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                <journal-id journal-id-type="nlm-ta">Oculum Ensaios. Revista de Arquitetura e Urbanismo</journal-id>
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                    <journal-title>Oculum Ensaios. Revista de Arquitetura e Urbanismo</journal-title>
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                <issn pub-type="epub">2318-0919</issn>
                <publisher>
                    <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. PUC-Campinas</publisher-name>
                </publisher>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v21e2024a6539</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Original</subject>
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			<title-group>
				<article-title>Intervenções de qualificação urbana: indicadores de inserção: o caso de Santa Maria (Rio Grande do Sul)</article-title>
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					<trans-title><italic>Urban Qualification Interventions: Insertion Indicators: The case of</italic> Santa Maria (Rio Grande do Sul)</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-7421-0137</contrib-id>
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						<surname>Correa</surname>
						<given-names>Amanda Silveira</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
                    <role>obtenção de dados</role>
                    <role>elaboração de mapas</role>
                    <role>análise de resultados</role>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-3279-2888</contrib-id>
					<name>
						<surname>Dorneles</surname>
						<given-names>Vanessa Goulart</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
                    <role>redação e revisão final</role>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original"> Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo. Santa Maria, RS, Brasil. </institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Maria</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Centro de Tecnologia</institution>
					<institution content-type="orgdiv2">Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo</institution>
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						<city>Santa Maria</city>
						<state>RS</state>
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					<country country="BR">Brasil</country>
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			<author-notes>
				<corresp id="c1">
					<label>Correspondência para/Correspondence to: </label>V. G. Dornelas. <italic>E-mail</italic>: <email>vanessa.g.dorneles@ufsm.br</email>
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				<fn fn-type="edited-by" id="fn2">
					<label>Editora: </label>
					<p>Renata Baesso</p>
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				<fn fn-type="conflict" id="fn3">
					<label>Conflito de interesses: </label>
					<p>Não há</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>30</day>
				<month>04</month>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>21</volume>
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			<history>
				<date date-type="received">
					<day>11</day>
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				</date>
				<date date-type="rev-recd">
					<day>10</day>
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					<year>2023</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
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					<year>2023</year>
				</date>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Algumas dinâmicas existentes nas cidades geram consequências que podem tornar-se problemáticas urbanas como segregação, desigualdades sociais e criminalidade. Na tentativa de compreender como intervenções de qualificação urbana podem trazer mais vitalidade para essas áreas auxiliando a minimizar tais problemáticas, essa pesquisa buscou desenvolver um procedimento metodológico para identificar locais ideais para inserção de intervenções de microescala visando a qualificação urbana em cidades de médio porte. Os procedimentos metodológicos desenvolvidos e aplicados estão divididos em três etapas e auxiliam a analisar os bairros da cidade de Santa Maria (Rio Grande do Sul) sob quatro indicadores escolhidos. Os indicadores escolhidos para as análises e mapeamentos realizados foram dados de vulnerabilidade econômica, criminalidade, dados referentes à vazios urbanos existentes na malha da cidade e dados sobre pertencimento e organização comunitária (obtidos através de entrevistas com gestores e funcionários do município). Esses indicadores apresentam necessidades e potenciais dos bairros da cidade analisada, nesse sentido, ao final do trabalho foi possível chegar no resultado dos bairros mais indicados a receberem intervenções de qualificação urbana na cidade de Santa Maria. </p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>Some dynamics existing in cities generate consequences that can become urban problems such as segregation, social inequalities, and criminality. In an attempt to understand how urban qualification interventions can bring more vitality to these areas, helping to minimize such problems, this research sought to develop a methodological procedure to identify ideal places for the insertion of microscale interventions aimed at urban qualification in medium-sized cities. The methodological procedures developed and applied are divided into three stages and help to analyze the neighborhoods of the city of Santa Maria - RS under four chosen indicators. The indicators chosen for the analyzes and mapping carried out were data on economic vulnerability, crime, data referring to urban voids existing in the city's fabric and data on community belonging and organization (obtained through interviews with managers and municipal employees). These indicators present needs and potentials of the neighborhoods of the analyzed city, in this sense, at the end of the work it was possible to arrive at the result of the most indicated neighborhoods to receive urban qualification interventions in the city of Santa Maria.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Indicadores</kwd>
