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            <journal-title>Revista de Educação PUC-Campinas</journal-title>
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            <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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               <subject>DOSSIÊ | Violência na/da escola: da urgência de estudá-la e da necessidade de caminhos para superá-la</subject>
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            <article-title>Ataques de violência extrema às escolas no Brasil</article-title>
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               <trans-title>Extreme violence attacks on schools in Brazil</trans-title>
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            <institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação. Campinas, SP, Brasil.</institution>
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         <author-notes>
            <corresp id="c01"> Correspondência para: T. VINHA. E-mail: <email>tvinha@unicamp.br</email>. </corresp>
            <fn fn-type="edited-by">
               <label>Editores</label>
               <p>Artur José Renda Vitorino e Maria Silvia Pinto de Moura Librandi da Rocha</p>
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            <fn fn-type="conflict">
               <label>Conflito de interesse</label>
               <p>Não há conflito de interesses.</p>
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         </author-notes>
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               <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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         </permissions>
         <abstract>
            <title>Resumo</title>
            <p>O aumento dos ataques de violência extrema às escolas no Brasil gerou um clima de apreensão e intensos debates em diversos setores da sociedade. Esses ataques diferem de outras formas de violência, tratando-se de um fenômeno com características específicas e multicausal. Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa documental que mapeou episódios de violência extrema em escolas no Brasil, cometidos por estudantes e ex-estudantes. Foram considerados os incidentes intencionais que ocorreram no espaço escolar, planejados e com o objetivo de causar mortes e lesões. Eles se caracterizam como crimes de ódio e/ou são motivados por vingança (quando o autor é menor de idade, são atos infracionais violentos de tentativa contra a vida). A pesquisa identificou o primeiro registro no país em agosto de 2001 e, até julho de 2024, contabilizou 40 episódios, com um aumento expressivo, entre 2022 e 2024, de 25 casos. Do total, 31 foram ataques ativos, em que o objetivo é matar indiscriminadamente o maior número de pessoas, e nove foram ataques direcionados, com alvos específicos. O estudo detalha as características desses eventos e dos seus autores, analisa por que os ataques são especificamente direcionados às escolas, explora os armamentos utilizados e examina a progressão das denúncias e das investigações decorrentes. Espera-se que esta pesquisa contribua para uma compreensão mais aprofundada desse tipo de violência cruel que atinge nossas escolas, oferecendo subsídios para o planejamento de ações de prevenção e enfrentamento.</p>
         </abstract>
         <trans-abstract xml:lang="en">
            <title>Abstract</title>
            <p>The increase in extremely violent attacks on schools in Brazil has generated a climate of apprehension and intense debate in various sectors of society. These attacks differ from other forms of violence, as they are a phenomenon with specific characteristics and multiple causes. This article presents the results of a documentary study that mapped episodes of extreme violence in schools in Brazil, committed by students and former students. The study considered intentional incidents that occurred in the school environment, planned and with the objective of causing death and injury. They are characterized as hate crimes and/or are motivated by revenge (when the perpetrator is a minor, they are violent criminal acts of attempted murder). The study identified the first record in the country in August 2001 and, until June 2024, it recorded 40 episodes, with a significant increase between 2022 and 2024, of 25 cases. Of the total, 31 were active attacks, in which the objective is to indiscriminately kill as many people as possible, and nine were targeted attacks, with specific targets. The study details the characteristics of these events and their perpetrators, analyzes why the attacks are specifically aimed at schools, explores the weapons used, and examines the progression of complaints and resulting investigations. It is expected that this research will contribute to a deeper understanding of this type of cruel violence that affects our schools, offering support for planning prevention and response actions.</p>
         </trans-abstract>
         <kwd-group xml:lang="pt">
            <title>Palavras-chave</title>
            <kwd>Massacres</kwd>
            <kwd>Segurança escolar</kwd>
            <kwd>Tiroteios em escolas</kwd>
            <kwd>Violência extrema em escolas</kwd>
         </kwd-group>
