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                <journal-title>Revista Reflexão</journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universiade Católica de Campinas</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.24220/2447-6803v48e2023a8864</article-id>
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                    <subject>O catolicismo perante o mundo moderno e secular debatendo as múltiplas faces do intransigentismo</subject>
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                <article-title>Facetas midiático-digitais do neorreacionarismo católico no Brasil</article-title>
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                    <trans-title>Mediatic-Digital Facets of Catholic Neo-Reactionism in Brazil</trans-title>
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                        <surname>Sbardelotto</surname>
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                <institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião</institution>
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                    <named-content content-type="city">Belo Horizonte</named-content>
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                <email>moises@pucminas.br</email>
                <institution content-type="original">Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, Programa de Pós-Graduação Profissional em Teologia Prática. Belo Horizonte, MG, Brasil. E-mail: moises@pucminas.br.</institution>
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            <author-notes>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <p>Editores responsáveis: Breno Martins Campos, Ceci Maria Costa Baptista Mariani.</p>
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                <fn fn-type="conflict">
                    <p>Conflito de interesses: não há.</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este artigo visa a compreender algumas facetas midiático-digitais do neorreacionarismo católico no Brasil, examinando alguns de seus sujeitos e de suas discursividades, assim como suas vinculações teológico-eclesiais em relação a fontes antimodernistas católicas históricas. Por meio de pesquisa bibliográfico-documental e reflexão ensaística, refletimos primeiramente sobre o conceito de (neo)reacionarismo, a partir do ponto de vista histórico e conceitual. Em seguida, examinamos o neorreacionarismo no contexto específico de um processo sociotécnico acelerado e intenso de midiatização, em que lógicas midiáticas embebem cada vez mais as práticas religiosas. Analisamos, então, algumas facetas do neorreacionarismo católico em observáveis situados em meio a tais processos midiático-digitais, particularmente na plataforma YouTube. Para isso, assumimos quatro ângulos de observação principais a fim de identificar elementos caracterizadores da reação midiático-digital de tais sujeitos, a saber: 1) a recepção do Vaticano II; 2) a relação com o pontificado de Francisco e a recepção de seu magistério; 3) a relação com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a recepção de seu magistério; 4) a recepção das teologias latino-americanas, particularmente das teologias da libertação. Por fim, em conclusão, afirmamos que a autoridade e a credibilidade de tais sujeitos neorreacionários católicos não vêm do saber teológico (academia) nem do poder eclesiástico (hierarquia), mas sim de um saber-fazer e de um poder-fazer midiático-digitais, que, por sua vez, conquistam-lhes um significativo reconhecimento sociorreligioso em rede.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This article aims to understand some mediatic-digital facets of Brazilian Catholic neo-reactionism, examining some of its subjects, their discursivities, and their theological-ecclesial links vis-à-vis historical Catholic anti-modernist sources. This bibliographical-documentary research and essayistic reflection allows us to reflect on the concept of (neo)reactionism from a historical and conceptual viewpoint. Next, we examine neo-reactionism in the specific context of an accelerated and intense socio-technical process of mediatization, in which media logics increasingly embeds religious practices. We then analyze some facets of Catholic neo-reactionism in observables situated amidst such mediatic-digital processes, particularly on the YouTube platform. To this end, we assume four main observation angles to identify elements that characterize the media-digital reaction of such subjects, namely: 1) the reception of Vatican II; 2) the relationship with the pontificate of Francis and the reception of his magisterium; 3) the relationship with the National Conference of Brazilian Bishops (CNBB) and the reception of its magisterium; 4) the reception of Latin American theologies, particularly liberation theologies. Finally, we state that the authority and credibility of such Catholic neo-reactionary subjects do not stem from theological knowledge (academia) or from ecclesiastical power (hierarchy), but rather from a mediatic-digital know-how and power-to-do, which, in turn, earn them significant socio-religious recognition in digital networks.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Neorreacionarismo católico</kwd>
                <kwd>Redes digitais</kwd>
                <kwd>YouTube</kwd>
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                <title>Keywords</title>
                <kwd>Catholic neo-reactionism</kwd>
                <kwd>Digital networks</kwd>
                <kwd>YouTube</kwd>
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        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Nos últimos anos, o contexto brasileiro, dentro de uma conjuntura internacional propícia, viu a ascensão acelerada e abrangente de forças antimodernistas intransigentes não apenas no campo político, mas também e principalmente no – e talvez até em decorrência do – campo religioso, particularmente no âmbito católico (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Caldeira; Silveira, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Portella, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Py, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Queiroz, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B43">Silveira, 2018</xref>).</p>
            <p>No catolicismo, tais forças já se manifestam há mais tempo, como reação ao Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), interpretado por alguns como uma ruptura com a tradição da Igreja Católica e um verdadeiro “divisor de águas” na experiência católica recente (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Caldeira, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>). Entretanto, na complexidade dos elementos em jogo, essa ascensão recente se situa em uma conjuntura de crise vivida pela Igreja Católica em nível mundial, alimentada, entre outras coisas, pelos escândalos financeiros e sexuais das últimas décadas, que, em certo sentido, levaram à renúncia de Bento XVI – gesto sem precedentes na história recente do catolicismo. Por sua vez, a eleição do primeiro papa não europeu, latino-americano e jesuíta da história – o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, que assumiu o inédito nome pontifício de Francisco – desagradou a ala mais conservadora da Igreja.</p>
            <p>Ao assumir como referência pontifícia o Pobrezinho de Assis e ao desejar abertamente uma Igreja “pobre e para os pobres”, Francisco passou a ser atacado como um papa “terceiro-mundista”, “progressista”, “comunista” e até “herético”, supostamente contrário à doutrina católica tradicional. Com o passar dos anos, ficou evidente que “[...] o projeto de reforma da Igreja capitaneado pelo papa do fim do mundo desenha o centro de uma guerra entre renovação e tradicionalismo” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 12). Soma-se a isso, como elemento complexificador, a convivência entre dois papas (um emérito, outro reinante) no Vaticano por quase 10 anos, o que abriu margem para que se alimentasse a crença de que o verdadeiro papa continuava sendo Joseph Ratzinger e que a eleição de Bergoglio havia sido uma farsa ilegal.</p>
            <p>Nessa conjuntura, de modo particular no âmbito nacional, nos últimos anos, passaram a emergir expressões públicas ligadas ao antimodernismo católico que atuam em um movimento de reação à oficialidade e à institucionalidade católicas contemporâneas, particularmente sob o papado de Francisco. Embora adotem pautas historicamente conhecidas, como as decisões do Vaticano II, por exemplo, na verdade assumem como alvo cada vez mais o próprio papa, “[...] seguindo de perto suas posturas, declarações e magistério, evidentemente em uma posição de reação negativa e de oposição muitas vezes frontal” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 13).</p>