				<kwd>Intervenções de microescala</kwd>
				<kwd>Problemáticas urbanas</kwd>
				<kwd>Qualificação urbana</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Indicators</kwd>
				<kwd>Microscale interventions</kwd>
				<kwd>Urban issues</kwd>
				<kwd>Urban qualification</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
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				<table-count count="1"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="9"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O crescimento das cidades, quando desordenado e não planejado, pode gerar problemáticas como desigualdades e segregações urbanas. Nestes locais segregados, acabam por ocorrer problemas urbanos, como criminalidade, vulnerabilidade socioeconômica, além de menores oportunidades de lazer, mobilidade e equipamentos urbanos para esses moradores. Destes problemas, surgem algumas ações que vêm sendo tomadas ao longo da história das cidades no sentido de minimizar as distâncias socioespaciais e suas problemáticas existentes nas cidades.</p>
			<p>Como exemplo de transformação urbana e social através de projetos urbanísticos e arquitetônicos pode-se citar a cidade de Medellín, na Colômbia. Projetos estes, implantados em diversos bairros da cidade oferecendo espaço público de qualidade que fomentam a convivência e o desenvolvimento de um sentimento de pertencimento dos moradores marcados por um passado violento decorrente do narcotráfico (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Antonucci; Bueno, 2018</xref>). As edificações inseridas de forma estratégica na cidade de Medellín são chamadas de Unidades de Vida Articulada (UVA), e são consideradas projetos de transformações urbanas nos bairros, fomentando aspectos como esporte, recreação, cultura e participação comunitária. </p>
			<p>As estratégias de intervenções urbanas estudadas se mostraram eficientes para minimizar algumas problemáticas sociais dos locais onde foram inseridas, posto isso, surgiu a necessidade de compreender como identificar os melhores locais para implantação de projetos deste caráter em uma cidade de menor porte. Para isso, essa pesquisa teve como objetivo desenvolver procedimentos metodológicos capazes de responder à questão baseados em análises de critérios que indiquem necessidades e potenciais de um local para a implantação de intervenções de qualificação urbana. A aplicação desses procedimentos metodológicos desenvolvidos teve como local de estudo o município Santa Maria, Rio Grande do Sul. Para isso, foram utilizados dados sobre seus bairros sob aspecto econômico, físico, de criminalidade e também foram analisadas relações sociais produzidas nos mesmos.</p>
			<p>O município de Santa Maria está situado no sul do Brasil, na região central do estado do Rio Grande do Sul com área territorial de 1.780km². De acordo com o <xref ref-type="bibr" rid="B3">Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2010</xref>), a população do município é de 261.031 de habitantes distribuídos entre dez distritos. O 1º Distrito, nomeado de Distrito Sede, definido como área de estudo por concentrar a maioria da população, está dividido em oito zonas administrativas e quarenta e dois bairros que são os objetos de estudo dessa pesquisa.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Fundamentação Teórica</title>
			<p>Para construir um entendimento sobre cidade e tudo que a envolve, desde seu surgimento, formação, transformações e problemáticas, é preciso tecer uma reflexão teórica baseada na interpretação e conceitos de diversos autores e pesquisadores. Os espaços urbanos atuais são reflexos de ações que se realizam no presente, mas principalmente daquelas que se realizaram no passado e deixam suas marcas impressas nas formas espaciais do presente (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Correa, 1989</xref>). Essas marcas geradas pelo crescimento desenfreado das cidades são na maioria das vezes de caráter negativo, como segregação espacial, desigualdades sociais, problemas de infraestrutura básica e etc.</p>
			<p>O afastamento socioespacial das populações de baixo poder aquisitivo tem gerado, também, piora da situação geográfica dos mais pobres, que tendem a se afastar mais e encontrar soluções precárias para seus déficits de moradia e isso acaba gerando outros problemas. A complexidade das dinâmicas que compõem a segregação socioespacial é tamanha, que muitas vezes a trajetória da vida urbana dos mais pobres nas cidades brasileiras é marcada por afastamento, segmentação, separação e muitas vezes quase isolamento socioespacial (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Sposito, 2016</xref>).</p>
