Educação para adaptação ou emancipação?

A autonomia como finalidade primária da educação à luz de Sócrates, Diderot, Montessori, Piaget e Freire

Autores

  • Priscila Ferreira Beni Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Centro de Novas Tecnologias na Educação, Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação. https://orcid.org/0000-0003-1890-9899
  • Fernando Becker Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Centro de Novas Tecnologias na Educação, Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação. https://orcid.org/0000-0003-4215-9805
  • Daniela Duarte da Silva Bagatini Universidade de Santa Cruz do Sul, Escola de Engenharia e Ciências da Computação, Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Computação e Ciência da Computação. https://orcid.org/0000-0001-8548-5841
  • Dante Augusto Couto Barone Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Centro de Novas Tecnologias na Educação, Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação. https://orcid.org/0000-0002-5133-0144
  • Renato Ventura Bayan Henriques Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Centro de Novas Tecnologias na Educação, Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação. https://orcid.org/0000-0001-6001-4525

DOI:

https://doi.org/10.24220/2318-0870v31a2026e18356

Palavras-chave:

Formação educacional, Liberdade, Pensamento crítico, Processo educacional, Virtude

Resumo

O presente ensaio propõe uma reflexão crítico-conceitual sobre o sentido da educação e da educação de qualidade no contexto contemporâneo, a partir do contraste entre a tradição do pensamento educacional e os marcos normativos atuais da Organização das Nações Unidas e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Parte-se do reconhecimento de que, embora o discurso global sobre educação se apresente como progressista ao enfatizar inclusão, acesso e desenvolvimento de competências, observa-se um esvaziamento conceitual no que se refere à autonomia do sujeito como finalidade explícita do processo educativo. Com base em uma análise histórico-conceitual, o ensaio revisita contribuições de Sócrates, Diderot, Montessori, Piaget e Freire, evidenciando como, em diferentes contextos filosóficos, pedagógicos e epistemológicos, a educação foi compreendida como um processo intrinsecamente orientado à formação do juízo, do pensamento crítico e do autogoverno do sujeito. Argumenta-se que a autonomia não deve ser entendida como um efeito secundário ou desejável apenas em determinados contextos, mas como o resultado primário da educação. Defende-se, assim, uma concepção de educação centrada no sujeito, comprometida com a oferta de conteúdos, experiências e ambientes que nutram a aprendizagem, possibilitem a construção do pensamento crítico e sustentem a capacidade de julgar o mundo e a si próprio. Conclui-se que a exclusão da autonomia dos referenciais contemporâneos de educação de qualidade reduz o potencial emancipatório da educação, aproximando-a de uma lógica de adaptação funcional e afastando-a de seu sentido histórico fundamental.

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Publicado

2026-09-30

Como Citar

Ferreira Beni, P., Becker, F., Duarte da Silva Bagatini, D., Augusto Couto Barone, D., & Ventura Bayan Henriques, R. (2026). Educação para adaptação ou emancipação? A autonomia como finalidade primária da educação à luz de Sócrates, Diderot, Montessori, Piaget e Freire. Revista De Educação PUC-Campinas, 31. https://doi.org/10.24220/2318-0870v31a2026e18356

Edição

Seção

Ensaios