            <p>Como afirma Ivereigh <italic>apud</italic>
                <xref ref-type="bibr" rid="B16">Ferraz (2020<italic>, online</italic>, grifo próprio)</xref>, um dos biógrafos de Francisco, “[...] todos os papas desde o Concílio Vaticano II vêm sendo atacados pelos tradicionalistas, mas <italic>a ferocidade e intensidade da oposição</italic> contra Francisco é uma das características mais notáveis do seu pontificado”. Segundo ele, o <italic>modus operandi</italic> de tais sujeitos midiáticos é indignar e escandalizar, condenando quase tudo o que o papa faz como rendição ao liberalismo e à modernidade e, assim, buscando deslegitimá-lo.</p>
            <p>De modo geral, vivemos hoje uma “era da raiva”, na qual vem emergindo, particularmente no ambiente digital, “um novo tipo de censura que usa a violência verbal para intimidar os católicos individuais, assim como as instituições dentro da Igreja” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Faggioli, 2017</xref>, <italic>online</italic>). Os sujeitos de tais práticas formam aquilo que o autor chama de “cibermilícias católicas […], propagandistas verbalmente violentos das mídias sociais católicas”, dada sua militância agressiva em prejuízo da comunhão eclesial. O principal risco disso, continua <xref ref-type="bibr" rid="B15">Faggioli (2017, <italic>online</italic>)</xref>, é o surgimento de uma eclesiologia que “humilha a Igreja, incluindo suas lideranças institucionais, que parecem impotentes perante a pressão social midiática”.</p>
            <p>Situada em um contexto de midiatização e desinformação, essa reação católica contemporânea reveste-se de novas roupagens e estratégias simbólico-comunicacionais a partir de práticas midiático-digitais, pautadas por uma contraposição aberta, às vezes agressiva e até eivada de discursos de ódio, naquilo que aqui chamamos de <italic>neorreacionarismo católico</italic>. A sociedade pluralista contemporânea, marcada pela informação e pela comunicação generalizadas, “[...] possui modos de divulgação e recepção de ideias de todos os tipos [e] oferece às expressões tradicionalistas maior viabilidade que no passado” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 10). Com isso, tais indivíduos e coletivos alcançam uma força simbólica e até mesmo um poder político-eclesial significativos, expressados principalmente nos altos índices quantitativos de suas presenças digitais. Por meio de tais práticas e estratégias inovadoras, obtêm um alcance e uma visibilidade sociais, e também um impacto sobre a própria institucionalidade católica exponencialmente superiores aos movimentos antimodernistas históricos.</p>
            <p>A partir dessa conjuntura, este artigo visa a compreender algumas facetas midiático-digitais do neorreacionarismo católico no Brasil, examinando particularmente alguns de seus sujeitos e de suas discursividades, assim como suas vinculações teológico-eclesiais em relação a fontes antimodernistas católicas históricas. Para isso, por meio de pesquisa bibliográfico-documental e reflexão ensaística, refletimos primeiramente sobre o conceito de (neo)reacionarismo, a partir de alguns de seus elementos caracterizadores do ponto de vista histórico e conceitual. Em seguida, examinamos o neorreacionarismo no contexto específico de um processo sociotécnico acelerado e intenso de midiatização, em que lógicas midiáticas embebem cada vez mais as práticas religiosas.</p>
            <p>Em um outro momento, analisamos algumas facetas do neorreacionarismo católico em observáveis situados em meio a tais processos midiáticos, particularmente digitais. Dada a relevância dos produtos audiovisuais na contemporaneidade, nossa observação se concentra especificamente em algumas manifestações de neorreacionarismo católico na plataforma YouTube, uma das mais acessadas atualmente.</p>
            <p>Por fim, em conclusão, afirmamos que a autoridade e a credibilidade de tais sujeitos neorreacionários católicos não vêm do saber teológico (academia) nem do poder eclesiástico (hierarquia), mas sim de um saber-fazer e de um poder-fazer midiático-digitais, que, por sua vez, conquistam-lhes um significativo reconhecimento sociorreligioso em rede.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>(Neo)Reacionarismo: premissas históricas e conceituais</title>
            <p>Historicamente, é constante a presença de expressões socioculturais plurais e diversas que buscam e fomentam uma preservação, um resgate, uma volta ao passado, considerado mais autêntico e verdadeiro. De modo geral, trata-se de uma longa linhagem teórico-praxiológica desenvolvida ao longo dos séculos como reação aos ideais que passaram a emergir a partir do Iluminismo (século XVIII), particularmente, ganhando ainda mais força com as transformações socioculturais provocadas pela Revolução Francesa (1789), até desembocar nos nossos dias. Tais forças socioculturais vão na <italic>contramão do moderno</italic> ou, mais precisamente, dos processos de modernização dos séculos recentes (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>).</p>
            <p>Conceitos como tradicionalismo, conservadorismo, integrismo, fundamentalismo, intransigentismo, desse modo, podem ser tomados como sinônimos – resguardadas suas ênfases singulares –, entendidos como uma <italic>rejeição ao mundo moderno e secular, em defesa da restauração do passado</italic>, com seus valores e princípios tradicionais, em uma sociedade integralmente cristã. Frente às forças de mudança, reforma e renovação, “[...] as referências do passado são adotadas como parâmetros de julgamento do presente, fechando as possibilidades de circularidade entre as temporalidades e, por consequência, o exercício atual de transmissão (<italic>traditio</italic>) dos conteúdos da fé” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 13).</p>
            <p>Ao analisar especificamente o tradicionalismo e o conservadorismo no âmbito do catolicismo, <xref ref-type="bibr" rid="B08">Caldeira (2011)</xref> faz uma distinção entre ambos os termos. Segundo ele, o tradicionalismo é uma tendência humana, um “conservadorismo natural” de todas as pessoas, já que todas visam a conservar seu mundo de significados. Tradicionalismo, portanto, seria uma “[...] atitude psicológica geral que se expressa em diferentes indivíduos como uma tendência a agarrarem-se ao passado e como um medo de inovações” (Mannhein <italic>apud</italic>
                <xref ref-type="bibr" rid="B08">Caldeira, 2011</xref>, <italic>online</italic>). Já o conservadorismo seria “[...] um movimento consciente e reflexivo desde o início, surgindo como oposição a um movimento progressista sistemático e coerente, dotado de organização” (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Caldeira, 2011</xref>, <italic>online</italic>), ou ainda um “tradicionalismo tornado consciente” (Mannhein <italic>apud</italic>
                <xref ref-type="bibr" rid="B08">Caldeira, 2011</xref>, <italic>online</italic>). Como sintetiza <xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos (2020, p. 40)</xref>, “[...] todo tradicionalista é um conservador, embora o conservador não seja necessariamente um tradicionalista”.</p>
            <p>Essas linhagens católicas, de modo geral, baseiam seu pensamento político-religioso em documentos do Concílio de Trento e da Escolástica, e de santos, filósofos, teólogos e pontífices que se destacaram pela crítica ou pela recusa do mundo moderno, principalmente os pontificados antiliberais do século XIX. “A referência a um passado, concretamente à visão e prática da cristandade, constitui um denominador comum” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 42) de tais expressões. Esses grupos se formaram em oposição a outros grupos defensores de mudanças expressivas na prática da fé, particularmente às expressões católicas chamadas de modernas, progressistas ou sociais; e, com isso, passaram a pensar e a agir de modo pré ou antimoderno, buscando edificar aquilo que <xref ref-type="bibr" rid="B42">Silveira (2019)</xref> chama de “retro-utopia neocristã”.</p>
            <p>No âmbito católico <italic>brasileiro</italic>, mais especificamente, as expressões tradicionalista-conservadoras originaram-se no século XIX no interior de grupos clericais e laicais em reação à ascensão de um catolicismo progressista, baseado em premissas da Revolução Francesa, do Iluminismo e da ciência moderna (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Zanotto; Caldeira, 2013</xref>). Desde o fim do século XIX, houve um processo de assimilação da modernidade na práxis católica, mediante a atuação de movimentos eclesiais e teologias da primeira metade do século XX, que culminaram no <italic>aggiornamento</italic> (atualização) do catolicismo no Vaticano II.</p>
