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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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                    <subject>Dossiê: Forma urbana e cidade no século XXI</subject>
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                <article-title>MORFOLOGIA URBANA, PAISAGEM E “GENIUS LOCI” <xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></article-title>
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                    <trans-title>URBAN MORPHOLOGY, LANDSCAPE, AND “GENIUS LOCI”</trans-title>
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                <institution content-type="original">Universidade Federal de São João Del-Rei | Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Artes Aplicadas | Faculdade de Arquitetura e Urbanismo | Av. Visconde do Rio Preto, s/n. (Km 02) Colônia do Bengo, 36301-360 São João del- Rei, MG, Brasil | E-mail: lmi@ufsj.edu.br</institution>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <p>Este artigo trata da relação entre morfologia urbana, paisagem e “<italic>genius loci</italic>”. Os dois últimos conceitos vêm sendo bastante empregados nas questões referentes à preservação do patrimônio. Já o primeiro, de morfologia urbana, possui várias aplicações, sendo uma delas na preservação, principalmente no que se refere à análise dos lugares, dos diversos tecidos urbanos que compõem a cidade e do local onde são detectadas permanências. Estas, por sua vez, são observáveis no parcelamento dos lotes ou na volumetria das edificações, além de em outras manifestações. A morfologia urbana, no entanto, possui várias linhas investigativas, sobre as quais este artigo discorre; além disso, aborda-se como elas dialogam, ou não, entre si e se podem ser compatibilizadas com os conceitos de paisagem e de “<italic>genius loci</italic>”. Esta análise é feita sem que se perca de vista a aplicabilidade dos conceitos nas questões relativas à preservação do patrimônio urbano.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <p>This article is about the relationship between the concepts of urban morphology, landscape, and “genius loci”. The last two concepts have been frequently employed in the issues related to heritage conservation. The first concept – urban morphology – has many applications, and one of them is on the conservation, mainly in the analysis of the places, of urban tissues that compose the city, and where the permanency (or continuity) is detected and observed in the plots or in the volumetry of buildings, and other manifestations. However, the urban morphology has many investigative lines. This article is about them and whether they dialogue with each other or not, and how they could be compatibilized with the concepts of landscape and “genius loci”. In summary, we aim to apply these concepts in the issues related to urban heritage conservation.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>PALAVRAS-CHAVE</title>
                <kwd>Leitura morfotipológica</kwd>
                <kwd>Paisagem cultural</kwd>
                <kwd>Patrimônio urbano</kwd>
                <kwd>Preservação</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>KEYWORDS</title>
                <kwd>Morpho-typology</kwd>
                <kwd>Landscape</kwd>
                <kwd>Urban heritage</kwd>
                <kwd>Preservation</kwd>
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                <funding-statement>Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Processo 2013/23935-5)</funding-statement>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>APESAR DE ESTE artigo colocar os conceitos de morfologia urbana, de paisagem e de “<italic>genius loci</italic>” lado a lado, acredita-se que o primeiro ganhará mais enfoque, o qual privilegiará seu uso nas questões de preservação do patrimônio urbano. Inicialmente, relata-se, de forma resumida, de onde derivou o interesse pelo conceito de morfologia urbana, onde é feita a primeira introdução sobre o termo, quais as suas principais linhas investigativas e possibilidades de contribuição para diversas áreas do conhecimento; em seguida, são abordadas as linhas investigativas e os autores relevantes para sua aplicabilidade nas questões de patrimônio. A partir dos estudiosos que trabalham com o conceito de morfologia urbana, procurou-se notar convergências e divergências acerca dos termos utilizados, na tentativa de colocá-los em diálogo. Em suma, a metodologia adotada é de uma revisão bibliográfica, como uma primeira aproximação dos termos, contrapondo teorias e autores. Como última perspectiva, há a investigação sobre o modo com que eles poderiam ser utilizados nas questões de preservação.</p>
            <p>Este artigo é decorrência de uma tese de doutorado que investigou vilas ferroviárias paulistas e seus processos de patrimonialização. Naquele momento, houve interesse em compreender os arranjos formais que esses assentamentos formavam com os tecidos das cidades paulistas, uma vez que muitas vilas foram envolvidas por loteamentos surgidos a posteriori. Durante o exame de qualificação, houve a recomendação de que, para uma melhor caracterização do objeto de estudo, deveria ser realizada uma leitura morfotipológica das vilas. Foi então que efetivamente a preocupação com a morfologia urbana apresentou-se, descortinando a existência de vários autores e de diferentes metodologias para a tarefa. A compreensão de um “campo disciplinar”, identificado como morfologia urbana, surpreendeu e mostrou que, a despeito de diversas aplicações, historicamente pouco se pôde apreender sobre a formação do “saber urbano”. De maneira geral, percebeu-se que há citações esparsas de autores, os quais utilizam metodologias diferentes para a leitura do espaço urbano, evocando uma mesma nomenclatura, sem um questionamento dos conceitos anteriores à sua aplicação.</p>
            <p>Dada a escassez de tempo e de dados durante o referido trabalho, e com a consciência de que seriam necessárias mais pesquisas e um mergulho em um campo ainda pouco escrutinado, a saída encontrada foi reunir diferentes autores, sobretudo os mais citados, com ligações com a temática da tese em desenvolvimento, como <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowski (2007)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011)</xref>. Este último descortinou as duas principais linhas investigativas: a inglesa e a italiana, bem como uma terceira, a francesa<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref>.</p>
            <p>Posteriormente, descobriu-se que há outras linhas investigativas e que há uma rede de pesquisadores<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref> voltados para a temática da morfologia urbana. No entanto, para uma pesquisa que versava sobre a preservação e a conservação do patrimônio - que não tratou, por exemplo, de questões de desenho urbano ou conforto térmico, onde a morfologia urbana encontra também aplicação -, essas três linhas investigativas foram suficientes e responderam bem às necessidades. Neste artigo, o autor <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowski (2007)</xref> será mantido, para uma primeira aproximação da temática. O segundo autor, <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011)</xref>, deu uma definição de morfologia urbana que, para uma primeira aproximação, foi de grande ajuda. Além disso, ele pareceu bastante abrangente ao citar outros autores que não se encaixam nas linhas investigativas citadas por <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowski (2007)</xref>. No entanto, sublinha-se que esses autores foram utilizados apenas para uma primeira abordagem, apresentando algumas lacunas<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>. Utilizam-se, neste artigo, as contribuições positivas de ambos, buscando uma complementação entre eles e em outras fontes. Vale recordar, também, que este artigo desconsidera as pesquisas realizadas no Brasil no campo da Morfologia Urbana, as quais permanecem bastante esparsas e limitadas a sua aplicação, não a seus aspectos mais teóricos. Lamenta-se que, por este motivo, importantes autores brasileiros<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref> possam ter sido ignorados.</p>
