Chamada para o dossiê Infâncias e adolescências na era da produção e da recepção digital

2022-09-09

A revista Pós-Limiar  está com chamada aberta para trabalhos a serem publicados no dossiê Infâncias e adolescências na era da produção e da recepção digital, organizado pelas pesquisadoras da RECRIA (Rede de Pesquisa em Comunicação, Infâncias e Adolescências) Maria Clara Monteiro (UFC/UFF), Lidia Marôpo (Instituto Politécnico de Setúbal e Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais - Universidade Nova de Lisboa (CICS.NOVA) – Portugal) e Juliana Doretto (PUC-Campinas). Os artigos devem ser enviados até o dia 15 de novembro de 2022, para publicação em 2023. As regras de submissão estão neste link.

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No Brasil, em 2020, 92% das crianças e dos adolescentes entre 10 e 17 anos contavam com acesso à internet em suas casas (NIC.br, 2021), ou seja, os mais jovens estão midiaticamente on-line, reconfigurando as noções de infância e de adolescência por meio da produção e consumo digitais.  Nesse sentido, Buckingham (2009) afirma que as crianças têm não apenas o direito a ter acesso a representações midiáticas plurais, que busquem debater vários aspectos das infâncias de todo o mundo, mas também a produzir suas próprias representações, o que é facilitado pela convergência digital. Nesse processo, segundo o autor, as fronteiras sobre o papel social das crianças se expandem. Ao mesmo tempo, essas novas possibilidades de circulação de conteúdos levantam discussões relevantes sobre garantias legais das crianças que devem ser reforçadas no ambiente digital (Livingstone, 2021), diante dos interesses do mercado.

Este dossiê abrange investigações sobre as construções socioculturais das infâncias e das adolescências contemporâneas, por meio das produções midiáticas e práticas comunicacionais digitais. Assim, serão bem-vindas pesquisas teóricas e empíricas e ensaios literários e visuais que se proponham a dialogar com os processos comunicacionais e midiáticos que se desenvolvem nos ambientes on-line e tocam as experiências infantojuvenis, privilegiando assim a visão das crianças e dos adolescentes como sujeitos de direitos, de acordo com os fundamentos do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990) e da Convenção sobre os Direitos da Criança (1989).

Em resumo, buscam-se trabalhos que apresentem no seu cerne a relevância de pesquisar sobre as infâncias e as adolescências e suas relações com a mídia e as novas tecnologias. Interessam-nos reflexões sobre o protagonismo e a participação de crianças e adolescentes na elaboração e recepção de narrativas midiáticas no ambiente on-line, nos usos e apropriações das tecnologias digitais e na elaboração de políticas públicas na área da comunicação no contexto da convergência, bem como sobre as suas representações em diversos gêneros. De forma geral, entre os temas a serem abordados, estão: 

- Reconfigurações de práticas sociocomunicativas dos mais jovens no contexto digital;

- A produção midiática produzida por e para crianças e adolescentes, e as potencialidades da internet;

- Representações e discursos sobre infâncias e adolescências nas mídias on-line;

- Mídia e processos de recepção/circulação pelas crianças e adolescentes em cenários convergentes;

- Grupos invisibilizados: exclusão digital, representatividade e resistências;

- A identidade dos comunicadores que se dedicam às crianças e adolescentes e suas rotinas produtivas diante das novas tecnologias;

- Direitos digitais das crianças e adolescentes e os interesses do mercado;

- Abordagens metodológicas de pesquisa com crianças e adolescentes no ambiente on-line.