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            <title>Keywords</title>
            <kwd>Massacres</kwd>
            <kwd>School safety</kwd>
            <kwd>School shootings</kwd>
            <kwd>Extreme violence in schools</kwd>
         </kwd-group>
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      <sec sec-type="intro">
         <title>Introdução</title>
         <p>A instituição escolar é fundamental na estrutura social, representando um microcosmo complexo onde diversas interações ocorrem diariamente. Dentro desse ambiente singular, uma profusão de pessoas, como professores, funcionários, gestores, estudantes, famílias e a comunidade local, se interligam em um tecido social intricado. Essa interação afeta a experiência educacional e de vida de cada indivíduo e influencia profundamente a comunidade em que está inserida.</p>
         <p>A escola é também mais que um local para a aquisição de conhecimentos acadêmicos, caracterizando-se como um ambiente propício para a convivência e para o aprendizado da vivência no espaço público. Nesse contexto, é natural que surjam diversos desafios decorrentes dessa interação contínua. Eventos conflituosos e situações de violência fazem parte dessa realidade. A violência que envolve essa instituição pode se manifestar de diversas formas, como por meio do <italic>bullying</italic>, de agressões, assédios e ameaças que ocorrem nas relações interpessoais. Engloba também a violência institucional, ou seja, aquela produzida na escola e caracterizada por atitudes e situações de desrespeito ou injustiça, além da omissão diante da ocorrência de atos violentos. Outra forma de violência está relacionada à reprodução, pela escola, das desigualdades socioeconômicas, raciais e de gênero, presentes na sociedade, manifestadas por meio de práticas discriminatórias e excludentes. Essas violências estruturais incluem racismo, misoginia, LGBTQIA+fobia, capacitismo, xenofobia, entre outras. Além disso, há as violências externas que invadem as instituições educativas, como os ataques de violência extrema, que são o foco do presente estudo.</p>
         <p>Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que mapeou episódios que classificamos como “ataques de violência extrema” ocorridos no Brasil desde o primeiro registrado. Ele detalha as características desse fenômeno e de seus autores, analisa por que esses ataques são direcionados às escolas e por que as instituições são alvo destes, investiga os tipos de armamentos utilizados e examina a progressão das denúncias e das investigações subsequentes.</p>
         <p>Foram investigados os ataques intencionalmente ocorridos no espaço escolar cometidos por estudantes e ex-estudantes que se caracterizam como crimes de ódio e/ou movidos por vingança. São motivados por ressentimentos, mas também por preconceitos, discriminação, racismo, misoginia, intolerância à existência de um grupo, aversão completa a outra pessoa, sectarismo, extremismo, entre outros sentimentos, concepções e valores análogos. Caracterizam-se ainda pelo planejamento e o emprego de determinado(s) tipo(s) de arma(s) com a intenção de causar a morte de uma ou mais pessoas.</p>
         <p>Esse tipo de ocorrência é historicamente associado, em grande parte, aos Estados Unidos, que lidera em número de casos desta natureza, com cerca de 413 episódios desde o massacre de Columbine<bold><xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref></bold> em 1999 (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Cox <italic>et al</italic>., 2024</xref>), todos envolvendo o uso de armas de fogo. Esses eventos são considerados de baixa frequência quando comparados a outras manifestações de violência e ao número de instituições educacionais existentes (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Fox, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B09">Harding; Fox; Mehta, 2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Muschert, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">Newman <italic>et al</italic>., 2004</xref>).</p>
         <p>Há uma multiplicidade de termos que se referem a diferentes formas e motivações para esses ataques, o que dificulta estudos comparativos (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Agnich, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B05">Elsass; Schildkraut; Stafford, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Riedman; O’Neill, 2020</xref>). Os termos mais comumente encontrados são <italic>mass shooting e school shooting</italic>. Um <italic>mass shooting</italic> é definido como um ataque em locais públicos que resulta em pelo menos três mortes. Um school shooting ocorre quando há um tiroteio em escolas. Esses conceitos não incorporam incidentes em que não são utilizadas armas de fogo e/ou que não resultam em mortes, não sendo, portanto, reportados ou considerados nos levantamentos estatísticos. Ficam de fora ataques em que os perpetradores utilizam facas, como ocorre em diversos países, incluindo China, Japão, Alemanha, Argentina, Espanha e Brasil.</p>