            <p>Ao se tratar de morfologia urbana, é comum aparecerem referências a autores como <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lynch (1997)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B08">Cullen (1993)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Rossi (1966)</xref>, e <xref ref-type="bibr" rid="B25">Norberg-Schulz (1980)</xref>. É frequente, ainda, que esses autores referenciem uns aos outros, constituindo uma trama praticamente endogênica em termos historiográficos. No entanto, eles não se encaixariam nas três linhas investigativas supracitadas (a inglesa, a italiana e a francesa). Daí a importância de se recorrer ao trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011)</xref>, que auxilia na análise desses autores mais recorrentes e apresenta um breve resumo das linhas investigativas. O autor mostra-se importante principalmente pelo modo com que analisa o trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B31">Aldo Rossi (1966)</xref>:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>O termo ‘morfologia’ é utilizado para designar o estudo da configuração e da estrutura exterior de um objeto. <italic>É a ciência que estuda as formas, interligando-as com os fenómenos que lhes deram origem</italic>. A morfologia urbana estudará essencialmente os aspectos exteriores do meio urbano e as suas relações recíprocas, <italic>definindo e explicando a paisagem urbana e a sua estrutura</italic>. O conhecimento do meio urbano implica necessariamente a existência de instrumentos de leitura que permitem organizar e estruturar os elementos apreendidos, e uma relação objeto-observador. Estes dois aspectos defrontam-se com questões de objetividade na medida em que dependem de fenómenos culturais [...]</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B19">LAMAS, 2011</xref>, p. 37, grifos nossos).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Nota-se que Lamas relaciona o conceito de morfologia urbana ao de paisagem, este entendido não apenas em seu aspecto natural, mas ligado às questões dos fenômenos culturais. Posteriormente, veio-se a descobrir que o termo “morfologia”, segundo diversos autores (<xref ref-type="bibr" rid="B27">OLIVEIRA; MONTEIRO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">PINTO, 2015</xref>), é de Johan Wolfgang Von Goethe (1749-1832). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pinto (2015)</xref>, o termo foi inicialmente proposto na virada do século XVIII para o século XIX pelo escritor e pensador alemão que dedicou uma parte do seu trabalho à biologia, tendo utilizado a expressão “morfologia” (note-se que apenas morfologia, e não adjetivada com urbana), para designar a “ciência que lida com a essência das formas”. Ainda segundo <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pinto (2015)</xref>, Goethe criou o termo para designar “a ciência ou doutrina da observação da forma”; sobre o trabalho “A metamorfose das plantas” (1789-1831), o autor afirma que “[...] o método morfológico continha em si uma relativa autonomia científica, tendo a capacidade de ser aplicável em várias áreas disciplinares, caso da biologia, da geologia, ou mesmo a linguística” (<xref ref-type="bibr" rid="B29">PINTO, 2015</xref>, p. 127).</p>
            <p>O fato é que, posteriormente, geógrafos alemães utilizaram o método aplicado à cidade, dando origem à morfologia urbana, “[...] ciência que estuda a forma física da cidade, bem como os atores e os processos de transformação que a moldam, teve a sua origem na viragem do século XIX para o século XX” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OLIVEIRA, 2013</xref>, p. 3).</p>
            <p>Desde trabalhos dos geógrafos alemães do século XIX, a morfologia urbana teve continuidade através dos trabalhos do geógrafo também alemão Conzen, que migrou para o Reino Unido nos anos de 1930. A partir dos seus trabalhos, surge o <italic>Urban Morphology Research Group</italic>, dinamizado por Jeremy Whitehand. Paralelamente, em meados do século XX, surgem os trabalhos dos arquitetos italianos, em particular de Savério Muratori, e seus continuadores. Foi desses trabalhos que surgiu o que se costuma chamar, atualmente, de escola italiana ou Muratoriana, assim como a escola inglesa ou Conzeniana.</p>
            <p>Há, ainda, duas visões morfológicas mais quantitativas, desenvolvidas posteriormente. Uma delas, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B26">Oliveira (2013, p. 3)</xref>, “[...] a partir do final dos anos 70 e início dos anos 80, passa a coexistir com estas escolas uma nova abordagem, também ela, desenvolvida em uma fase inicial no Reino Unido, a <italic>space syntax</italic> ou sintaxe espacial”. Os representantes mais importantes dessa abordagem são <xref ref-type="bibr" rid="B13">Hillier (1973</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B14">1996)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B12">Hanson (1998)</xref>, que publicam em conjunto um livro denominado <italic>The social logic of space</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">HILLIER; HANSON,1984</xref>), o qual tenta construir “[...] um modelo conceitual para investigação com base no conteúdo social dos padrões espaciais” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">OLIVEIRA, 2016</xref>, p. 71). Há também uma linha investigativa, classificada por <xref ref-type="bibr" rid="B28">Oliveira (2016)</xref> como Análise Espacial, que pode ser subdividida em outras três linhas denominadas: Autômatos Celulares (AC), Modelos Baseados em Agentes (MBA) e Modelos baseados em Fractais. Esta última linha investigativa e suas subdivisões não são exclusivas e podem ser utilizadas de maneira complementar. Resumidamente, consistem em modelos matemáticos ou de modelagem dinâmico espacial que procuram captar a complexidade de fenômenos urbanos; muitos deles, com a ajuda da tecnologia e da informática, tentam fazer a medição e a projeção dos resultados e dos comportamentos ao longo do tempo.</p>
            <p>Apresentadas as principais linhas investigativas, pode-se perguntar quais as contribuições ou a utilidade dos estudos da morfologia urbana. Como resposta, deve-se ressaltar o seu caráter interdisciplinar e sua aplicação em várias áreas do conhecimento. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B09">Fernandes (2016)</xref>, as contribuições da morfologia urbana podem ser identificadas em três momentos: (a) histórico: onde se pode conhecer os vários estágios históricos das formas urbanas, bem como a sua reinterpretação no momento presente; (b) atual: a contribuição encontra-se no desenho urbano, que “[...] intentado pela prática profissional, seja feito de forma consciente, informada pelo já largo lastro do conhecimento da morfologia urbana” (<xref ref-type="bibr" rid="B09">FERNANDES, 2016</xref>, p. 111); e (c) futuro: a construção encontra-se no planejamento da cidade, buscando e efetivando uma aproximação entre a prática e a teoria.</p>
