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                <journal-title>Revista de Educação PUC-Campinas</journal-title>
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                <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0870v30a2025e15504</article-id>
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                <article-title>Memorial de formação: trajetórias de vida, resistência e desenvolvimento profissional docente</article-title>
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                    <trans-title>Formation memoir: life paths, resistance, and professional development in teaching</trans-title>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Santos</surname>
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                    <role>Concepção</role>
                    <role>Escrita</role>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Anunciato</surname>
                        <given-names>Rosa Maria Moraes</given-names>
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                    <role>Concepção</role>
                    <role>Supervisão</role>
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                <label>1</label>
                <institution content-type="orgname">Secretaria Municipal de Educação e Cultura</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Departamento Pedagógico</institution>
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                <label>2</label>
                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de São Carlos</institution>
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                <institution content-type="original">Universidade Federal de São Carlos, Centro de Educação e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Educação. São Carlos, SP, Brasil.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01">Correspondência para: J. A. Santos. <italic>E-mail:</italic>
                    <email>jucenilton@gmail.com</email>. </corresp>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <label>Editora</label>
                    <p>Andreza Barbosa</p>
                </fn>
                <fn fn-type="conflict">
                    <label>Conflito de interesses</label>
                    <p>Não há conflito de interesses.</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este artigo apresenta um memorial de formação construído por meio de uma narrativa autobiográfica, que reconstrói a trajetória de vida e profissional de um sujeito negro nordestino, oriundo do interior da Bahia, marcado por experiências de vulnerabilidade social, trabalho infantil e interrupções escolares. Ao lançar mão da escrita de si, o autor revisita, de maneira crítica e reflexiva, os caminhos percorridos na constituição de sua identidade docente, destacando a educação como eixo estruturante de sua emancipação pessoal, social e intelectual. O objetivo central é compreender como as experiências vividas (familiares, escolares, profissionais e acadêmicas) contribuíram para o desenvolvimento de sua prática pedagógica e de sua formação docente, em um percurso que vai desde a alfabetização em escola pública até a conquista do doutorado em Educação. Metodologicamente, a investigação insere-se no campo das pesquisas qualitativas com enfoque nas narrativas autobiográficas, compreendidas como instrumento epistemológico potente para a produção de saberes docentes. A escrita assume caráter analítico, revelando os sentidos atribuídos aos acontecimentos vividos, por meio da memória e da linguagem, situando-os em contextos históricos, sociais e institucionais. A opção por essa abordagem justifica-se pela crença na experiência como fonte legítima de conhecimento e pela valorização das vozes que, muitas vezes, permanecem à margem do discurso acadêmico tradicional. Assim, este memorial configura-se como um exercício de resistência e afirmação, dando visibilidade às histórias de superação e à construção contínua da identidade profissional docente em contextos desafiadores.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This article presents a memorial of teacher education developed through an autobiographical narrative that reconstructs the life and professional journey of a Black Northeastern Brazilian subject, born in the rural interior of Bahia, whose path was marked by social vulnerability, child labor, and school dropout. Through self-writing, the author critically and reflectively revisits the formative experiences that shaped his identity as an educator, emphasizing the central role of education in his personal, social, and intellectual emancipation. The main objective is to understand how lived experiences – familial, educational, professional, and academic – contributed to the development of his teaching practice and professional identity, in a trajectory that spans from public elementary school to the attainment of a PhD in Education. Methodologically, the study is situated within the field of qualitative research, with a focus on autobiographical narratives, understood as powerful epistemological tools for the production of teacher knowledge. The narrative adopts an analytical approach, attributing meaning to lived events through memory and language, while situating them in historical, social, and institutional contexts. The choice for this approach is grounded in the belief in experience as a legitimate source of knowledge and in the value of voices that are often marginalized in traditional academic discourse. Thus, this memorial becomes an exercise in resistance and affirmation, shedding light on stories of resilience and on the ongoing construction of professional teacher identity in challenging contexts.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Educação pública</kwd>
                <kwd>Experiência vivida</kwd>
                <kwd>Identidade docente</kwd>
                <kwd>Memorial de formação</kwd>
                <kwd>Narrativa autobiográfica</kwd>
            </kwd-group>
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                <title>Keywords</title>
                <kwd>Public education</kwd>
                <kwd>Lived experience</kwd>
                <kwd>Teacher identity</kwd>
