Tempo, esperança e utopia: um ensaio filosófico em tempos de pandemia
DOI:
https://doi.org/10.24220/2525-9180v5e2020a5187Palavras-chave:
Esperança. Filosofia contemporânea. Tempo. Utopia.Resumo
A esperança é uma virtude teologal, um dom do Espírito concedido às mulheres e aos homens para que se movam em direção ao bem que ainda não possuem (S.Th. IIa IIae, q. 17-18). Portanto, refletir sobre a esperança é tarefa própria da Igreja e da Teologia; tarefa exigente, porém amplamente apoiada por citações bíblicas, sobretudo do Novo Testamento. Não obstante, é possível refletir sobre a esperança a partir de um pensamento que não dependa da revelação bíblica? Trata-se de uma tarefa não só exigente, mas também árdua. Uma das razões para tal é o fato de que o âmbito mais próprio para desenvolver a esperança é o tempo, e a contemporaneidade parece ter um mal-estar com o tempo. Além do mais, a própria definição de tempo não é tão simples: o que é tempo? Tradicionalmente, o tempo tem sido entendido desde uma estrutura material (Aristóteles) e estrutura psíquica (Agostinho de Hipona); contudo é possível pensar o tempo em uma estrutura mais abrangente que permita falar sobre a transcendência do tempo, mas sem sair dele? Este breve texto pretende recolher o que alguns autores da história da Filosofia ocidental pensaram sobre o tempo e verificar se essas reflexões permitem abrir o tempo à esperança e à utopia. Ainda que o texto pretenda ser estritamente filosófico, sua inspiração é a frase “Não deixemos que nos roubem a esperança”, do Papa Francisco (EG 86), que ecoa com ainda mais força em tempos de pandemia.
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