            <p>Indivíduos e coletivos tradicionalistas e conservadores católicos almejam uma restauração do <italic>status quo</italic> eclesial anterior ao Concílio. Algumas forças eclesiais recusam o Vaticano II abertamente, formando grupos cismáticos. Já outras expressões, embora aceitem as decisões conciliares, procuram mitigar os documentos do Concílio e as posições católicas voltadas a questões morais e culturais (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Silveira, 2018</xref>, 2019). Essas disputas de sentido em torno da “hermenêutica conciliar” evidenciam “[...] as forças que se agitam na batalha hermenêutica que toma conta nas discussões historiográficas e teológicas” sobre o Vaticano II (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Caldeira, 2015</xref>, p. 61), refletindo principalmente perspectivas políticas internas à instituição eclesiástica. “O século XX foi o tempo da luta católica entre renovação e conservação” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 10).</p>
            <p>Para além das posturas católicas mais “transigentes”, no sentido da preservação do passado e de defesa da tradição, há, por outro lado, expressões de um catolicismo propriamente <italic>intransigente</italic>, que atua por meio da <italic>resistência frontal</italic>, do <italic>confronto direto</italic>, da <italic>oposição franca</italic> ao presente, particularmente no que diz respeito à oficialidade e à institucionalidade católicas, e ao magistério papal. Tais indivíduos e grupos entendem-se e agem “[...] como os autênticos católicos que se <italic>opõem aos católicos equivocados</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 23, grifo próprio). Ou seja, praticam uma forma de reacionarismo.</p>
            <p>De modo geral, o reacionário é “um crítico da sociedade existente que deseja recriar no futuro um ideal que ele assume ter existido no passado. É um <italic>radical</italic>” (Huntington <italic>apud</italic>
                <xref ref-type="bibr" rid="B33">Quadros, 2015</xref>, p. 38, grifo próprio). O reacionarismo se insurge contra o <italic>ethos</italic> da modernidade, mediante uma <italic>batalha antissistêmica</italic> e sem concessões ao secularismo contemporâneo (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Quadros, 2015</xref>). Entretanto, não se trata de uma busca pela mera volta do ou ao passado, mas sim de sua <italic>(re)construção e ressignificação simbólico-comunicacionais no hoje da história</italic>. “A memória sobre o passado se faz <italic>a partir do presente (sempre)</italic> e é preciso entendê-lo como uma <italic>construção discursiva</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Lerner, 2019</xref>, p. 236, grifo próprio).</p>
            <p>No caso católico, “[...] o reacionário é aquele que se liga a um tempo pretérito idealizado e que a ele deseja retornar” (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Caldeira, 2011</xref>, <italic>online</italic>), como a Igreja pré-conciliar e os pontificados anteriores a Francisco (ou até anteriores ao próprio Concílio). Mas, para fazer esse retorno, recorre a uma <italic>reação contrária</italic>, mediante a <italic>rejeição e o rechaço abertos e explícitos</italic> àquilo que é identificado como moderno e progressista no catolicismo – cujas expressões-símbolo são especialmente o Vaticano II e, hoje, o pontificado e o magistério do Papa Francisco. O reacionarismo católico, portanto, não é apenas <italic>pró</italic>-tradição e <italic>pró</italic>-cristandade, mas é principalmente “<italic>anti</italic>”: antimoderno, anti-Vaticano II e, em muitos casos, antipapa (particularmente, anti-Francisco). Assume-se um ideal pautado pelo combate e pela guerra, que, na prática, consiste “[...] mais em reagir do que em propor. Há sempre um inimigo a ser destacado, desautorizado e eliminado” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 14). Ainda segundo o autor,</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>[...] esses grupos e tendências ganharam força política, pastoral, moral e litúrgica dentro da Igreja e <italic>crescente visibilidade nas redes sociais</italic>. Mais do que nas décadas que sucederam ao Concílio Vaticano II, apresentam-se hoje com identidades mais nítidas e com <italic>desenvolturas mais agressivas</italic>, reivindicando não somente um lugar legítimo dentro do catolicismo, mas também uma posição de portadores da verdade autêntica da tradição cristã e, com frequência, de <italic>intolerância às diferenças religiosas e políticas</italic></p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 26, grifo próprio).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Essa articulação, portanto, entre um processo de midiatização digital das sociedades e religiões contemporâneas (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Sbardelotto, 2017</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B40">2018</xref>) e a radicalização da reação antimodernista católica, alcançando níveis mais exacerbados de agressividade simbólica e intolerância em comparação com o passado, constitui aquilo que aqui chamamos de <italic>neorreacionarismo</italic>.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>A emergência do neorreacionarismo em sociedades em midiatização</title>
            <p>Nas antigas organizações católicas tradicionalistas e conservadoras, o recurso aos meios de comunicação de massa era fundamental, assim como as estratégias de visibilização na esfera pública, como campanhas, passeatas, mobilizações, panfletos, editoras, livros, jornais, revistas, rádios e até programas de TV etc. Hoje, a força social de tais grupos tradicionalistas e conservadores católicos se deve também “[...] às dinâmicas combinadas do espaço público contemporâneo, múltiplo, transversal, das novas tecnologias de informação e das novas mídias, com um aumento da produção e do consumo de informações de forma amplamente descentralizada” (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Silveira, 2018</xref>, p. 291). Na contemporaneidade, portanto, emergem expressões tradicionalistas e conservadoras <italic>novas e inovadoras</italic>, embebidas em processos contemporâneos cada vez mais acelerados e intensos de midiatização da religião (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Gasparetto, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Gomes, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">Sbardelotto, 2017</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B40">2018</xref>).</p>
            <p>O processo de digitalização contemporâneo impele o catolicismo, particularmente, a assumir novas formas de percepção do mundo em que habita e novas formas de expressão de sua tradição e doutrina à sociedade. Ocorre um deslocamento das práticas de fé para o ambiente online, a partir de lógicas midiáticas, complexificando o fenômeno religioso e as processualidades comunicacionais mediante novas temporalidades, novas espacialidades, novas materialidades, novas discursividades e novas ritualidades (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Sbardelotto, 2012</xref>).</p>
            <p>As redes digitais são, hoje, ambientes online de sociabilidade, em que se manifestam intensas trocas comunicacionais, atemporais e aespaciais, ubíquas e móveis, da sociedade com a própria sociedade. Surge, assim, uma ambiência social impulsionada pelas ações comunicacionais de indivíduos, grupos e instituições em sua apropriação de mídias digitais, gerando modalidades complexificadas de significação do <italic>socius</italic> e do <italic>sacrus</italic> em rede. Em plataformas digitais, não apenas as corporações midiáticas, mas também os indivíduos em geral, assim como as autoridades e as instituições religiosas, constroem sentido sobre o “religioso” e o fazem circular socialmente mediante a publicização midiática de seus próprios construtos (textos, imagens, vídeos etc.).</p>
            <p>A midiatização digital facilita o acesso e o uso por parte da sociedade dos meios de produção e transmissão de informações, e expande o alcance e a abrangência dos meios de interação social. A digitalização complexifica de modo crescente os “[...] processos de intercâmbio, produção e consumo simbólico que se desenvolvem em um entorno caracterizado por uma grande quantidade de sujeitos, meios e linguagens interconectadas tecnologicamente de maneira reticular entre si” (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Scolari, 2008</xref>, p. 113, tradução própria)<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref>. Nos processos da midiatização digital, entram em jogo, portanto, uma <italic>multimodalidade tecnológica</italic> (com o surgimento de novas modalidades de comunicar) e um <italic>empoderamento social</italic> (instituições, coletivos e indivíduos, habilitados por essas tecnologias, desenvolvem novas formas e novos modos de se relacionar e comunicar) (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Amar, 2011</xref>).</p>