                <kwd>Teacher education memorial</kwd>
                <kwd>Autobiographical narrative</kwd>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <disp-quote>
                <p>Estou a tentar explicar o que consiste escrever, ter um determinado estilo. É preciso que isso nos divirta. E para nos divertir torna-se necessário que a nossa narração ao leitor, através das significações puras e simples que lhe apresentamos, nos desvende os sentidos ocultos, que nos chegam através da nossa história.</p>
                <attrib>Jean Paul <xref ref-type="bibr" rid="B12">Sartre (1970)</xref>.</attrib>
            </disp-quote>
            <p>A presente narrativa inicia-se com as palavras de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Sartre (1970)</xref>, que oferecem subsídios para relatar momentos significativos da trajetória acadêmica e profissional do autor, oriundo do interior da Bahia, com nuances de sua vivência pessoal. As reflexões de Sartre mostram-se pertinentes ao afirmar que “o leitor é, assim, como que um analista, a quem o todo é destinado”, sendo, portanto, à comunidade acadêmica que este texto se dirige. Consideram-se tanto os aspectos explícitos quanto os implícitos que permeiam as entrelinhas da escrita, uma vez que a elaboração de um trabalho acadêmico constitui uma tarefa complexa, exigindo entrega, dedicação, compromisso e diálogo constante com os sujeitos da pesquisa, bem como com os teóricos com os quais se estabelecem as discussões ora apresentadas.</p>
            <p>Nesse sentido, as palavras de Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, ressoam com profundidade: “Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que já se passaram. Mas pela astúcia que tem certas coisas passadas de fazer balancê, de se remexerem dos lugares” (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Rosa, 1986, p. 172</xref>). Ao rememorar sua história, o autor reconhece que não seguirá, necessariamente, uma linearidade, uma vez que, ao se narrar experiências de vida (sejam elas pessoais, acadêmicas ou profissionais), os espaços e personagens nem sempre se organizam de maneira lógica, tampouco os acontecimentos se desenrolam em ordem cronológica.</p>
            <p>Neste texto, apresenta-se o memorial de formação do autor, um texto de caráter autobiográfico em que são analisadas, de forma crítica e reflexiva, as etapas constitutivas de sua formação intelectual e profissional. O autor busca explicitar o papel desempenhado pelas pessoas, fatos e acontecimentos mencionados ao longo de sua trajetória.</p>
            <p>Do ponto de vista metodológico, este memorial de formação insere-se no campo das pesquisas autobiográficas, compreendendo a escrita de si como um processo de construção de conhecimento e de subjetivação do pesquisador. A narrativa assume um caráter reflexivo e analítico, permitindo ao autor revisitar suas experiências formativas, situando-as em contextos históricos, sociais e institucionais que contribuíram para a constituição de sua identidade profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Oliveira, 2011</xref>). A opção por uma abordagem qualitativa e narrativa fundamenta-se na compreensão de que a experiência vivida, quando problematizada e ressignificada, torna-se uma fonte legítima de produção de saberes no campo da educação, assim, a memória e a escrita são aqui mobilizadas como ferramentas epistemológicas que favorecem a compreensão do percurso formativo do autor enquanto sujeito pesquisador e educador.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Formação docente e experiência vivida: um estudo de si com base na narrativa autobiográfica</title>
            <p>Atualmente, observa-se que, apesar do contexto político brasileiro marcado pela escassez de investimentos na área da Educação, ainda persiste uma valorização social do processo de escolarização. Tal reconhecimento, no entanto, é fruto de uma construção histórica, não se constituindo como algo natural ou dado desde sempre. Partindo dessa compreensão, o autor propõe-se a apresentar sua trajetória no campo educacional, iniciando desde suas primeiras experiências escolares, na medida em que sua memória o permitir acessar tais vivências. A cada retorno ao passado, marcas do vivido emergem e ressurgem, compondo uma narrativa permeada por desafios enfrentados ao longo de um percurso que se estende desde a Educação Infantil até o ingresso no doutorado em Educação.</p>
            <p>Durante a escrita desta narrativa autobiográfica, o autor encontrava-se residindo na cidade de São Carlos/SP, devido à exigência da participação presencial nas disciplinas do curso. Estando longe de sua cidade de origem, e diante da dificuldade em recordar certos episódios de sua escolarização inicial, recorreu ao auxílio de sua mãe, por meio de mensagens e chamadas telefônicas, como forma de reativar a memória. Essa interlocução com as lembranças maternas evidencia não apenas a dimensão afetiva do processo de rememoração, mas também a natureza coletiva e construída da memória. Nesse exercício de busca por sentido e reconstrução do vivido, o autor inspira-se na pedagogia libertadora de <xref ref-type="bibr" rid="B05">Freire (2010, p. 46)</xref>, compreendendo sua trajetória como expressão concreta de uma “pedagogia dos homens em processo de permanente libertação”.</p>
            <p>Costurar essa narrativa, no entanto, revela-se uma tarefa complexa. Como bem aponta <xref ref-type="bibr" rid="B06">Guedes-Pinto (2005, p. 1)</xref>, essa escrita mobiliza uma série de questões: “que encaminhamentos devemos dar à sua escrita? Que escolhas fazer em sua narrativa? O que se conta e o que não se deve revelar? E se não conseguirmos lembrar? E se a memória falhar?”. Tais indagações também atravessam o autor, que reflete criticamente sobre os limites e possibilidades da narrativa autobiográfica, ao mesmo tempo em que tenta registrar – ainda que de forma não linear – fragmentos significativos de sua trajetória.</p>
