Colunas nacionais

o uso de palmeiras imperiais nos projetos do Ministério de Educação e Saúde e da Universidade do Brasil (e sua transferência para Brasília)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24220/2318-0919v22e2025a14877

Palavras-chave:

Arquitetura moderna brasileira, Arquitetura monumental, Linguagem clássica da arquitetura, Visões do Paraíso, Cidade Universitária

Resumo

Ao tomar como objeto o emblemático uso de palmeiras imperiais (Roystonea oleracea) no Rio de Janeiro do século XIX, este trabalho propõe analisar a incorporação dessas espécies de plantas em projetos modernos do século XX. O objetivo ao abordar os dois séculos é verificar a manutenção desses antigos emblemas da nação em períodos voltados ao fortalecimento da imagem nacional e da linguagem moderna. Para isso, em um primeiro momento, investiga-se a relação entre monumentalidade e construção de uma identidade nacional no Brasil do século XIX. Posteriormente, evidencia-se essa relação ao analisar o uso de palmeiras imperiais nos projetos de Le Corbusier e Lúcio Costa para a sede do Ministério de Educação e Saúde e para o campus da Universidade do Brasil – ambos exemplos de respostas à configuração de uma monumentalidade moderna. Por fim, o trabalho examina como o caráter monumental atrelado a essas palmeiras foi transferido para a nova capital nacional: Brasília. Conclui-se que, muito mais que simbolizar um império, o uso de palmeiras imperiais refletiu uma adaptação brasileira ao repertório clássico, o que pode ter suscitado sua utilização em projetos cujos pontos-chave eram justamente o fortalecimento de uma cultura nacional, moderna e monumental.

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Publicado

2025-12-15

Como Citar

Ruschel, A. (2025). Colunas nacionais: o uso de palmeiras imperiais nos projetos do Ministério de Educação e Saúde e da Universidade do Brasil (e sua transferência para Brasília). Oculum Ensaios, 22. https://doi.org/10.24220/2318-0919v22e2025a14877

Edição

Seção

Originais