Transvendo a rotina: espaço-tempo e cotidiano na Educação Infantil

Autores

  • Natália de Borba Nunes Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Educação Física e Desportos, Programa de Pós- -Graduação em Educação Física https://orcid.org/0000-0001-5806-3483
  • Maria Cecília da Silva Camargo Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Educação Física e Desportos, Programa de Pós- -Graduação em Educação Física https://orcid.org/0000-0002-5542-4009
  • André da Silva Mello Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Educação Física e Desportos, Programa de Pós-Graduação em Educação Física https://orcid.org/0000-0003-3093-4149

DOI:

https://doi.org/10.24220/2318-0870v27e2022a5436

Palavras-chave:

Brincadeiras, Infância, Interações na escola, Rotina escolar

Resumo

Este artigo apresenta os tensionamentos entre rotina e cotidiano em uma turma de Educação Infantil de uma escola municipal da região central do Rio Grande do Sul. Definiu-se como objetivo compreender o processo pelo qual o cotidiano se manifesta nas rotinas escolares através das transformações protagonizadas pelas crianças. As observações participantes e registros produzidos em campo durante as interações com os sujeitos da pesquisa evidenciaram que as crianças transformam a rotina pedagógica através de brincadeiras e interações não previstas. Essas rupturas protagonizadas pelas crianças conflitam com a organização dos espaços-tempos pensados por adultos na rotina funcional da escola, gerando dissonância de interesses. Dentre os resultados obtidos, destacam-se a delicada relação entre os espaços-tempos adultos e infantis no cotidiano da Educação Infantil, além do velado apressamento para os processos de  afabetização, que dificultam uma escuta sensível que
acolha as contribuições das crianças e suas múltiplas expressões.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Alves, N.; Brandão, R. Repetições e diferenças em cotidianos na/da/com a educação infantil. Em Aberto, v. 30, n. 100, p. 95-104, 2017.

Arenhart, D. Culturas infantis e desigualdades sociais. Petrópolis: Editora Vozes, 2016.

Barros, M. Livro sobre nada. Rio de Janeiro: Record, 1996.

Buss-Simão, M. A dimensão corporal entre a ordem e o caos: espaços e tempos organizados pelos adultos e pelas crianças. In: Arroyo, M.; Silva, M. R. (org.). Corpo criança: exercícios tensos de ser criança por outras pedagogias dos corpos. Petrópolis: Editora Vozes, 2012. p. 259-279.

Cancian, V. A.; Goelzer, J. Práticas pedagógicas na Educação Infantil: do lugar da impossibilidade ao lugar da possibilidade. In: Cancian, V. A.; Gallina, S. F. S.; Weschenfelder, N. (org.). Pedagogias das infâncias, crianças e docências na educação infantil. Santa Maria: UFSM, 2016. p. 161-177.

Carvalho, R. S.; Fochi, P. S. Pedagogia do cotidiano: reivindicações do currículo para a formação de professores. Em Aberto, v. 30, n. 100, p. 23-42, 2017.

Certeau, M. A invenção do cotidiano. 3. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1998.

Corsaro, W. A reprodução interpretativa no brincar ao “faz-de-conta” das crianças. Educação, Sociedade & Culturas, n. 17, p. 113-134, 2002.

Corsaro, W. Entrada no campo, aceitação e natureza da participação nos estudos etnográficos com crianças pequenas, educação & Sociedade, v. 26, n. 91, p. 443-464, 2005.

Corsaro, W. Sociologia da Infância. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

Desgagné, S. O conceito de pesquisa colaborativa: a ideia de uma aproximação entre pesquisadores universitários e professores práticos. Educação em Questão, v. 29, n. 15, p. 7-35, 2007.

Goffman, E. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva, 1961.

Ibiapina, I. M. L. M.; Bandeira, H. M. M. Pesquisar-formar em colaboração: compartilhamento teórico-prático das vivências do formar. In: Ibiapina, I. M. L. M.; Bandeira, H. M. M. (org.). Formação de professores na perspectiva histórico-cultural: vivências no Formar. Teresina: Edufpi, 2017. p. 35-53.

Itália. Ministério da Instrução e da Universidade e da Pesquisa. Indicações nacionais para o currículo da escola da infância e do primeiro ciclo de instrução. In: Finco, D.; Barbosa, M. C.; Faria, A. L. G. (org.). Campos de experiências na escola da infância: contribuições italianas para inventar um currículo de educação infantil brasileiro. Campinas: Leitura Crítica, 2015. p. 15-183.

Kohan, W. O. (org.). Lugares da infância: filosofia. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

López, M. V. Deleuze: o sentido como acontecimento: tempo e acontecimento. In: López, M. V. (ed.). Acontecimento e experiência no trabalho filosófico com crianças. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. p. 65-67.

Mattos, C. L. G. A abordagem etnográfica na investigação científica. In: Mattos, C. L. G.; Castro, P. A. (org.). Etnografia e educação: conceitos e usos. Campina Grande: EDUEPB, 2011. p. 49-83.

Nunes, N. B. As relações entre os binômios corpo/movimento e brincadeiras/interações no trabalho pedagógico com a Educação Infantil. 2019. 77 f. Monografia (Licenciatura em Educação Física) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2019.

Oliveira-Formosinho, J.; Formosinho, J. Pedagogia-em-Participação: a documentação pedagógica no âmago da instituição dos direitos da criança no cotidiano. Em Aberto, v. 30, n. 100, p. 115-130, 2017.

Ongaro, D. et al. Lugar onde os tempos e os espaços são orientados pela escuta sensível das professoras: a UEIIA como cenário desse pensar. In: Cancian, V. A.; Goelzer, J.; Beling, V. J. (org.). Práticas formativas e pedagógicas na Unidade de Educação infantil Ipê Amarelo – UFSM: narrativas docentes. Santa Maria: Colégio Técnico Industrial de Santa Maria, 2019. p. 117-129.

Prout, A. Reconsiderando a nova sociologia da infância. Cadernos de Pesquisa, v. 40, n. 141, p. 729-750, 2010.

Salva, S. Uma reflexão acerca do tempo. In: Cancian, V. A.; Gallina, S. F. S.; Weschenfelder, N. (org.). Pedagogias das infâncias, crianças e docências na educação infantil. Santa Maria: UFSM, 2016. p. 309-323.

Sarmento, M. J. O estudo de caso etnográfico em educação. In: Carvalho, M. P.; Zago, N.; Villela, R. A. T. (org.). Itinerários de pesquisa: perspectivas qualitativas em Sociologia da Educação. 2. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2011. p. 137-179.

Staccioli, G.; Ritscher, P. Um laboratório da maravilha: marcas do cotidiano para a construção de uma pedagogia que acolhe o universo das crianças. Em Aberto, v. 30, n. 100, p. 159-166, 2017.

Stavinski, G.; Kunz, E. Sem tempo de ser criança: o Se-movimentar como possibilidade de transgredir uma insensibilidade para o momento presente. In: Kunz, E. (org.). Brincar e se-movimentar: tempos e espaços de vida da criança. 2. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2017. p. 39-70.

Downloads

Publicado

2022-05-17

Como Citar

Nunes, N. de B., da Silva Camargo, M. C. ., & da Silva Mello, A. (2022). Transvendo a rotina: espaço-tempo e cotidiano na Educação Infantil. Revista De Educação PUC-Campinas, 27, 1–13. https://doi.org/10.24220/2318-0870v27e2022a5436