            <p>O objetivo, portanto, é explicitar a importância da Educação em sua vida, não apenas enquanto mecanismo de ascensão acadêmica e profissional, mas como elemento estruturante de sua constituição ética e cidadã. Ao longo de sua formação, os valores herdados da família e os ensinamentos de seus professores tornaram-se fundamentais para a forma como passou a perceber o mundo e a enfrentar suas adversidades, contrastes e injustiças sociais. O autor ressalta ainda que sua intenção não é suscitar piedade, mas compartilhar uma vivência que, embora singular, conecta-se a muitas outras marcadas por trajetórias igualmente ou ainda mais desafiadoras. A ausência de linearidade, por fim, não compromete a coerência da narrativa; ao contrário, ela traduz a própria complexidade do processo de rememoração e escrita de si.</p>
            <p>O autor nasceu na Avenida Artur Inácio, no Bairro Noilson Cerqueira, no município de Itiruçu, interior da Bahia, pertencente ao Território de Identidade Vale do Jiquiriçá, situado a aproximadamente 336,8 km da capital Salvador. Sua primeira moradia foi uma casa simples, com paredes de taipa, construção típica da época. Desde o nascimento, residiu nesta mesma cidade, onde teve início sua trajetória educacional.</p>
            <p>Desde muito pequeno, demonstrava interesse pelos estudos, embora, por conta da tenra idade, não compreendesse plenamente a finalidade de frequentar a escola. Recorda-se da rotina de acordar cedo para ir ao encontro da professora e dos colegas, experiências que, mesmo fragmentadas pela memória, permanecem significativas.</p>
            <p>Foi por volta dos quatro anos de idade que o autor ingressou, pela primeira vez, na Escola Municipal Presidente Tancredo Neves (EMPTN), instituição localizada a apenas 50 metros de sua residência. A proximidade física com a escola favoreceu sua frequência e inserção no ambiente escolar. Ainda que não detenha lembranças nítidas de todos os acontecimentos dessa fase, a escrita deste texto foi alimentada por relatos de familiares e conhecidos que, à época, já se encontravam na vida adulta.</p>
            <p>Na EMPTN cursou da alfabetização até a então 4ª série do Ensino Fundamental, sendo acompanhado por diferentes professoras ao longo dos anos. Entre elas, destaca-se a lembrança afetiva de uma docente cujo nome remetia ao de sua mãe, Marlene – associação que revela a importância dos vínculos afetivos estabelecidos no espaço escolar para a constituição de sua relação com o saber e com a escola.</p>
            <p>Durante certo período de sua trajetória escolar, em virtude de reformas no prédio da EMPTN, o autor e seus colegas foram transferidos temporariamente para o Prédio Escolar Vivaldo Bastos (PEVB), localizado no centro da cidade e pertencente à mesma rede municipal. Nessa breve passagem por outra instituição, pôde vivenciar experiências pedagógicas significativas com professoras que, embora hoje não estejam mais entre nós, deixaram marcas importantes em sua formação.</p>
            <p>Ao longo dos anos em que cursou da Educação Infantil até a 4ª série na época, sua rotina escolar coexistia com o trabalho na lavoura. Mesmo sendo criança, participava da colheita de café – atividade conhecida localmente como “panha” ou “catar café” – para auxiliar nas despesas domésticas. Essa tarefa era desempenhada ao lado de sua avó, Angelina, e de sua mãe, Marlene, ambas trabalhadoras rurais. Naquele contexto, o trabalho na roça representava uma das poucas alternativas dignas de geração de renda, somando-se eventualmente a trabalhos como empregadas domésticas.</p>
            <p>O autor também guarda memórias marcantes do período em que presenciou sua avó e sua mãe recorrerem à ajuda de algumas famílias da classe média local para garantir a alimentação de seus filhos e netos. Embora relate tais episódios sem constrangimento, reconhece a carga emocional que tais lembranças ainda carregam, sendo comum a comoção ao rememorar tais passagens de sua infância.</p>
            <p>Com o passar do tempo, a situação familiar apresentou melhorias após a aposentadoria de sua avó como lavradora, o que possibilitou certa estabilidade financeira e reduziu a necessidade de recorrer à ajuda de terceiros. Ainda assim, por muitos anos, a agricultura continuou a ser uma importante fonte de sustento da família, complementando a renda proveniente do benefício previdenciário e permitindo o acesso a itens básicos para o lar.</p>
            <p>A relação do autor com o pai foi, durante a infância e adolescência, marcada por certa distância. Embora residissem na mesma rua, não compartilhavam o mesmo lar, em virtude da separação ocorrida logo após o nascimento de sua irmã. Apenas na vida adulta houve uma reaproximação entre pai e filho, consolidando-se uma convivência afetuosa, pautada pelo respeito mútuo. Atualmente, mantêm uma relação harmoniosa, com visitas frequentes e momentos compartilhados.</p>
            <p>Criado por sua mãe e por sua avó, o autor cresceu em um núcleo familiar marcado pela presença afetuosa de uma irmã, filha de seus pais, e de um irmão por parte de mãe. Apesar das diferenças de origem e das trajetórias familiares distintas, a convivência sempre foi pautada por laços sólidos de cuidado, respeito e fraternidade.</p>
            <p>Foi na EMPTN que o autor iniciou seu processo de alfabetização, embora não se recorde com precisão da idade. Desde cedo, desenvolveu uma relação intensa com a leitura, que ultrapassava o mero entretenimento e se consolidou como um hábito cotidiano. A leitura transformou-se em parte fundamental de sua formação intelectual: dos gibis às fábulas, passando por crônicas, contos, romances, poemas e até jornais, o autor consumia com entusiasmo todo material disponível na escola. Dentre os inúmeros exemplares lidos, recorda-se especialmente de um livro retirado do “Cantinho da Leitura” da sala de aula. O apego à obra foi tal que a levou para casa sem autorização da professora, e, temendo ser repreendido caso tentasse devolvê-la após um tempo, optou por mantê-la guardada – uma ação que, mesmo infantil, revela a profundidade do vínculo afetivo com a leitura.</p>
            <p>Concluiu a 4ª série (atualmente correspondente ao 5º ano do Ensino Fundamental) na EMPTN por volta dos nove anos de idade. A sequência natural de sua trajetória escolar seria a matrícula na antiga 5ª série (atual 6º ano), oferecida à época exclusivamente pelo Colégio Municipal Antônio Francisco de Souza (CMAFS), o único da cidade com essa etapa de ensino, no entanto, não foi possível realizar essa transição imediatamente após a conclusão dos anos iniciais. As dificuldades financeiras enfrentadas por sua mãe e sua avó impediram a aquisição do material escolar solicitado, incluindo uniformes, calçados e livros – esses últimos ainda não fornecidos pelo Estado, uma vez que o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), de responsabilidade do MEC e gerido pelo FNDE, ainda não havia sido implementado da forma como é conhecido atualmente.</p>
