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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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                <article-title>Difusão de favelas e as ações do poder público em Bauru (SP)</article-title>
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                    <trans-title>Diffusion of slums and government actions in Bauru (SP)</trans-title>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0818-7127</contrib-id>
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                        <surname>Krause</surname>
                        <given-names>Anna Beatriz Pianca</given-names>
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                    <role>Curadoria de dados</role>
                    <role>Investigação</role>
                    <role>Análise formal</role>
                    <role>Redação do manuscrito original</role>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-9299-7327</contrib-id>
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                        <surname>Goulart</surname>
                        <given-names>Jefferson O.</given-names>
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                    <xref ref-type="aff" rid="aff02">2</xref>
                    <role>Supervisão</role>
                    <role>Revisão e edição do texto</role>
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                    <label>1</label>
                    <institution content-type="orgname">Universidade Federal do ABC</institution>
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                        <city>São Bernardo do Campo</city>
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                    <email>anna.krause@ufabc.edu.br</email>
                    <institution content-type="original">Universidade Federal do ABC, Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Gestão do Território. São Bernardo do Campo, SP, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: A. B. P. Krause. E-mail: anna.krause@ufabc.edu.br</institution>
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                <aff id="aff02">
                    <label>2</label>
                    <institution content-type="orgname">Universidade Estadual Paulista</institution>
                    <institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design</institution>
                    <institution content-type="orgdiv2">Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo</institution>
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                    <country country="BR">Brasil</country>
                    <institution content-type="original">Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Bauru, SP, Brasil.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01"><italic>Email</italic>: <email>anna.krause@ufabc.edu.br</email></corresp>
                <fn fn-type="conflict" id="fn1">
                    <label>Conflito de interesses</label>
                    <p>Não há conflito de interesses</p>
                </fn>
                <fn fn-type="edited-by" id="fn2">
                    <label>Editora</label>
                    <p>Patrícia Rodrigues Samora</p>
                </fn>
                <fn fn-type="con" id="fn3">
                    <label>Colaboradores</label>
                    <p>Curadoria de dados; investigação; análise formal; redação do manuscrito original: A. B. P. Krause. Supervisão; revisão e edição do texto: J. O. Goulart.</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este artigo tem como objeto de estudo o fenômeno da favelização na cidade de Bauru (SP) e as correspondentes ações e políticas urbanas do poder público municipal no seu enfrentamento. Trata-se de estudo original, pois a literatura dedica-se preferencialmente aos estudos de grandes centros metropolitanos. Metodologicamente, a pesquisa compreendeu a revisão da literatura teórica sobre o fenômeno da favelização e suas múltiplas acepções, levantamento de dados quantitativos e territoriais de fontes institucionais e diagnóstico empírico das favelas locais com correspondente análise das políticas empreendidas pelo poder público. A pesquisa se debruçou sobre as determinações, dimensões e configurações territoriais do processo de favelização; análise das políticas habitacionais incidentes sobre as favelas, e as abordagens adotadas pelo município que incluíram ações de remoção, urbanização e regularização fundiária. Os resultados da investigação evidenciam que, a despeito da expressiva provisão habitacional das últimas décadas – inicialmente através da COHAB-Bauru e mais recentemente por meio do Programa Minha Casa Minha Vida –, a favelização persistiu e aumentou no séc. XXI, constatação que revela o caráter errático das políticas públicas de planejamento urbano centradas na produção de novas moradias em detrimento de outras formas de intervenção habitacional e urbanística.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This article has as its object of study the phenomenon of slum processes in Bauru city (SP) and the corresponding actions and urban policies of the municipal public authorities in confronting it. This is an original study, as the literature is preferably dedicated to studies of large metropolitan centers. Methodologically, the research included a review of the theoretical literature on the phenomenon of slums and its multiple meanings, a survey of quantitative and territorial data from institutional sources and an empirical diagnosis of local favelas with a corresponding analysis of the policies undertaken by the public authorities. The research focused on the determinations, dimensions and territorial configurations of the favelaization process; analysis of housing policies affecting slums; and the approaches adopted by the municipality that included removal actions, urbanization and land regularization. The results of the investigation show that, despite the significant housing provision in recent decades – initially through COHAB-Bauru and more recently through the Minha Casa Minha Vida Program –, slum development persisted and increased in the 20th century. XXI, a finding that reveals the erratic nature of public urban planning policies focused on the production of new housing to the detriment of other forms of urban intervention.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Desenvolvimento urbano</kwd>
                <kwd>Favelas</kwd>
                <kwd>Política habitacional</kwd>
            </kwd-group>
             <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>Urban development</kwd>
                <kwd>Slums</kwd>
                <kwd>Housing policies</kwd>
            </kwd-group>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>A pluralidade fenomenológica das favelas é um dos aspectos mais relevantes na caracterização de seus atributos. O arranjo destes espaços no território impacta sua caracterização e, por isso, existem distinções importantes que devem ser feitas entre as realidades de países, estados e municípios, inclusive dentro do seu próprio território, ou seja, “[...] a diversidade dos processos de produção da moradia contribui, ao lado de outros fatores, para que se verifique uma diferenciação sócio-espacial interna nas favelas, [...] – expressas em formas, temporalidades e processos de estruturação espacial distintos” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Leitão, 2009</xref>, p. 45).</p>
            <p>Há, na literatura acadêmica, um questionamento ao uso da expressão “favela” para descrever um tipo específico de assentamento e de ordenação socioterritorial, e as generalizações são condenadas pelos estudiosos do tema. <xref ref-type="bibr" rid="B38">Valladares (2005)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B39">Zaluar e Alvito<bold><sup><xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref></sup></bold> (2006)</xref> apresentam dados importantes que visam a contestação de estereótipos sobre os espaços das favelas e da visão homogeneizadora desses assentamentos. Por essas razões, é importante revisitar os estereótipos das favelas de forma crítica, compreendendo suas origens, para posteriormente questionar sua aplicação. Em suma:</p>
            <p>
                <disp-quote>
                    <p>Estudar a favela é sobretudo combater certo senso comum que já possui longa história e um pensamento acadêmico que apenas reproduz parte das imagens, ideias e práticas correntes que lhe dizem respeito. É, até certo ponto, mapear as etapas de uma mitologia urbana. É também tentar mostrar, por exemplo, que a favela não é o mundo da desordem, e que a ideia de carência, de falta, é insuficiente para entendê-la (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Zaluar; Alvito, 2006</xref>, p. 25).</p>
                </disp-quote>
            </p>
            <p>Mesmo com a dificuldade de fazer grandes generalizações sobre a favela como objeto de estudo, é importante admitir que a favelização é um fenômeno sócio urbano que possui razões estruturais. A favelização é materialização de desigualdades históricas, tanto políticas, quanto socioeconômicas, que resultaram em formas de assentamentos humanos caracterizados pela obstrução de direitos e por dificuldades de acesso da população pobre à moradia e ao solo urbanizado (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Zaluar; Alvito, 2006</xref>). Na trajetória brasileira, a precariedade urbanística e habitacional foi agudizada em razão de uma configuração fundiária altamente concentrada, tensões raciais e sociais, e da pressão do mercado imobiliário sobre as políticas de planejamento urbano que induziram à segregação socioespacial (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Maricato, 2011</xref>).</p>
            <p>Organizações internacionais e grupos de pesquisa criam definições operacionais para identificar as variadas formas de manifestação da pobreza urbana e precariedade habitacional. São definições propositalmente abrangentes, que comportam múltiplas tipologias, significações e variáveis. A Organização das Nações Unidas (ONU) utiliza o termo <italic>slum</italic> como definição operacional, que “[...] combina, em graus diferentes, características físicas e legais, não levando em consideração dimensões sociais, escolha justificada por estes aspectos serem difíceis de mensurar” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Carvalho, 2017</xref>, p. 8). Entre os critérios adotados pela ONU, constam as possibilidades de a população residente estar em estado vulnerável ou de privação quanto ao acesso à água; acesso a saneamento; qualidade habitacional; superlotação, e segurança de posse (<xref ref-type="bibr" rid="B37">UN-HABITAT, 2003</xref>).</p>