			<p>Em grande maioria das vezes consequência da falta de oportunidades, infraestrutura e serviços a violência urbana cresce no Brasil. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B8">Naiff e Naiff (2005</xref>), essas questões sociais, aliadas também a governos omissos, falta de políticas de segurança eficientes e políticas públicas de inclusão e geração de renda para os jovens dessas comunidades carentes geram consequências problemáticas. </p>
			<p>Na tentativa de auxiliar a minimizar essas consequências negativas em comunidades segregadas e com presença de violência, existem projetos e estratégias de qualificação urbana onde foram inseridos espaços públicos de qualidade, que fomentam lazer, esporte, cultura e aumentam o sentimento de pertencimento dos moradores locais que o utilizam. Esses projetos visam aumentar a vitalidade do local, englobando processos de alteração em uma área urbana com a ideia de lhe dar nova função, diferente daquela pré-existente (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Moura <italic>et al</italic>., 2006</xref>). Dessa maneira, intervenções a médio e longo prazo, assumindo e promovendo vínculos entre territórios, atividades e pessoas, influenciam na melhoria da qualidade do ambiente urbano e nas condições socioeconômicas. Considera-se que revitalizar é dar vida a um lugar, renovando-o (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Moura, <italic>et al</italic>., 2006</xref>).</p>
			<p> A partir do embasamento teórico e conhecimento de projetos e estratégias de vitalidade urbana que obtiveram sucesso na tentativa de diminuir problemáticas urbanas onde foram inseridas, foi possível compreender indicadores potenciais para análises de áreas ideais para receberem intervenções de qualificação urbana. Além disso, também foram pesquisados quais indicadores a cidade de Santa Maria possuía para disponibilizar. Destes, foram utilizados quatro indicadores descritos e justificados abaixo: </p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>Vulnerabilidade econômica: os indicadores muitas vezes denominados populacionais ou sociodemográficos captam o acesso da população a bens e serviços e oportunidades, ou seja, indicadores sociais devem ser ferramentas de planejamento público, principalmente no âmbito municipal (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Nahas, 2015</xref>).</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Criminalidade: Questões sociais, aliadas também a governos omissos, falta de políticas de segurança eficientes e políticas públicas de inclusão e geração de renda para os jovens de comunidades carentes geram consequências. Como principais consequências aponta-se a presença do narcotráfico nessas comunidades e a violência crescendo cada vez mais (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Naiff; Naiff, 2005</xref>).</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Vazios urbanos: Os vazios urbanos ou terrenos vagos, que podem ser áreas sem limites claros, sem uso atual, vaga de difícil apreensão na percepção coletiva dos cidadãos, que normalmente constituem uma ruptura no tecido urbano, mas podem apresentar grande potencial por possuírem áreas disponíveis e forte memória urbana, indicando o espaço do possível, do futuro - a possibilidade do novo (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Leite, 2012</xref>). </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Pertencimento e organização comunitária: A influência dos aspectos mais afetivos implicados nessas relações de vizinhança como cooperação e intimidade são um investimento afetivo interpessoal que é fundamental para a manutenção do sentimento comunitário. As comunidades onde se encontram uma intensa dinâmica social e cultural, diversidade de tipos sociais e relações locais, sociabilidade em sua forma lúdica e suporte social diário podem ser chamadas de “vizinhanças vivas”. Nessas comunidades considera-se que há um investimento emocional relacionado ao local, de forma que os moradores interagem com o seu espaço físico e consideram o vizinho um participante ativo de suas vidas. O encontro entre vizinhos, o compartilhamento de interesses, investimento local, troca de suporte local, como também a presença de espaços recreativos são indicadores que colaboram no sentimento de comunidade (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Farias; Pinheiro, 2013</xref>). </p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Nesse sentido, os indicadores escolhidos mesclam fatores sociais, econômicos e físicos e estão divididos em dois aspectos: Necessidade e Potencial. Os dados de vulnerabilidade econômica e criminalidade indicam bairros que necessitam maior atenção e os dados de vazios urbanos e organização comunitária indicam bairros que possuem maior potencial para possíveis inserções de projetos de qualificação urbana.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Procedimentos Metodológicos</title>
			<p>Em primeiro momento os dados dos indicadores escolhidos foram analisados e mapeados na busca de compreender quais bairros de uma cidade de porte médio mais necessitam de intervenção e quais possuem maior potencial para receber uma intervenção. Sendo assim, a etapa de mapeamentos está dividida em quatro fases descritas abaixo:</p>
			<sec>
				<title>Fase 1: Mapeamento de vulnerabilidade econômica</title>