            <p>Com base em <xref ref-type="bibr" rid="B21">Mendonça (2016)</xref>, acredita-se que a contribuição da morfologia urbana possua três dimensões: social, ambiental e estética. Com relação à estética, pode-se dizer que se volta para uma visão do urbanismo culturalista<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>, no qual a cidade é vista como obra de arte, como manufatura e em processo de construção ao longo do tempo. Quanto às dimensões sociais, algumas das linhas investigativas da morfologia urbana nasceram com o propósito de investigar a relação entre as formas e os padrões espaciais, bem como seus reflexos no comportamento social. Um dos exemplos é a linha investigativa inglesa, em que <xref ref-type="bibr" rid="B06">Conzen (1960)</xref> investiga os parcelamentos dos solos e identifica uma área periférica, ao que ele chama de “ciclo de parcela burguesa” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">OLIVEIRA, 2016</xref>). Outro exemplo é o nascimento da linha investigativa de sintaxe espacial, cujos trabalhos de análise iniciam-se “[...] com o propósito de compreender a influência do desenho arquitetônico nos problemas sociais existentes em muitos conjuntos de habitação social que estavam a ser construídos no Reino Unido” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">OLIVEIRA, 2016</xref>, p. 75). Sobre a questão ambiental, pode-se dizer que há estudos sobre a forma urbana e sua influência nas questões de mobilidade, centralidade e conforto. Cita-se <xref ref-type="bibr" rid="B21">Mendonça (2016)</xref>, que sintetiza bem as contribuições da morfologia urbana em suas diversas dimensões, assim como a importância que o passado pode ter no presente e no futuro, como comentava <xref ref-type="bibr" rid="B21">Mendonça (2016, p. 114)</xref>:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>A análise das tipologias arquitetônicas, com seus elementos intrínsecos à técnica e ao conforto e respectivas relações com os usos sociais e econômicos propostos e apropriados, pode auxiliar também na definição de formas construtivas cada vez mais sustentáveis ambientalmente, engendrando relações cada vez mais compatíveis entre as pessoas e o meio onde vivem.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>A preservação do patrimônio edificado também possui essa dimensão ambiental. Apesar das diversas contribuições da morfologia urbana em várias áreas do conhecimento, o presente artigo investiga a sua influência nas questões de preservação. Acredita-se que as linhas investigativas que mais possam contribuir para esse propósito sejam a inglesa, a italiana e a francesa, sem descartar outros autores que possam auxiliar na investigação, uma vez que, embora utilizem termos diferentes, tratam das mesmas questões. É o que se verá a seguir, através dos trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowski (2007)</xref> e de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011)</xref>.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>MORFOLOGIA URBANA: LINHAS INVESTIGATIVAS E ALGUNS AUTORES</title>
            <p>O trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowski (2007)</xref> compara três principais linhas de estudo morfotipológico, sendo os demais estudos derivados. São elas: a escola italiana ou Muratoriana, a escola britânica ou Conzeniana e a escola francesa ou de Versalhes. Segundo o autor, elas surgiram quase ao mesmo tempo (as italianas e inglesas um pouco antes da francesa), por volta de 1950, de forma independente, ganhando seguidores e mais força a partir de 1980. <xref ref-type="bibr" rid="B22">Moudon (1997)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowski (2007)</xref> são mais propensos a afirmar que as três linhas surgiram quase simultaneamente e que há, inclusive, um intercâmbio de ideias, não uma evolução, entre as linhas francesa e inglesa. As diferenças entre as escolas refletem os diferentes ambientes acadêmicos nos quais elas se desenvolveram. Os fundadores da escola italiana eram arquitetos: Muratori<xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref>, seus discípulos e continuadores mais próximos, <xref ref-type="bibr" rid="B02">Canniggia e Maffei (1979</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B03">1984)</xref>; os trabalhos eram orientados para informar o projeto (<italic>design</italic>) da forma urbana. Os fundadores da escola britânica eram geógrafos: <xref ref-type="bibr" rid="B06">Conzen (1960)</xref>, seguido por <xref ref-type="bibr" rid="B33">Whitehand (1977)</xref>; os trabalhos estavam orientados para entender o processo da morfogenética urbana. O desenho de uma nova forma urbana ou projeto não era uma preocupação importante - esta é de época mais recente. Já os fundadores da escola francesa ou de Versalhes<xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref> formavam um grupo misto de arquitetos e cientistas sociais de diferentes disciplinas, como a sociologia, a história e a antropologia, por exemplo (Henri Lefebvre; Phillipe Panerai; entre outros). Esses fundadores estavam preocupados em compreender a relação entre a forma urbana e os vários fenômenos sociais. Além disso, assim como a escola italiana, preocupavam-se com o projeto da nova forma urbana. Ainda segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowski (2007)</xref>, parece que a escola italiana estava mais preocupada com a forma por si mesma, enquanto a francesa preocupava-se com a forma e os fenômenos sociais, assim como com seus usos e significados no espaço urbano. Vale lembrar que há a questão projetual, isto é, compreender as formas urbanas passadas para aplicá-las no projeto. Essa preocupação está mais presente em algumas linhas do que em outras, o que leva, por exemplo, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Oliveira (2016)</xref> a chamar a linha inglesa de abordagem histórica geográfica, e a italiana de abordagem tipológica-projetual.</p>
            <p>O trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011)</xref>, apesar de analisar diversos autores que lidam com a questão da morfologia urbana, centra-se em Aldo Rossi. Há, entretanto, algumas considerações a serem feitas antes de prosseguir. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowki (2007)</xref>, Aldo Rossi e Carlos Aymonino rejeitavam os trabalhos de Muratori e Cannigia. Savério Muratori foi posto em isolamento tanto em Veneza, onde lecionou por quatro anos (1950-1954), como também em Roma. Por outras fontes, percebe-se que havia um conflito entre Savério Muratori e Bruno Zevi; este retratava o primeiro como “acadêmico e tradicionalista” (<xref ref-type="bibr" rid="B04">CATALDI; MAFFEI; VACCARO, 2002</xref>, p. 6). Um dos motivos poderia ser o conflito entre modernistas e não modernistas. Apesar desse desacordo, ainda assim será mantida neste trabalho a referência à <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011)</xref>, pois ele comenta sobre autores não referenciados nas três linhas abordadas por Komorowski.</p>
            <p>Além da primeira aproximação do conceito de morfologia urbana, aprecia-se a forma como <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011)</xref> define a leitura polissêmica das formas urbanas, a qual engloba outras disciplinas e considera não apenas as características físicas, mas também sua evolução no tempo, o que alguns autores chamam de diacronia. O oposto à diacronia é a sincronia, isto é, o objeto analisado no tempo presente. Ainda sobre a morfologia urbana, <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011, p. 38)</xref> afirma:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>A morfologia urbana supõe convergência e a utilização de dados habitualmente recolhidos por disciplinas diferentes – economia, sociologia, história, geografia, arquitetura, etc. – a fim de explicar um facto concreto: a cidade como fenómeno físico e construído. Explicação essa que visa a compreensão total da forma urbana e do seu processo de formação. Com imprecisão de linguagem, no calão arquitectónico, muitas vezes as palavras morfologia e forma são usadas indistintamente e sem diferenciação de significado. Importa clarificar que a morfologia urbana é a disciplina que estuda o objeto – a forma urbana – nas suas características exteriores, físicas, e na sua evolução no tempo.