            <p>A partir de 1991, para abranger o fenômeno das favelas e outras formas de ocupação informal, o IBGE passou a adotar a terminologia “aglomerado subnormal” (AGSN), posteriormente renomeada como “Favelas e Comunidades Urbanas” no último Censo de 2022. A metodologia classificatória definiu AGSN como:</p>
            <p>
                <disp-quote>
                    <p>“É um conjunto constituído por um mínimo de 51 domicílios, ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia – pública ou particular – dispostos, em geral, de forma desordenada e densa, e carentes, em sua maioria, de serviços públicos essenciais. (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2024</xref>, p. 31).</p>
                </disp-quote>
            </p>
            <p>A Política Nacional de Habitação (PNH) incorporou a expressão “assentamento precário”, que inclui as favelas em sua definição, mas também abrange cortiços, loteamentos irregulares e outras formas de “[...] assentamentos urbanos inadequados ocupados por moradores de baixa renda” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2010</xref>, p. 9). A metodologia busca identificar outras formas de moradia popular, muitas vezes “[...] ainda mais precárias que as favelas, cuja quantificação nacional ainda é inexistente, sendo conhecida apenas por meio de estudos localizados” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Cardoso, 2016</xref>, p. 30).</p>
            <p>Em 2017, com a promulgação da Lei Federal nº 13.465, foi introduzido o conceito de Núcleo Urbano Informal (NUI), que atualizou as definições e os procedimentos relacionados à regularização fundiária urbana (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Krause <italic>et al</italic>., 2022</xref>). Nesse contexto, uma pesquisa desenvolvida pelo IPEA em 2019 selecionou algumas capitais brasileiras e suas Regiões Geográficas Imediatas (RGI) para aplicação de uma metodologia que considera tanto as dimensões físico-sociais – relativas à situação econômica da população residente e à precariedade habitacional e urbana –, quanto às dimensões políticas e fundiárias, referentes à posse da terra.</p>
            <p>As definições operacionais, ainda que distintas em seus métodos, compartilham objetivos semelhantes no contexto da formulação e implantação de políticas públicas, a fim de orientar ações voltadas à produção habitacional, regularização fundiária e intervenções urbanísticas que fundamentam a alocação de recursos federais (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2010</xref>). Tais definições, contudo, não são estáticas, pois “[...] mudam no espaço e no tempo, assim como o modo como são percebidas, contadas, mapeadas e classificadas. Também se transformam as políticas públicas responsáveis por sua integração (ou segregação)” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Krause <italic>et al</italic>., 2022</xref>, p. 17).</p>
            <p>Sistematicamente, replicaram-se visões sobre essas organizações socioespaciais que resultaram em duas categorias de políticas públicas principais. A primeira foi desenvolvida sob a premissa de que as formas de moradia da população empobrecida apresentavam questões sanitárias, morais e urbanísticas irreconciliáveis com “padrões civilizados”, identificados com a “cidade formal”. Desse modo, a “solução” adotada pelo Estado foi a tentativa de erradicação, que visava a expulsão dos moradores e a destruição das moradias das favelas. Este padrão predominou nos fins do séc. XIX até meados do séc. XX, fortalecido pela orientação higienizadora das cidades.</p>
            <p>Derivada dessa convicção, surgiram princípios que relacionaram a existência de moradias insalubres nas favelas à deficiência quantitativa de habitação adequada. A valorização imobiliária especulativa tornou a construção e o aluguel de residências inacessíveis para grande parte da população urbana. A leitura da favelização como questão habitacional remeteu à necessidade de produção de Habitação de Interesse Social (HIS), demanda que, somada às políticas de crédito para a classe trabalhadora, tornaram-se as principais estratégias adotadas no combate à favelização. Este entendimento tem origem ainda no período populista (1930-1964) e se estendeu mesmo no regime autoritário (1964-1985).</p>
            <p>A partir da década de 1970, tem início o debate nos grandes centros de que a favela é parte indissociável do tecido urbano, tornando sua erradicação uma prática cada vez menos comum. Mesmo que este posicionamento não vise a eliminação direta das favelas e tampouco as naturaliza, pois reconhece as diferenças significativas desse território quando comparados ao restante da cidade, daí tem-se a necessidade da presença do Estado na diminuição das desigualdades que separam distintos ambientes urbanos. Sob essa ótica, as ações do Estado se restringem às práticas de urbanização e regularização fundiária. Sobre as razões dessa evolução diante do “problema das favelas”:</p>
            <p>
                <disp-quote>
                    <p>A perspectiva autoritária e unilateral que caracterizou as primeiras abordagens do ‘problema da favela’ abrandou-se, em parte devido à nova conjuntura, mas também porque a enorme aceleração do processo de favelização tornava cada vez mais evidente a inviabilidade de intervenções organizadas sob a égide de uma ‘solução’ definitiva (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Silva, 2002</xref>, p. 228).</p>
                </disp-quote>
            </p>
            <p>No campo das políticas públicas, é preciso destacar a importância das normas institucionais, responsáveis por mudanças substanciais nas formas através das quais o Estado intervém nas favelas, destacando-se, contemporaneamente, a Constituição de 1988 e os recentes aparatos regulatórios e políticas públicas criadas na sequência, como o Estatuto da Cidade (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Brasil, 2001</xref>), o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Brasil, 2005</xref>), o Programa de Aceleração do Crescimento (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Brasil, 2007</xref>) e o Programa Minha Casa Minha Vida (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Brasil, 2009</xref>).</p>
            <p>Entretanto, apesar do aparato institucional, o poder público investiu vultosos recursos em políticas públicas que privilegiaram a construção de moradias e a requalificação desses territórios, enquanto as propostas para a urbanização das favelas, embora existentes há décadas, tiveram investimentos muito inferiores. Estas ações não são necessariamente excludentes e, em muitas circunstâncias, foram executadas simultaneamente (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Bueno, 2000</xref>).</p>
            <p>Transpondo a caracterização para outras escalas urbanas que remetem ao estudo empírico, as configurações demográfica, socioeconômica e territorial de Bauru a colocam como um importante polo regional do interior paulista, de modo que as dinâmicas de expansão urbana combinam a especulação imobiliária e a formação de ocupações irregulares e de vazios urbanos.</p>
            <p>O presente artigo objetiva analisar características do fenômeno da favelização em Bauru (SP) e sua conexão com o desenvolvimento urbano e as ações e políticas urbanas do poder público municipal. Nesse sentido, as últimas décadas são particularmente relevantes: sob o impacto das diretrizes do Estatuto da Cidade (EC), o município instituiu o Plano Diretor Participativo (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Bauru, 2008</xref>) e formulou o Plano Local de Habitação de Interesse Social (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Bauru, 2011</xref>). Com a recente revisão do Plano Diretor – processo iniciado em 2019 e ainda inconcluso –, se faz necessário revisar as ações conduzidas até o momento, apresentando um levantamento panorâmico do que foi planejado e efetivamente executado.</p>
            <p>Embora o escopo da pesquisa privilegie o estudo das ações do poder público em nível local por meio das correspondentes políticas urbanas, trata-se de tema complexo que envolve diferentes níveis de governo<bold><sup><xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref></sup></bold> e seus respectivos instrumentos institucionais. Em razão do formato institucional de federação adotado no Brasil desde o advento da República, é indispensável incorporá-lo à análise, enquanto as normativas correspondentes e as relações de cooperação e concorrência entre os entes federativos condicionam as políticas públicas municipais. Como a literatura privilegia os estudos dos grandes centros metropolitanos, os resultados desta investigação pretendem alargar o campo analítico e empírico das pesquisas sobre as favelas, suas representações e as correspondentes políticas públicas a partir do estudo de caso de um município de porte médio do interior do estado de São Paulo.</p>
            <p>Além desta breve Introdução, o artigo está organizado nos seguintes termos: a seção seguinte resume os objetivos e procedimentos metodológicos da pesquisa; na sequência, faz-se uma caracterização do objeto de estudo e sua evolução urbana; a seção subsequente dedica-se à análise dos resultados mediante exame das políticas públicas incidentes sobre a favelização e, ao final, uma seção conclusiva com síntese dos principais achados da pesquisa que ressaltam as especificidades do caso bauruense.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>Procedimentos Metodológicos</title>
            <p>O trabalho adotou como objetivo principal a análise do fenômeno da favelização em Bauru (SP) e das correspondentes ações urbanísticas promovidas nas ocupações pelo poder público municipal. O surgimento da favelização no município remonta, pelo menos, à década de 1960, mas a presente análise confere destaque ao recorte cronológico mais recente, marcado por sua disseminação na década de 1980 e pela vigência de importantes marcos institucionais, a saber, da Constituição Federal de 1988, do Estatuto da Cidade (Lei Federal nº10.257/2001) e do Plano Diretor Participativo (Lei Municipal nº5.631/2008).</p>
            <p>As referências bibliográficas (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Bueno, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Leitão, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Silva, 2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">Zaluar; Alvito, 2006</xref>) foram fundamentais para a compreensão da favelização como fenômeno de causas estruturais e permitiram introduzir a trajetória das políticas habitacionais e urbanas desenvolvidas em nível federal e seu impacto nas ações desenvolvidas pela prefeitura municipal de Bauru.</p>