            <p>Hoje desativada, a EMPTN passou a funcionar como estrutura de apoio a outros órgãos públicos do município, como unidades escolares em reforma ou centros do Programa de Saúde da Família (PSF). Apesar da mudança de função, a escola permanece viva na memória do autor, que a reconhece como espaço fundamental para sua constituição como sujeito e educador, pela qualidade das relações interpessoais ali vivenciadas e pelo conhecimento adquirido. Dali, restam lembranças afetuosas, amizades cultivadas e a saudade de um tempo formativo.</p>
            <p>Durante aproximadamente cinco anos, sonhou com a possibilidade de ingressar no CMAFS. Enquanto esse desejo não se realizava, dedicava-se ao trabalho, exercendo múltiplas atividades desde a infância: além da colheita de café, atuou na lavoura de tomate e maracujá, vendeu picolés, cosméticos, verduras na feira-livre e foi ajudante de um trabalhador local. Esses anos marcaram uma transição complexa entre a infância e a pré-adolescência, atravessada por conflitos subjetivos e pelas dificuldades sociais, mas também permeada pelo desejo constante de retomar os estudos e dar continuidade à formação escolar interrompida.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>A travessia para o Ensino Fundamental II: memórias de acesso e construção de identidade escolar</title>
            <p>Decorridos cinco anos desde a conclusão da 4ª série do Ensino Fundamental I, o autor ingressa, em 1995, na tão almejada 5ª série (atualmente denominada 6º ano), no CMAFS. Nesse período, conciliava os estudos em um turno com a atividade de vendedor de picolés no outro, especialmente em dias ensolarados e fins de semana. O referido colégio, por sua vez, carregava o prestígio de ser frequentado pelos jovens mais admirados da cidade, o que tornava sua atmosfera ainda mais encantadora aos olhos de um adolescente. O ingresso na instituição só foi possível graças à solidariedade de um casal para quem a mãe e a avó do autor prestaram serviços domésticos e que, sensibilizados, colaboraram com a aquisição de itens indispensáveis à sua permanência escolar. Soma-se a essa rede de apoio o gesto de uma senhora residente em Salvador, que, durante alguns anos, enviava cadernos, lápis, borrachas, canetas, réguas, instrumentos geométricos e pastas escolares, numa caixa que o autor aguardava com expectativa, marcado pelo afeto e pelo simbolismo do “cheiro de material novo”.</p>
            <p>Durante os anos das “séries finais”, essas doações foram fundamentais para sua permanência no espaço escolar. Em uma ocasião marcante, o autor destaca que possuía o caderno mais bonito da sala, algo que o emocionava profundamente. No entanto, apesar da felicidade pelo ingresso no colégio, a adaptação não foi fácil. O ambiente escolar era atravessado por desigualdades e tensões juvenis, e o autor vivenciou situações de perseguição e exclusão devido a características físicas que o tornavam alvo de <italic>bullying</italic>, o qual <xref ref-type="bibr" rid="B02">Fante (2005, p. 29)</xref> define como “um comportamento cruel, intrínseco nas relações interpessoais, em que os mais fortes convertem os mais frágeis em objetos de diversão e prazer, por meio de brincadeiras que disfarçam o propósito de maltratar e intimidar”.</p>
            <p>Em função dessa realidade, o autor adotava estratégias de invisibilidade, como o uso de guarda-chuva em dias de sol, na tentativa de ocultar o rosto e evitar constrangimentos. Situações como essas exigiram dele o desenvolvimento de resiliência, compreendida por <xref ref-type="bibr" rid="B01">Day (2014, p. 102)</xref> como a capacidade de acionar reservas físicas, psicológicas e emocionais para seguir realizando o trabalho – ou, no caso, os estudos – da melhor forma possível, mesmo diante das adversidades. Assim, a permanência no CMAFS foi marcada por um duplo movimento: de resistência e superação, mas também de afeto, aprendizado e alegria.</p>
            <p>Ao longo dessa trajetória, o autor constituiu vínculos importantes com colegas e professores, dos quais ainda hoje guarda boas lembranças. As vivências nesse espaço escolar não se limitaram ao sofrimento; foram permeadas por momentos festivos, pelas interações afetivas e, inclusive, pelo sabor do lanche escolar, cuja preferência recaía sobre os dias em que eram servidas opções salgadas, a ponto de dispensar o almoço em casa durante os períodos em que frequentava o turno matutino.</p>
            <p>O CMAFS ofertava também o Ensino Médio (EM), etapa que o autor cursou integralmente na instituição. À época, esse era o único colégio público da cidade a oferecer essa modalidade, o que o tornava central para o acesso à formação de nível médio na pequena cidade baiana de aproximadamente 13 mil habitantes. Hoje, o EM é ofertado pelo Colégio Estadual Maria Cândida de Castilho Fontoura.</p>
            <p>Durante sua permanência no colégio, o autor era reconhecido como um dos estudantes com melhor desempenho acadêmico. Nas datas de provas, era comum que colegas buscassem sentar-se próximos a ele na tentativa de copiar suas respostas, prática dificultada pelos próprios docentes, que alteravam as disposições das carteiras como forma de coibir tais ações.</p>
            <p>Diversos colegas que iniciaram as séries finais junto ao autor também concluíram o EM no início dos anos 2000. A formatura, realizada sob a forma de colação de grau, marcou simbolicamente o encerramento de um ciclo. Como a modalidade de EM cursada era o antigo magistério, o autor concluiu essa etapa já habilitado para o exercício da docência, experiência que será aprofundada em seções posteriores deste texto. A formatura contou ainda com festas nas casas de alguns formandos e uma viagem à praia de Barra Grande, na Ilha de Itaparica, em Salvador, oferecida pelo paraninfo da turma – vivência repleta de memórias e traços da juventude daquele tempo.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Trajetórias educativas e o despertar da vocação docente</title>
