Constipação em pacientes com síndrome dolorosa miofascial como importante aspecto para o tratamento clínico e nutricional: um estudo caso-controle
Palavras-chave:
Dor crônica, Constipação intestinal, Síndromes da dor miofascialResumo
Objetivo
Identificar a ocorrência de constipação em pacientes com síndrome dolorosa miofascial e correlacionar essa desordem da motilidade intestinal com variáveis clínicas e nutricionais.
Métodos
Trata-se de um estudo de caso-controle, realizado com 98 indivíduos adultos de ambos os sexos, sendo 49 pacientes e 49 indivíduos sem dor. A intensidade da dor foi avaliada usando a Escala Visual Analógica de Dor, que forneceu uma medida simples e eficaz de intensidade da dor, e consiste em uma linha horizontal de 10cm com as extremidades marcadas “ausência de dor” e “pior dor possível”. A ocorrência de constipação foi avaliada utilizando os critérios de Roma III. Uma regressão linear multivariada foi proposta para investigar fatores de risco entre a frequência de dejeções por semana e demais variáveis independentes do estudo.
Resultados
A média da idade dos pacientes e controles foi de 45,9 anos ± 7,6 DP e 41,2 anos ± 12,2 DP, respectivamente. A intensidade da dor referida mostrou uma média de 7,3 pontos ± 1,6 DP. A probabilidade de exibir a constipação foi 4,5 vezes maior nos pacientes com dor miofascial que nos indivíduos do grupo controle (p=0,001). A frequência de dejeções semanais relatada pelos pacientes apresentou correlação negativa com a intensidade da dor (r=-0,613, p<0,001). O uso de benzodiazepínicos foi negativamente correlacionado com a frequência de dejeções por semana, enquanto que o uso de relaxantes musculares aumentou a frequência de dejeções quando combinado com o uso de benzodiazepínicos, e ajustado pela ingestão de fibras, água e sexo (p=0.037).
Conclusão
A constipação foi uma entidade nosológica frequente no grupo de pacientes com dor miofascial. A alteração na motilidade intestinal mostrou uma correlação significativa com a intensidade da dor e a baixa ingestão hídrica. A redução do número de dejeções por semana parece estar associada ao uso de benzodiazepínicos.
Referências
Virtuoso-Júnior JS, Oliveira-Guerra R. Concurrent validity of self-reported weight and height for diagnosing elderly women’s nutritional status. Rev Salud Pública. 2010;12(1):71-81.
Wada K, Tamakoshi K, Tsunekawa T, Otsuka R, Zhang H, Murata C, et al. Validity of self-reported height and weight in a Japanese workplace population. Int J Obes. 2005;29(9):1093-9.
Niedhammer I, Bugel I, Bonenfant S, Goldberg M, Leclerc A. Validity of self-reported weight and height in the French GAZEL cohort. Int J Obes Relat Metab Disord. 2000;24(9):1111.
Mozumdar A, Liguori G. Corrective equations to self-reported height and weight for obesity estimates among U.S. Adults: NHANES 1999–2008. Res Q Exerc Sport. 2016;87(1):47-58.
Carvalho AM, Marchioni DML, Fisberg RM, Selem SSC, Piovezan LG. Validation and calibration of self-reported weight and height from individuals in the city of São Paulo. Rev Bras Epidemiol. 2014;17(3):735-46.
Kee CC, Lim KH, Sumarni MG, Teh CH, Chan YY, Hafizah N, et al. Validity of self-reported weight and height: A cross-sectional study among Malaysian adolescents. BMC Med Res Methodol. 2017;17:85. https://doi.org/10.1186/s12874-017-0362-0
Thomaz PMD, Silva EF, Costa TH. Validity of selfreported height, weight and body mass index in the adult population of Brasilia, Brazil. Rev Bras Epidemiol. 2013;16(1):157-69.
Fonseca MJM, Faerstein E, Chor D, Lopes CS. Validity of self-reported weight and height and the body mass index within the “Pró-Saúde” study. Rev Saúde Pública. 2004;38(3):392-8.
Silveira EA, Araújo CL, Gigante DP, Barros AJD, Lima MS. Weight and height validation for diagnosis of adult nutritional status in Southern Brazil. Cad Saúde Pública. 2005;21(1):235-45.
Peixoto MRG, Benício MHD, Jardim PCBV. Validity of self-reported weight and height: The Goiânia study, Brazil. Rev Saúde Pública. 2006;40(6):1065-72.
Avila-Funes JA, Gutiérrez-Robledo LM, Ponce de Leon Rosales S. Validity of height and weight self-report in Mexican adults: Results from the national health and aging study. J Nutr Health Aging. 2004;8(5):35-61.
Spencer EA, Appleby PN, Davey GK, Key TJ. Validity of self-reported height and weight in 4808 EPIC-Oxford participants. Public Health Nutr. 2002;5(4):561-5.
Lucca A, Moura EC. Validity and reliability of selfreported weight, height and body mass index from telephone interviews. Cad Saúde Pública. 2010;26(1):110-22.14. Nawaz H, Chan W, Abdulrahman M, Larson D, Katz DL. Self-reported weight and height: Implications for obesity research. Am J Prev Med. 2001;20(4):294-8.