            <p>Duas ferramentas principais foram utilizadas como referência para assimilar as metas para cada uma das ocupações na cidade de Bauru: o Plano Diretor Participativo (Lei Municipal nº5.631/2008) e o Plano Local de Habitação de Interesse Social (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Bauru, 2011</xref>). Os estudos que levaram à criação das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e os levantamentos contidos no PLHIS revelam aspectos qualiquantitativos das ocupações (quantas ocupações existem; qual a sua localização, e qual o número de famílias residentes), bem como propiciaram a elaboração de medidas que envolvem múltiplas formas de intervenção, direcionando as ações conforme o tipo de ocupação, e apontando ainda prospectivamente as ações possíveis para os anos subsequentes. Para fundamentar a análise das políticas empreendidas pelo poder público nas favelas, foram levantados dados socioeconômicos recolhidos de fontes primárias e secundárias.</p>
            <p>A pesquisa qualifica as ações realizadas mediante a abordagem do poder público nos assentamentos. As ações da prefeitura local são categorizadas em (1) Erradicação, (2) Urbanização e (3) Regularização Fundiária. A categorização das intervenções é seguida paralelamente de um diagnóstico que aponta, de um lado, o que foi planejado em relação ao que estava descrito nos planos anteriormente citados e, de outro, o que foi executado até final do ano de 2022.</p>
            <p>Em resumo, a pesquisa objetivou analisar, conceitual, histórica e empiricamente, as favelas, examinando o processo de desenvolvimento urbano de Bauru em seus aspectos urbanísticos e socioeconômicos, e sua contribuição para a formação das favelas na cidade. Pretendeu-se retratar as ações — padrões, normas urbanísticas e políticas públicas —, adotadas na intervenção sobre as favelas.</p>
            <sec>
                <title>Bauru: dinâmicas no processo de urbanização e ações direcionadas às favelas</title>
                <p>Bauru está localizada na região central do estado de São Paulo e tem população estimada em 379.146 habitantes e extensão territorial de 667,68 km², com densidade demográfica de 549,4 hab./km² e elevado grau de urbanização de 98% (superior à média do estado, de 96,6%). O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é 0,801 (considerado alto) e ocupava, respectivamente, as 20ª e 37ª posições nos <italic>rankings</italic> estadual e nacional em 2010. Em 2019, assumiu, nessa ordem, os 22º e 69º lugares no tocante ao PIB nos <italic>rankings</italic> estadual e nacional, e seu PIB per capita equivalia a R$40.668,42.</p>
                <p>A despeito do IDH elevado, a cidade apresenta um quadro de expressivas desigualdades sociais. Conforme os dados de 2005 apresentados no Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS), “[...] um quinto da população mais pobre detinha 9% da renda, enquanto o quinto mais rico se apropria de 42%” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Bauru, 2008</xref>, p. 9). Esta desigualdade é evidenciada na distribuição espacial da população a partir dos indicadores de vulnerabilidade socioeconômica igualmente díspares.</p>
                <p>As políticas de interiorização do desenvolvimento e de desconcentração industrial da década de 1970 (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Cano, 1990</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">2011</xref>) alçaram as cidades médias a um novo patamar de protagonismo no desenvolvimento urbano. O interior de São Paulo, território de vanguarda na modernização econômica do país, se beneficiou de investimentos expressivos em logística e na difusão do parque industrial (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Negri, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">Tavares, 2015</xref>). Os efeitos desses processos foram diversificados e heterogêneos no estado, afetando as cidades de formas distintas, concentrando, especialmente, localidades próximas às regiões metropolitanas<bold><sup><xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref></sup></bold>. Entretanto, houve benefícios indiretos nas cidades que não possuíam um grande parque industrial e operando como “nós” do transporte rodoviário para escoamento da produção, fortalecendo economias concentradas no setor terciário.</p>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B01">Andrade e Lodder (1979)</xref> apontam que, durante a década de 1970, o setor de serviços teve um papel predominante na economia nas cidades médias brasileiras, representando cerca de 60% dos empregos. Os autores destacam que, devido ao desenvolvimento insuficiente de muitos polos industriais, houve uma desproporção entre a demanda gerada pela migração do campo para as cidades e a oferta real de empregos no setor secundário. Muitos dos migrantes, com baixa escolaridade e pouca qualificação, acabaram inseridos em um mercado de trabalho marginal, caracterizado por remuneração baixa, condições precárias, ausência de vínculo formal e atividades autônomas.</p>
                <p>A modernização de Bauru acompanhou o <italic>ethos</italic> desenvolvimentista do país e, para adequar-se aos padrões desejados, “[...] o poder público local deveria impor transformações que fizessem da cidade de Bauru um ‘canteiro de obras’” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Catelan, 2008</xref>, p. 62), concepção amplamente disseminada pelas elites, gestores públicos e imprensa locais (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Losnak, 2004</xref>). Não obstante, Bauru distinguiu-se como uma das cidades que, apesar das tentativas de implantação de políticas de atração de investimentos industriais, em especial através da instalação de Distritos industriais, não puderam atrair grande quantidade de novas indústrias (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Negri, 1996</xref>). Além de a economia local se conservar predominantemente baseada no setor terciário, a aprovação de lotes e parques industriais provocou mudanças significativas no tecido urbano (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Goulart; Terci; Otero, 2016</xref>), possuindo até o período recente baixa ocupação (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Ghirardello, 2020</xref>).</p>
                <p>As problemáticas urbanas que antes se restringiam às metrópoles (obstrução do acesso à terra urbanizada, segregação socioespacial, oferta precária de infraestrutura e de bens e serviços públicos), passaram a incidir em cidades médias como Bauru, em razão das mudanças espaciais da economia e dos padrões de urbanização. As políticas atrativas adotadas pelo governo local foram acompanhadas de ônus, pois a consequência foi o surgimento de problemas similares às grandes concentrações metropolitanas em termos de habitação, mobilidade, saneamento, planejamento urbano e limitações orçamentárias (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Negri, 1996</xref>).</p>
                <p>O surgimento dos primeiros núcleos de favela no município remonta ao período de “inchaço” da população urbana, com os primeiros relatos de ocupações irregulares noticiados por veículos de imprensa da década de 1960, em casos de remoção dos núcleos de favelas nessas áreas no final. Há registro da remoção do que seria “a raiz de uma favela” na baixada do Córrego das Flores, local de construção de um trecho da Avenida Nações Unidas (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Ghirardello, 2020</xref>). Outro caso emblemático de remoção foi o da “Maloca do Pelota” em 1969, conjunto de barracos em um trecho ainda pouco povoado próximo à região central (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Losnak, 2004</xref>). Em ambas as situações, as remoções foram interpretadas como ações necessárias, pois a manifestação da pobreza urbana visível nas áreas nobres configurava “[...] uma anomalia que precisa ser extirpada para garantir a ordem social e urbana, buscando manter uma cidade homogênea, saudável, e moralizada, camuflando, portanto, as suas contradições sociais” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Losnak, 2004</xref>, p. 233).</p>
                <p>As ações para eliminar as moradias precárias não se estenderam às demais ocupações irregulares isoladas. Um exemplo representativo a esse respeito é o da favela do Jardim Niceia – datada do início da década de 1960 como uma das ocupações mais antigas de que se tem registro na cidade –, que, apesar de seu longo período de existência, permaneceu sem qualquer intervenção pública até os anos de 1990, quando as áreas do entorno passaram a ser cobiçadas pelo mercado imobiliário (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Corghi, 2008</xref>).</p>
                <p>Até meados da década de 1980, o crescimento urbano de Bauru esteve associado à implantação e expansão do sistema viário e às tentativas (frustradas) de conferir uma dinâmica predominantemente industrial à cidade e à produção habitacional da COHAB-Bauru (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Santos, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Otero, 2016</xref>).</p>
                <p>São raros e esparsos os registros contabilizando o número de favelas, população e localização desses assentamentos. Não há levantamento sistemático que permita análises de séries históricas, e os dados disponíveis apresentam grandes saltos temporais, ausência de estudos comparativos e de mensuração quantitativa, tornando impreciso o dimensionamento quantitativo da formação e consolidação das favelas.</p>
                <p>Mesmo sem um registro histórico que aponte com objetividade a quantidade desses núcleos e disponibilize dados socioeconômicos e demográficos dos residentes, em 1981, foi implantado o primeiro conjunto habitacional da COHAB-Bauru em regime de mutirão<bold><sup><xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref></sup></bold>, destinado, majoritariamente, à realocação de famílias em situação de extrema vulnerabilidade social (<xref ref-type="table" rid="t01">Tabela 1</xref>).</p>
                <p>
                    <table-wrap id="t01">
                        <label>Tabela 1</label>
                        <caption>
                            <title>Produção em regime de Mutirão da cidade de Bauru.</title>
                        </caption>
                        <table cellpadding="6" frame="hsides" rules="rows">
                            <colgroup>
                                <col width="8%" />
                                <col width="45%" />
                                <col width="23%" />
                            </colgroup>
                            <tbody>
                                <tr>
                                    <td align="left">Ano</td>
                                    <td align="center">Nome do Conjunto</td>
                                    <td align="center">Unidades Habitacionais</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>1981</td>
                                    <td align="center">Mutirão Carmen Carijó Coube</td>
                                    <td align="center">46</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>1982</td>