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>É sobre os instrumentos de leitura das formas urbanas que os autores divergem e apresentam várias metodologias. Uma possível crítica aos autores que estudam a morfologia urbana é que esta se preocuparia apenas com a forma pela forma, ou somente com o sentido estético da cidade, descuidando-se de outros aspectos, como o histórico ou o social. Como visto no trecho acima, essa crítica não se aplica, porque a leitura da cidade é feita através da forma, com recurso às múltiplas disciplinas que se debruçam ao urbano no decorrer do tempo. A visão de Lamas muito se deve à perspectiva que <xref ref-type="bibr" rid="B31">Rossi (1966, p.187)</xref> tinha da cidade, sobretudo da arquitetura da cidade, como se pode ver no extrato a seguir:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>A forma da cidade corresponde à maneira como se organiza e se articula a sua arquitetura. Entendendo por ´arquitetura da cidade´ dois aspectos: ´Uma manufatura ou obra de engenharia e de arquitetura mais ou menos complexa, que cresce no tempo, e igualmente os factos urbanos caracterizados por uma arquitetura própria e por uma forma própria´. Este é também o ponto de vista mais correto para afrontar o problema da forma urbana, porque é através da arquitetura da cidade que melhor se pode definir e caracterizar o espaço.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>A cidade é para <xref ref-type="bibr" rid="B31">Rossi (1966, p. 185)</xref>: “[...] uma grande manufatura arquitetônica”, e a arquitetura é como “um dos princípios da cidade” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">ROSSI, 1966</xref>, p. 187) e uma obra de arte. Rossi parece não desprezar os aspectos sociais e coletivos da cidade, mas em sua obra (1966) parece colocar o papel da arquitetura em evidência.</p>
            <p>Tampouco em <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lynch (1997)</xref> a crítica se aplica, pois, em seu livro “A imagem da cidade”, afirma que a imagem ambiental possui uma função social, psicológica e estética. Portanto, não é a forma pela forma, nem o estético pelo estético. Além disso, através de sua metodologia, tenta captar a percepção coletiva, não a individual.</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Parece haver uma imagem pública de qualquer cidade que é a sobreposição de muitas imagens individuais. Ou talvez exista uma série de imagens públicas, cada qual criada por um número significativo de cidadãos. Essas imagens de grupo são necessárias sempre que se espera que um indivíduo atue com sucesso em seu ambiente e coopere com seus concidadãos. Cada imagem individual é única e possui algum conteúdo que nunca ou raramente é comunicado, mas ainda assim ela se aproxima da imagem pública que, em ambientes diferentes, é mais ou menos impositiva, mais ou menos abrangente</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B20">LYNCH, 1997</xref>, p. 51).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Rossi também toca na questão da psicologia coletiva, citando a apropriação dos estudos da <italic>Gestalt</italic> pela Bauhaus, além de citar a escola norte-americana de Kevin Lynch. Além disso, trata da questão da memória coletiva, e nesse sentido, há uma citação bastante interessante que faz ligação com a paisagem urbana:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Ampliando a tese de Halbwachs, direi que a cidade mesma é a memória coletiva dos povos; e como a memória está ligada a fatos e a lugares, a cidade é o <italic>locus</italic> da memória coletiva.</p>
                    <p>Esta relação entre o <italic>locus</italic> e os cidadãos chega a ser, pois, a imagem, preeminente, a arquitetura, a paisagem; e como os fatos voltam a entrar na memória, novos fatos crescem na cidade. Neste sentido completamente positivo as grandes ideias recorrem a história da cidade e a conformam</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B31">ROSSI, 1966</xref>, p. 191, tradução nossa).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B32">Rykwert (2004)</xref>, em seu livro sobre história urbana, observa a cidade como obra de arte e obra coletiva. Dessa forma, descreve as várias fábricas e vilas operárias do século XIX, o interesse dos arquitetos na construção de casas operárias e a habitação da classe média no capítulo “Casa e Lar”. Também comenta sobre os arquitetos austríacos Otto Wagner e Camillo Sitte:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Apesar de seus enfoques serem diferentes, Wagner e Sitte partiram de uma mesma antipatia pelo Ringstrasse de Viena. Wagner desprezava o seu carnaval de estilos históricos, Sitte abominava os seus espaços excessivamente abertos e sujeitos ao vento, que isolavam os monumentos em meio ao tráfego e dificultavam o acesso. <italic>Quaisquer que fossem as diferenças de opinião entre eles, Wagner e Sitte tinham em comum o entendimento de que a cidade é uma obra de arte coletiva</italic></p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B32">RYKWERT, 2004</xref>, p. 169, grifo nosso).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>É evidente que a cidade é polissêmica e que é possível lê-la a partir de diversas perspectivas. Contudo, acredita-se que a querela, se a cidade é um artefato artístico ou social, fica resolvida ao se entender que a cidade é, sim, uma obra de arte, porém coletiva. As leituras das cidades como obra de arte, o que envolve a filosofia estética, são infinitas no campo das teorias de percepção. Ao mesmo tempo, pode-se realizar essas leituras a partir da sociologia, da psicologia, da antropologia e da geografia; mais do que conflitantes, elas serão agregadoras se cada disciplina respeitar seu âmbito. Considerar a cidade como obra de arte coletiva também abre espaço para entendê-la como algo vivo, em que as infinitas leituras e releituras se darão no decorrer do tempo.</p>
            <p>A importância da morfologia urbana está na consideração das pré-existências físicas e sociais, o que remete à polêmica dos modernistas, que desprezam a tradição, e dos pós-modernistas, que voltam à tradição. Lamas divide a história do urbanismo em três períodos, os quais nomeia sucessivamente como: Urbanismo Formal, Modernismo e o Novo Urbanismo. O autor observa que a crítica à arquitetura moderna e o retorno à cidade antiga pelos pós-modernistas é um pouco exagerada. Ele não condena os arquitetos modernistas, mas possui uma visão mais ponderada<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>. Para o autor, a importância da morfologia urbana reside em dois vetores principais, a saber:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>— o interesse pela cidade antiga, sua preservação, conservação, restauro e revitalização, entendendo-a e recuperando-a na sua integridade física, funcional e social;</p>
                    <p>— a reavaliação das relações morfológicas existentes na cidade tradicional para o desenho do crescimento e expansão ou para intervenções no seu interior</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B19">LAMAS, 2011</xref>, p. 390).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Assim, a morfologia urbana é importante tanto para as atividades de preservação como para o desenho urbano, o qual é objeto de enfoque do livro de Lamas, mas não será do presente trabalho. O foco deste artigo será a preservação e como, a partir da leitura morfológica, estabelecer guias de transformação, na tentativa de evitar descontinuidades abruptas no desenho da cidade. Sobre o desenho urbano, são interessantes as seguintes afirmações de Lamas:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Qualquer arquitecto terá de saber que não trabalha sobre tábua rasa, mas sobre um território que já existe. Isto é válido para o edifício que substitui num lote a construção degradada, para a modificação de uma construção degradada, como para os novos bairros ou novos edifícios. Há que procurar no território os elementos estimulantes e geradores do partido arquitectónico, e também os elementos que deverão ser mantidos.</p>
                    <p>[...]</p>