				<p>Essa fase visa analisar a desigualdade da distribuição de renda na cidade e compreender onde os bairros mais vulneráveis socioeconomicamente se localizam. Para isso foi analisado o material estatístico disponibilizado pelo IBGE referente ao censo demográfico de 2010. O indicador socioeconômico escolhido para produção do mapa foi extraído do campo V009 da Tabela Arquivo Básico da Base de informações do Censo Demográfico 2010: Resultados do Universo por setor censitário, que significa “Valor do rendimento nominal médio mensal das pessoas de 10 anos ou mais de idade”. O mapa foi produzido utilizando o Sistema de Informações Geográficas (SIG), através do <italic>software</italic> ArcGis. </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Fase 2: Mapeamento de criminalidade</title>
				<p>Nessa fase foram analisados dados referentes a criminalidade em Santa Maria. Para obtenção desses dados existiram algumas dificuldades, uma vez que os dados sobre segurança pública possuem aspectos de sigilo. Após tentativas, foi enviado ofício em nome da pesquisadora e orientadora para a Brigada Militar solicitando dados. Após o ofício deferido pelo responsável do setor, a pesquisadora esteve em reunião com o departamento de inteligência da Brigada Militar de Santa Maria para solicitar dados que expressassem quais bairros da cidade teriam altos índices de violência. O responsável pelo departamento explicou então, que os dados que melhor expressariam o solicitado e poderiam ser disponibilizados seriam os números CVLI - Crimes Violentos Letais e Intencionais - que são os crimes de homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte e roubo seguido de morte. Nesse sentido, após autorização da instituição, foram enviados à pesquisadora os números de CVLI ocorridos em cada bairro da cidade referente aos anos de 2020 e 2021. O mapa foi produzido utilizando o Sistema de Informações Geográficas (SIG), através do <italic>software</italic> ArcGis.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Fase 3: Mapeamento de vazios urbanos</title>
				<p>Nessa fase, foram mapeados os bairros com maior potencial para inserção de intervenções e projetos públicos através de dados físicos da cidade de Santa Maria - RS. Para isso foram utilizados dados sobre os vazios urbanos existentes na malha urbana no perímetro da cidade disponibilizados pelo Instituto de Planejamento de Santa Maria. O mapa também foi produzido utilizando o Sistema de Informações Geográficas (SIG), através do software ArcGis.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Fase 4: Mapeamento de pertencimento e organização comunitária</title>
				<p> Para buscar compreender então, quais dos bairros da cidade teriam potencial para receber bem, se apropriar e utilizar da melhor forma intervenções implantadas faz-se uso do procedimento de entrevistas com gestores e funcionários do município de Santa Maria. O procedimento trata-se de uma entrevista do tipo semiestruturada, com perguntas abertas, em um roteiro pré-estabelecido, permitindo certas modificações conforme o seu andamento. </p>
				<p>A amostra idealizada para a fase de entrevistas foi definida em 15 respondentes, variando entre funcionários e gestores dos setores de planejamento urbano e habitação, assistentes sociais, vereadores ou cargos de confiança, todos vinculados e atuantes na Prefeitura Municipal de Santa Maria e Instituto de Planejamento de Santa Maria. Esse procedimento foi definido com intuito de compreender, de acordo com o conhecimento e vivências que os entrevistados possuam, onde exista apego ao lugar, senso de comunidade, presença de líderes comunitários e também tentativas de intervenções e projetos já implantados com sucesso nos bairros de Santa Maria. </p>
				<p>Para isso, foi elaborado um mapa simples com a divisão dos bairros de Santa Maria e seus respectivos nomes. Em conversa com a pesquisadora, o entrevistado, identificado por um número, é convidado a indicar em um mapa disponibilizado em tamanho A3, bairros que atendam a seguinte questão: “Indique bairros da cidade que você acredita serem mais organizados como vizinhança, que possuam organizações e líderes comunitários e se apropriariam da melhor forma de projetos inseridos (lazer, cultura, esporte)”.</p>
				<p>O tratamento dos dados após a realização das entrevistas ocorreu da seguinte forma, foi realizada uma contagem da frequência de citações sobre cada bairro, analisando quais bairros de acordo com os entrevistados possuem maior potencial de apropriação para inserção de projetos. O mapa foi produzido utilizando o Sistema de Informações Geográficas (SIG), através do <italic>software</italic> ArcGis.</p>
				<p>A segunda etapa de procedimentos metodológicos trata-se da etapa de sobreposição de indicadores, que reúne, organiza e elenca os dados obtidos ao longo das etapas anteriores. Nesse sentido, para responder as seguintes questões foi elaborada uma tabela (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>) para inserção dos dados obtidos de forma elencada sobre cada bairro nas fases da etapa anterior. Como forma de contabilizar e possibilitar uma melhor visualização dos resultados ranqueados dos quatro indicadores utilizados para gerar os mapas a tabela foi organizada da seguinte forma: </p>
				<p>
					<list list-type="bullet">
						<list-item>