                                    <td align="center">Mutirão Severina Sbeghen</td>
                                    <td align="center">104</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>1982</td>
                                    <td align="center">Mutirão Ouro Verde</td>
                                    <td align="center">120</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>1982</td>
                                    <td align="center">Mutirão Nove de Julho</td>
                                    <td align="center">171</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>1983</td>
                                    <td align="center">Mutirão Luiz Edmundo Coube</td>
                                    <td align="center">88</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>1989</td>
                                    <td align="center">Mutirão Darcy C. Improta</td>
                                    <td align="center">137</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>1988</td>
                                    <td align="center">Mutirão Primavera</td>
                                    <td align="center">100</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>1993</td>
                                    <td align="center">Mutirão Leão XVIII</td>
                                    <td align="center">299</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>1996</td>
                                    <td align="center">Mutirão Fortunato Rocha Lima</td>
                                    <td align="center">536</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td align="left">Total</td>
                                    <td></td>
                                    <td align="center">1621</td>
                                </tr>
                            </tbody>
                        </table>
                        <table-wrap-foot>
                            <attrib>Fonte: Elaborada pelos autores, adaptada de <xref ref-type="bibr" rid="B05">Bauru (2020)</xref>.</attrib>
                        </table-wrap-foot>
                    </table-wrap>
                </p>
                <p>Sobre a provisão de moradias e sua relação com as favelas – a despeito do aquecimento da produção imobiliária que registrou um superávit em relação ao <italic>déficit</italic> quantitativo até o final da década de 1980, principalmente por meio dos programas habitacionais da COHAB-Bauru –, ocorreu um aumento expressivo da favelização a partir da década de 1990. Paradoxalmente, esse período sucede à fase de maior produção da COHAB-Bauru, cujas atividades estenderam-se até 1996 (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Corghi, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Damasceno, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">Santos, 2023</xref>). Dessa forma, nos anos subsequentes, e particularmente na última década do séc. XX, o número de favelas explodiu e quase quadruplicou, passando de 467, em 1989, para 1.845 habitações precárias, em 2004 (<xref ref-type="table" rid="t02">Tabela 2</xref>).</p>
                <p>
                    <table-wrap id="t02">
                        <label>Tabela 2</label>
                        <caption>
                           <title>Número de Moradias em favelas entre 1991 e 2004.</title>
                        </caption>
                        <table cellpadding="6" frame="hsides" rules="rows">
                            <colgroup>
                                <col width="16%" />
                                <col width="9%" />
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                                <col width="9%" />
                                <col width="9%" />
                                <col width="9%" />
                                <col width="9%" />
                            </colgroup>
                            <tbody>
                                <tr>
                                    <td>Favelas</td>
                                    <td align="center">1991</td>
                                    <td align="center">1992</td>
                                    <td align="center">1993</td>
                                    <td align="center">1995</td>
                                    <td align="center">1997</td>
                                    <td align="center">1998</td>
                                    <td align="center">2004</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Flórida / Barreirinho</td>
                                    <td align="center">61</td>
                                    <td align="center">101</td>
                                    <td align="center">93</td>
                                    <td align="center">111</td>
                                    <td align="center">0</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Vila São Manuel</td>
                                    <td align="center">103</td>
                                    <td align="center">151</td>
                                    <td align="center">146</td>
                                    <td align="center">194</td>
                                    <td align="center">36</td>
                                    <td align="center">12</td>
                                    <td align="center">26</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Gerson França</td>
                                    <td align="center">21</td>
                                    <td align="center">45</td>
                                    <td align="center">52</td>
                                    <td align="center">55</td>
                                    <td align="center">0</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Parque Jaraguá</td>
                                    <td align="center">152</td>
                                    <td align="center">209</td>
                                    <td align="center">225</td>
                                    <td align="center">250</td>
                                    <td align="center">297</td>
                                    <td align="center">345</td>
                                    <td align="center">292</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Vila Garcia</td>
                                    <td align="center">79</td>
                                    <td align="center">156</td>
                                    <td align="center">150</td>
                                    <td align="center">107</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Jardim Ivone</td>
                                    <td align="center">26</td>
                                    <td align="center">50</td>
                                    <td align="center">56</td>
                                    <td align="center">66</td>
                                    <td align="center">0</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Samburá</td>
                                    <td align="center">25</td>
                                    <td align="center">38</td>
                                    <td align="center">27</td>
                                    <td align="center">31</td>
                                    <td align="center">*</td>
                                    <td align="center">*</td>
                                    <td align="center">*</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>S. Filomena</td>
                                    <td align="center">25</td>
                                    <td align="center">31</td>
                                    <td align="center">34</td>
                                    <td align="center">34</td>
                                    <td align="center">57</td>
                                    <td align="center">44</td>
                                    <td align="center">44</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Parque Real</td>
                                    <td align="center">3</td>
                                    <td align="center">6</td>
                                    <td align="center">7</td>
                                    <td align="center">15</td>
                                    <td align="center">13</td>
                                    <td align="center">24</td>
                                    <td align="center">34</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Jardim Maria Célia</td>
                                    <td align="center">12</td>
                                    <td align="center">88</td>
                                    <td align="center">76</td>
                                    <td align="center">70</td>
                                    <td align="center">3</td>
                                    <td align="center">16</td>
                                    <td align="center">34</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Jardim Niceia</td>
                                    <td align="center">18</td>
                                    <td align="center">51</td>
                                    <td align="center">80</td>
                                    <td align="center">80</td>
                                    <td align="center">148</td>
                                    <td align="center">196</td>
                                    <td align="center">165</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Jardim Vitória</td>
                                    <td align="center">9</td>
                                    <td align="center">50</td>
                                    <td align="center">45</td>
                                    <td align="center">45</td>
                                    <td align="center">62</td>
                                    <td align="center">84</td>
                                    <td align="center">84</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Andorfato / Cutuba</td>
                                    <td align="center">14</td>
                                    <td align="center">34</td>
                                    <td align="center">35</td>
                                    <td align="center">45</td>
                                    <td align="center">28</td>
                                    <td align="center">51</td>
                                    <td align="center">31</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>P. São João</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">21</td>
                                    <td align="center">20</td>
                                    <td align="center">18</td>
                                    <td align="center">*</td>
                                    <td align="center">*</td>