                    <p>A paisagem humanizada e a cidade são o resultado de centenas de anos de atividade do homem; constituem uma herança cultural que não pode ser dilapidada. Como tal, o controle das transformações do território assume a maior importância na disciplina arquitetônica e urbanística. Implica a existência do plano (a ideia) e do planeamento (a ação de concretização e implementação do plano)</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B19">LAMAS, 2011</xref>, p. 116)<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>.</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Entende-se que esta leitura da cidade, em uma busca no território de “[...] elementos estimulantes e geradores do partido arquitetônico” como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011, p. 116)</xref> no trecho acima em suma, busca identificar e ler esta paisagem urbana, que autores e inclusive Lamas, chamam de leitura morfológica ou morfotipológica, não é tarefa fácil. Nesse ponto, iniciam-se as divergências entre linhas investigativas quanto às metodologias de leitura da forma urbana. Infelizmente, não se comentará sobre as metodologias, e passar-se-á ao seguinte tópico: como se pode relacionar a morfologia urbana com os demais conceitos de paisagem e de “<italic>genius loci</italic>”.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>MORFOLOGIA URBANA, PAISAGEM E “<italic>GENIUS LOCI</italic>”</title>
            <p>Resumidamente, a paisagem é uma construção, e esta não existiria se não houvesse observador. Há um certo consenso sobre o que é “paisagem cultural” como: “[...] <italic>testemunho do trabalho do homem, de sua relação com a natureza, como um retrato da ação humana sobre o espaço ou ainda como panorama e cenário</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">RIBEIRO, 2007</xref>, p. 14, grifo nosso). Novamente, para explicar a relação entre a morfologia urbana e a paisagem, recorre-se a <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011, p. 37, grifo nosso)</xref>: “<italic>A morfologia urbana estudará essencialmente os aspectos exteriores do meio urbano e as suas relações recíprocas, definindo e explicando a paisagem urbana e a sua estrutura</italic>”. Assim, havendo espaço e ação humana (um simples observador, inclusive), haverá leitura, percepção, um “alguém” colocando um valor (podendo este ser estético ou não), um sentido, um significado, de forma que poderá haver morfologia urbana. Mais uma vez, o modo como é feita a leitura desse espaço humanizado é o que marca a divergência dos autores.</p>
            <p>Outra questão é a delimitação desse espaço de leitura. O espaço não se limita à cidade, inclui extensões maiores ou menores do território. “<italic>O campo de estudo da morfologia será então a totalidade do território como lugar de transformações produzidas pelo homem, ou, por outras palavras, todo o território como lugar de intervenção da arquitetura</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">LAMAS, 2011</xref>, p. 70, grifo nosso). Lamas estende a noção de “forma urbana” a todo o território, o que alarga a percepção das paisagens. Ainda segundo a visão dele, basicamente emprestada de Rossi, essas paisagens (cidades ou não) são tratadas como objeto estético e como arquitetura, são obras de arte sociais coletivas com processo de formação no tempo<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>.</p>
            <p>Lamas recorre a Rossi para falar de “<italic>genius loci</italic>”, contudo, certamente quem mais recorreu ao termo foi <xref ref-type="bibr" rid="B25">Norberg-Schulz (1980)</xref>. Utiliza-se a afirmação dada por Rossi de que “<italic>genius loci</italic>” ou simplesmente “<italic>locus</italic>” é a relação singular que existe entre certa situação local e as construções que estão nesse lugar, mas não é o sítio geográfico, tampouco o ambiente. A origem do termo vem de tempos antigos, quando se acreditava que o sítio era governado pelo “<italic>genius loci</italic>”, divindade do local que presidia a tudo o que ali se desenvolvia. Ainda segundo <xref ref-type="bibr" rid="B31">Rossi (1966, p. 157, tradução nossa)</xref>:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>O conceito de <italic>locus</italic> sempre esteve presente na tratadística clássica, antes em Palladio e depois em Milizia seu tratamento toma cada vez mais um aspecto de tipo topográfico e funcional; mas nas palavras de Palladio há ainda em forma viva o estremecimento do mundo antigo, o segredo desta relação que é mais evidente, por cima da cultura específica arquitetônica, em certas obras suas como em Malcontenta ou a Rotonda, as quais devem precisamente à ‘situação’ algumas das condições para sua compreensão.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>Lamas, em outro momento, faz relação entre “<italic>genius loci</italic>” e as pré-existências do lugar, o que também se pode chamar de “situação” ou, nas cartas patrimoniais, de “<italic>spiritus loci</italic>” ou caráter do lugar:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>É frequente, em determinadas metodologias de projecto, o recurso sistemático a qualquer preexistência como suporte da forma a criar. Recordo a obsessão das preexistências, evidente no discurso de alguns arquitectos do Porto e Lisboa. [...]. O processo criativo utiliza sempre, a preexistência como apoio, e elemento e condicionador da forma arquitetônica. Por outras palavras, e como nos exemplos apresentados por Rossi, o sítio é um &lt;&lt;génio&gt;&gt; determinante e inseparável da arquitectura que o ocupará – no fundo, é já a génese da arquitetura (<xref ref-type="bibr" rid="B19">LAMAS, 2011</xref>, p. 64).</p>
                </disp-quote></p>
            <p>Rossi diferencia “<italic>locus</italic>” (como ponto singular e da situação) e ambiente, porque entende que este “[...] parece extraordinariamente vinculado à ilusão”, como um cenário que “imobilizam a vida e entristecem como todas as falsidades turísticas de um mundo desaparecido” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">ROSSI, 1966</xref>, p. 179). O autor abomina a ambientação:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Não por casualidade este conceito de ambiente é aplicado muitas vezes e recomendado por aqueles que pretendem conservar as cidades históricas mantendo as fachadas antigas ou reconstruindo de modo tal que se mantenham todos os perfis, as cores e as coisas deste gênero; e que encontramos depois destas operações, supondo que sejam sustentáveis e realizáveis? Uma cena vazia, com frequência repugnante</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B31">ROSSI, 1966</xref>, p. 179, tradução nossa).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Nesse mesmo livro, Rossi comenta que o conceito de “<italic>locus</italic>” deve ser objeto de investigações particulares, aplicadas a toda a história da arquitetura. Além disso, ele afirma que se deve analisar a relação entre <italic>locus</italic> e o projetar, pois: “Somente à luz destas investigações se poderá resolver o contraste aparentemente irremediável entre o projetar como elemento racional e como imposição e a natureza do lugar que participa na obra” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">ROSSI, 1966</xref>, p. 185). Resta saber se essas investigações foram realizadas e quais são elas. Nesse sentido, há a obra de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Norberg-Schulz (1980)</xref>, <italic>Genius Loci: towards a phenomenology of Architecture</italic>, publicada pela primeira vez em italiano, sob o título “<italic>Genius loci – paesaggio, ambiente, architettura</italic>”, em 1979. Note-se que a edição italiana traz o conceito de paisagem no título. O próprio autor utiliza o conceito, mas em uma acepção de espaço ainda não significado pelo homem, como será visto mais adiante. Norberg-Schulz faz uma leitura fenomenológica da arquitetura, apoiando-se na filosofia de Heidegger. Ele afirma que:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>O conceito de espaço existencial é aqui dividido nos termos complementares ‘espaço’ e ‘caráter’, de acordo com as funções básicas de ‘orientação’ e ‘identificação’. Espaço e caráter não são tratados em um modo puramente filosófico (como realizado por O. F. Bollnow), mas são diretamente relacionados à arquitetura, seguido da definição da arquitetura como uma ‘concretização do espaço existencial’. ‘Concretização’ é, além disso, explicado por meio dos conceitos de ‘<italic>gathering</italic>’ e ‘coisa’. A palavra ‘coisa’ originalmente significava uma reunião (gathering), e o significado de qualquer coisa consistia em o que ela reúne. Então, Heidegger disse: ‘Uma coisa reúne o mundo’ [...]