            <p>O desdobramento da midiatização digital leva a um aumento tanto da <italic>rapidez</italic>, quanto do <italic>alcance</italic> e também da <italic>abrangência</italic> dos processos de interação social e (in)formação. O digital não abole a separação entre amadores e profissionais, entre fiéis comuns e autoridades religiosas, mas associa tais indivíduos em uma mesma ambiência, qualquer que seja o seu status individual. Com isso, a mudança do ambiente comunicacional catalisado pela midiatização digital afeta diretamente o processo de construção de sentido religioso e, portanto, a própria produção de relações de poder no interior de cada religião.</p>
            <p>Em redes digitais, a religião “[...] se expõe à interação com um ambiente muito mais vasto, complexo e diferenciado daqueles com que habitualmente entra em contato” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pace, 2013</xref>, p. 93, tradução própria)<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>. Os ambientes digitais concedem um grau de autonomia e liberdade muito maiores à construção de sentido em uma escala mais ampla e abrangente, “[...] liberando uma subjetividade que pode pôr em crise o princípio de autoridade sobre o qual se baseia a força comunicativa das religiões históricas” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pace, 2013</xref>, p. 191, tradução própria)<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>.</p>
            <p>Ademais, atualmente é possível não apenas produzir conteúdos antimodernistas individualmente, mas também conectar vários conteúdos e conectar-se com outros indivíduos e grupos <italic>sem fronteiras espaço-temporais</italic>, podendo-se, potencialmente, produzir um verdadeiro “efeito-enxame” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Han, 2018</xref>) em rede para atacar os “inimigos modernistas” em comum. Com isso, as discursividades antimodernistas católicas contemporâneas operam uma síntese entre “[...] ideias antigas (valores ‘eternos’ defendidos pela Igreja Católica), novas cargas semânticas (ênfase em vocabulários específicos) e performance midiático-espetacular (uso intensivo das mídias e procura da escandalização)” (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Silveira, 2018</xref>, p. 295).</p>
            <p>Muitas vezes, em tais práticas, a desinformação – entendida como a articulação deliberada entre falsidade/mentira/conspiração e nocividade/agressividade/violência/ódio – é a marca preponderante (Di Fatima; Miranda, 2022; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Moura, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B37">Sbardelotto, 2021</xref>). O neorreacionarismo católico, geralmente agressivo e violento, explicita-se em rede como uma <italic>excomunhão</italic> (do latim <italic>excomunicatio</italic>) dos supostos “hereges”, ou seja, de todos aqueles que se desviam de um imaginário eclesial antimoderno. Para isso, opera-se uma <italic>excomunicação</italic>, uma comunicação de que a comunicação alheia (dos católicos supostamente “hereges”, dos bispos e até do papa) deve cessar ou não deveria nem existir. Trata-se de uma comunicação voltada ao silenciamento ou ao aniquilamento de outra comunicação, para que o discurso próprio se torne único e dominante (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Sbardelotto, 2020</xref>).</p>
            <p>O desafio maior, do ponto de vista institucional católico, é que “[...] o tradicionalismo adquire essa <italic>dinâmica de legitimidade imediata como verdade</italic> para a maioria dos plugados nas redes; vai tornando-se cada vez mais natural como <italic>mais um discurso da Igreja Católica</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 120, grifo próprio). Diante da crescente explicitação de tais problemáticas comunicacionais antes menos evidentes, portanto, a instituição eclesiástica precisou atentar para os limites da comunicação em rede.</p>
            <p>Em geral, ao longo dos pontificados recentes, a abordagem eclesiástica voltava-se a um fenômeno considerado externo à Igreja, operado apenas por agentes não eclesiais (como as mídias seculares) e que investia contra ela, de fora para dentro. Foi o Papa Francisco quem atentou para outros ângulos desse processo. Segundo ele, não se trata de um fenômeno apenas “extrarreligioso” em relação à Igreja Católica, mas principalmente “intrarreligioso”, isto é, de ódio disseminado entre os próprios católicos. Em uma exortação apostólica – portanto, um documento de alta importância no magistério pontifício – <xref ref-type="bibr" rid="B18">Francisco (2018)</xref> reconhece que,</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>pode acontecer também que os cristãos façam parte de <italic>redes de violência verbal através da internet e de vários fóruns ou espaços de intercâmbio digital</italic>. Mesmo nas mídias católicas, é possível ultrapassar os limites, <italic>tolerando-se a difamação e a calúnia</italic> e parecendo excluir qualquer ética e respeito pela fama alheia. Gera-se, assim, um dualismo perigoso, porque, nestas redes, dizem-se coisas que não seriam toleráveis na vida pública e procura-se compensar as próprias insatisfações <italic>descarregando furiosamente os desejos de vingança</italic></p>
                    <attrib>(<italic>Gaudete et Exsultate</italic>, n. 115, grifo próprio).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Trata-se de um reconhecimento crítico de grande relevância e, ao mesmo tempo, sem precedentes, ao explicitar o fenômeno da violência e da intolerância intracatólicas. Mediante tais redes denunciadas pelo papa, propaga-se uma igreja paralela digital, que não condiz nem com os tempos (para tais católicos, só vale aquilo que existia antes do Vaticano II) nem com os lugares (segundo tais grupos, qualquer tentativa de inculturação da fé em expressões não europeias, populares ou periféricas é inconcebível) nem com as pessoas (do ponto de vista desses grupos reacionários, Francisco é um “antipapa”).</p>
            <p>O neorreacionarismo católico, como o entendemos, “[...] é intrinsecamente incompatível com a modernidade e almeja nada menos que extirpá-la da história, ressuscitando um tempo que já deixou de existir” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Quadros, 2015</xref>, p. 43). Como a secularização significou a perda de monopólio da Igreja Católica na gestão da verdade e das interpretações legítimas, a instituição religiosa passou a competir também discursivamente com outras agências religiosas. Daí o retorno e a defesa de capitais simbólicos da Igreja de antanho (particularmente pré-conciliar), de modo a (re)afirmar a centralidade e a verdade católicas diante da pluralidade religiosa atual. Em tudo isso, há uma revalorização de linguagens e práticas simbólicas (como por exemplo a missa em latim), mediante as quais capitais simbólicos até então em desuso ou com pouco uso no catolicismo atual são resgatados midiaticamente como símbolos poderosos para tal reafirmação católica. Nesse processo, opera-se uma ressignificação e descontextualização de estilos, símbolos e estéticas religiosos do passado mediante linguagens midiático-digitais contemporâneas. Temos, assim, traços da tradição pinçados e recuperados deliberadamente, construindo uma “tradição seletivizada e reinterpretada” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Portella, 2013</xref>, p. 5).</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B09">Caldeira e Silveira (2021)</xref> reconhecem que o processo de midiatização ajudou a formar um tipo de “sensibilidade reacionária”, personificada por <italic>youtubers</italic> ou influenciadores digitais clericais e laicais. Os autores afirmam ainda que “[...] uma das novidades do ressurgimento do elemento católico reacionário e ultraconservador é que a circulação de suas ideias não se limita às fronteiras institucionais dos movimentos e associações, mas, ao transbordar, aponta para uma sensibilidade difusa, mas visível na Igreja Católica” (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Caldeira; Silveira, 2021</xref>, p. 390, tradução própria)<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>.</p>