                                    <td align="center">*</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Vila Zilio</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">37</td>
                                    <td align="center">25</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Ferradura Mirim</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">27</td>
                                    <td align="center">100</td>
                                    <td align="center">647</td>
                                    <td align="center">707</td>
                                    <td align="center">962</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Jardim Yolanda</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">68</td>
                                    <td align="center">103</td>
                                    <td align="center">91</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Parque das Nações</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">43</td>
                                    <td align="center">56</td>
                                    <td align="center">82</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Geisel / Jardim Olímpico</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">38</td>
                                    <td align="center">32</td>
                                    <td align="center">0</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Jardim Marise</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">N/D</td>
                                    <td align="center">32</td>
                                    <td align="center">78</td>
                                    <td align="center">0</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td>Total</td>
                                    <td align="center">548</td>
                                    <td align="center">1.031</td>
                                    <td align="center">1.100</td>
                                    <td align="center">1.246</td>
                                    <td align="center">1.472</td>
                                    <td align="center">1.748</td>
                                    <td align="center">1.845</td>
                                </tr>
                            </tbody>
                        </table>
                        <table-wrap-foot>
                            <fn id="TFN1">
                                <p>Nota: (N/D) Dados não disponíveis não significam ausência de moradias, apenas revelam a falta de informações atualizadas. * Favelas erradicadas em 1966 e que não reaparecem nas estatísticas.</p>
                            </fn>
                            <attrib>Fonte: Elaborada pelos autores com adaptação de <xref ref-type="bibr" rid="B32">Pinheiro (2012)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B02">Bauru (1995)</xref>.</attrib>
                        </table-wrap-foot>
                    </table-wrap>
                </p>
                <p>A virada do milênio foi marcada pela conformação de um tecido urbano caracterizado por grandes vazios, quando entrou em voga um novo padrão de segregação espacial representado pelos loteamentos fechados, os quais também começaram a ocupar as franjas da cidade. Este fenômeno revela uma reversão na simplificação da lógica de organização social do espaço urbano que até então era definida pela clivagem centro-periferia. E tais empreendimentos ganharam vulto, diminuindo-se a distância física entre os assentamentos das classes ao mesmo tempo, em que inovaram os mecanismos de separação por muros e a fragmentação socioespacial<bold><sup><xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref></sup></bold>. Assim:</p>
                <p>
                    <disp-quote>
                        <p>O processo de ocupação do território, no final do século XX, se acelera a partir da perda da vitalidade do centro urbano e de seu abandono como área para moradia. Novas ramificações da cidade são estendidas para as classes altas, através dos condomínios de prédios e residenciais fechados, ao sul. Para os mais pobres, o processo se dá através dos parcelamentos privados muito distantes, via conjuntos habitacionais e, atualmente, através de grupos de prédios em condomínio, em todos os demais quadrantes urbanos. O que iguala as situações é o fato de estarem sempre nas franjas da cidade, entre vazios urbanos (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Ghirardello, 2020</xref>, p. 310).</p>
                    </disp-quote>
                </p>
                <p>Influenciada pelas representações de grandiosidade e progresso e sob o impulso desenvolvimentista, a “Cidade Sem Limites” reproduziu o padrão de estratificação socioespacial dominante na urbanização brasileira, prevalecendo uma expansão desordenada caracterizada por um território fragmentado interposto por vazios urbanos objeto de especulação imobiliária e, nesse sentido, a provisão de moradias populares – inicialmente através da COHAB-Bauru e posteriormente pelos parcelamentos privados – materializou o acesso desigual e seletivo à terra urbanizada.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec>
            <title>As políticas públicas de enfrentamento da favelização após 2008</title>
            <p>Após um largo hiato de políticas federais com a extinção do BNH (1986) e da interrupção da produção habitacional da COHAB-Bauru (1996), a retomada da provisão de Habitação de Interesse Social (HIS) em larga escala só ocorreu a partir de 2009, com a regulamentação das ZEIS (<xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref>), pelo Plano Diretor Participativo e, sobretudo, com a implantação do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV).</p>
            <p>
                <fig id="f01">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>Mapa das ZEIS e identificação das favelas em 2008.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2514888-gf01.jpg"/>
                    <attrib>Fonte: Modificado pelos autores com base em <xref ref-type="bibr" rid="B03">Bauru (2008)</xref>.</attrib>
                </fig>
            </p>
            <p>Em termos institucionais, o Plano Diretor Participativo (Lei Municipal nº 5.631/2008) representou uma notável inovação ao apontar possibilidades de novos caminhos nas ações do poder público quanto às políticas de habitação social e ao enfrentamento da favelização. Nessa versão, foram incorporados à normativa urbanística local praticamente todos os instrumentos urbanísticos e jurídicos previstos no Estatuto da Cidade (Outorga Onerosa do Direito de Construir; Imposto Predial e Territorial Urbano progressivo no tempo; Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsória; Transferência do Direito de Construir; Direito de Preempção, dentre outros), e criação das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS).</p>
            <p>Em que pese o caráter inovador desses e outros instrumentos, nem todos são autoaplicáveis e demandam regulamentação própria para serem implantados, o que exige detalhamento técnico da norma urbanística e, especialmente, determinação política e negociação para suportar os correspondentes custos políticos. A esse propósito, basta citar as objeções e o desgaste em relação a ferramentas, como a Outorga Onerosa do Direito de Construir e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) progressivo. De todo modo, é sintomático que o município tenha se apressado para regulamentar as ZEIS em razão da disponibilidade de recursos federais para financiamento do PMCMV.</p>
            <p>Este instrumental e os levantamentos sobre o <italic>déficit</italic> habitacional propiciaram a elaboração de medidas supostamente mais eficazes para lidar com a favelização, com a formulação do Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS), que contabilizou 2.435 famílias residentes nas 21 favelas documentadas entre 2010-2011 (<xref ref-type="table" rid="t03">Tabela 3</xref>).</p>
            <p>
                <table-wrap id="t03">
                    <label>Tabela 3</label>
                    <caption>
                       <title>Favelas e famílias residentes contabilizadas no PLHIS-Bauru (2011).</title>
                    </caption>
                    <table cellpadding="6" frame="hsides" rules="rows">
                        <colgroup>
                            <col width="21%" />
                            <col width="28%" />
                            <col width="28%" />
                        </colgroup>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td>Nome do Assentamento</td>
                                <td align="center">Famílias</td>
                                <td align="center">Projeção de residentes**</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Favela Ferradura</td>
                                <td align="center">1200</td>
                                <td align="center">3600</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Iolanda</td>
                                <td align="center">10</td>
                                <td align="center">30</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Ivone</td>
                                <td align="center">116</td>
                                <td align="center">348</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Parque Jaraguá</td>
                                <td align="center">213</td>
                                <td align="center">639</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Vitória</td>
                                <td align="center">86</td>
                                <td align="center">258</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Parque das Nações</td>
                                <td align="center">120</td>
                                <td align="center">360</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>São Manuel</td>
                                <td align="center">21</td>
                                <td align="center">63</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Nicéia</td>
                                <td align="center">240</td>
                                <td align="center">720</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Vila Santa Filomena</td>
                                <td align="center">39</td>
                                <td align="center">117</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Vila Zillo</td>
                                <td align="center">10</td>
                                <td align="center">30</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Ocupação Ilha de Capri</td>
                                <td align="center">30</td>
                                <td align="center">90</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Vila Santista*</td>
                                <td align="center">10</td>
