Tecnologia e controle do trabalho docente na rede estadual de educação do Paraná
DOI:
https://doi.org/10.24220/2318-0870v30a2025e16379Palavras-chave:
Autonomia, Neoliberalismo, Plataformização, Política educacional, VigilânciaResumo
Este artigo apresenta resultados parciais da pesquisa em curso que investiga o processo de controle do trabalho docente a partir do uso de tecnologias educacionais implementadas pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Com base no referencial teórico do materialismo histórico-dialético, o estudo parte da compreensão do trabalho como categoria fundante da existência humana e da educação como prática social historicamente constituída. Analisa como o trabalho docente, enquanto manifestação da atividade vital humana, vem sendo progressivamente subordinado às lógicas de padronização, mensuração e controle, especialmente por intermédio da tecnologia. A pesquisa tem caráter bibliográfico documental e utiliza como fontes para investigação as diretrizes institucionais, documentos oficiais disponíveis em portais governamentais, particularmente da Secretaria de Educação, além de reportagens e estudos acadêmicos relacionados ao tema. Analisa-se a rede pública estadual de ensino do Paraná, com foco nas políticas destinadas aos professores do ensino fundamental e médio. A partir da análise dos documentos observa-se que a incorporação de tecnologias, apesar de ter potencial para grande melhoria do processo de ensino-aprendizagem, tem sido apropriada sob uma lógica gerencialista, que mitiga a autonomia docente. As plataformas digitais, integradas ao sistema Escola Total, passaram a mensurar o uso de recursos pedagógicos e a vincular sua utilização ao desempenho profissional, consolidando uma forma de controle sobre o trabalho docente. Conclui-se que o avanço tecnológico, ao invés de emancipar, tem sido instrumentalizado para aprofundar a lógica da subordinação do trabalho ao capital, exigindo uma reflexão crítica sobre os rumos da educação pública.
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