            <p>Como uma forma de tradicionalismo e conservadorismo exasperados e radicalizados, o neorreacionarismo católico, como o entendemos, paradoxalmente ataca as atuais autoridades da hierarquia católica (particularmente o Papa Francisco) em defesa de um ideal de Igreja no qual a hierarquia e a autoridade são inquestionáveis e quase intocáveis. O diagnóstico e o plano de ação de tais neorreacionários católicos geralmente consistem em “se opor ao inimigo pelas vias do <italic>enfrentamento simbólico ou material</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Queiroz, 2021</xref>, p. 84, grifo próprio). No neorreacionarismo católico, ativa-se uma dinâmica do “nós versus eles”, que gera polaridades diametralmente opostas e praticamente inconciliáveis, restando apenas a desqualificação e a violência, sobretudo simbólica.</p>
            <p>Com isso, manifesta-se em tais expressões neorreacionaristas aquilo que <xref ref-type="bibr" rid="B24">Lerner (2019, p. 230)</xref> chama de “imperativo da força”, mediante o qual “a resposta violenta [também simbólica] é a única relação possível entre os elementos que estão na parte positiva do esquema e os que estão fora, na parte negativa”. No neorreacionarismo católico, caberia aos “bons católicos” o uso da força para garantir a segurança própria, de seus correligionários e da Igreja que imaginam ser a verdadeira. Segundo tal imperativo, a violência é a única forma de relação possível entre os elementos positivos e negativos de uma mesma cosmovisão, como, neste caso, o catolicismo. Desse modo, “ser reconhecido pelos de dentro do círculo como diferente, como não pertencente ao lado bom, já constitui por si só uma ameaça e pede uma imediata reação violenta” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Lerner, 2019</xref>, p. 231). No neorreacionarismo, evidencia-se “uma incompatibilidade cuja única implicação é a sobrevivência de um ou do outro. Não há possibilidade de conciliação ou mesmo de convivência, uma vez que a vida social [ou eclesial] desejada por ‘eles’ é exatamente o oposto da desejada pelo ‘nós’” (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Queiroz, 2021</xref>, p. 49).</p>
            <p>Do ponto de vista do tradicionalismo católico de modo geral, <xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos (2020)</xref> identifica três grandes linhagens, embora não exclusivas nem isoladas uma das outras, pois, segundo o autor, bebem de uma mesma fonte de referências doutrinais, valorativas e imagéticas, particularmente antimodernistas ou antimodernização. Para além das duas primeiras linhagens identificadas pelo autor (tradicionalismo de <italic>resistência</italic> e de <italic>legitimidade</italic>), o neorreacionarismo como aqui o entendemos situa-se na terceira linhagem, a saber, o <italic>tradicionalismo emergente</italic>, que explicita “novos modos de difusão dos ideais e das práticas tradicionalistas por meio das mídias” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 115), favorecido pelas facilidades tecnocomunicacionais, mas também pela atual cultura da pluralidade que se desenvolve sob o signo da pós-verdade. Trata-se, portanto, de uma reprodução independente e difusa das linhagens anteriores de tradicionalismo.</p>
            <p>Entretanto, nessa linhagem emergente, “[...] não se percebe uma fonte capaz de garantir uma coerência discursiva, uma consistência teórica e uma abordagem sistemática, como ocorre nas demais linhagens tradicionais” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 116). Explicita-se um modo livre de composição e difusão próprios das redes digitais, que rompem com os padrões associativos tradicionais. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos (2020, p. 117)</xref>, emerge, assim, paradoxalmente, um “tradicionalismo construído por mecanismos de destradicionalização”, mediante o reforço do critério da individualização e do consumo midiático <italic>à la carte</italic>. A antimodernidade é um discurso presente em tais manifestações, embora não seja a mais regularmente defendida. “A batalha se dirige a inimigos nominais e localizados: o comunismo, o marxismo cultural, a teologia da libertação com seus teólogos, as posturas relacionadas a um catolicismo social da opção pelos pobres, [...] a CNBB e, muitas vezes, até mesmo o Papa Francisco” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 117).</p>
            <p>O que tais sujeitos neorreacionários católicos buscam evitar e combater é “a implosão da Igreja Católica através de seu desvirtuamento” (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Queiroz, 2021</xref>, p. 82), que, segundo eles, passaria principalmente pela dessacralização da liturgia e pela deturpação da teologia. Para os grupos neorreacionários católicos, em uma Igreja fragmentada e plural – cujo modelo, inclusive valorizado pelo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Papa Francisco (2013)</xref>, é o “poliedro”, ou seja, a confluência de suas diferenças (<italic>Evangelii Gaudium</italic>, n. 236) – é necessário definir qual é o “verdadeiro” rosto da tradição católica, o “verdadeiro” catolicismo (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Portella, 2013</xref>). Isso envolve estratégias de combate aos hereges, disputas simbólicas em torno da “verdadeira” catolicidade e lutas por poder eclesiástico.</p>
            <p>O caráter veemente e até agressivo do neorreacionarismo católico traduz simbolicamente, de certa forma, os ressentimentos de uma parcela da comunidade católica, que muitas vezes são canalizados em figuras carismáticas, fortemente inseridas nas mídias. Estas “sintetizam essa cólera e apresentam saídas simples, a partir da criação de narrativas violentas e direcionadas contra inimigos fantasiosos, que podem ser, por exemplo, tanto populações específicas como ideologias político-econômicas” (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Queiroz, 2021</xref>, p. 10). Com isso, tais discursos tornam-se públicos e muitas vezes legitimados, entrando em disputa simbólica ou material com outros, até mesmo os da própria hierarquia, trazendo à tona alguns elementos próprios das disputas e dinâmicas internas da Igreja Católica contemporânea.</p>
            <p>Com isso, vem se manifestando uma crescente onda de raiva e reação violenta intracatólica experimentada nas redes, mediante “passionalidades isentas de reflexão [muito menos de fraternidade cristã], alicerçadas em ódios e atitudes em regime de torcida” (<xref ref-type="bibr" rid="B05">Bitencourt, 2018</xref>, p. 194). Seguindo o que afirma a autora, portanto, as arenas simbólicas resultantes da hiperconexão são um lócus rico e complexo para investigar também a crescente onda de neorreacionarismo católico.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Novas facetas midiático-digitais doreacionarismo</title>
            <p>Analisar algumas facetas do neorreacionarismo católico no Brasil envolve a constituição de um <italic>corpus</italic> de observáveis situados em meio a processos midiáticos particularmente digitais. Examinaremos agora alguns elementos caracterizadores das discursividades midiático-digitais de alguns indivíduos e coletivos que consideramos representar o neorreacionarismo católico brasileiro e indicar algumas das principais fontes antimodernistas católicas brasileiras que inspiram a práxis de tais sujeitos neorreacionários.</p>
            <p>Como expressão desse processo, analisaremos aqui alguns elementos da atuação midiático-digital do Centro Dom Bosco, de Bernardo Küster e de Lorenzo Lazzarotto. Trata-se das primeiras observações de uma pesquisa ainda em curso. Dada a relevância dos produtos audiovisuais na cultura atual e também as principais estratégicas midiáticas do neorreacionarismo católico contemporâneo, nossas considerações levarão em conta principalmente as presenças de tais sujeitos na plataforma YouTube, a segunda mais utilizada no mundo inteiro, perdendo apenas para o Facebook, segundo a pesquisa <italic>Digital 2023</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Kemp, 2023</xref>).</p>
            <p>Para isso, assumimos quatro ângulos de observação principais dos processos e conteúdos em jogo, a fim de identificar elementos caracterizadores da reação midiático-digital de tais sujeitos em relação a: 1) recepção do Vaticano II; 2) relação com o pontificado de Francisco e a recepção de seu magistério; 3) relação com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a recepção de seu magistério; 4) recepção das teologias latino-americanas, particularmente das teologias da libertação.</p>