         <p>Os ataques de violência extrema às escolas são fenômenos complexos e, como tais, devem ser compreendidos em sua multifatoriedade, evitando abordagens fragmentadas ou reducionistas. A multiplicidade de fatores que contribuem para a ocorrência dessas violências exige uma análise que considere a inter-relação entre diferentes dimensões, como as experiências sociais, familiares, culturais e escolares acumuladas ao longo da vida dos agressores (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Cullen, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Langman, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">Newman <italic>et al</italic>., 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Vieira; Mender; Guimarães, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">Vossekuil <italic>et al</italic>., 2002</xref>). Cada um desses fatores, isoladamente, pode não explicar o comportamento violento, mas, em conjunto, eles constroem um cenário propício para o desencadeamento de atos extremos. A interdependência entre influências individuais e contextuais revela que a compreensão desse tipo de violência exige uma abordagem sistêmica, que reconheça as complexas redes de causa e efeito que influenciam as trajetórias dos indivíduos envolvidos.</p>
         <p>Esse tipo de violência acarreta consequências severas e duradouras. O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B15">Lebrun (2011)</xref> destaca o impacto profundo dos tiroteios em escolas, revelando o trauma emocional vivido não apenas pelas vítimas, mas também por suas famílias e comunidades. Sendo a escola o local onde pessoas se relacionam e convivem diariamente, desenvolvendo o sentido de pertencimento (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Silva, 2018</xref>), os ataques de violência extrema configuram uma violência que afeta a identidade coletiva, visto tratar-se de um local onde as pessoas que o compõem, sejam estudantes, professores ou outros profissionais, voltarão a conviver diariamente com as consequências desses atos violentos e principalmente com o sentido de perda, ausência e violação sofridos. As características inerentes ao ambiente escolar desencadeiam, assim, uma potencialização dos impactos adversos resultantes desse tipo de violência, repercutindo não apenas sobre as vítimas (sejam elas fatalmente afetadas ou não) e suas respectivas famílias, mas também sobre todos os que testemunham os eventos violentos no ambiente escolar, bem como sobre seus familiares e a comunidade circunvizinha.</p>
         <p>Ademais, tais eventos desencadeiam uma cadeia de consequências negativas como traumas profundos, piora em condições de saúde mental, aumento no uso de substâncias psicoativas, desistência escolar, desemprego, e instabilidade familiar, conforme observado por <xref ref-type="bibr" rid="B03">Cox <italic>et al</italic>. (2024)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B23">Rossin-Slater <italic>et al</italic>. (2020)</xref>.</p>
      </sec>
      <sec sec-type="methods">
         <title>Procedimentos Metodológicos</title>
         <p>Este estudo empregou uma metodologia qualiquantitativa de pesquisa documental, centrando-se principalmente na análise de fontes secundárias, tais como, mídias diversas, incluindo jornais eletrônicos, acervos digitalizados de jornais impressos, reportagens em revistas, entrevistas, vídeos disponíveis no YouTube e livros e artigos científicos. Foram também analisadas postagens em redes sociais e aplicativos como Discord, Facebook, Instagram, Twitter, Reddit e TikTok, bem como conteúdos disponíveis em portais eletrônicos, imagens, vídeos, cartas, fotos, manifestos e depoimentos. As informações foram comparadas com as de outras fontes e aquelas que não puderam ser verificadas foram excluídas. Foram coletados ainda dados complementares de índices oficiais acessados por meio de portais como o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)<bold><xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref></bold>, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)<bold><xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref></bold> e o portal de dados educacionais QEdu<bold><xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref></bold>.</p>
         <p>Os critérios de inclusão dos ataques abrangeram incidentes que ocorreram em escolas de educação básica, envolvendo autores que eram alunos ou ex-alunos dessas instituições, com planejamento prévio e uso de armas destinadas a causar morte, independentemente do resultado. Por outro lado, foram excluídos da pesquisa os incidentes que aconteceram fora da rede de educação básica, envolvendo perpetradores que não são/foram estudantes, agressões espontâneas, não utilização de armas e eventos que foram impedidos ou frustrados antes de sua execução.</p>
         <p>Os dados coletados foram organizados em categorias previamente definidas. Cada incidente foi analisado individualmente e, também, em conjunto, possibilitando a realização de comparações e a identificação de padrões, tendências e evoluções ao longo do período estudado.</p>
      </sec>
      <sec sec-type="discussion|results">
         <title>Apresentação e Discussão dos Resultados</title>
         <sec>
            <title>O mapeamento dos ataques</title>
