Experiências etnográficas digitais

narrativas pandêmicas do gabinete de crise do Complexo do Alemão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a5193

Palavras-chave:

Complexo do Alemão, Covid-19, Crise, Dispositivos tecnológicos, Nevoeiro

Resumo

A chegada da Covid-19 provocou transformações urbanas e sanitárias que agravaram as fragilidades sociais. As medidas de restrição de circulação de pessoas impuseram outros ritmos de vida. Porém, os dispositivos tecnológicos têm desempenhado
importante papel nas potenciais ações de enfrentamento às condições impostas e na ativa atuação na construção e remodelação das interações sociais, destacando-se o quão híbrido eles têm se tornado, agenciando a entrada de outros meios no espaço urbano. Esse pensamento ressalta a internet como campo de entrada para outras formas de olhar em “tempo real” as narrativas citadinas que vêm sendo contadas durante a pandemia. Com amparo na metáfora do nevoeiro, importa aqui o modo como a comunicação em rede tensiona o sentido de mobilidade, possibilitando investigar outros métodos de constituir narrativas das relações espaciais urbanas. Em especial, as narrativas de grupos para os quais as fragilidades sociais e o direito à cidade já eram uma questão a ser enfrentada antes mesmo da pandemia. A organização de grupos comunitários do Complexo do Alemão nas redes sociais para tratar das questões urgentes da comunidade inspirou o uso da etnografia digital como proposta para ensaiar o trabalho de campo nessa comunidade. Nesse sentido, este artigo pretende observar o campo virtual
como extensão da etnografia tradicional, de modo que online (estar lá, nas nuvens) e offline (estar aqui, na escrita) sejam posições indissociáveis nessas narrativas pandêmicas.

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Publicado

2022-09-06

Como Citar

Pimenta, G., & Martins, L. (2022). Experiências etnográficas digitais : narrativas pandêmicas do gabinete de crise do Complexo do Alemão. Oculum Ensaios, 19. https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a5193

Edição

Seção

Dossiê “Cidade em tempos de pandemia”