                                <td align="center">30</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Tibiriçá</td>
                                <td align="center">20</td>
                                <td align="center">60</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Patrimônio Rio Verde</td>
                                <td align="center">50</td>
                                <td align="center">150</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Pousada da Esperança</td>
                                <td align="center">26</td>
                                <td align="center">78</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Vila São João do Ipiranga*</td>
                                <td align="center">22</td>
                                <td align="center">66</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Parque Santa Terezinha*</td>
                                <td align="center">45</td>
                                <td align="center">135</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Vila Aimorés</td>
                                <td align="center">10</td>
                                <td align="center">30</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Geisel / Jardim Olímpico</td>
                                <td align="center">33</td>
                                <td align="center">99</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Gleba Jardim Europa*</td>
                                <td align="center">80</td>
                                <td align="center">240</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Marise</td>
                                <td align="center">65</td>
                                <td align="center">195</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Fortunato Rocha Lima*</td>
                                <td align="center">536</td>
                                <td align="center">1608</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Central*</td>
                                <td align="center">100</td>
                                <td align="center">300</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Gerson França</td>
                                <td align="center">25</td>
                                <td align="center">75</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Flórida (Barreirinho)</td>
                                <td align="center">6</td>
                                <td align="center">18</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Parque Real</td>
                                <td align="center">34</td>
                                <td align="center">102</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Andorfato</td>
                                <td align="center">15</td>
                                <td align="center">45</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Total</td>
                                <td align="center">3.183</td>
                                <td align="center">9.549</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN2">
                            <p>Nota: * Parcelamentos irregulares que não configuram situação de precariedade ou subnormalidade. ** Projeção de 3 pessoas por UH.</p>
                        </fn>
                        <attrib>Fonte: Elaboração própria, com base em <xref ref-type="bibr" rid="B04">Bauru (2011)</xref>.</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
            </p>
            <p>Para além de representar uma “ferramenta-diagnóstico” com caráter operacional para a mensuração do <italic>déficit</italic>, o PLHIS estabeleceu diretrizes gerais que deveriam ser seguidas pelo município entre os anos de 2012 e 2025 (período dividido em quatro ciclos, de acordo com as mudanças de mandato para as eleições federais-estaduais) para “[...] promover a amortização do <italic>déficit</italic> habitacional e o saneamento de problemas relacionados à condição da moradia que foram identificados” (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Bauru, 2011</xref>, p. 9).</p>
            <p>O PLHIS apontou ainda as possíveis fontes para captação de recursos e estabeleceu orientações para as necessárias mudanças institucionais e legislativas na esfera municipal relativas ao cumprimento dos objetivos estabelecidos no referido cronograma.</p>
            <p>O PLHIS indicou formas de captação de recursos para atender à demanda por habitação e previu ações de regularização fundiária em parte das ocupações, restando 623 famílias a serem encaminhadas para programas de reassentamento habitacional (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Bauru, 2011</xref>), afora intervenções urbanas que melhorassem o grau de habitabilidade em bairros periféricos que não possuíam cobertura completa de infraestrutura (<xref ref-type="table" rid="t04">Tabela 4</xref>).</p>
            <p>
                <table-wrap id="t04">
                    <label>Tabela 4</label>
                    <caption>
                       <title>Metas para as favelas documentadas no PLHIS.</title>
                    </caption>
                    <table cellpadding="6" frame="hsides" rules="rows">
                        <colgroup>
                            <col width="21%" />
                            <col width="28%" />
                            <col width="28%" />
                        </colgroup>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td>Remoção Total</td>
                                <td align="center">Urbanização e Regularização Fundiária</td>
                                <td align="center">Múltiplas Intervenções*</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><p>Jardim Gerson França; Barreirinho / Jardim Flórida;
                                Jardim Ivone; Parque Real;</p>
                                <p>Vila São Manuel; Jardim Andorfato; Parque das Nações; Jardim Yolanda; Vila Santa Filomena.</p></td>
                                <td align="center"><p>Jardim Nicéia; Vila Zillo;</p>
                                <p>Vila Aimorés; Pousada da Esperança.</p></td>
                                <td align="center"><p>Favela Ferradura;</p>
                                <p>Ilha de Capri; Parque Jaraguá;</p>
                                <p>Jardim Europa; Vila Santista;</p>
                                <p>Jardim Vitória; Cutuba.</p></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN3">
                            <p>Nota: * A mesma favela poderia exigir, em localidades distintas, múltiplas demandas, incluindo simultaneamente remoção, urbanização e regularização fundiária.</p>
                        </fn>
                        <attrib>Fonte: Elaboração própria, com base em <xref ref-type="bibr" rid="B04">Bauru (2011)</xref>.</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
            </p>
            <p>Mas é preciso destacar que as diferenças metodológicas das fontes incorporadas à formulação do PLHIS (IBGE, Fundação João Pinheiro e levantamentos próprios) resultaram em diagnósticos, dados estatísticos e prescrições diferentes, comprometendo a própria eficácia das ações orientadas para enfrentar o gargalo da Habitação de Interesse Social. Dessa forma, mesmo considerando um avanço os esforços na formulação do PHLIS, ainda persistem imprecisão metodológica para mensuração quantitativa do <italic>déficit</italic> e indefinição conceitual no planejamento local.</p>
            <p>Nas duas primeiras décadas do séc. XX, a produção habitacional em Bauru alcançou a marca de 39 empreendimentos e totalizou 7.666 unidades habitacionais, beneficiando estimativamente 23.688 pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Damasceno, 2021</xref>). Desse total, o PMCMV respondeu por 6.342 UH, ou seja, 82% de toda a produção (pública e privada). Nesse sentido, em termos meramente quantitativos, o PMCMV teria suprido a lacuna deixada pela produção insuficiente da COHAB-Bauru em termos de provisão e enfrentamento do <italic>déficit</italic> habitacional, chamando a atenção o fato de que rigorosamente todos os empreendimentos do período 2011-2020 tenham sido viabilizados unicamente pelo PMCMV. No entanto, apenas cinco dos 39 empreendimentos foram destinados aos setores de alta vulnerabilidade social localizados nas regiões oeste e norte. Mais ainda: no período 2000-2020, a produção habitacional voltada para a população com renda igual ou inferior a 3 S.M. representou apenas 21,67% do total de UH.</p>
            <p>Em termos de ordenação territorial – no período recente que coincide com a implantação dos empreendimentos do PMCMV –, “[...] optou-se pelo congelamento da expansão do perímetro como forma de combater a especulação fundiária, pressionando-se pela ocupação dos vazios urbanos” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Goulart; Terci; Otero, 2016</xref>, p. 564). Entretanto, a produção em loteamentos preexistentes, como apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B26">Lamônica (2013)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B20">Damasceno (2021)</xref>, não garante o acesso a serviços públicos para a população mais pobre, perpetuando as dinâmicas já presentes de segregação socioespacial nas franjas da cidade.</p>
            <p>Considerando apenas os dados de produção na primeira fase do PMCMV, entre 2010 e 2013, foram produzidas 5.544 unidades habitacionais, das quais 1.816 UH foram destinadas à Faixa 1 (renda de 0-3 S.M.), distribuídas em sete conjuntos. Dessa parcela, 80% das unidades foram entregues através de sorteios, enquanto outros 20% foram distribuídos por meio da “demanda dirigida”, para as famílias em situação de alta vulnerabilidade. Desse volume, apenas 200 UH foram direcionadas para a população residente em favelas ou em áreas de irregularidade fundiária, o que fez com que o programa, na primeira fase, “[...] não tenha tido suas unidades destinadas para o pior do <italic>déficit</italic> habitacional no município” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Lamonica, 2013</xref>, p. 107).</p>
            <p>Em 2013, foram contratadas novas unidades habitacionais para a Faixa 1, retornando apenas a partir de 2016 para a faixa 1,5, criada para o PMCMV 2, mudança que já não incluía a produção pública de habitação voltada para os moradores de favelas através de demanda dirigida. Os empreendimentos que ainda receberam moradores transferidos após 2013 registraram atraso nas obras e foram entregues durante a fase 2 do PMCMV (<xref ref-type="table" rid="t05">Tabela 5</xref>).</p>
            <p>
                <table-wrap id="t05">
                    <label>Tabela 5</label>
                    <caption>
                       <title>Transferência de moradores de favela para cada uma das unidades do PMCMV entre 2011-2021.</title>
                    </caption>
                    <table cellpadding="6" frame="hsides" rules="rows">