            <p>O primeiro ataque a uma escola identificado no país foi em 2001. Nesses 23 anos seguintes, ocorreram 40, dos quais 25 (62,5%) nos últimos dois anos, entre março de 2022 e março de 2024, o que indica expressivo aumento (<xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref>). Este crescimento foi mais acentuado em 2022 (10 ataques) e 2023 (12 episódios), havendo uma redução em 2024 (3 casos).</p>
            <fig id="f01">
               <label>Figura 1</label>
               <caption>
                  <title>Quantidade de ataques ocorridos no Brasil, por ano.</title>
               </caption>
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               <attrib>Fonte: Elaborada pelas autoras (2024).</attrib>
            </fig>
            <p>Constatamos que 31 dos eventos mapeados (77,5%) foram classificados como “ataques ativos”, enquanto nove (22,5%) foram identificados como “ataques direcionados”. O ataque ativo caracteriza-se pela tentativa do agressor de matar indiscriminadamente o maior número possível de pessoas no local escolhido (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Racorti; Andrade, 2023</xref>). Já o direcionado ou seletivo ocorre quando o agressor tem como alvo uma pessoa ou um grupo específico de pessoas, escolhendo suas vítimas com base em critérios ou relações preexistentes naquele local.</p>
            <p>Esses ataques foram realizados em diversos dias da semana, com prevalência na segunda-feira (13 casos), o que parece indicar que o final de semana contribui com a preparação. O mês de abril é simbólico para ataques em escolas devido ao aniversário do massacre de Columbine. Além disso, o simbolismo de abril associado a tragédias anteriores pode levar alguns a escolherem esta data para causar impacto. Contudo, no Brasil, o maior número de ataques ocorreu no mês de março (8), seguido de abril (6), e setembro e outubro (5). Os demais eventos (21) estão distribuídos em meses variados, porém, com ocorrências em todos os meses do ano.</p>
            <p>Ao todo, 41 escolas foram atingidas, sendo que um único autor atacou duas delas. Dessas, 21 eram estaduais, 13 municipais e 7 particulares. Duas escolas, uma estadual e uma municipal, eram militarizadas, e em cada uma houve uma vítima fatal. Alguns estudos (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Gawley; Cuellar; Coyle, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Peterson; Densley; Erickson, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Sorensen <italic>et al</italic>., 2023</xref>) indicam que a presença de policiais ou agentes armados nas escolas não previne tiroteios, nem diminui o número de mortos ou feridos em comparação com escolas que não contam com estes profissionais.</p>
            <p>Um dado que chama a atenção é que a maior parte das escolas-alvo não é de regiões muito vulneráveis, e 82,92% ocorreram em unidades em que o nível socioeconômico das famílias dos estudantes era médio, médio-alto e alto.</p>
            <p>A maioria das escolas atacadas, 63,41% (26 instituições), oferece tanto ensino médio, quanto ensino fundamental, enquanto 36,59% (15 unidades) são exclusivamente de ensino fundamental. Essa prevalência está em consonância com a faixa etária predominante dos autores dos ataques, que estavam matriculados no ensino médio ou fundamental, ou eram ex-alunos que abandonaram a escola durante essas etapas.</p>
            <p>Não identificamos relação entre os ataques e infraestrutura, recursos humanos e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A análise do conjunto de dados sugere que esses eventos podem ocorrer em qualquer tipo de escola.</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Os autores</title>
            <p>Esses ataques foram cometidos por 43 estudantes, todos do sexo masculino, com três casos envolvendo duplas de agressores. Entre eles, 26 estavam regularmente matriculados, e 17 eram ex-estudantes, sendo que 7 destes haviam abandonado a escola. O mais jovem tinha dez anos, e o mais velho, vinte e cinco anos, na ocasião da violência (<xref ref-type="fig" rid="f02">Figura 2</xref>). Chama atenção que 79,06% dos autores (34) eram menores de dezoito anos quando cometeram os atos, indicando uma maior vulnerabilidade e fragilidade nessa fase para se envolverem em violência extrema. Conforme o Art. 27 do Código Penal, são considerados inimputáveis, estando sujeitos às normas do Estatuto da Criança e do Adolescente. Estudos realizados nos EUA mostram resultados semelhantes, com 72% dos autores de tiroteios em escolas entre 2000 e 2021 tendo entre 12 e 18 anos, e 95% sendo do sexo masculino (<xref ref-type="bibr" rid="B18">National Center For Education Statistic, 2023</xref>).</p>
            <fig id="f02">
               <label>Figura 2</label>
               <caption>
                  <title>Idade dos autores dos ataques.</title>
               </caption>
               <graphic xlink:href="2318-0870-edpuc-30-e14431-gf02.tif"/>
               <attrib>Fonte: Elaborada pelas autoras (2024).</attrib>
            </fig>
            <p>Os autores frequentemente exibiam relações interpessoais restritas e um padrão de isolamento social. Além disso, observa-se uma falta de perspectiva de futuro ou de propósito claro em suas vidas e que manifestavam interesse pela violência e por armas. Geralmente inspiram-se em ataques anteriores e buscam notoriedade e reconhecimento por meio de suas ações. Suas crenças tendem a ser marcadas por valores opressores, como preconceitos, racismo, misoginia e ideologias de teor nazista, entre outras formas de intolerância. Há indícios de que muitos desses indivíduos apresentam transtornos mentais não diagnosticados ou não tratados, caracterizados por um sofrimento psicológico significativo, associados a discursos de ódio.</p>