Ikeda N. Validity of Self-reports of height and weight among the general adult population in Japan: Findings from National Household Surveys, 1986. PLoS One. 2016;11(2):e0148297. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0148297
Martin RC, Grier T, Canham-Chervak M, Anderson MK, Bushman TT, DeGroot DW, et al. Validity of self-reported physical fitness and body mass index in a military population. J Strength Cond Res. 2016;30(1):26-32. https://doi.org/10.1519/JSC.0000000000001026
Lu S, Su J, Xiang Q, Zhou J, Wu M. Accuracy of selfreported height, weight, and waist circumference in a general adult Chinese population. Popul Health Metr. 2016;14:30. https://doi.org/10.1186/s12963-016-0099-8
Craig BM, Adams AK. Accuracy of body mass index categories based on self-reported height and weight among women in the United States. Matern Child Health J. 2009;13(4):489-96.
Dekkers JC, van Wier MF, Hendriksen IJM, Twisk JWR, van Mechelen W. Accuracy of self-reported body weight, height and waist circumference in a Dutch overweight working population. BMC Med Res Methodol. 2008;8:69.
Duca D, Firpo G, González-Chica DA, Santos JV, Knuth AG, Camargo MBJ, et al. Self-reported weight and height for determining nutritional status of adults and elderly: Validity and implications for data analysis. Cad Saúde Pública. 2012;28(1):75-85.
Kuczmarski MF, Kuczmarski RJ, Najjar M. Effects of age on validity of self-reported height, weight, and body mass index: Findings from the Third National Health and Nutrition Examination Survey, 1988–1994. J Am Diet Assoc. 2001;101(1):28-34.
Connor Gorber S, Tremblay M, Moher D, Gorber B. A comparison of direct vs. self-report measures for assessing height, weight and body mass index: A systematic review. Obes Rev Off J Int Assoc Study Obes. 2007;8(4):307-26.
Nyholm M, Gullberg B, Merlo J, LundqvistPersson C, Råstam L, Lindblad U. The validity of obesity based on self-reported weight and height: Implications for population studies. Obes Silver Spring Md. 2007;15(1):197-208.
Chor D, Coutinho ESF, Laurenti R. Reliability of selfreported weight and height among State bank employees. Rev Saúde Pública. 1999;33(1):16-23.
Barros ES, Araújo AB, Freitas MR, Liberato EG. Influência da alimentação na lipodistrofia em portadores de HIV-AIDS praticantes de atividade física regular. Rev Bras Prescrição E Fisiol Exerc. 2011 [acesso 2011 dez 9];1(2). Disponível em: http://www.rbpfex.com.br/index.php/rbpfex/article/view/13
Giudici KV, Duran ACFL, Jaime PC. Selfreported body changes and associated factors in persons living with HIV. J Health Popul Nutr. 2010;28(6):560-6.
Kraft C, Robinson BBE, Nordstrom DL, Bockting WO, Rosser BRS. Obesity, body image, and unsafe sex in men who have sex with men. Arch Sex Behav. 2006;35(5):587-95.
Nguyen NTP, Tran BX, Hwang LY, Markham CM, Swartz MD, Vidrine JI, et al. Motivation to quit smoking among HIV-positive smokers in Vietnam. BMC Public Health. 2015;15:326.
Pengpid S, Peltzer K. Overweight and obesity and associated factors among school-aged adolescents in six pacific island countries in Oceania. Int J Environ Res Public Health. 2015;12(11):14505-18.
Duran ACFL, Florindo AA, Jaime PC. Can selfreported height and weight be used among people living with HIV/AIDS? Int J STD AIDS. 2012;23(4):e1-6.
Ministério da Saúde (Brasil). Orientações para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde : Norma Técnica do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN. Brasília: Ministério da Saúde; 2011 [acesso 2016 set 28]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_coleta_analise_dados_antropometricos.pdf
World Health Organization. Obesity: Preventing and managing the global epidemic. Geneva: WHO; 2000 [cited 2016 Jul 22]. Available from: http://www.who.int/entity/nutrition/publications/obesity/WHO_TRS_894/en/index.html
Brasil. Resolução CNS nº 466, de 12 de dezembro de 2012-Estabelece as diretrizes e normas brasileiras regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Rev Bras Bioét. 2012;8(1-4):105-20.
Szklo M, Nieto FJ, Miller D. Epidemiology: Beyond the basics. Am J Epidemiol. 2001;153(8):821-2.
Lin LI-K. A concordance correlation coefficient to evaluate reproducibility. Biometrics. 1989;45(1):255-68.
Bland JM, Altman DG. Measuring agreement in method comparison studies. Stat Methods Med Res. 1999;8(2):135-60.
Ribeiro LG, Cardoso LO. Estudos de validação: qual análise utilizar? Rev Bras Med Esporte. 2009;15(4):316-7.
Hayes AJ, Kortt MA, Clarke PM, Brandrup JD. Estimating equations to correct self-reported height and weight: Implications for prevalence of overweight and obesity in Australia. Aust N Z J Public Health. 2008;32(6):542-5.
Oliveira LPM, Queiroz VAO, Silva MCM, Pitangueira JCD, Costa PRF, Demétrio F, et al. Índice de massa corporal obtido por medidas autorreferidas para a classificação do estado antropométrico de adultos: estudo de validação com residentes no município de Salvador, estado da Bahia, Brasil. Epidemiol Serv Saúde. 2012;21(2):325-32.
Hendricks KM, Willis K, Houser R, Jones CY. Obesity in HIV-infection: Dietary correlates. J Am Coll Nutr. 2006;25(4):321-31.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Rafaela Lira Formiga Cavalcanti de LIMA, Amira Rose Costa MEDEIROS, Leidyanny Barbosa de MEDEIROS, Amanda Amaiy Pessoa SALERNO, Ronei Marcos de MORAES, Rodrigo Pinheiro de Toledo VIANNA
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.