            <p>Conforme já mencionado, o Ensino Médio cursado pelo autor no CMAFS correspondia à modalidade do antigo magistério, o que permitia que os concluintes saíssem habilitados para atuar na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. A estrutura curricular desse curso contemplava, à semelhança das licenciaturas atuais, momentos formativos de extrema relevância, como os estágios supervisionados, que se configuraram como experiências decisivas na consolidação de sua escolha profissional.</p>
            <p>Desde os primeiros anos escolares, o autor nutria admiração pelas professoras que o acompanhavam em sala de aula, encantando-se com a prática docente e idealizando, ainda que de forma difusa, a possibilidade de um dia também ocupar esse lugar. A realização dos estágios de observação e docência, no entanto, trouxe clareza e confirmação: o caminho escolhido, ainda em processo, era promissor e alinhado com sua vocação.</p>
            <p>Ainda durante o último ano do Ensino Médio, o autor iniciou sua inserção no mundo do trabalho na área da Educação, sendo contratado como Auxiliar de Secretaria na Escola Municipal Maria Isabel Pimenta. Antes disso, já havia atuado como Agente de Portaria na mesma unidade, exercendo funções que combinavam o acolhimento aos alunos do turno noturno com o cuidado e a vigilância do espaço escolar. À época, ainda não havia concluído a formação no magistério, o que evidencia o reconhecimento precoce de seu comprometimento e responsabilidade no ambiente educacional.</p>
            <p>Após concluir o Ensino Médio, foi promovido à função de professor contratado, assumindo turmas no Centro Educacional Wagner Pereira Novaes (CEWPN). Com o tempo, suas responsabilidades docentes se ampliaram e, em determinado ano, chegou a lecionar em jornada de 40 horas, divididas entre o CEWPN e a Escola Municipal Geraldo Cerqueira, localizada na zona rural do município.</p>
            <p>A dedicação ao magistério coexistia com um desejo persistente de dar continuidade aos estudos em nível superior. Sem acesso a cursinhos preparatórios em sua cidade natal, Itiruçu, e impossibilitado financeiramente de se deslocar à cidade vizinha, Jequié, o autor investia no autoestudo, utilizando os poucos materiais didáticos que conseguia por meio de doações ou empréstimos. Suas sessões de estudo ocorriam, muitas vezes, sob condições precárias, na modesta residência da avó, onde as goteiras em dias de chuva, aliadas ao telhado manchado pela fumaça do fogão a lenha, danificavam apostilas e livros, tornando o processo ainda mais desafiador.</p>
            <p>Na ausência de acesso regular à internet e a equipamentos eletrônicos, o autor recorria à biblioteca pública local como espaço privilegiado de informação e atualização. Ali, mantinha o hábito de leitura do jornal A Tarde, à época o principal veículo impresso do estado da Bahia, além de revistas semanais como <italic>Veja</italic> e <italic>IstoÉ</italic>, que contribuíam para sua formação crítica em áreas como atualidades, política, economia, cultura e educação. Por meio da carteirinha de estudante, também retirava regularmente obras literárias indicadas nos vestibulares e outros títulos que despertavam seu interesse.</p>
            <p>O sonho de cursar o ensino superior na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) mantinha-se como horizonte formativo e profissional. Entretanto, o acesso à universidade pública naquele período era marcado por alta concorrência, dada a escassez de políticas públicas de inclusão. A criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), em 2004, representou um marco importante, embora sua abrangência inicial fosse ainda limitada. Naquele contexto, o caminho para a universidade exigia resiliência, perseverança e, sobretudo, uma profunda crença na educação como possibilidade de transformação social e pessoal.</p>
            <p>Em 2005, o autor foi aprovado no vestibular e ingressou no curso de Letras - Licenciatura em Língua Portuguesa e suas respectivas Literaturas, na UESB, campus de Jequié/BA. O período da graduação foi marcado por desafios significativos, sobretudo pela logística exigida para frequentar as aulas, que ocorriam de segunda a sexta-feira e, em determinados semestres, também aos sábados. Todos os dias, ele realizava um deslocamento de aproximadamente 50 km, entre sua cidade natal, Itiruçu, e o campus universitário.</p>
            <p>As dificuldades se intensificaram a partir de 2007, quando passou a atuar simultaneamente em duas escolas – uma municipal e outra particular – cujos turnos se encerravam próximo ao horário de saída do transporte universitário, às 17h30. Essa sobreposição de horários impunha-lhe uma rotina extenuante, que, por vezes, o impedia até mesmo de realizar tarefas básicas, como tomar banho antes de seguir para a universidade. Essa rotina desgastante perdurou por cerca de dois anos, durante os quais ele só conseguia se higienizar ao retornar para casa, por volta da meia-noite ou até mais tarde, em casos de atrasos causados por acidentes ou problemas mecânicos no trajeto da BR-116, especialmente no trecho conhecido como Serra do Mutum, notoriamente perigoso.</p>
            <p>Nos dois anos finais da graduação, a rotina tornou-se mais equilibrada, mas ainda assim foi um período exigente, porém formativo. Em meados de 2009, concluiu a licenciatura em tempo regular. A vivência acadêmica, as aulas ministradas por docentes experientes e os estágios supervisionados realizados paralelamente à atuação como professor iniciante fortaleceram sua convicção quanto à escolha profissional. Os professores da UESB, por meio dos saberes compartilhados e dos exemplos de prática docente, foram fundamentais para consolidar sua identidade como educador.</p>
            <p>Paralelamente à graduação, em 2006, participou do concurso público promovido pela Prefeitura Municipal de Itiruçu, sendo aprovado para o cargo de professor da educação básica. Foi lotado na Escola Municipal Professora Terezinha Noronha, instituição onde estudara na infância, fato que lhe trouxe grande satisfação pessoal e orgulho familiar. O retorno à escola como docente foi simbólico, representando um reencontro com as próprias raízes educacionais.</p>