                        <colgroup>
                            <col width="9%" />
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                            <col width="23%" />
                        </colgroup>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td>Ano</td>
                                <td align="center">Nome do Empreendimento</td>
                                <td align="center">Famílias transferidas de favelas</td>
                                <td align="center">% sobre o total de UH</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>2011</td>
                                <td align="center">Conj. São João do Ipiranga</td>
                                <td align="center">38</td>
                                <td align="center">100,0</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>2012</td>
                                <td align="center">Conj. Hab. Jd. Ivone</td>
                                <td align="center">132</td>
                                <td align="center">100,0</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>2012</td>
                                <td align="center">Conj. Moradas dos Buriti</td>
                                <td align="center">30</td>
                                <td align="center">11,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>2014</td>
                                <td align="center">Res. Três Américas II</td>
                                <td align="center">18</td>
                                <td align="center">4,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>2016</td>
                                <td align="center">Cond. Res. San Sebastian</td>
                                <td align="center">41</td>
                                <td align="center">25,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>2017</td>
                                <td align="center">Res. Chácara das Flores</td>
                                <td align="center">79</td>
                                <td align="center">44,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>2017</td>
                                <td align="center">Res. Chácara das Flores II</td>
                                <td align="center">71</td>
                                <td align="center">40,4</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>2021</td>
                                <td align="center">Res. Manacás</td>
                                <td align="center">144</td>
                                <td align="center">50,0</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td></td>
                                <td align="center">Total</td>
                                <td align="center">553</td>
                                <td align="center"></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN4">
                            <p>Nota: não receberam moradores de favelas o Res. dos Eucaliptos; Res. Mirante da Colina; Res. Arvoredo; Res. Água da Grama; Res. Jd. TV; Res. Três Américas II; Res. Monte Verde I e II.</p>
                        </fn>
                        <attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B20">Damasceno (2021)</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B05">Bauru (2020)</xref>.</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
            </p>
            <p>Algumas favelas sofreram intervenções urbanas no período recente, como as favelas, Ferradura; Parque Jaraguá; Jardim Vitória, e Jardim Niceia. A qualidade das obras é contestável em razão de sua incompletude e por não garantirem acesso pleno aos serviços públicos a todos os moradores das comunidades. Entretanto, representam uma mudança de postura no sentido de considerar as comunidades como consolidadas e, de certo modo, incorporadas ao tecido urbano.</p>
            <p>Uma nova revisão do Plano Diretor foi iniciada em 2019, cujo diagnóstico identificou novas favelas em Bauru (<xref ref-type="fig" rid="f02">Figura 2</xref>). Em 2016, ano que coincide com a paralisação da produção de HIS da Faixa 1 do PMCMV, foram registradas “16 novas áreas, com uma população estimada em mais de 3 mil famílias”, totalizando 32 áreas em situação de inadequação fundiária urbana (<xref ref-type="bibr" rid="B05">Bauru, 2020</xref>, p. 72). Ou seja, o caráter errático da política habitacional, o aquecimento do mercado imobiliário e a diminuição da oferta de moradia para os estratos de mais baixa renda produziram um quadro de profunda distorção em que, concomitantemente à expressiva produção quantitativa do PMCMV, aumentaram os indicadores de favelização da cidade.</p>
            <p>
                <fig id="f02">
                    <label>Figura 2</label>
                    <caption>
                        <title>Localização dos assentamentos irregulares no município de Bauru em 2019.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2514888-gf02.jpg"/>
                    <attrib>Fonte: Modificado pelos autores com dados de <xref ref-type="bibr" rid="B05">Bauru (2020)</xref>.</attrib>
                </fig>
            </p>
            <p>Algumas das favelas contempladas no PLHIS que não foram completamente erradicadas, ou que ainda não haviam sido objeto de processos de regularização fundiária, são identificáveis nesse mapa, dentre as quais vale mencionar: Barreirinho (previamente erradicado com a mudança das famílias para o Jardim Ivone); Favela do Ferradura; Ilha de Capri; Jardim Europa; Jardim Marise; Gerson França; Parque das Nações; Parque Jaraguá; Vila Aimorés; Vila Santista e Jardim Central; e Pousada da Esperança.</p>
            <p>Na segunda década do séc. XXI – mais precisamente no interregno entre a elaboração do PLHIS (2011), a desaceleração do PMCMV e o início do processo de revisão do Plano Diretor Participativo (2019) –, surgiram novas favelas no município, tais como: Assentamentos Piquete I e II; Bispado; Primavera; Cristal; Jardim Helena; Córrego Vargem Limpa; Morada Nova; Assentamento UNIP; Virgínia Rainha; Terra Prometida, e Chácara Bequeli.</p>
            <p>Uma consideração pertinente a respeito dessas ocupações é que uma parcela considerável desses assentamentos está localizada próxima a outras favelas consolidadas, evidenciando que os núcleos mais antigos exerceram um papel de “ímã” para atrair e estimular novas ocupações, movimento que obviamente guarda relação com a precarização das condições sociais e econômicas da cidade e do país (<xref ref-type="table" rid="t06">Tabela 6</xref>).</p>
            <p>
                <table-wrap id="t06">
                    <label>Tabela 6</label>
                    <caption>
                       <title>Ações da prefeitura municipal de Bauru nas favelas registradas no PLHIS (2011-2024).</title>
                    </caption>
                    <table cellpadding="6" frame="hsides" rules="rows">
                        <colgroup>
                            <col width="15%" />
                            <col width="12%" />
                            <col width="12%" />
                            <col width="12%" />
                            <col width="26%" />
                        </colgroup>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td>Favelas</td>
                                <td align="center">Remoção</td>
                                <td align="center">Regularização</td>
                                <td align="center">Urbanização</td>
                                <td align="center"><italic>Status</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Favela Ferradura</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Completa</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Regularizada, faltando obras de pavimentação e calçamento</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Parque Jaraguá</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Completa</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Regularizada, faltando obras de pavimentação, drenagem e calçamento</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Vitória</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Completa</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Regularizada, faltando em algumas ruas obras de infraestrutura (85% concluído)</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Parque Real</td>
                                <td align="center">Total</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">Erradicada (2012)</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Ivone</td>
                                <td align="center">Total</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">Erradicada (2012)</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Barreirinho</td>
                                <td align="center">Total</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">Voltou a ser ocupada após a remoção completa em 2012</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Vila Santa Filomena</td>
                                <td align="center">Total</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">Erradicada (2016)</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>São Manuel</td>
                                <td align="center">Total</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">Erradicada (2017)</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Vila Santista</td>
                                <td align="center">Total</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">Erradicada (2021)</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Andorfato</td>
                                <td align="center">Total</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">Erradicada (2021)</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Cutuba</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Completa</td>
                                <td align="center">–</td>
                                <td align="center">Regularizada (2018)</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Parque das Nações</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Não Realizada</td>
                                <td align="center">Não Realizada</td>
                                <td align="center">A área permanece ocupada e só foram retiradas famílias em situação de maior vulnerabilidade</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Yolanda</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Não Realizada</td>
                                <td align="center">Não Realizada</td>
                                <td align="center">A área permanece ocupada e só foram retiradas famílias em situação de maior vulnerabilidade</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Niceia</td>
                                <td align="center">Não Realizada</td>
                                <td align="center">Não Realizada</td>
                                <td align="center">Total</td>