</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B25">NORBERG-SCHULZ, 1980</xref>, p. 5, tradução nossa).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Outro conceito que Norberg-Schulz deve a Heidegger é o de habitação/moradia (<italic>dwelling</italic>) como o propósito da arquitetura. O homem habita, pois consegue orientar-se e identificar-se com o ambiente quando o experimenta como algo significativo. Habitar implica algo mais que abrigar, pois os espaços onde a vida ocorre são lugares. “Um lugar é um espaço no qual há um caráter distinto” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">NOBERG-SCHULZ, 1980</xref>, p. 5). A diferença entre espaços e lugares também é observada pelo autor através da linguagem, isto é, enquanto os lugares são designados com substantivos, isso implica que os lugares existem; os espaços são um sistema de relações classificados com preposições, por exemplo: embaixo, em cima, próximo, atrás <italic>etc</italic>. Já o conceito de caráter é uma totalidade mais complexa, definido por meio de adjetivos. Esse caráter distinto é o “<italic>genius loci</italic>” ou “espírito do lugar”. Ainda segundo <xref ref-type="bibr" rid="B25">Norberg-Schulz (1980, p. 5, grifo nosso)</xref>, “<italic>Arquitetura significa visualizar o</italic> “<italic>genius loci</italic>”, <italic>e a tarefa do arquiteto é criar espaços significativos, onde ele ajude o homem a habitar</italic>”.</p>
            <p>Essas palavras introdutórias de Norberg-Schulz são muito significativas e resumem a essência do livro. Traça-se, antes, um paralelo com o que foi visto anteriormente em Rossi e em Lamas. Há muitos paralelismos e pequenas diferenças entre Rossi e Norberg-Schulz: o que Rossi chama de “locus” pode-se perfeitamente intercambiar por “lugar”; quanto ao que ele chama de “situação”, entende-se o “caráter distinto” de Norberg-Schulz, que nada mais é do que o “<italic>genius loci</italic>” e o “espírito do lugar”. Como ambos são arquitetos, falam da arquitetura e da importância do “<italic>genius loci</italic>” no processo de criação. Aqui, há matizes distintos entre os dois: para Norberg-Schulz, trata-se mais da análise de lugares que auxiliem no processo de projetar, e não tanto do lugar do projeto. Um pequeno matiz acrescentado por Norberg-Schulz ao termo lugar (ou “<italic>locus</italic>”) é a questão das duas funções psicológicas envolvidas: a orientação e a identificação (esta última também guarda relação com sentido de pertencimento), o que remete ao trabalho de Lynch, embora seja mais existencialista e fenomenológico do que ele, que, por sua vez, aproxima-se de uma linha da Gestalt.</p>
            <p>Apesar de concordarem na conceituação do “<italic>genius loci</italic>”, Rossi e Norberg-Schulz parecem divergir no modo de leitura e nas categorias e elementos de análise. Enquanto Rossi parece estar ligado a categorias tradicionais de leitura de cidade, como bairro, tipologias, ruas <italic>etc</italic>., Norberg-Schulz aparenta se relacionar a categorias mais abertas, aplicáveis a qualquer tipo de lugar. O segundo autor, ao tratar da fenomenologia do lugar, primeiramente coloca a distinção do natural ou fenômeno feito pelo homem – em termos concretos, entre “paisagem” (<italic>landscape</italic>) e “assentamento” (<italic>settlement</italic>) –, para depois discorrer sobre as categorias terra-céu (horizontal-vertical) e fora-dentro (<italic>outside-inside</italic>). Depreende-se que, para ele, a paisagem é classificada como algo natural, não tocada pelo ou sequer observada pelo homem, em uma posição anterior ao assentamento. No entanto, mais adiante ele falará sobre a distinção que faz entre paisagens naturais que se tornam culturais porque nelas o homem encontrou um lugar significativo, dentro da totalidade:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>In general the Earth is the ´stage´ where man´s daily life takes place. To some extent it may be controlled and shaped, and a friendly relationship results. Natural landscape thus becomes cultural landscape, that is, an environment where man has found his meaningful place within the totality […]</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B25">NORBERG-SCHULZ, 1980</xref>, p. 40).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>O habitar sempre ocorrerá entre terra-céu, e “<italic>settle</italic>” é muito mais que uma relação econômica, tratando-se de um conceito existencial que denota a habilidade de atribuir significado. Assim, quando o meio ambiente é significativo, o homem está em casa, habita. Norberg-Schulz afirma que todos os lugares sempre marcam presença (<italic>presencing</italic>) em relação à terra e ao céu, assim como os edifícios ficam de pé sobre a terra e sobem ao céu (sentido horizontal e vertical), como é sua silhueta. Além disso, uma relação significativa entre horizontalidade e verticalidade dependerá da forma da cobertura. O caráter do lugar ou “<italic>genius loci</italic>” leva em conta essa relação do edifício com a terra e o céu, um modo de estar na Terra que permite a identificação humana. As categorias dentro-fora tem relação com o grau de abertura desses lugares, com o modo como elas permitem abertura ou interioridade, como desmaterializam as edificações e criam interação entre exterior e interior e como deixam transmitir a luz. Tudo isso determina o caráter da arquitetura. Orientação e identificação significam experiência do lugar feito pelo homem (<italic>man-made place</italic>) dentro deste lugar. “O ‘<italic>genius loci</italic>’ depende em <italic>como</italic> estes lugares são em termos de espaço e caráter, isto é, em termos de organização e articulação” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">NORBERG-SCHULZ, 1980</xref>, p. 69, tradução nossa).</p>
            <p>Para entender o “<italic>genius loci</italic>”, o autor introduz os conceitos de significado e estrutura. O significado de qualquer objeto consiste na relação com os outros objetos, no fato de que o objeto reúne (<italic>the object</italic> “<italic>gathers</italic>”), como ele comenta no início de sua obra. A estrutura são as propriedades formais de um sistema de relações. Estrutura e significado são aspectos de uma mesma totalidade, ambos são abstrações de um fluxo de fenômeno, com estáveis relações que permanecem mais que acontecimentos transitórios (<xref ref-type="bibr" rid="B25">NORBERG-SCHULZ, 1980</xref>). Chegado a este ponto, acredita-se que Norberg-Schulz toque em um aspecto importante para as questões de patrimônio, que são a constância e a mudança dos lugares. Abaixo, está transcrita uma parte interessante sobre isso:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>The structure of a place is not a fixed, eternal state. As a rule places change, sometimes rapidly. This does not mean, however, that the genius loci necessarily changes or gets lost. Later we shall show that taking place presupposes that the places conserve their identity during a certain stretch of time. Stabilitas loci is a necessary condition for human life. How then is this stability compatible with the dynamics of change? First of all we may point out that any place ought to have the ´capacity´ of receiving different ´contents´, naturally within certain limits. A place which is only fitted for one particular purpose would soon become useless. Secondly it is evident that a place may be ´interpreted´ in different ways. To protect and conserve the genius loci in fact means to concretize its essence in ever new historical contexts. We might also say that the history of a place ought to be its ´self-realization´. What was there as possibilities at the outset, is uncovered through human action, illuminated and ´kept´ in works of architecture which are simultaneously ´old and new´. A place therefore comprises properties having a varying degree of invariance</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B25">NORBERG-SCHULZ, 1980</xref>, p. 18, grifo nosso).