            <p>O Centro Dom Bosco (que não tem nenhuma ligação com a Congregação Salesiana, fundada por São João Bosco) existe desde 2016 e se apresenta em seu site como uma “associação de fiéis católicos que se reúnem para rezar, estudar e defender a fé”. O centro afirma que “o Brasil é uma nação católica que foi adormecida pelo veneno liberal das casas maçônicas”. Por isso, a associação deseja “contrapor o erro” e “formar uma nova geração de católicos capazes de renovar a Igreja e a Terra de Santa Cruz” (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, ©2023</xref>, <italic>online</italic>). O centro assume o trabalho editorial como “nossa principal frente contrarrevolucionária” a fim de “resgatar o que foi perdido por causa do modernismo” (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, ©2023</xref>, <italic>online</italic>). Percebe-se aqui uma postura neorreacionária de defesa da fé, de antimodernismo e de contrarrevolução frente aos “venenos” da sociedade contemporânea.</p>
            <p>Em sua conta no YouTube<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>, o Centro Dom Bosco divulga cursos e palestras sobre temas diversos, contando – até a finalização deste texto, em dezembro de 2023 – com mais de 468 mil inscritos e somando mais de 38 milhões de visualizações no total, desde a criação da conta em 2016. Em uma série de 19 vídeos de palestras intitulada <italic>Catecismo da crise na Igreja</italic><xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref>, alguns dos conteúdos abordam, por exemplo, “o erro da liberdade religiosa” e “o erro do ecumenismo”. Outro desses vídeos, intitulado <italic>Erros doutrinais do Concílio Vaticano II</italic>, afirma em sua legenda que busca fazer uma “<italic>demonstração cabal dos principais erros doutrinais</italic> do Concílio Vaticano II, a partir de uma leitura comparada dos seus <italic>documentos mais problemáticos</italic> com o ensinamento perene da Igreja” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Catecismo da Crise na Igreja, 2021</xref>, <italic>online</italic>, grifo próprio). Já outra série publicada em 2022, composta por três vídeos e intitulada <italic>Especialistas do Concílio</italic><xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref>, visa a “demonstrar como todo aquele período histórico estava contaminado pela heresia do modernismo”, segundo a descrição dos vídeos (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Especialistas do Concílio, 2022</xref>, <italic>online</italic>). De modo geral, portanto, o centro assume uma perspectiva condenatória em relação ao Vaticano II, analisado a partir de seus “erros” e de suas “heresias”. Já em relação aos bispos brasileiros, particularmente a CNBB, há um posicionamento de crítica e vigilância constantes, particularmente em torno da Campanha da Fraternidade (CF), promovida anualmente pela CNBB desde os anos 1960. Em um dos vídeos mais assistidos do canal, com mais de 692 mil visualizações, postado logo no início da CF 2021, intitulado <italic>Saiba quem está por trás da Campanha da Fraternidade!</italic><xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>, denunciam-se supostos grupos que estariam tentando “manipular a Igreja Católica”.</p>
            <p>Do ponto de vista das fontes mais diretas do Centro Dom Bosco, um de seus fundadores e atual vice-presidente, Álvaro Mendes, afirma que o centro,</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>[...] está organizado dentro do contexto de <italic>guerra cultural</italic>. A gente sabe que a Revolução tem produzido elites intelectuais fortíssimas e tem avançado as suas pautas em todas as áreas do conhecimento. Então, a gente imagina que é preciso dar uma resposta católica nesse sentido, e que os leigos precisam se organizar dentro de estruturas especiais, porque os leigos têm certas características que o clero naturalmente não tem [...]. Então é preciso que nós, enquanto leigos, nos organizemos para produzir um material católico, para produzir uma cultura católica e intelectuais católicos que possam <italic>fazer frente ao pensamento revolucionário</italic>. [...] No Brasil, essa reação católica vai ser de certa forma liderada pelo cardeal Leme, um grande cardeal brasileiro, e por Jackson de Figueiredo, o fundador do Centro Dom Vital, <italic>que é a maior referência do Centro Dom Bosco</italic></p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">Entrevista [...], 2020</xref>, <italic>online</italic>, grifo próprio).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Percebe-se aqui, portanto, uma referenciação direta àquilo que <xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos (2020, p. 107)</xref> chama de primeira geração do tradicionalismo no Brasil, representada, além de Farias Brito (1862-1917) – apresentado pelo autor como um formador de um pensamento de cunho religioso que nega a racionalidade moderna –, também por Jackson de Figueiredo (1891-1928), aluno de Brito. Convertido ao catolicismo, Figueiredo fundou no Rio de Janeiro o Centro Dom Vital, com o objetivo de congregar a intelectualidade católica brasileira, tornando-se um “centro irradiador do pensamento ultramontanista no Brasil” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos, 2020</xref>, p. 107).</p>
            <p>Bernardo Küster, por sua vez, é um <italic>youtuber</italic> leigo que promove pautas católicas neorreacionárias. É graduado em administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com extensão em Política Internacional e Economia Empresarial na Università degli Studi di Ferrara, na Itália, e MBA em Gestão de Projetos na Fundação Getúlio Vargas. Em sua conta no YouTube<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>, ele tem mais de 999 mil inscritos, somando mais de 95 milhões de visualizações de seus conteúdos no total, desde a criação da conta em 2006 (embora sua produção de conteúdos tenha se tornado mais frequente apenas a partir de 2017).</p>
            <p>Küster foi indiciado pelo relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Covid-19, a chamada CPI da Pandemia (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Brasil, 2021</xref>), por incitação ao crime, como suspeito de disseminar <italic>fake news</italic>, em sua qualidade de diretor do <italic>Jornal Brasil Sem Medo</italic>, uma das maiores publicações conservadoras do país. Durante a pandemia, segundo o relatório, Küster realizou diversas postagens com desinformação, apologia ao uso de cloroquina, conteúdos antivacina e contra o isolamento social. O relatório relembra que, devido a constantes postagens com conteúdos falsos, Küster teve suas contas suspensas no Instagram e no Twitter. E também o vincula ao chamado “Gabinete do Ódio”, uma estrutura de produção e disseminação de desinformação ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.</p>
            <p>Os principais vídeos de Küster são de cunho político de (extrema) direita, embora diversas questões do catolicismo também sejam abordadas à luz desse posicionamento. Em 2023, por exemplo, o <italic>youtuber</italic> postou sete vídeos em sequência contrários à Campanha da Fraternidade, apontando seus supostos “erros graves de interpretação bíblica” e sua “politização marxista”, até afirmar que “nenhum católico é obrigado a doar” para CF, compartilhando com seus seguidores que ele mesmo não faz nenhuma doação. O primeiro vídeo intitulava-se, por exemplo, <xref ref-type="bibr" rid="B01"><italic>A Campanha da Fraternidade mais PERIGOSA de TODAS</italic></xref> (<italic>sic</italic>). Logo no início desse vídeo, o <italic>youtuber</italic> afirma: “Eu acompanho essas Campanhas da Fraternidade já há muito tempo, tem mais de seis anos. Sempre <italic>denunciei os erros</italic>, sempre denunciei os problemas nos textos, nas ações, nas propostas dos participantes. E fui pioneiro nisso aqui no Brasil” (A Campanha [...], 2023, <italic>online</italic>, grifo próprio).</p>
            <p>Em 2023, Küster promoveu um curso online pago, composto por cinco módulos com diversas aulas cada, intitulado <italic>Invencível</italic>: <italic>estratégias e técnicas de defesa da fé</italic><xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>. A legenda do vídeo de divulgação afirma que “chegou a hora de se tornar um cristão INVENCÍVEL (<italic>sic</italic>), capaz de defender a fé em Deus contra os <italic>ataques do mundo moderno</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Aprenda [...], 2023</xref>, <italic>online</italic>, grifo próprio). Küster também produziu o documentário <xref ref-type="bibr" rid="B12"><italic>Eles estão no meio de nós</italic>, lançado em 2022</xref>. Segundo sua sinopse, aborda “as origens, estratégias e planos da <italic>maior ação anticristã contra a Igreja no mundo</italic>: a Teologia da Libertação [...] uma <italic>heresia modernista</italic> que busca reinterpretar os ensinamentos católicos e usá-los como motor de uma revolução social” (Eles estão [...], 2022, <italic>online</italic>, grifo próprio). Em poucas semanas, o vídeo alcançou mais de 1,5 milhão de visualizações. Ressaltam-se, aí, de modo geral, a linguagem bélica (estratégias de defesa e ataque), assim como a construção discursiva de inimigos do catolicismo (mundo moderno, neopaganismo, heresia modernista).</p>
