Revisão de literatura: surdez e identidades interseccionais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24220/2318-0870v26e2021a5287

Palavras-chave:

Gênero, Identidades interseccionais. , Raça. , Surdez.

Resumo

 A surdez é mais investigada do que outras marcas identitárias, como gênero e raça, gerando a simplificação das identidades surdas e diminuindo a visibilidade das especificidades das outras pessoas também inseridas nesse grupo. O objetivo desta pesquisa é comparar o que tem sido produzido academicamente quanto à intersecção entre surdez, gênero e raça, quando as publicações mencionam os três marcadores sociais conjuntamente e quando mencionam apenas os dois primeiros. As buscas foram feitas nas bases de dados Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. A busca com foco na surdez e gênero foi denominada de Eixo 1 e a busca com foco na surdez, gênero e raça foi denominada de Eixo 2. O Eixo 1 resultou em seis publicações selecionadas e o Eixo 2 em três publicações. Percebeu-se que os estudos do Eixo 1 não realizaram o entrelace entre gênero e outros marcadores sociais de opressão, compreendendo o gênero como uma categoria autônoma. Os estudos do Eixo 2 mostraram que, além da raça, outros marcadores sociais atrelados à surdez não se sobrepõem, mas se interseccionam uns com os outros, e que a cada combinação há uma forma diferente de opressão sofrida pela mulher surda. Concluiu-se o quão importante é utilizar instrumentos conceituais que buscam analisar como as estruturas de opressão e de privilégio se entrelaçam e como exercem influência na vida e na construção das identidades das mulheres surdas.

Biografia do Autor

Fátima Elisabeth Denari, Universidade Federal de São Carlos - UFSCar

Possui graduação em Estudos Sociais pela Associação de Escolas Reunidas de São Carlos (1976), graduação em Complementação Pedagógica pela Faculdade Sâo Luiz (1986), mestrado em Educação Especial (Educação do Indivíduo Especial) pela Universidade Federal de São Carlos (1984) e doutorado em Metodologia do Ensino pela Universidade Federal de São Carlos (1997). Atualmente é professor associado 4 junto ao departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos e professor e orientador de mestrado e doutorado junto ao Programa de Pós Graduação em Educação Especial. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: educação especial, educação inclusiva, sexualidade e deficiência e formação de professores. Desde 2013 atua como professor colaborador junto ao Programa de Pós Graduação em Diversidade e Educação Sexual da FCL/UNESP, campus de Araraquara.

Isabella Mota Colombo, Universidade Federal de São Carlos - UFSCar

raduada em Licenciatura em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar (2019). Realizou Iniciação Científica de forma voluntária, pesquisando sobre deficiência, gênero e ensino superior (2018-2019).Participou do Programa Residência Pedagógica, fomentado pela Capes, o Programa de Residência Pedagógica integra a Política Nacional de Formação de Professores e induz o aperfeiçoamento do graduando, promovendo a imersão na escola e em sala de aula (2/2018-2019). Atualmente é mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Educação Especial (PPGEES), na Universidade Federal de São Carlos.

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Publicado

05-10-2021

Edição

Seção

Seção Temática: Ensino, Tradução e Interpretação em línguas de sinais: intersecções entre gênero, raça e etnia