							<p> Quais bairros possuem maior necessidade de intervenção? Elencados do número 42 ao 1 os bairros com piores índices de vulnerabilidade econômica. (primeira coluna da tabela).</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Quais bairros possuem maior potencial para intervenções? Elencados do número 42 ao 1 os bairros com mais vazios urbanos disponíveis. (segunda coluna da tabela).</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Quais bairros possuem maior necessidade de intervenção? Elencados do número 9 ao 1 os bairros com piores índices de criminalidade. (segunda coluna da tabela).</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Quais bairros possuem maior potencial para intervenções? Elencados do número 8 ao 1 os bairros que de acordo com as entrevistas receberam mais indicações quanto organização comunitária, maiores chances de apropriação e boa aceitação de intervenções (quarta coluna da tabela).</p>
						</list-item>
					</list>
				</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1">
						<label>Tabela 1 - </label>
						<caption>
							<title>Modelo de tabela utilizado.</title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">Posição</th>
									<th align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);">Necessidade (Vulnerabilidade econômica)</th>
									<th align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);">Potencial (Vazios Urbanos)</th>
									<th align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">Posição</th>
									<th align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);">Necessidade (Criminalidade)</th>
									<th align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">Posição</th>
									<th align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);">Potencial (Apropriação)</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">42</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">9</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">8</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">[...]</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">8</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">7</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">[...]</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">7</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">6</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">[...]</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">6</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">5</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">[...]</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">5</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">4</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">[...]</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">4</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">3</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">[...]</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">3</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">2</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">[...]</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">2</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">1</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">1</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);">1</td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(255,166,153);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(188,189,192);"> </td>
									<td align="center" style="background-color:rgb(184,255,151);"> </td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
						<table-wrap-foot>
							<fn id="TFN1">
								<p>Fonte: Elaborada pela autora (2022).</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>As colunas nas cores vermelho e verde indicam os quatro indicadores utilizados e as linhas foram preenchidas com o nome dos bairros elencados nas posições após a contagem de cada indicador. Nos indicadores “Necessidade” (Vulnerabilidade econômica) e “Potencial” (Vazios Urbanos) foram obtidos dados diferentes para cada um dos 42 bairros da cidade, possibilitando elencá-los da posição 42 até a posição 1. Já nos indicadores “Necessidade” (Criminalidade) e “Potencial” (Pertencimento/comunidades organizadas), alguns bairros não foram citados e outros possuíam a mesma quantidade de crimes ou citações nas entrevistas, ficando empatados nas posições, dessa forma foram classificados entre as posições de 9 a 1 e de 8 a 1 respectivamente. Para os bairros que não obtiveram pontuação em algum indicador foi atribuído o valor 0.</p>
				<p>Foi desenvolvida uma forma de contagem e classificação para assim obter os bairros mais indicados (sob os 4 indicadores) para receber intervenções na cidade. A tabela serviu como uma forma de pontuação dos bairros, de acordo com as linhas (posição) que ocupavam em cada indicador. Esses pontos foram contabilizados em tabela no <italic>Microsoft Excel</italic>.</p>
				<p>O ideal seria que para os quatro indicadores fosse obtido 42 valores diferentes para ser possível elencar os bairros nas posições de 42 a 1 nas quatro colunas. Como não foi possível, foi atribuído peso 5 para as quatro colunas de indicadores e realizado o cálculo proporcional das pontuações. Nesse sentido, no Microsoft Excel, nas colunas “Necessidade (Vulnerabilidade econômica)” e “Potencial (Vazios Urbanos)” os valores obtidos nas posições da tabela foram multiplicados por 5 e divididos por 42. Na coluna de “Necessidade (Criminalidade)” os valores foram multiplicados por 5 e divididos por 9 e na coluna “Potencial (Pertencimento/comunidades organizadas)” foram multiplicados por 5 e divididos por 8. Sendo assim foram obtidos valores proporcionais com mesmo peso (5) para cada indicador e somados no total.</p>