            <p>Contudo, o tempo na EMPTN foi breve. Após o recesso junino daquele mesmo ano, foi convocado pelo então secretário de educação para retornar ao CEWPN, por meio de ofício formal e diálogo informal com o gestor. Posteriormente, devido a questões jurídicas relacionadas à nomeação de instituições com nomes de pessoas vivas, a escola passou a se chamar Centro Educacional Adalício Silva Novaes (CEASN), mudança ocorrida por volta de 2007. Nesse espaço escolar, o autor também exerceu funções de gestão, tendo atuado como vice-diretor entre os anos de 2011 e 2012, e como diretor durante o período de licença maternidade da gestora titular.</p>
            <p>Ainda no segundo semestre de 2007, recebeu o convite para lecionar no Instituto de Educação Dinâmica (IED), escola particular que atende estudantes em situação de vulnerabilidade social por meio de bolsas de estudo patrocinadas por benfeitores italianos vinculados ao Projeto Cáritas Francescana. O autor acredita que sua aprovação no vestibular da UESB, sem ter cursado preparatórios específicos, foi um dos elementos que motivaram o convite, no entanto, destaca que tal conquista foi resultado de intenso esforço pessoal e noites mal dormidas dedicadas aos estudos.</p>
            <p>Permaneceu no IED até o início de 2013, período que considera extremamente formativo. Foi nesse espaço que consolidou suas habilidades práticas na docência, sobretudo pela proposta pedagógica da escola, pautada nos valores cristãos da Igreja Católica, sob a liderança de um frei franciscano italiano. No IED, ministrava aulas de Língua Portuguesa, Literatura e Redação para turmas do Ensino Fundamental e Médio, utilizando metodologias diversificadas que incluíam o uso de recursos audiovisuais, como vídeos e apresentações de slides no laboratório de informática da instituição.</p>
            <p>Durante sua atuação no Instituto IED, o autor vivenciou experiências pedagógicas marcantes, especialmente no que se refere à busca por metodologias mais significativas e inovadoras no ensino de Literatura. Com frequência, alunos do Ensino Médio solicitavam que as aulas fossem realizadas fora do espaço tradicional da sala de aula, em áreas externas que ofereciam sombra e conforto, como debaixo de árvores situadas dentro do próprio espaço escolar, cercado por arame e, portanto, seguro.</p>
            <p>Em determinado momento, o autor atendeu ao pedido de uma turma do terceiro ano e conduziu a aula de Literatura sob uma dessas árvores. Com os livros abertos na mesma página, alunos e professor realizavam leituras, promoviam debates e contextualizavam o conteúdo por meio de interações dialógicas e questionamentos. A atividade fluía de maneira produtiva, até o momento em que o presidente do Instituto, em visita à escola naquela semana, ao sair do setor administrativo, deparou-se com a cena.</p>
            <p>Ao aproximar-se, questionou de forma ríspida o que faziam naquele local, e, ao ser informado de que se tratava de uma aula de Literatura, exigiu, em tom autoritário, que todos retornassem imediatamente à sala de aula, alegando que aquele espaço não era apropriado para fins pedagógicos. O episódio foi recebido com decepção por parte dos alunos, que, mesmo reconhecendo que o pedido partira deles, sentiram-se constrangidos. De volta à sala, o professor desculpou-se e assegurou que a situação não se repetiria. A partir de então, as aulas permaneceram restritas ao espaço tradicional da sala, e práticas inovadoras deixaram de ser consideradas.</p>
            <p>Essa experiência remete o autor a uma passagem da obra <italic>À sombra desta mangueira</italic>, de <xref ref-type="bibr" rid="B03">Paulo Freire (2015, p. 19)</xref>, em que o educador relata:</p>
            <disp-quote>
                <p>Na verdade, não foram poucas as tardes em que, aluno do então chamado curso ginasial, estudei lições de História do Brasil ou a questão da colocação pronominal à sombra da grande jaqueira que nos enfeitava o quintal da casa de Jaboatão. Eu usava a amenidade das sombras para estudar, para brincar, para conversar [...].</p>
            </disp-quote>
            <p>Dessa forma, práticas que, para Freire, foram fundamentais em sua formação intelectual e afetiva, como o estudo, o brincar e o diálogo sob árvores frondosas, seguem sendo tolhidas em muitos contextos escolares, como o vivenciado pelo autor. Contudo, ele ressalta que, sempre que possível, buscará retomar esse tipo de abordagem, reconhecendo seu potencial formativo e humanizador.</p>
            <p>Entre os anos de 2011 e 2012, o autor concluiu duas especializações lato sensu: Leitura, Produção e Interpretação de Textos (com carga horária de 540 horas), pela Faculdade Integrada Euclides Fernandes, e Gestão Educacional (380 horas), pela Faculdade de Educação Superior do Piemonte da Chapada. Em continuidade à sua formação, cursou, entre 2012 e 2013, a especialização em Gestão Escolar, modalidade a distância, no âmbito do programa Escola de Gestores, promovido pela Universidade Federal da Bahia, com carga horária de 400 horas.</p>
            <p>Em 2013, foi aprovado em primeiro lugar no Processo Seletivo Simplificado para contratação temporária, sob Regime Especial de Direito Administrativo, para o cargo de professor de Língua Portuguesa na rede estadual da Bahia. Foi convocado no ano seguinte e passou a atuar no Colégio Estadual Virgílio Pereira de Almeida, no município de Jaguaquara/BA. Inicialmente, lecionou no turno matutino com carga horária de 20 horas, e, posteriormente, passou a atuar no período noturno com turmas da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), mantendo-se nessa instituição até o primeiro semestre de 2018.</p>
            <p>Em 2014 foi aprovado na seleção do Mestrado Profissional em Letras da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), programa em rede nacional, pela unidade da UESB, campus de Vitória da Conquista, onde, no dia 06 de março de 2017, defendeu a dissertação (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Santos, 2017</xref>). A escolha por esse curso se deu em virtude de sua trajetória como docente de Língua Portuguesa nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, buscando, assim, um aprimoramento mais aprofundado na área da linguagem. A experiência no mestrado foi excepcional e contribuiu significativamente para sua consolidação e realização enquanto professor.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Caminhos de esperançar: jornada de um educador na construção de sua formação e identidade docente</title>