            <p>As fontes da atuação neorreacionária de Küster não são muito claras. Ele conta em entrevista<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref> que, ao terminar a faculdade, converteu-se à Igreja Batista e passou a estudar a Bíblia e os Padres da Igreja por conta própria, a partir de leituras e conteúdos encontrados na internet, processo que o levou, depois, à sua conversão ao catolicismo. Em seus estudos e pesquisas, teve contato com vídeos de Olavo de Carvalho (1947-2022) e depois fez o Curso Online de Filosofia ministrado pelo escritor. Em seguida, conheceu pessoalmente o administrador das redes sociais digitais de Carvalho, que, por sua vez, apresentou-o diretamente ao escritor, com quem começou, então, uma amizade. Sua vinculação direta a Carvalho permanece mesmo após a morte deste, que aparece em uma foto pendurada na parede que serve de pano de fundo para diversos vídeos de Küster.</p>
            <p>Retomando a linha histórica proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos (2020)</xref>, Küster está ligado, de modo indireto, à terceira geração de tradicionalistas católicos brasileiros, composta por grupos descendentes da velha Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), como Orlando Fedeli (1933-2010), fundador da Associação Cultural Montfort e ex-membro da TFP. Olavo de Carvalho, a quem Küster deve sua ação antimodernista, ficou mais conhecido nos ambientes tradicionalistas católicos por seus embates polêmicos entre 2000 e 2001 justamente com Fedeli, em torno da filosofia gnóstica. Carvalho, por sua vez, como representante alternativo dessa terceira geração, também bebia de modo indireto da segunda geração do tradicionalismo católico brasileiro, marcada – além dos bispos Dom Geraldo de Proença Sigaud (1909-1999) e Dom Antônio Castro Mayer (1904-1991) – pelos leigos Plínio Corrêa de Oliveira (1908-1995) e Gustavo Corção (1896-1978), fundador da revista tradicionalista Permanência (1968). Carvalho passou a frequentar as missas na Capela São Miguel, da <italic>Permanência</italic>, durante mais de um ano, entre 1997 e 1999, como afirma um artigo no site da revista. A publicação, porém, esclarece que o escritor “se afastou da Permanência quando foi para a Romênia” (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Revista Permanência, 2022</xref>, <italic>online</italic>) alguns meses depois. Temos aí, contudo, uma certa aproximação com as perspectivas da publicação e, portanto, com uma linhagem ligada a Corção.</p>
            <p>Por fim, Lorenzo Lazzarotto é um jovem leigo do Rio Grande do Sul, formado em Direito pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) em 2021. Seu canal no YouTube intitula-se <italic>História e Fé Católica</italic><xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref> e soma mais de 80 mil inscritos e mais de 5 milhões de visualizações no total. Na descrição de seu canal, Lazzarotto conta que se trata de uma iniciativa criada por ele “quando tinha apenas 21 anos, com o propósito de trazer semanalmente conteúdos de alta qualidade para a formação dos fiéis” (História e Fé Católica, [201-], <italic>online</italic>). Segundo ele, o canal oferece “centenas de aulas com as melhores fontes de estudo possíveis”, a respeito de temas como, por exemplo, “os mais de 2.000 anos de História da Igreja &amp; História Bíblica” e “estudos a respeito da crise do mundo moderno, à luz dos princípios da Revolução e da Contra-Revolução”. Lazzarotto afirma que o canal oferece “TUDO (<italic>sic</italic>) que você precisa para crescer em sua vida intelectual e espiritual, a fim de ser um intelectual voltado para ação e um homem de ação culto” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">História e Fé Católica, [201-]</xref>, <italic>online</italic>).</p>
            <p>Um de seus vídeos mais assistidos, com mais de 67 mil visualizações, publicado em 2022, tem como título <italic>PAPA FRANCISCO disse que LUL4 FOI VÍTIMA de FAKE NEWS e ASSUMIU que é COMUNISTA!</italic> (<italic>sic</italic>). Logo no início, Lazzarotto afirma que “o Papa Francisco assumiu que é comunista e diz que Jesus Cristo também é [...]. Não é difícil perceber que o maior líder da esquerda mundial hoje é o Papa Francisco” (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Papa Francisco [...], 2022</xref>, <italic>online</italic>). Segundo ele, é preciso repetir isso muitas vezes, porque ainda existem católicos que preferem fechar os olhos diante do problema da crise eclesial e que, desse modo, vão se tornando “cúmplices no processo de autodemolição da Igreja”. Com isso, o <italic>youtuber</italic> explicita claramente seu posicionamento neorreacionário antipapal.</p>
            <p>Em outro vídeo, de meados de 2023, com mais de 133 mil visualizações, o <italic>youtuber</italic> aborda “<italic>O DIA em que a CNBB uniu TFP, Centro Dom Bosco, RCC, FSSPX, Sedevacantistas e Olavo de Carvalho</italic>” (<italic>sic</italic>). No vídeo, Lazzarotto tece comentários bastante críticos sobre um relatório elaborado por um grupo de assessoria teológico-pastoral e apresentado na 60ª Assembleia Geral da CNBB sobre os influenciadores digitais católicos. Em certo momento do vídeo, o <italic>youtuber</italic> lê um trecho do documento, que diz que alguns desses influenciadores “começaram uma <italic>oposição frontal</italic> ao novo pontífice, ao Vaticano, às conferências episcopais [...] impulsionando a polarização da Igreja”. Em seguida, em tom irônico, Lazzarotto complementa: “Olha, mãe, eu estou no documento da CNBB!” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">O dia [...], 2023</xref>, <italic>online</italic>, grifo próprio).</p>
            <p>Quanto às suas fontes, o <italic>youtuber</italic> revela em um de seus vídeos que começou sua conversão ao catolicismo a partir dos conteúdos de Olavo de Carvalho e, em seguida, do Pe. Paulo Ricardo, identificando no Vaticano II a fonte dos “problemas” da Igreja contemporânea. Assim, “quando eu fui entendendo de fato a revolução que foi o Vaticano II, eu comecei a me abrir mais para a tradição” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Meu testemunho [...], 2023</xref>, <italic>online</italic>). Em seguida, teve contato com gravações de Plínio Corrêa de Oliveira e dos hinos da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (a chamada TFP), que ele achou “maravilhosos”, buscando, então, aprofundar seus estudos nesses conteúdos. Com isso, assumiu um “caminho de ser um católico tradicional, reacionário e seguir essa orientação do professor Plínio Corrêa de Oliveira” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Meu testemunho [...], 2023</xref>, <italic>online</italic>).</p>
            <p>Lazzarotto continua contando que foi se afastando do catolicismo defendido por Carvalho, por considerar que este estava centrado demais na própria interpretação e na própria pessoa do escritor. Com isso, passou a se aproximar mais de Plínio Corrêa de Oliveira e percebeu que “nada vinha dele, mas vinha da doutrina católica” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Meu testemunho [...], 2023</xref>, <italic>online</italic>). Retomando a linha histórica proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B30">Passos (2020)</xref>, Lazzarotto, portanto, adere à chamada segunda geração de tradicionalistas católicos brasileiros, autovinculando-se ao fundador da TFP. Para o <italic>youtuber</italic>, o pensamento de Oliveira é “inequivocamente católico”, razão pela qual decidiu seguir esse caminho. “E aí eu me tornei um católico contrarrevolucionário, dessa orientação da TFP que, graças a Deus, eu sigo até hoje” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Meu testemunho [...], 2023</xref>, <italic>online</italic>), como ele afirma no mesmo vídeo.</p>
            <p>De modo geral, destaca-se o grande alcance de tais produtos midiáticos, na casa das centenas de milhares de visualizações (e até mais), possível também graças à linguagem popular e acessível de tais sujeitos para se aproximarem de seus públicos. No entanto, por trás dessa aparência informal e amadora, pode haver um considerável investimento financeiro e apoio profissional na produção de tais conteúdos. Muitas vezes, a imagem amadora que é projetada publicamente pode contar com o apoio de uma equipe de profissionais e o patrocínio de grupos de interesse político-religiosos, que não são divulgados nem vêm a público.</p>