            <p>Esses jovens, em sua maioria, eram considerados quietos, tímidos e, na percepção de diretores, professores e familiares, em sua maioria, vistos como bons alunos e bons filhos.</p>
            <p>É importante ressaltar que, para todos os autores dos ataques no Brasil, a escola foi um local de sofrimento, marcado por exclusão, inadequação, isolamento, ausência de pertencimento e humilhações. O <italic>bullying</italic> emerge como a forma de violência mais frequente nos relatos desses jovens. No entanto, essas experiências eram, em geral, desconhecidas pelos professores e gestores escolares. Ao contrário das crianças, os adolescentes raramente compartilham seus sofrimentos e problemas de convivência com adultos, seja na escola, seja na família, pois, muitas vezes, as intervenções realizadas acabam por agravar a situação (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Slonje; Smith, 2008</xref>). Esta constatação está em consonância com outros estudos (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Katz, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Kimmel; Mahler, 2003</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Langman, 2010</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">Newman <italic>et al</italic>., 2004</xref>) que indicam que a maioria dos autores de ataques violentos passou por eventos impactantes em suas vidas, como a exposição a ambientes familiares violentos, perdas significativas de entes queridos ou experiências de sofrimento nas instituições escolares.</p>
            <p>A escolha da escola como alvo não é por acaso; ela desempenha um papel crucial na motivação dos agressores. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B10">Katz (2016)</xref>, esses ataques são “massacres íntimos”, dirigidos a um lugar ou grupo com o qual o agressor teve, ou acredita ter tido, uma conexão emocional ou significado pessoal, mesmo que não tenha estado presente por um longo período. Assim, as escolas são intencionalmente escolhidas por refletirem a identidade dos agressores, representando um passado que desejam repudiar. Através dessa violência, o autor busca transformar radicalmente sua identidade social, alterando como acredita ser visto por aquela comunidade.</p>
            <p>Esses adolescentes, principalmente nos últimos anos, têm se conectado com comunidades específicas que glorificam ataques a escolas, disseminam discursos de ódio e propagam conteúdos violentos. O acesso a esses materiais ocorre facilmente através de dois principais canais na internet: de forma aberta e pública em perfis e subcomunidades de redes sociais como Instagram, Twitter/X, TikTok e Project Z, e em espaços privados com acesso restrito, como grupos no WhatsApp, Telegram, Discord e Reddit. Esses ambientes podem apresentar uma variedade de conteúdos e formas de interação, incluindo a exibição e propagação de comportamentos ilícitos, como condutas autolesivas, imagens de extrema violência e vídeos reais de assassinatos e estupros.</p>
            <p>Um aspecto fundamental na dinâmica dessas comunidades é que, pelo menos inicialmente, há escuta e acolhimento, e os jovens se sentem valorizados e pertencentes. Essas comunidades mórbidas, no entanto, funcionam como câmaras de eco, intensificando ressentimentos, frustrações e raiva. Para muitos que interagem nestes espaços, o mundo não é como gostariam, percebem-se como vítimas de injustiças sociais e veem a diversidade como uma ameaça. Para um jovem vulnerável e em desenvolvimento, imerso em sentimentos de ansiedade, sofrimento, tédio, impaciência, raiva e sensação de injustiça, o apelo dessas comunidades pode ser significativo. De várias maneiras, um adolescente pode acessar e intensificar sentimentos confusos, misturando angústia, necessidade de pertencimento e violência.</p>
            <p>A vulnerabilidade e a fragilidade das características desse período de desenvolvimento, durante o qual os jovens podem se encontrar suscetíveis a envolver-se em atos de violência extrema, e a busca por respostas em ambientes incertos e repletos de conteúdos violentos, muitas vezes, levam esses jovens a serem atraídos por ideologias extremistas que prometem simplicidade em face de complexidades sociais e econômicas. Além disso, muitos pesquisadores correlacionam esses atos violentos com a dificuldade de adolescentes do sexo masculino em lidarem com obstáculos, seja na formação de sua identidade, seja na resolução de conflitos (internos e externos), demonstrando uma crise de masculinidade (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Katz, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Langman, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">Larkin, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Tonso, 2009</xref>). Durante a adolescência, observa-se uma maior dificuldade na autorregulação emocional. Contudo, a tendência a lidar com frustrações de maneira violenta é