            <p>O ingresso no mestrado despertou um interesse mais profundo pela vida acadêmica e pela docência no ensino superior. A partir dessa experiência, teve a oportunidade de participar de diversos eventos acadêmicos, apresentando trabalhos, publicando artigos em periódicos científicos e ampliando sua rede de interlocuções na área. Dentre essas vivências, destaca-se a apresentação de um trabalho na modalidade comunicação oral no XII Colóquio “Os Estudos Lexicais em Diferentes Perspectivas”, realizado na Universidade de São Paulo, experiência marcante em sua trajetória. A repercussão foi tamanha que gerou matéria em um blog local e resultou na aprovação de uma Moção de Aplauso em seu nome pela Câmara Municipal de Itiruçu/BA – reconhecimento que, para ele, oriundo do trabalho na lavoura e atualmente professor, representou uma grande honra.</p>
            <p>A reflexão que faz sobre esse episódio evidencia como a imagem do professor ainda é, para a sociedade, sinônimo de respeito, valorização e relevância social, mesmo diante das adversidades impostas pela conjuntura política e educacional brasileira contemporânea.</p>
            <p>Entre os anos de 2012 a 2018 atuou como docente em diferentes instituições privadas de ensino superior, lecionando disciplinas nos cursos de graduação em Pedagogia, Letras, Educação Física e Administração, além de ter participado como docente em um curso de especialização. Dentre as experiências mais significativas, destaca-se sua atuação na Faculdade Integrada do Brasil, na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso. Na ocasião, orientou uma turma composta por 24 alunos do curso de Pedagogia, os quais, em 2016, prestaram-lhe uma homenagem ao escolhê-lo como Nome da Turma durante a solenidade de formatura. Esse reconhecimento lhe trouxe profunda reflexão sobre sua prática docente, pois, dentre os professores que acompanharam aquela turma ao longo do curso, foi escolhido para tal distinção – fato que o fez sentir-se honrado e seguro de que seguia um caminho coerente e comprometido com a educação.</p>
            <p>No início de 2017, assumiu a Coordenação Técnico-Pedagógica das escolas dos Anos Finais do município de Itiruçu/BA, vinculadas à Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC), atuando especificamente no CEASN e no Colégio Municipal Professor Cid Alves Santos, em um regime de 40 horas semanais – 20 horas oriundas do concurso público e 20 horas por meio de contrato. Vale destacar que parte dos docentes dessas unidades de ensino são egressos do curso de Pedagogia ofertado pelo Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR). A experiência na coordenação técnico-pedagógica revelou-se enriquecedora, pois lhe possibilitou compartilhar os conhecimentos adquiridos ao longo de sua trajetória formativa com os coordenadores pedagógicos que acompanhava enquanto supervisor. A partir do segundo ano do doutoramento, retornou a essa função na SEMEC, dando continuidade ao trabalho formativo e de gestão educacional no município.</p>
            <p>A persistência na formação acadêmica levou o autor a ser aprovado, em 2019, no processo seletivo de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Essa conquista representou um marco significativo, pois demandou a mudança de sua cidade natal para residir em outro município, enfrentando o temor do desconhecido. Contudo, essa experiência revelou-se extremamente gratificante, permitindo que um ex-lavrador alcançasse o título de doutor em Educação.</p>
            <p>Durante o doutorado, o autor buscou integrar elementos de sua formação anterior em Letras, tanto na graduação quanto no mestrado, às discussões desenvolvidas no trabalho acadêmico, com vistas à elaboração de sua tese. Essa abordagem teve como objetivo estabelecer conexões entre as narrativas construídas nos diferentes níveis de sua trajetória acadêmica, enriquecendo a análise com múltiplas perspectivas (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Santos 2023</xref>).</p>
            <p>A motivação para continuar os estudos estava intrinsecamente ligada aos sonhos nutridos, os quais, embora acompanhados por medos, impulsionavam a busca por conhecimento e a conquista de espaço no meio acadêmico. O medo, nesse contexto, funcionava como um alerta constante de que a realização de sonhos exige esforço e dedicação diários.</p>
            <p>Com a implantação de um novo polo do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR), sob a responsabilidade da Universidade Estadual de Feira de Santana, o autor participou de três processos seletivos para atuar como professor formador na Universidade Aberta do Brasil (UAB). Foi classificado em primeiro lugar nas duas primeiras seleções e em segundo lugar na última, habilitando-se a ministrar disciplinas do curso de licenciatura em Pedagogia. Inicialmente, lecionou a disciplina “Alfabetização e Letramento” e, posteriormente, “Avaliação Educacional”, ambas de forma remota, adaptando-se às exigências impostas pela pandemia.</p>
            <p>Além disso, atuou como professor tutor no curso de pós-graduação em Gestão Pública Municipal da UESB, também por meio de seleção da UAB. Em ambas as funções, desempenhou atividades na condição de bolsista da Capes.</p>
            <p>Comprometido com a constante atualização na área da Educação, participou de diversos cursos de extensão, semanas pedagógicas, conferências, seminários, congressos, minicursos, palestras e mesas-redondas, em níveis municipal, estadual, nacional e internacional.</p>