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Desse modo, a “<italic>stabilitas loci</italic>”, o preservar a essência do lugar, seu “<italic>genius loci</italic>”, é importante para a condição humana. Porém o autor não diz como fazê-lo em novos contextos históricos. Será possível? E como fazê-lo? É possível que o autor deixe essas questões em aberto. O “<italic>stabilitas loci</italic>” relaciona-se com o que alguns autores chamam de “lei da persistência”, atribuído por <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pinto (2015, p. 128)</xref> ao geógrafo francês Pierre Lavedan (<italic>loi de persistance du plan</italic>), termo que parece ser ratificado por Gustavo Giovannoni (1931), em sua obra “<italic>Vecchie città ed edilizia nuova</italic>”. Além dessa lei, outra expressão admitida é a de palimpsesto, pois, em determinado momento, Giovannoni afirma que Roma constituía-se um “<italic>vero palimpsesto</italic>” – em italiano: verdadeiro palimpsesto – (<xref ref-type="bibr" rid="B10">GIOVANNONI, 1931</xref>, p. 49 <italic>apud</italic>
                <xref ref-type="bibr" rid="B29">PINTO, 2015</xref>, p.128). O termo de palimpsesto utilizado por Lavedan é atribuído a Frederic William Maitland, “[...] cujos documentos cartográficos tornavam-se the <italic>most wonderful of all palimpsests</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B29">PINTO, 2015</xref>, p. 128, grifo do autor).</p>
            <p>Devido à antiguidade, e por Pierre Lavedan ser um de seus continuadores, parece ser mais correto atribuir a autoria da lei de persistências à Marcel Poëte. <xref ref-type="bibr" rid="B31">Rossi (1966)</xref> comenta que se interessa pela geografia social de Tricart, pelas teorias das persistências ou permanências de Marcel Poëte e pela obra de Milizia, pois elas se fundam na leitura continuada da cidade e da arquitetura, subentendendo uma teoria geral dos fatos urbanos. Também na teoria das permanências de Poëte, existe a dimensão de mudança. Ele considera a cidade como arte, mas também como um organismo vivo, que permite uma “mudança ininterrupta” de uma “transição contínua” (<xref ref-type="bibr" rid="B01">CALABI, 1997</xref>, p. 76).</p>
            <p>Essa dimensão de mudança também está presente no conceito de <italic>genius loci</italic>, apontada por um dos pontos da Declaração de Quebéc (<xref ref-type="bibr" rid="B16">INTERNATIONAL COUNCIL ON MONUMENTS AND SITES, 2008</xref>, <italic>online</italic>, grifo nosso), documento do ICOMOS sobre <italic>spiritu loci</italic>:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Como <italic>o espírito do lugar é um processo em permanente reconstrução, que corresponde à necessidade por mudança e continuação das comunidades, nós afirmamos que pode variar ao longo do tempo e de uma cultura para outra</italic>, em conformidade com suas práticas de memória, e que um lugar pode ter vários espíritos e pode ser compartilhado por grupos diferentes.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>Na visão de Norberg-Schulz, considerando-se que o seu conceito de caráter é intercambiável pelo de “<italic>genius loci</italic>”, este estaria mais ligado ao sentido de lugar da tradição (<xref ref-type="bibr" rid="B17">JIVÉN; LARKHAM, 2003</xref>, p. 78), portanto, mais propenso a uma não mutação. Contudo, para a não mutação ele utiliza o termo <italic>stabilitas loci</italic>. Para Conzen, a concepção genius loci carrega um sentido de contínuo incremento de mudança urbana (<italic>concept of ongoing incremental urban change</italic>). Desse modo, a maior parte dos comentários dos autores é propícia a atribuir uma dimensão de mudança ao termo “<italic>genius loci</italic>”.</p>
            <p>Essa dimensão dinâmica (mudança ou transformação) também está presente na origem do conceito de morfologia, formulada por Goethe. Observa-se <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pinto (2015, p. 127, grifo nosso)</xref> comentando um trecho de “A Metamorfose das plantas”, de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Goethe (1993)</xref>:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Goethe criou o termo ‘morfologia’ para designar a ciência ou doutrina da observação da forma. Mas porque as formas, em especial as formas orgânicas, nunca se encontram paradas ou terminadas, estando em permanente movimento incessante, na morfologia, a forma devia ser tomada ‘<italic>apenas como ideia, como conceito ou uma coisa identificada na experiência unicamente por um instante</italic>’<italic>, interessando, pois a dimensão dinâmica das ações de formação e de transformação</italic>’.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>Mais adiante, a mesma autora afirma que, ao considerar os espaços urbanos como organismos vivos, em simbiose com o ser humano, pode-se perfeitamente utilizar o conceito de morfologia aplicado à cidade e, consequentemente, à paisagem.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p>Retomando os conceitos aqui empregados, a modo de conclusão, pode-se dizer que, mais do que paradoxais, as dimensões de permanência e de mudança constituem-se em um binômio, presente nos três conceitos tratados: o de morfologia urbana, o de paisagem e o de “<italic>genius loci</italic>”. Esse binômio — permanência e mudança - são dimensões importantes a considerar quando se fala em desenho urbano e em questões de preservação do patrimônio urbano. Entende-se que a paisagem é o suporte ou o <italic>locus</italic> de observação das formas urbanas, cuja ciência que trata da sua leitura se denomina morfologia urbana. As linhas investigativas aqui mencionadas fazem parte dessa ciência, e a divergência entre elas reside na forma como observar, ou seja, como realizar a leitura das formas urbanas, constituindo-se uma metodologia. Por considerarem o fator tempo, acredita-se que todas as linhas investigativas verifiquem a existência de certas permanências (formas urbanas que dificilmente mudam) ou de, pelo menos, alguns de seus fragmentos, apesar da passagem do tempo. Os fragmentos de diferentes épocas levaram alguns autores a chamar as cidades de palimpsestos. Já essas formas constantes ou permanentes, que dão caráter ou essência ao lugar, levam também alguns a associar tais formas mais constantes ao “<italic>genius loci</italic>” ou espírito do lugar.</p>
            <p>Talvez aqui resida a importância dos três conceitos abordados – morfologia urbana, paisagem e “<italic>genius loci</italic>” –, para as questões de patrimônio: o aprofundamento das metodologias de leitura e o modo como preservar o “genius loci” em termos práticos, auxiliando o trabalho do arquiteto e do urbanista. Certamente, esse aprofundamento merece mais pesquisas e outro artigo. Acrescenta-se que o trabalho desses profissionais, ao preservar o “<italic>genius loci</italic>” ou ao agregar a essência do lugar no projeto, criaria espaços significativos em que o homem pudesse habitar e chamar de lugar, em processos contínuos e em novos contextos, conectando a cidade antiga ou o passado com seu presente e futuro, de maneira dinâmica, assim como as cidades e/ou as paisagens.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <title>COMO CITAR ESTE ARTIGO/ <italic>HOW TO CITE THIS ARTICLE</italic></title>
            <fn fn-type="other">