				<p>Após os cálculos e somatório final das pontuações foram elencados os bairros com maiores médias até os menores como forma de compreender então quais bairros são mais indicados para receber intervenções segundo a média final nos quatro indicadores. O mapa foi produzido utilizando o Sistema de Informações Geográficas (SIG), através do <italic>software</italic> ArcGis.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>A etapa de mapeamentos foi dividida em quatro fases e os resultados obtidos com a aplicação dos procedimentos metodológicos descritos acima em cada fase serão expostos a seguir:</p>
			<sec>
				<title>Resultados fase 1: Mapeamento de vulnerabilidade econômica</title>
				<p>O Mapa 1- Mapa de vulnerabilidade econômica (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>) elenca os bairros com maior necessidade de intervenção de acordo com a vulnerabilidade socioeconômica. No mapa, os bairros de Santa Maria estão elencados quanto as piores médias de rendimento mensal por pessoa (em reais).</p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<label>Figura 1 - </label>
						<caption>
							<title>Mapa de vulnerabilidade econômica.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-21-e246539-gf1.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Elaborado pelas autoras (2022).</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Ao observar o mapa e sua legenda é possível compreender que as cores mais escuras indicam os bairros mais vulneráveis economicamente e as cores mais claras os bairros mais favorecidos economicamente. Dos nove bairros indicados com os piores indicativos de renda mensal por pessoa (de R$373,00 a R$590,00 reais), cinco estão situados na porção noroeste da cidade (Agro-industrial, Nova Santa Marta, Caturrita, Salgado Filho e Divina Providência) e os outros quatro na porção sul da cidade (Urlândia, Lorenzi, bairro Sem Denominação e Diácono João Luiz Pozzobom). É importante salientar que todos os bairros citados ocupam áreas periféricas da cidade. Em contrapartida, os quatro bairros mais favorecidos economicamente (Bonfim, Nossa Senhora de Fátima, Centro e Nossa Senhora de Lourdes) estão situados na área central da cidade. </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Resultados fase 2: Mapeamento de criminalidade</title>
				<p>O Mapa 2 - Mapa de criminalidade (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>) elenca os bairros com maior necessidade de intervenção de acordo com os índices de violência. Nesse mapa, conforme está ilustrado, os bairros indicados em cores mais fortes representam os bairros onde ocorreram mais crimes violentos letais e intencionais (CVLI) nos anos de 2020 e 2021 e nas cores mais claras bairros onde ocorreram menos ou não ocorreram nenhum CVLI.</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>Figura 2 - </label>
						<caption>
							<title>Mapa de criminalidade.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-21-e246539-gf2.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Elaborado pelas autoras (2022).</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Nesse sentido, os bairros com piores índices de violência são o bairro Passo D’areia e Diácono João Luiz Pozzobom onde ocorreram de nove a quatorze CVLI devidamente registrados. Seguidamente destes, os bairros Nova Santa Marta, Salgado Filho e Noal também apresentaram índices altos de violência, registrando cerca sete a oito CVLI.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Resultado fase 3 - Mapeamento de vazios urbanos</title>
				<p>O Mapa 3 - Mapa de vazios urbanos (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>) elenca os bairros com maior quantidade de vazios urbanos proporcionalmente às suas áreas expões quanto potencial físico áreas disponíveis na malha urbana de Santa Maria para inserção de projetos. Como é possível observar na ilustração e sua respectiva legenda, as cores mais escuras indicam os bairros com maior percentual de área de vazios urbanos dentro de seus perímetros e as cores mais claras os bairros com menores percentuais. Os bairros com mais vazios urbanos (cerca de 40,50% a 53,14% de suas áreas) são o bairro Agro-Industrial, Boi Morto, bairro Sem Denominação, Tomazetti e Diácono João Luiz Pozzobom. Desses cinco, dois estão situados na região oeste da cidade e três na porção sul e sudeste da cidade. Os bairros com menores quantidades de vazios urbanos dentro de seus perímetros estão situados na região centro e porção norte da cidade.</p>
				<p>
					<fig id="f3">
						<label>Figura 3 - </label>
						<caption>
							<title>Mapa de vazios urbanos</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-21-e246539-gf3.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Elaborado pelas autoras (2022).</attrib>
					</fig>
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Resultado fase 4: Mapeamento de pertencimento e organização comunitária</title>
				<p>O Mapa 4 - Mapa de pertencimento e organização comunitária (<xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>) elenca os bairros quanto o maior potencial de pertencimento local e organização comunitária a partir das informações relatadas pelos entrevistados. Conforme ilustrado no mapa e sua legenda, as cores em tons mais avermelhados indicam os bairros que receberam mais indicações (de 6 a 8) dos entrevistados sobre serem bairros organizados e que possuíssem líderes, associação comunitária, apropriação e boa aceitação de projetos.</p>
