Educação para adaptação ou emancipação?
A autonomia como finalidade primária da educação à luz de Sócrates, Diderot, Montessori, Piaget e Freire
DOI:
https://doi.org/10.24220/2318-0870v31a2026e18356Palavras-chave:
Formação educacional, Liberdade, Pensamento crítico, Processo educacional, VirtudeResumo
O presente ensaio propõe uma reflexão crítico-conceitual sobre o sentido da educação e da educação de qualidade no contexto contemporâneo, a partir do contraste entre a tradição do pensamento educacional e os marcos normativos atuais da Organização das Nações Unidas e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Parte-se do reconhecimento de que, embora o discurso global sobre educação se apresente como progressista ao enfatizar inclusão, acesso e desenvolvimento de competências, observa-se um esvaziamento conceitual no que se refere à autonomia do sujeito como finalidade explícita do processo educativo. Com base em uma análise histórico-conceitual, o ensaio revisita contribuições de Sócrates, Diderot, Montessori, Piaget e Freire, evidenciando como, em diferentes contextos filosóficos, pedagógicos e epistemológicos, a educação foi compreendida como um processo intrinsecamente orientado à formação do juízo, do pensamento crítico e do autogoverno do sujeito. Argumenta-se que a autonomia não deve ser entendida como um efeito secundário ou desejável apenas em determinados contextos, mas como o resultado primário da educação. Defende-se, assim, uma concepção de educação centrada no sujeito, comprometida com a oferta de conteúdos, experiências e ambientes que nutram a aprendizagem, possibilitem a construção do pensamento crítico e sustentem a capacidade de julgar o mundo e a si próprio. Conclui-se que a exclusão da autonomia dos referenciais contemporâneos de educação de qualidade reduz o potencial emancipatório da educação, aproximando-a de uma lógica de adaptação funcional e afastando-a de seu sentido histórico fundamental.
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