Escolarização como aspecto de “risco” suicida à juventude cis-heterodissidente:
problematizações iniciais
DOI:
https://doi.org/10.24220/2318-0870v30a2025e12465Palavras-chave:
Abjeção, Autoextermínio, Experiências escolares, LGBTQIPA+, Teoria queerResumo
O objetivo deste texto é problematizar, teoricamente, como as experiências escolares desviadas de jovens podem constituir-se - e estão constituindo-se - como aspecto de “risco” suicida. Na intenção de complexificar cada vez mais as leituras a respeito da morte auto infligida, o artigo recorre a produções pós-estruturalistas e queer, sobretudo, às realizadas pelo campo educacional. Interroga-se como as experiências escolarizantes da juventude cis-heterodissidente podem se relacionar com a produção social da abjeção e com o suicídio. Aponta-se limites quanto a categorias de “risco” suicida mobilizadas por parcela das produções científicas. Sugere-se, por fim, que tal debate siga operado por outras formas de conceber o conhecimento e a linguagem, em particular, a partir de pesquisas em Educação.
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