            <p>Táticas sensacionalistas, como títulos chamativos e conteúdo polêmico, ajudam a aumentar a base de seguidores nas plataformas digitais. Entretanto, como vimos, tal popularidade é fruto, entre outros elementos, de uma performance pautada muitas vezes pela agressividade e pela violência verbal, traduzindo-se em discursos intolerantes e divisivos no interior do catolicismo. Os conteúdos, a postura e a atuação de tais sujeitos não revelam apenas uma “guerra cultural” ou político-partidária contra inimigos <italic>externos</italic> à Igreja, mas principalmente uma guerra político-eclesiástico-comunicacional, uma nova “Cruzada” agora principalmente <italic>intracatólica</italic>, para combater midiaticamente os supostos infiéis e hereges no <italic>interior</italic> da própria Igreja e até de sua hierarquia – incluindo seu líder máximo.</p>
            <p>Trata-se não apenas de manifestações genéricas de antimodernismo católico, mas, mais especificamente, de um <italic>neorreacionarismo</italic>, ou seja, de uma <italic>reação crítica dirigida</italic>, de uma <italic>resposta contrária contundente</italic> – quase sempre (ou totalmente) <italic>ad hominem</italic>, sarcástica ou até simbolicamente violenta – à oficialidade e à institucionalidade católicas, por meio de processualidades midiático-digitais.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Conclusão</title>
            <p>Em um cenário de ruptura eclesial institucional e em uma conjuntura sociopolítico-cultural altamente convulsionada, o neorreacionarismo ganha grande espaço no cenário complexo e fragmentado das mídias sociais digitais. Forças neorreacionárias adentram os espaços públicos e também eclesiais pelo uso estratégico de práticas digitais e, por meio delas, passam a propor temas sensíveis de caráter religioso, moral e social, buscando influenciar e moldar a opinião pública. Nesse contexto, processos midiáticos diversos passam a articular práticas religiosas e sociais de construção de sentido, levando a ressignificações do que é religião e comunicação e a reconfigurações de suas inter-relações.</p>
            <p>Como vimos nos casos aqui examinados, em tempos de midiatização digital, indivíduos, grupos, discursos e práticas antimodernistas tornam-se ubíquos, presentes em toda parte e disponíveis a qualquer momento. Se antes se restringiam ao contato pessoal e aos pequenos círculos alcançados pelas mídias tradicionais, particularmente impressas, um “antimodernista digital” pode se expressar com o auxílio de um poderoso aparato de comunicação – que é também muito acessível e de fácil utilização, além de caber no próprio bolso, como no caso de um celular –, conferindo-lhe uma dimensão social muito maior. É o próprio indivíduo quem controla a transformação de seu discurso privado em discurso público, com um clicar de botões.</p>
            <p>A autoridade e a credibilidade desses católicos antimodernos, por sua vez, não vêm do saber teológico (academia) nem do poder eclesiástico (hierarquia), mas sim de um <italic>saber-fazer e de um poder-fazer midiático-digitais</italic>. Trata-se de pessoas muitas vezes sem qualquer relevância nem reconhecimento acadêmicos ou eclesiásticos, as quais, porém, captaram muito bem as lógicas das mídias digitais, dominando suas linguagens e seus meios (saber-fazer) e ocupando eficazmente espaços comunicacionais não raramente negligenciados pela própria Igreja (poder-fazer), conquistando reconhecimento por parte do público presente em rede. Assim, alcançam visibilidade e autoridade sociais e até mesmo eclesiais, atuando em rede como verdadeiros “inquisidores digitais”.</p>
            <p>Com isso, uma instituição religiosa como a Igreja Católica se encontra em um meio sociocomunicacional muito mais complexo, no qual emergem fenômenos inovadores como a grande expressividade e visibilidade midiática de tais posicionamentos intransigentes e neorreacionários internos ao próprio catolicismo. A atuação comunicacional-religiosa de tais sujeitos, suas bases histórico-teóricas e suas articulações socioeclesiais, entretanto, particularmente no que diz respeito aos ângulos de observação aqui propostos, demandam ainda mais investigações e aprofundamentos, dadas as dinâmicas instáveis e indeterminadas dos processos em jogo.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>No original: “[...] <italic>procesos de intercambio, producción y consumo simbólico que se desarrollan en un entorno caracterizado por una gran cantidad de sujetos, medios y lenguajes interconectados tecnológicamente de manera reticular entre sí</italic>”.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>No original: “[...] <italic>si espone all’interazione con un ambiente molto più vasto, complesso e differenziato di quelli com cui abitualmente entra in contatto</italic>”.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>No original: “[...] <italic>liberando una soggetività che può mettere in crisi il principio do autorità su cui si basa la forza comunicativa delle religioni storiche</italic>”.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>No original: “[...] <italic>one of the novelties of the resurgence of the reactionary and ultraconservative Catholic element is that the circulation of its ideas is not limited to the institutional boundaries of movements and associations, but by spilling over, it points to a difuse but visible sensibility in the Catholic Church</italic>”.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/@centrodombosco">https://www.youtube.com/@centrodombosco</ext-link>. Acesso em: 2 dez. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://is.gd/catecismo_crise">https://is.gd/catecismo_crise</ext-link>. Acesso em: 2 dez. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://is.gd/especialistas_concilio">https://is.gd/especialistas_concilio</ext-link>. Acesso em: 2 dez. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://youtu.be/Uc8Slv0hvJU">https://youtu.be/Uc8Slv0hvJU</ext-link>. Acesso em: 2 dez. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/@BernardoKuster">https://www.youtube.com/@BernardoKuster</ext-link>. Acesso em: 2 dez. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn11">
                <label>11</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://youtu.be/4yakWi60JoU">https://youtu.be/4yakWi60JoU</ext-link>. Acesso em: 2 dez. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn12">
                <label>12</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://rumble.com/v24pbxr-bernardo-kuster-sobre-olavo-de-carvalho">https://rumble.com/v24pbxr-bernardo-kuster-sobre-olavo-de-carvalho</ext-link>....html. Acesso em: 2 dez. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn13">
                <label>13</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/@Historiaefecatolica">https://www.youtube.com/@Historiaefecatolica</ext-link>. Acesso em 2 dez. 2023.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <fn-group>
            <title>Como citar este artigo/<italic>How to cite this article</italic></title>
            <fn fn-type="other">
                <p>Sbardelotto, M. Facetas midiático-digitais do neorreacionarismocatólico no Brasil. <italic>Reflexão</italic>, v. 48, e238864, 2023. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2447-6803v48e2023a8864">https://doi.org/10.24220/2447-6803v48e2023a8864</ext-link></p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B01">

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                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>A Campanha da Fraternidade mais Perigosa de Todas</collab>
                    </person-group>
                    <source>Por Bernardo Kuster</source>
                    <year>2023</year>
                    <comment>1 vídeo (5 min 53 seg)</comment>
                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/watch?v=dw5QMmlQgT0">https://www.youtube.com/watch?v=dw5QMmlQgT0</ext-link></comment>
                    <date-in-citation content-type="access-date">28 nov. 2023</date-in-citation>
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                <mixed-citation>Amar, G. <italic>Homo mobilis</italic>: la nueva era de la mobilidad. Buenos Aires: La Crujía, 2011.</mixed-citation>
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                            <surname>Amar</surname>
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                    <source><italic>Homo mobilis</italic>: la nueva era de la mobilidad</source>
                    <publisher-loc>Buenos Aires</publisher-loc>
                    <publisher-name>La Crujía</publisher-name>
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                <mixed-citation>Aprenda a defender sua Fé. Por Bernardo Kuster. [<italic>S. l.: s. n.</italic>], 2023. 1 vídeo (6 min 41 seg). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4yakWi60JoU. Acesso em: 28 nov. 2023.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>Aprenda a defender sua Fé</collab>
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