profundamente influenciada pela cultura patriarcal ainda predominante no Brasil, que contribui para a construção de uma masculinidade frágil, através da qual a violência é frequentemente utilizada como meio de afirmar o próprio valor, domínio e superioridade sobre os outros (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Myketiak, 2016</xref>). A habilidosa manipulação das incertezas pela extrema-direita pode levar a um recrutamento eficaz, transformando sentimentos de alienação em engajamento radical. Os chamados “supremacistas brancos aceleracionistas” atuam intensivamente na internet, promovendo ativamente a violência extrema, incentivando e celebrando assassinos em massa, utilizando jogos virtuais e redes sociais para aliciar e cooptar principalmente crianças e adolescentes em situação de sofrimento emocional (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Anti-Defamation League, 2023</xref>).</p>
            <p>A falta de regulação das plataformas digitais e das redes sociais e a ausência de responsabilização sobre o que nelas circulam contribuem sensivelmente para o aumento da violência e do extremismo.</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>As vítimas e os armamentos utilizados</title>
            <p>Os ataques ocorridos no Brasil resultaram em 40 mortes, sendo 29 estudantes, 6 profissionais das escolas e cinco atiradores (por suicídio) e 111 feridos<bold><xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref></bold>. Diferentemente dos Estados Unidos, mais da metade dos ataques ocorridos no país (23 ou 57,5%) foram cometidos com outros tipos de armas, principalmente facas, além de coquetéis molotov, machadinhas e bestas. Excluindo os suicídios dos autores, das 35 mortes, 33 (94,28%) foram causadas por armas de fogo em 17 eventos, enquanto duas mortes resultaram do uso de facas. Em oito casos, os autores utilizaram armas pertencentes à família.</p>
            <p>Nos dois ataques mais letais no Brasil, em Realengo (RJ) e Suzano (SP), os autores usaram armas de fogo. Em Realengo, 12 estudantes foram mortos e 13 ficaram feridos; em Suzano, foram 7 os mortos e 11 os feridos. A facilitação do acesso a armas e munições aumenta a letalidade e está associada a uma maior incidência de tiroteios em massa e tiroteios em escolas (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Towers <italic>et al</italic>., 2015</xref>). Alertamos, dessa maneira, para a necessidade de um controle rigoroso de armas e munições como parte essencial da prevenção de futuros ataques.</p>
            <p>Entre as 27 unidades federativas do Brasil, 16 registraram ataques em escolas (<xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 3</xref>). São Paulo lidera em número de ocorrências, com 10 casos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 5, e pela Bahia, com 4. Rio de Janeiro e São Paulo também apresentaram o maior número de vítimas, principalmente devido aos ataques em Realengo e Suzano, como mencionado anteriormente.</p>
            <fig id="f03">
               <label>Figura 3</label>
               <caption>
                  <title>Quantidade de ataques e vítimas fatais por UF.</title>
               </caption>
               <graphic xlink:href="2318-0870-edpuc-30-e14431-gf03.tif"/>
               <attrib>Fonte: Elaborada pelas autoras (2024).</attrib>
            </fig>
         </sec>
         <sec>
            <title>As denúncias e investigações decorrentes nos 15 meses do “Escola Segura”</title>
            <p>Em 5 de abril de 2023, através do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o governo lançou a Operação Escola Segura, estabelecendo finalmente um canal único para denúncias<bold><xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref></bold>. Até essa data, já haviam ocorrido dez ataques a instituições escolares em 2022 e quatro em 2023. De acordo com dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Garcia, 2024</xref>), entre 6 de abril de 2023 e 30 de junho de 2024, foram registradas 11.080 denúncias únicas.</p>
            <p>Em 2023, houve 9.771 denúncias, das quais 8.660 foram registradas apenas em abril, logo após a criação do canal (<xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref>). O volume elevado no mês de abril foi, provavelmente, devido ao acúmulo de denúncias, pois anteriormente não existia um local centralizado para reportá-las, somado a um intenso aumento da circulação de mensagens falsas disseminadas em redes sociais, vídeos e aplicativos de mensagens, criadas com intuito de gerar tensão e pânico. De janeiro a junho de 2024, o canal recebeu 1.309 denúncias.</p>
            <fig id="f04">
               <label>Figura 4</label>
               <caption>
                  <title>Denúncias mensais recebidas no programa Escola Segura (2023-2024).</title>
               </caption>
               <graphic xlink:href="2318-0870-edpuc-30-e14431-gf04.tif"/>
               <attrib>Fonte: Elaborada pelas autoras (2024).</attrib>
            </fig>