            <p>No âmbito da UFSCar, integrou o Programa de Estágio Supervisionado de Capacitação Docente, cujo objetivo é aprimorar a formação de discentes de pós-graduação, oferecendo-lhes preparação pedagógica por meio de estágio supervisionado em atividades didáticas de graduação. Especificamente, desenvolveu atividades na disciplina “Formação de Professores”, sob a orientação da professora Dra. Rosa Maria Moraes Anunciato, no primeiro semestre de 2019. As atividades incluíram participação no planejamento, criação e escrita de casos de ensino, orientação de estudantes, elaboração de atividades, apoio no ambiente virtual da disciplina, condução de aulas presenciais, estratégias de avaliação e <italic>feedbacks</italic> das atividades no Moodle UFSCar, em um formato híbrido.</p>
            <p>A experiência na disciplina híbrida apresentou desafios específicos que contribuíram significativamente para o desenvolvimento dos estudantes e dos pós-graduandos. Aspectos como gestão do tempo, utilização de recursos tecnológicos, trabalho coletivo e colaborativo no ambiente virtual, e mediação dos processos entre professor e aluno foram intensamente explorados, sendo reconhecidos positivamente pelos estudantes em suas avaliações.</p>
            <p>O trabalho em equipe realizado com a professora Dra. Rosa Maria Anunciato foi avaliado como positivo e formativo. A disciplina abordou conhecimentos relacionados ao início da carreira docente, e os estudantes do curso de Pedagogia manifestaram dificuldades nessa temática. As aprendizagens proporcionadas pela disciplina foram significativas, auxiliando na superação ou minimização das angústias e dificuldades encontradas no início da docência.</p>
            <p>Mantendo-se aberto a novas experiências na área educacional, o autor reconhece que os aprendizados adquiridos servirão para toda a vida, impactando também as pessoas com as quais se relacionará como docente e/ou gestor. A profissão docente proporcionou inúmeras conquistas, como a aquisição de uma casa própria e um meio de transporte, além da reforma da casa de taipa de sua falecida avó e da residência de sua mãe. A criança que dividia o dia entre a escola e a roça cresceu e continua a crescer, cultivando conhecimentos nas salas de aula e nos espaços educacionais da vida.</p>
            <p>É impossível não expressar gratidão ao tempo, considerado um compositor de destino, à força da avó que ainda hoje energiza e alimenta a resiliência, e a todos os professores que contribuíram para sua formação, injetando conteúdos, conselhos, informações, exemplos e conhecimentos, transformando-o no homem e professor que é. Como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B07">Marcelo (2009, p. 110)</xref>: “Uma das características da sociedade em que vivemos tem relação com o fato de que o conhecimento é um dos principais valores de seus cidadãos”.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>Este memorial de formação, ao lançar mão da narrativa autobiográfica como eixo estruturante, busca não apenas reconstruir trajetórias pessoais e profissionais, mas também problematizar os sentidos atribuídos à formação docente em contextos historicamente marcados por desigualdades sociais, raciais e educacionais. A escrita de si, enquanto prática reflexiva e epistemológica, revelou-se um potente instrumento de elaboração crítica da própria existência, permitindo ao autor compreender os múltiplos atravessamentos que constituíram sua identidade como educador, pesquisador e sujeito social.</p>
            <p>As experiências aqui relatadas (da infância na roça às salas de aula da universidade, passando pela escola pública, o magistério, o ensino superior e o doutorado) revelam um percurso forjado na resistência, na resiliência e no desejo inabalável de transformar a realidade por meio da educação. Tais vivências evidenciam que a docência não é resultado apenas de uma escolha racional, mas de um processo contínuo de descobertas, enfrentamentos e ressignificações, alimentado por vínculos, memórias e projetos de vida.</p>
            <p>Neste processo, a educação pública e os programas de formação docente desempenharam um papel fundamental. Foram essas políticas que possibilitaram ao autor o acesso a espaços antes restritos, contribuindo para a ampliação de horizontes acadêmicos e profissionais. Inspirado pelos ensinamentos de Paulo Freire, o autor compreende que a esperança não é uma espera passiva, mas uma ação transformadora. <xref ref-type="bibr" rid="B04">Freire (2018)</xref> enfatiza que a esperança é um imperativo histórico e existencial, promovendo a plena humanização dos sujeitos. Assim, mesmo diante das adversidades, o autor mantém-se resiliente, acreditando na educação como um caminho para a emancipação e a justiça social.</p>
            <p>Essa perspectiva freiriana reforça a importância de uma prática educativa comprometida com a transformação da realidade. O autor, ao longo de sua trajetória, tem se dedicado a contribuir para uma educação que liberte e humanize, mantendo viva a esperança de um futuro mais justo e igualitário.</p>
            <p>A narrativa construída ao longo deste texto não segue uma linearidade temporal rígida, mas reflete a complexidade dos processos de rememoração e de subjetivação. Ao (re)contar sua história, o autor busca estabelecer conexões entre o vivido e o pensado, entre o individual e o coletivo, entre a experiência singular e as lutas de tantos outros sujeitos que, como ele, acreditam na educação como caminho de emancipação.</p>
            <p>Reafirma-se, assim, a importância da valorização das histórias de vida como fonte legítima de conhecimento na pesquisa em educação. Reconhecer o lugar da experiência, da memória e da escuta sensível é, também, um gesto político de resistência aos modelos hegemônicos de produção do saber, que muitas vezes silenciavam vozes oriundas das margens.</p>
            <p>Por fim, este memorial configura-se como um testemunho de fé na educação pública, na potência da formação docente e na possibilidade de reexistir, aprender e ensinar com dignidade, compromisso e humanidade. É, sobretudo, uma declaração de pertencimento àqueles que, mesmo diante das adversidades, seguem acreditando na força transformadora da escola e no valor insubstituível da docência.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other">
                <p>Artigo elaborado a partir da tese de doutorado de J. A SANTOS, intitulada “Narrativas de professoras egressas do PARFOR: o que dizem as flores”. Universidade Federal de São Carlos, 2023</p>
            </fn>
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