                <p>INOUE, L. M. Morfologia urbana, paisagem e “<italic>genius loci</italic>”. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v.19, e224903, 2022. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a4903">https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a4903</ext-link></p>
            </fn>
        </fn-group>
        <fn-group>
            <title>NOTAS</title>
            <fn fn-type="financial-disclosure" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Artigo elaborado a partir da tese de doutorado de INOUE, L. M. intitulada “Fim da Linha? Vilas ferroviárias da Companhia Paulista (1868-1961): uma investigação sobre história e preservação”. Universidade de São Paulo, 2017.</p>
                <p>Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Processo 2013/23935-5)</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>Alguns autores, como <xref ref-type="bibr" rid="B07">Costa e Netto (2015)</xref>, não reconhecem a linha francesa como uma efetiva linha da Morfologia Urbana, no entanto, afirmam: “[…] Embora não se reconheça a existência real de uma escola francesa, é fato de que os estudos elaborados pelos professores representam uma contribuição efetiva na aplicação de métodos das duas escolas como proposição projetual (<xref ref-type="bibr" rid="B07">COSTA; NETTO, 2015</xref>, p. 36) E ainda: “[…] os estudiosos franceses adotam uma abordagem diferente dos conceitos ingleses e italianos, mesclada com conceitos ingleses com aplicação prática e propositiva (PANERAI <italic>et al</italic>. 1980 <italic>apud</italic> <xref ref-type="bibr" rid="B07">COSTA; NETTO, 2015</xref> p. 37)</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Em 1994, em Lausanne, ocorre o primeiro <italic>International Seminar on Urban Form</italic> (ISUF). A partir de 1996, a ISUF promove conferências anuais em quase todos os continentes. A partir de 1997, publica a revista “<italic>Urban Morphology</italic>”. “A aproximação das escolas <italic>Conzeniana</italic> e <italic>Muratoriana</italic>, concretizada nos últimos anos, é o exemplo mais evidente das vantagens de um efetivo diálogo morfológico entre diferentes abordagens” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OLIVEIRA, 2013, p. 3</xref>). A partir da conferência do ISUF, realizada em Hamburgo, em 2010, é criada “Rede Portuguesa de Morfologia Urbana” (PNUM), como resultado de uma política de incentivo à criação de grupos de nacionais ou regionais do ISUF. A partir de 2013, a PNUM, lança a revista semestral Revista de Morfologia Urbana, e anos mais tarde, a PNUM estende a rede para todos os países lusófonos que queiram se unir. Acredita-se que as publicações tanto das revistas inglesa <italic>Urban Morphology</italic> como da lusófona <italic>Revista Morfologia Urbana</italic> demonstram um pouco do estado da arte das pesquisas de morfologia urbana.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Por exemplo, os autores citados por <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011)</xref> não se encontram em <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowski (2007)</xref>. Recorda-se que o trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas (2011)</xref>, origina-se a partir da tese de doutorado de 1989, suas pesquisas podem ter evoluído. No entanto, àquela época, o autor equivoca-se ao ignorar a escola inglesa de morfologia urbana. Além disso, utiliza o conceito de “Novo Urbanismo” como uma acepção genérica ao urbanismo contemporâneo.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Um exemplo desta lacuna: não foi mencionado o trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B07">Costa e Netto (2015)</xref>, entre outros autores.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>Urbanismo culturalista <italic>versus</italic> urbanismo progressista, esta classificação foi dada por <xref ref-type="bibr" rid="B05">Choay (2010)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p>Saverio Muratori (1910-1973), publicou entre outros trabalhos e estudos: <italic>Studi per un’operante storia urbana di Venezia</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B24">MURATORI, 1959</xref>) <italic>Studi per un’operante storia urbana di Roma</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B23">MURATORI, 1963</xref>). Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.treccani.it/enciclopedia/saverio-muratori_(Dizionario-Biografico)">http://www.treccani.it/enciclopedia/saverio-muratori_(Dizionario-Biografico)</ext-link>. Acesso em 24 set. 2016.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Komorowski (2007)</xref>, os primeiros trabalhos da escola de Versailles tiveram influência do sociólogo e filósofo Henri Lefebvre, que criticou as casas construídas no pós-guerra, inspiradas nos princípios modernistas de planejamento. Lefebvre inspirou um grupo de arquitetos e urbanistas como Jean Castex e Phillipe Panerai, e sociólogo Jean-Charle Depaule, que acreditavam que a arquitetura e o urbanismo da época deveriam buscar a inspiração teórica na cidade pré-moderna.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>“Parece-me algo inconsequente a condenação sem o juízo e a investigação. Passo a aderir ao novo urbanismo, mas necessito de refletir tanto sobre as propostas modernas como sobre as tradicionais de cidade. Nessa ordem de ideias, longe de ter simplificado as coisas, ‘separando o bem do mal’, ainda torno mais complexas as interrogações [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">LAMAS, 2011, p. 28</xref>)</p>
                <p>“Creio – e esse era o objetivo desta parte – que a discussão sobre a forma da cidade e, sobretudo, a polémica entre a cidade moderna e a cidade tradicional podem sair clarificadas pelo que disse. O objetivo fundamental é permitir que o desenho urbano assente em bases sólidas de conhecimento da cidade e do território, das suas estruturas, espaços e formas, e dos seus processos de formação” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">LAMAS, 2011</xref>, p. 129).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Mais sobre a questão da morfologia e o desenho urbano em <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lamas, 2011</xref>, p. 22 e 26.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn11">
                <label>11</label>
                <p>Ver capítulo “A paisagem como objeto estético, a paisagem como arquitetura e a estética da paisagem natural” <italic>in</italic> <xref ref-type="bibr" rid="B19">LAMAS, 2011</xref>. “Um terceiro ponto consistente em considerar a morfologia urbana como uma parte da morfologia do território, ou seja, considerar a construção de toda a paisagem humanizada como ação arquitetural” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">LAMAS, 2011</xref>, p. 66).</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
            <ref id="B01">

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                <element-citation publication-type="book">
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                    <source>Parigi anni venti. Marcel Poëte e le origini dela storia urbana</source>
                    <publisher-loc>Venezia</publisher-loc>
                    <publisher-name>Marcilio</publisher-name>
                    <year>1997</year>
                    <size units="pages">76</size>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B02">

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                    <source><italic>Composizione architettonica e tipologia edilizia I</italic>: lettura dell’edilizia di base</source>
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            <ref id="B03">

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                <element-citation publication-type="book">
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                    <source><italic>Composizione architettonica e tipologia edilizia II</italic>: il progetto nell´edilizia do base</source>
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            <ref id="B04">

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