            <p>Em 2023, por volta de 1/3 das denúncias resultaram em investigações, com quase 15% destas levando a apreensões, prisões ou internações. Em 2024, houve diminuição da quantidade de denúncias que resultaram em investigações (6%), tendo porcentagem próxima à do ano anterior (16%), culminando em apreensões, prisões ou internações (<xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 5</xref>). Vale destacar que 210 ações emergenciais foram realizadas em 2024 para mitigar riscos e responder a ameaças potenciais. Em termos de conteúdo on-line, 1.534 postagens foram removidas em 2023, e 750 em 2024, decorrentes das denúncias feitas.</p>
            <p>Foi visto que, embora o número de ataques tenha aumentado expressivamente em 2022 (10) e 2023 (12), houve menor incidência em 2024, com três ataques. Esse declínio pode ser atribuído a diversas iniciativas que tiveram início, principalmente em 2023, como intensificação atuação da segurança pública nos diversos âmbitos, estabelecimento do canal único de denúncias, maior monitoramento da internet, inclusive com o fortalecimento da colaboração internacional, exclusão de perfis associados a esse tipo de violência nas redes sociais, autorregulação da imprensa para evitar dar notoriedade aos autores, colaboração de diversos setores da sociedade em busca de atuações mais coordenadas, criação de leis específicas, ampla discussão pública e trabalho educativo realizado pelas escolas (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Garcia, 2024</xref>).</p>
            <p>É importante ressaltar ainda que um número considerável de possíveis ataques foi impedido devido às ações conjuntas implementadas pelo programa Escola Segura e atuação da Segurança Pública. No entanto, os dados do primeiro semestre de 2024 apontaram a ocorrência de três ataques (além dos inúmeros desbaratados), uma média de 176 denúncias mensais e 81 investigações, que resultaram em 13 prisões, internações ou apreensões, denunciando que ainda há muito a ser feito.</p>
            <fig id="f05">
               <label>Figura 5</label>
               <caption>
                  <title>Número de investigações decorrentes das denúncias e de apreensões decorrentes das investigações.</title>
               </caption>
               <graphic xlink:href="2318-0870-edpuc-30-e14431-gf05.tif"/>
               <attrib>Fonte: Elaborada pelas autoras (2024).</attrib>
            </fig>
         </sec>
      </sec>
      <sec sec-type="conclusions">
         <title>Considerações Finais</title>
         <p>Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa que mapeou ataques de violência extrema em escolas brasileiras, cometidos por estudantes e ex-estudantes e apontou um grande aumento nos anos de 2022 e 2023, com menor incidência em 2024. No entanto, essa questão continua sendo motivo de grande preocupação e há muito o que ser feito para enfrentá-lo.</p>
         <p>As severas consequências desse tipo de violência afetam não apenas os indivíduos diretamente envolvidos, mas reverberam por toda a comunidade escolar e além, causando impactos emocionais e sociais que demandam atenção e cuidado, mesmo quando ocorrem eventos menos letais (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Cullen, 2019</xref>). Essa realidade sublinha a necessidade urgente de desenvolver abordagens preventivas e de suporte mais eficientes para atenuar os impactos dessas tragédias.</p>
         <p>Identificamos múltiplos fatores associados à incidência de ataques, incluindo a disponibilidade de armas; o contexto social, familiar e cultural do agressor; a autopercepção de estar sendo privado de coisas que são importantes para ele; a ocorrência de eventos traumatizantes; as interações com comunidades mórbidas on-line e com conteúdos violentos, e a presença de sofrimento emocional ou transtornos mentais não diagnosticados, ou tratados. Esses resultados corroboram os encontrados em estudos internacionais, como os de <xref ref-type="bibr" rid="B04">Cullen (2019)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">Langman (2017)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B19">Newman <italic>et al</italic>. (2004)</xref>, e <xref ref-type="bibr" rid="B30">Vossekuil <italic>et al</italic>. (2002)</xref>.</p>
         <p>A escolha intencional das escolas como locais para ataques é significativa e geralmente simboliza as experiências opressivas vividas pelos agressores. Simultaneamente, a escola representa um microcosmo das interações sociais e da trajetória pessoal do indivíduo na sociedade. Esta dualidade simbólica é central para entendermos as motivações que levam estes locais a serem alvos da violência desmedida.</p>
         <p>A escola pode ser cenário de violência e sofrimento emocional, mas também pode ser um espaço privilegiado de prevenção das violências, de proteção e de vínculos de afeto. É na esfera escolar que a criança vivencia a igualdade e adquire habilidades para lidar com a diversidade, marcando a transição do âmbito privado para o coletivo. Nesse espaço, valores da comunidade em que a criança ou jovem estão inseridos, como preconceitos ou misoginia, podem ser transformados em valores socialmente desejáveis, como aprendizagem da igualdade e respeito à diversidade. São nos ambientes das instituições educacionais que se pode propiciar uma convivência que priorize o cuidado, o pertencimento e o bem-estar de todos. Urge, portanto, a construção de políticas públicas efetivas de promoção da melhoria do clima e convivência escolar, tanto no âmbito escolar, quanto nas redes.</p>