				<p>
					<fig id="f4">
						<label>Figura 4 - </label>
						<caption>
							<title>Mapa de pertencimento e organização comunitária.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-21-e246539-gf4.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Elaborado pelas autoras (2022).</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Os cinco bairros que mais receberam menções foram o bairro Nova Santa Marta, Centro, Campestre, Diácono João Luiz Pozzobom e Camobi. Os bairros representados nas tonalidades de amarelo não receberam nenhuma menção durante as entrevistas. Foram apenas 23 bairros citados. </p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão</title>
			<p>Após realizados os procedimentos metodológicos da sobreposição dos indicadores, obteve-se média geral dos valores alcançados por cada bairro da cidade, nos quatro indicadores estudados, e pôde-se elencá-los em bairros mais indicados (maiores médias) para receberem intervenções de qualificação urbana aos bairros menos indicados (menores médias). </p>
			<p>Nesse sentido, como forma de ilustrar os dados obtidos, faz-se uso do Mapa 5- Mapa final (<xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>). O mapa ilustra os quarenta e dois bairros da cidade classificados entre os mais indicados a receberem intervenções aos menos indicados de acordo com suas médias finais.</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 5 - </label>
					<caption>
						<title>Mapa final.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-21-e246539-gf5.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Conforme mostrado em <xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref> e ilustrado no mapa e suas legendas, os tons de roxo mais forte indicam os bairros que somaram as maiores médias finais e os tons mais claros os bairros que somaram as menores médias finais. Como foram quatro indicadores estudados e cada um recebeu peso 5, a média final máxima foi de 20. Sendo assim, os bairros que mais se aproximaram desse valor foram Diácono João Luiz Pozzobom, Nova Santa Marta, Lorenzi e Agro-Industrial, sendo os bairros mais indicados à implantação de projetos em virtude de maiores necessidades e potencias para isso. Os bairros ilustrados nas tonalidades mais claras são os menos indicados por possuírem menores necessidades e potenciais para implantação de projetos, ou seja, menores médias finais. São eles: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora de Lourdes, Nonoai, Nossa Senhora das Dores, Menino Jesus, Nossa Senhora de Fátima e Bonfim.</p>
			<p>Analisando os dados postos lado a lado, torna-se válido ponderar e discutir alguns pontos observados. Partindo dos índices de necessidade quanto vulnerabilidade econômica torna-se válido citar que, com auxílio do Mapa 1 (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>), os dez bairros (Nova Santa Marta, Caturrita, Salgado Filho, Lorenzi, Divina Providência, Urlândia, Sem Denominação, Diácono João Luiz Pozzobom, Agro-Industrial e Campestre) com piores médias de rendimentos mensais ocupam porções periféricas da cidade. Um ponto também importante a salientar é o fato que desses dez bairros apenas o bairro Sem Denominação não ocupa as piores posições quanto ao indicador criminalidade.</p>
			<p>Quando comparados os seus potenciais físicos quanto a áreas disponíveis, dos dez bairros citados por vulnerabilidade econômica apenas os bairros Lorenzi, Sem Denominação, Diácono João Luiz Pozzobom e Agro-Industrial possuem maiores percentuais de áreas disponíveis para possíveis implantações de projetos. Já no quesito potencial de apropriação dos dez bairros com maiores necessidades econômicas apenas dois bairros não foram mencionados como organizados comunitariamente em nenhum momento pelos entrevistados, foram eles os bairros Divina Providência e bairro Sem-Denominação.</p>
			<p>Seguindo os pontos observados, agora a partir dos índices de necessidade quanto a criminalidade, os bairros com piores índices de violência são: Passo D’areia, Diácono João Luiz Pozzobom, Nova Santa Marta, Salgado Filho, Noal, Lorenzi, Divina Providência, Agro-Industrial, Camobi, Urlândia, Carolina, Juscelino Kubitschek, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora. Medianeira e Centro. Desses bairros citados, Passo D’areia, Divina Providência, Juscelino Kubitschek e Nossa Senhora Medianeira não foram citados nenhuma vez nas entrevistas como bairros organizados comunitariamente. Ainda no indicador criminalidade, torna-se válido ressaltar que os bairros Centro e Camobi podem ter registrado mais crimes em função da maior movimentação diária de população em comparação aos demais bairros da cidade em vista de reunirem mais os principais centros institucionais e comerciais.</p>
			<p>Outro fator observado é o que ocorreu no bairro Passo D’areia. O bairro registrou os maiores índices de violência de acordo com o número de CVLI disponibilizados pela Brigada Militar e não foi citado nenhuma vez por nenhum dos entrevistados quanto à organização comunitária ou pertencimento local, corroborando a perspectiva de que organizações comunitárias e sentimento de pertencimento local podem auxiliar a reduzir problemáticas como a criminalidade. </p>
