Performance arte:
fenômeno informativo, semióforo e fabricação do imortal
Palavras-chave:
Documento, Evento, Informação, Manifestação artística, Memória socialResumo
O presente trabalho discute a performance arte como um fenômeno informativo que mantém relações conceituais com as noções de semióforo e fabricação do imortal. Aborda as definições de evento, informação e evidência trazidas por Michael Buckland, os significados de performance arte dados por Renato Cohen, Amelia Jones, RoseLee Goldberg, Kristine Stiles e Peggy Phelan, a definição de semióforo proposta por Krzysztof Pomian, os conceitos de memória trabalhados por Pierre Nora, Maurice Halbwachs, Jacques Le Goff e Paul Ricoeur, e a ideia da fabricação do imortal apresentada por Regina Abreu. Analisa a performance arte enquanto evento – fenômeno informativo, definido no âmbito do intangível (informação-como-conhecimento) –, podendo gerar produtos passíveis de recuperação em sistemas de informação (informação-como-coisa), que não substituem a obra, mas representam os vestígios de sua materialidade. Discute o conceito de semióforo e o paradoxo que a abordagem propõe no campo das artes e na fabricação do imortal. Conclui-se que a performance arte se coloca fora do circuito da utilidade, atua no nível do simbólico, apresenta múltiplas significações e só existe por meio da presença e ação do artista. Essa manifestação artística nega a permanência representada pelo objeto, realizando-se enquanto obra apenas no presente e, portanto, desafiando o trabalho de fabricação e manutenção da memória.
Downloads
Referências
Abreu, R. A fabricação do imortal. Rio de Janeiro: Lapa: Rocco, 1996.
Briet, S. O que é a documentação. Brasília: Briquet de Lemos, 2016.
Buckland, M. Information as thing. Journal of the American Society of Information Science, v. 42, n. 5, p. 351-360, 1991. Disponível em: https://ppggoc.eci.ufmg.br/downloads/bibliografia/Buckland1991.pdf. Acesso em: 20 fev. 2024.
Cohen, R. Performance como linguagem: criação de um tempo-espaço de experimentação. São Paulo: Perspectiva, 2002.
Costa, A. Heráclito: fragmentos contextualizados. Rio de Janeiro: DIFEL, 2002.
Dodebei, V. Cultura digital: novo sentido e significado de documento para a memória social? DataGramaZero, v. 12, n. 2, 2011. Disponível em: https://scispace.com/pdf/a-biblioteca-publica-no-espaco-publico-estrategiasde-4dehblxr71.pdf. Acesso em: 12 jul. 2025.
Frohmann, B. A Documentação rediviva: prolegômenos a uma (outra) filosofia da informação. Morpheus, v. 9, n. 14, p. 227-249, 2012. Disponível em: http://seer.unirio.br/index.php/morpheus/article/view/4828/4318. Acesso em: 20 fev. 2024.
Frohmann, B. O caráter social, material e público da informação. In: Fujita, M.S. L.; Marteleto, R.M.; Lara, M. L. G. (org.). A dimensão epistemológica da ciência da informação e suas interfaces técnicas, políticas e institucionais nos processos de produção, acesso e disseminação da informação. Marília: Fundepe; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2008. p. 19-34. Disponível em: https://doi.org/10.36311/2008.978-85-98176-17-8.p19-34. Acesso em: 12 jul. 2025.
Goldberg, R. A arte da performance: do futurismo ao presente. Lisboa: Orfeu Negro, 2007.
Halbawchs, M. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.
International Federation of Library Associations and Institutions. Functional Requirements for Bibliographic Records: final report. München: K.G. Saur, 1998. Disponível em: http://www.ifla.org/files/assets/cataloguing/frbr/frbr_2008.pdf. Acesso em: 20 fev. 2024.
Jones, A. Body art: performing the subject. Minneapolis (EUA): University of Minnesota Press, 1998.
Jones, A.; Heathfield, A. Perform, repeat, record. Bristol: Intellect; Chicago: University of Chicago, 2012.
Le Goff, J. História e memória. Campinas: Unicamp, 1990.
Nora, P. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História, n. 10, p. 7-28, 1993. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/12101/8763. Acesso em: 20 fev. 2024.
Otlet, P. Tratado de documentação: o livro sobre o livro, teoria e prática. Brasília: Briquet de Lemos, 2018.
Phelan, P. A ontologia da performance: representação sem reprodução. Revista de Comunicação e Linguagens, n. 24, p. 171-191, 1997.
Pomian, K. Colecção. In: Gil, F. (coord.). Enciclopédia Einaudi: Memória-História. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 1984. p. 51-86.
Ricoeur, P. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Unicamp, 2007.
Silva, M.E.L. A arte contemporânea e o museu: desafios da preservação para além do objeto. In: Encontro de História da Arte, 7., 2011, São Paulo. Atas [...]. São Paulo: Unicamp, 2011. p. 305-309. Disponível em: https://www.ifch.unicamp.br/eha/atas/2011/Mariana%20Estellita%20Lins%20Silva.pdf. Acesso em: 20 fev. 2024.
Stiles, K. Performarce art. In: Stiles, K.; Selz, P. (coord.). Theories and documents of contemporary art: a source book of artists’ writings. California: University of California Press, 1996. p. 679-694.
Vianna, A.; Lissovsky, M.; Sá, P.S.M. A vontade de guardar: a lógica da acumulação em arquivos privados. Arquivo & Administração, v. 10-14, n. 2, p. 62-76, 1986.
Wähner, J. A voz do ralo é a voz de Deus. 2019. 1 fotografia color. Disponível em: https://julianawaehner.allyou.net/9467399/a-voz-do-ralo-e-a-voz-de-deus#. Acesso em: 20 fev. 2024.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Transinformação

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.