         <p>Contudo, não será apenas por meio da instituição escolar que o fenômeno abordado nesta pesquisa poderá ser extinto ou mitigado, requerendo outras ações, como o controle rigoroso de armas de fogo e munições; a aprovação de leis para maior regulação e responsabilização das plataformas digitais; o fortalecimento do trabalho contínuo de inteligência; a expansão de espaços comunitários para lazer e socialização, acompanhada da oferta de projetos e atividades artísticas, culturais e esportivas; o apoio à implementação do Programa Escola em Tempo Integral, pautado na perspectiva da educação integral, e o investimento na expansão e fortalecimento da Rede de Atendimento Psicossocial, bem como na atuação integrada e coordenada da Rede de Proteção.</p>
         <p>Devido à gravidade e ao aumento dessa violência em nosso país, este estudo buscou oferecer uma análise desse fenômeno visando contribuir com o debate e fornecer informações que possam auxiliar na formulação de ações de prevenção e enfrentamento em diversos âmbitos, contemplando também a promoção de ambientes educacionais mais inclusivos e seguros.</p>
      </sec>
   </body>
   <back>
      <fn-group>
         <fn fn-type="other" id="fn03">
            <label>3</label>
            <p>O massacre ocorreu em 20 de abril de 1999, na Columbine High School, nos Estados Unidos. Dois estudantes atacaram a escola, matando 13 pessoas e ferindo 24 antes de cometerem suicídio. O evento teve enorme impacto devido à ampla cobertura midiática, que incluiu a divulgação das imagens de câmeras de segurança e filmagens ao vivo da cena.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn04">
            <label>4</label>
            <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.gov.br/inep/pt-br">https://www.gov.br/inep/pt-br</ext-link></p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn05">
            <label>5</label>
            <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://cidades.ibge.gov.br/">https://cidades.ibge.gov.br/</ext-link></p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn06">
            <label>6</label>
            <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://qedu.org.br/">https://qedu.org.br/</ext-link></p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn07">
            <label>7</label>
            <p>Foram incluídas somente as vítimas que pertencem à comunidade escolar e que foram feridas pelos perpetradores.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other" id="fn08">
            <label>8</label>
            <p>Para saber mais sobre o Canal de Denúncias acesse: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.gov.br/mj/pt-br/canais-de-denuncias/escolasegura">https://www.gov.br/mj/pt-br/canais-de-denuncias/escolasegura</ext-link></p>
         </fn>
      </fn-group>
      <fn-group>
         <fn fn-type="other">
            <p>Artigo elaborado a partir da dissertação de C. GARCIA, intitulada “Ataques de violência extrema às escolas no Brasil: mapeamento, fatores associados e caminhos de prevenção e enfrentamento”. Universidade Estadual de Campinas, 2024.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="supported-by">
            <label>Apoio</label>
            <p>Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – Edital 02/2022.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="other">
            <p><bold>Como citar este artigo:</bold> Garcia, C.; Vinha, T. Ataques de violência extrema às escolas no Brasil. <italic>Revista de Educação PUC-Campinas</italic>, v. 30, e14431, 2025. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0870v30a2025e14431">https://doi.org/10.24220/2318-0870v30a2025e14431</ext-link></p>
         </fn>
      </fn-group>
      <ref-list>
         <title>Referências</title>
         <ref id="B01">

            <mixed-citation>Anti-Defamation League. <italic>Murder and Extremism in the United States 2022</italic>. [<italic>S. l.</italic>]: Center on Extremism, 2023. Disponível em: https://www.adl.org/resources/report/murder-and-extremism-united-states-2022. Acesso em: 31 out. 2023.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="webpage">
               <person-group person-group-type="author">
                  <collab>Anti-Defamation League</collab>
               </person-group>
               <source>Murder and Extremism in the United States 2022</source>
               <publisher-name>Center on Extremism</publisher-name>
               <year>2023</year>
               <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.adl.org/resources/report/murder-and-extremism-united-states-2022">https://www.adl.org/resources/report/murder-and-extremism-united-states-2022</ext-link></comment>
               <date-in-citation content-type="access-date">31 out. 2023</date-in-citation>
            </element-citation>
         </ref>
         <ref id="B02">

            <mixed-citation>Agnich, L. E. A comparative analysis of attempted and completed school-based mass murder attacks. <italic>American Journal of Criminal Justice</italic>, v. 40, n. 1, p. 1-22, 2015. Doi: https://doi.org/10.1007/s12103-014-9239-5.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="journal">
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