernidade e eurocentrismo. In: Lander, E. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Tradução: Júlio César Casarin Barroso Silva. Buenos Aires: CLACSO, 2005.

Fornet–Betancourt, R. Religião e interculturalidade. Tradução: Antonio Sidekum. São Leopoldo: Nova Harmonia; Sinodal, 2007.

Freire, P. Conscientização. Tradução: Tiago José Risi Leme. São Paulo: Cortez, 2016.

Guerrero, G. M. De La Torre. La interculturalidad como fuente de espiritualidad. Una espiritualidad para evangelizadores del siglo XXI. Servicios Koinonía. Disponível em: https://servicioskoinonia.org/relat/420.htm. Acesso em: 03 abr. 2024.

Inge, W. R. Christian Mysticism. Londres: Methuen & Co. 1899.

James, W.; Barros, B. F. Uma visão sobre a mística. HORIZONTE - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 20, n. 61, e206109, 2023. Doi: 10.5752/P.2175-5841.2022v20n61e206109.

Jean, L.; Bertrand, P. J. Diccionario de psicoanálisis. Barcelona, Editorial Labor, 1977.

Katz, S. T. Linguagem, Epistemologia e Mística. Tradução: Brasil Fernandes de Barros. Horizonte – Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 18, n. 57, p. 1334-1389, 2020.

Lody, R. G. M. Dicionário de arte sacra & técnicas afro-brasileiras: 1407 verbetes. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.

Morin, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Unesco, 2001.

Müller, M. Introdução à Ciência da Religião. Tradução: Brasil Fernandes de Barros. Belo Horizonte: Senso, 2020.

Schillebeeckx, E. História humana, revelação de Deus. São Paulo: Paulus, 1994.

Souza, C. F. B. Espiritualidade e bioética. Revista Pistis & Praxis: Teologia e Pastoral, v. 5, n. 1, p. 123-145, 2013.

Tubino, F. El diálogo intercultural de espiritualidades como necesidad histórica. In: Simpósio Internacional Filosofia-Teologia e Ciências da Religião. 2018, Belo Horizonte. Anais [...]. Belo Horizonte: Faje; PUC Minas, 2018. Disponível em: http://www.faje.edu.br/simposio2018/arquivos/paineis/FIDEL%20TUBINO.pdf. Acesso em: 04 abr. 2024.

Weber, O. J. Ética, educação e trabalho. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 01 set. 2023.

Downloads

Publicado

2025-12-16

Como Citar

Fernandes de Barros , B. (2025). Espiritualidade e Interculturalidade: diálogo sem opressão institucional. Reflexão, 50. Recuperado de https://periodicos.puc-campinas.edu.br/reflexao/article/view/15580

Edição

Seção

Original