			<p>Ao se analisar o indicador de um potencial físico (vazios urbanos), os dez bairros com maior percentual de áreas disponíveis são Tomazetti, Diácono João Luiz Pozzobom, Sem Denominação, Boi Morto, Agro-Industrial, Pé de Plátano, Lorenzi, Tancredo Neves, Renascença, São José, bairros que ocupam áreas periféricas, ou seja, região de bordas da cidade.</p>
			<p>Seguindo os comentários gerais a respeito dos indicadores, o último indicador a ser discutido é o potencial quanto apropriação dos bairros, quarta coluna da tabela que traz os dados a respeito das entrevistas. Os bairros mais citados quanto potencial de apropriação foram Nova Santa Marta, Diácono João Luiz Pozzobom, Campestre, Camobi, Centro, Quilômetro Três, Agro-Industrial, Parque Pinheiro, Lorenzi, Tancredo Neves, Urlândia e Presidente João Goulart. Destes bairros, quando comparados com o indicador de vulnerabilidade econômica, apenas Camobi e Centro possuem médias mais altas de rendimento mensal. Isso mostra uma forte tendência dos bairros mais vulneráveis economicamente a se organizarem e unirem-se de forma comunitária.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Alguns fatores válidos de serem comentados ao final da pesquisa, o primeiro deve-se ao fato de os dados do censo do IBGE serem provenientes do ano de 2010 o que pode ser considerado desatualizado, podendo gerar dados que diferem da realidade atual de alguns bairros da cidade de Santa Maria por exemplo. Foi sentida, também, a dificuldade para encontrar mais dados quantitativos disponibilizados pelo município de Santa Maria sobre de educação, saúde, criminalidade, espaços públicos e culturais. Com a obtenção de mais dados é possível utilizar mais indicadores nas análises, porém com procedimento metodológico desenvolvido considerou-se satisfatório o resultado obtido com os quatro indicadores. </p>
			<p>Chegando-se no resultado dos bairros mais indicados para implantação de intervenções, seria possível, por exemplo, analisar os vazios urbanos dentro desses bairros e indicar dentre eles os mais indicados para receberem um projeto, porém essa decisão seria de caráter empírico, sem comprovações embasadas na realidade do bairro. Uma vez que, dentro da escala de bairro, existem outros fatores e indicadores para se analisar que não apenas a localização geográfica de um espaço disponível. Nesse sentido, justifica-se o fato de a pesquisadora não ter alcançado a escala do bairro, pois isso implicaria em outro trabalho, uma vez que teria de ser compreendido outro referencial teórico, outra busca por novos indicadores e outros fatores para analisar. </p>
			<p>Como ainda há muito o que estudar a respeito de projetos de qualificação e vitalidade urbana em cidades brasileiras é pertinente sugerir alterações e novas investigações necessárias que foram percebidas no decorrer do trabalho. Recomenda-se para futuras pesquisas: </p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>Após a obtenção dos resultados que indiquem os bairros considerados ideais para implantação de intervenções, tentar entender em uma escala menor de análise onde, dentro desse bairro, seria o melhor local para essa implantação. Para isso, seria necessário ir até esses locais conhecer as comunidades residentes buscando compreender seus detalhes, centralidades e carências. Os aspectos sugeridos para análise em futuras pesquisas na escala do bairro, seriam a mobilidade dentro do bairro, centralidades locais através da sintaxe espacial, infraestrutura urbana, acessos, equipamentos urbanos existentes e entre outros indicadores que devem ser pesquisados e estudados anteriormente assim como nessa pesquisa;</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Entende-se que existem dados de segurança sigilosos, mas recomenda-se solicitar com os setores de segurança mais dados e detalhes sobre a criminalidade na cidade analisada; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Desenvolver matriz ou software que otimize os cálculos dos dados de indicadores de forma mais automática para que possam ser utilizados em análises por prefeituras municipais de forma mais rápida, por exemplo. </p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
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				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Antonucci</surname>
							<given-names>D.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Bueno</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>A construção do espaço público em Medellín: quinze anos de experiência em políticas, planos e projetos integrados</article-title>
					<source>Arquitextos</source>
					<comment>ano 19</comment>
					<issue>218.00</issue>
					<year>2018</year>
					<publisher-name>Vitruvius</publisher-name>
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			<ref id="B2">
				<mixed-citation>Correa, R. L. <italic>O espaço urbano</italic>. São Paulo: Ática, 1989.</mixed-citation>
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					<source>O espaço urbano</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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					</comment>. Acesso em: 19 mar. 2022.</mixed-citation>
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					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2022-03-19">19 mar. 2022</date-in-citation>
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					<source>Cidades sustentáveis cidades inteligentes</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
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	</back>
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