                                <td align="center">Urbanizada (2024). Falta regularização.</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Marise</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Não Realizada</td>
                                <td align="center">Não realizada</td>
                                <td align="center">Falta regularização e urbanização completa</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Jardim Gerson França</td>
                                <td align="center">Parcial</td>
                                <td align="center">Não Realizada</td>
                                <td align="center">Não realizada</td>
                                <td align="center">Falta regularização e urbanização completa</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN5">
                            <p>Nota: as Favelas Vila Aimorés, Pousada da Esperança, Jardim Europa, Vila Zillo; Ilha de Capri e Parque Santa Terezinha não sofreram intervenção.</p>
                        </fn>
                        <attrib>Fonte: Elaborada pelos autores, 2023.</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
            </p>
            <p>Em termos territoriais, a ocupação da área do Bispado encontra-se nas mediações da Favela Ferradura; a Chácara Bequeli fica ao lado das favelas Gerson França e Marise; o Jardim Helena faz divisa com a Pousada de Esperança, e as ocupações Piquete I e II estão próximas ao Parque das Nações. Ademais, destaca-se o aglomerado de ocupações recentes na zona leste da cidade, que reúne os Assentamentos Cristal, Morada Nova, Terra Prometida e Vila Operária, próximos à Vila Aimorés. Com a paralisação da produção habitacional financiada pelo governo federal e a crise do PMCMV que chegou ao ápice no período do mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022), foram registradas novas iniciativas de regularização fundiária das favelas patrocinadas pela prefeitura municipal de Bauru (<xref ref-type="fig" rid="f03">Figuras 3</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f04">4</xref>).</p>
            <p>
                <fig id="f03">
                    <label>Figura 3</label>
                    <caption>
                        <title>Ações direcionadas aos núcleos de favela contidos nos PLHIS 2011-2024.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2514888-gf03.jpg"/>
                    <attrib>Fonte: Elaborada pelos autores, 2024.</attrib>
                </fig>
            </p>
            <p>
                <fig id="f04">
                    <label>Figura 4</label>
                    <caption>
                        <title>Quantificação das ações realizadas por categorias entre 2011-2024.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2514888-gf04.jpg"/>
                    <attrib>Elaborada pelos autores (2024).</attrib>
                </fig>
            </p>
            <p>A respeito das ações do poder local, <xref ref-type="bibr" rid="B19">Cunha (2020)</xref> ressalta a importância das mudanças na legislação, em particular da revisão da Lei Municipal nº 6.904, de 4 de abril de 2017. Com essa nova norma, foi permitido à prefeitura proceder à doação direta de terrenos a moradores de favelas, o que beneficiou particularmente os habitantes dos assentamentos Jaraguá, Cutuba e Jardim Vitória. A mais emblemática dessas iniciativas foi a regularização da Favela Ferradura, atual Vila do Sucesso, em 2021.</p>
            <p>Tais ações beneficiaram 950 famílias moradoras desses assentamentos, que agora contam com o título de propriedade dos imóveis. No entanto, apesar de não possuírem mais a classificação de favela, as ocupações ainda não foram objeto de obras de infraestrutura que alterassem a precariedade urbanística que sempre lhes caracterizou e, tampouco, possuem acesso pleno às políticas ou a bens, serviços e equipamentos públicos.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>A análise do município de Bauru revela um cenário comum às cidades brasileiras: a expressiva produção habitacional<bold><sup><xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref></sup></bold> foi determinante para o estabelecimento de padrões de produção e expansão do espaço urbano, acentuadamente marcado pela fragmentação, pela dispersão, pela persistência da favelização e pela segregação socioespacial.</p>
            <p>Os números são autoexplicativos: em um período de, aproximadamente, cinco décadas (1966-2016), foram produzidas 21.762 UH no município, das quais 15.420 pela COHAB-Bauru, e outras 6.342 por meio do PMCMV, excluídas desse cálculo outras modalidades (FICAM, PROCRED <italic>etc</italic>.), agentes de menor impacto (CDHU, PAR <italic>etc</italic>.) e demais empreendimentos privados. Nos termos da mensuração adotada pelas agências governamentais, cujo cálculo sugere, em média, três pessoas por UH, teríamos, estimativamente, 65.286 pessoas assentadas nesse período, números inequivocamente expressivos que representariam quase pouco mais de 17% da população atual, estimada em 379.146 habitantes. Contudo, em um cenário similar ao período de atividade da COHAB-Bauru, a favelização também aumentou expressivamente após a produção habitacional dos tempos do PMCMV.</p>
            <p>Uma particularidade dessa cidade se revela a partir dos dados relativos à produção de habitação e do próprio espaço urbano como parte da dinâmica econômica dessa cidade. Os novos loteamentos, que até o ano 1996 eram majoritariamente produzidos pela COHAB-Bauru, e, mais recentemente, o aumento expressivo de loteamentos fechados aqueceram o mercado imobiliário, privilegiando Bauru como um dos polos de “atração” para esse tipo de investimento. O contrassenso reside justamente no fato de que, em um município que possui como parte substancial da sua economia “produzir ainda mais cidade” (e novas habitações), a favelização se mostra crescente.</p>
            <p>A produção pública de habitação em todo o período de atuação da COHAB-Bauru (14.822 UH até 1996) e do CDHU (983 UH) totaliza 15.805 unidades voltadas para as classes populares. Desse montante, apenas 1.621 UH foram feitas em regime de mutirão e orientadas especificamente para moradores de favelas. Em 2004, ano anterior à paralisação completa da produção de habitação para as faixas mais baixas de renda, o número de casas em favelas era de 1.845, montante que supera toda a produção habitacional direcionada para este público, produzida entre 1981 (data da construção do primeiro conjunto em regime de mutirão) e 2005, quando foi finalizado o último conjunto habitacional público de mutirão pela CDHU.</p>
            <p>Relacionando a soma das famílias antes residentes nas favelas (553), entre as que foram reassentadas em conjuntos do PMCMV/Faixa 1, e a expectativa de remoção de 584 famílias contida no Plano (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Bauru, 2011</xref>, p. 84), o total de reassentados corresponde a 94,7% do previsto no PLHIS. Esta porcentagem pode causar a falsa impressão de que o planejamento foi executado conforme o previsto – ao menos em uma análise quantitativa e superficial –, já que a maioria das famílias com necessidade de remoção foi realocada para novas residências. Mas esta conclusão é desautorizada pela falta de revisão dos dados quantitativos sobre as famílias residentes em favelas (atualizado pela última vez em 2011) realizados pela prefeitura. Ademais, não foi elaborado um novo Plano de Habitação, não havendo a possibilidade de comparação possível entre as necessidades habitacionais de 2023 e os dados sobre a situação habitacional produzidos há mais de dez anos.</p>
            <p>Na produção em larga escala de novas habitações, chama atenção o baixo número de UH dedicados para demanda dirigida, que poderia chegar a 50% das unidades, segundo os critérios do PMCMV. Das 5.288 UH produzidas para a Faixa 1, apenas 10,45% foram direcionadas para os moradores de favela.</p>
            <p>As favelas “erradicadas” no período recente foram transferidas para HIS do PMCMV, enquanto os assentamentos regularizados recentemente carecem de obras de infraestrutura, em maior ou menor grau. A regularização fundiária tira o <italic>status</italic> da ocupação de favela (que, para ser classificada como tal, atravessa a falta do título de propriedade), mas, para os moradores, ainda não são universalizados acessos a equipamentos e serviços públicos essenciais, mantendo os “novos bairros” em situação de segregação socioespacial e precariedade urbanística.</p>
            <p>É importante observar que as políticas de urbanização e regularização fundiária em favelas, mesmo que populares há décadas em grandes centros urbanos, só se tornaram uma forma de intervenção no município de Bauru a partir da formulação do Plano Diretor Participativo de 2008 (pós-Estatuto da Cidade). Além dessas ações serem recentes e ainda pouco exploradas pelo poder público, parte considerável dos núcleos de favela já não poderia ser consolidada em razão de suas dimensões e localização (baixa densidade, próximos a fundos de vale, ferrovias ou rodovias). A lógica de remoção é reforçada pela própria dinâmica econômica da cidade, que possui como parte fundamental a produção de novas unidades habitacionais e loteamentos.</p>
            <p>A revisão do Plano Diretor foi iniciada em 2019 e aponta que, em 2016, coincidente com a paralisação da produção de Habitação de Interesse Social para a Faixa 1 do PMCMV, foram registradas aumento da população em situação precariedade urbana e habitacional. Ou seja, o caráter errático da política habitacional, o superaquecimento do mercado imobiliário e a progressiva diminuição da oferta de moradia para os estratos de mais baixa renda produziram um quadro de profunda distorção em que, concomitantemente à expressiva produção quantitativa do PMCMV, houve registro de aumento das ocupações irregulares na cidade.</p>
            <p>Desse modo, podemos concluir que a produção de habitação popular pelo Estado não empreendeu ações e políticas proporcionais no direcionamento das UHs para a população das favelas e em situação de vulnerabilidade socioeconômica – como regularização fundiária, urbanização e reformas de habitações com dotação de infraestrutura –, acompanhando parte do padrão histórico brasileiro, cujas políticas de habitação privilegiam a produção quantitativa de habitação orientada para o mercado imobiliário.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <title>Notas</title>
            <fn fn-type="other">
                <p>Artigo elaborado a partir da dissertação de A. B. P. Krause, intitulada “Desenvolvimento Urbano, Favelização E Atuação Do Poder Público: O Caso De Bauru (SP)”. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Como citar este artigo/<italic>How to cite this article</italic></label>
                <p>Krause, A. B. P.; Goulart, J. O. Difusão de favelas e as ações do poder público em Bauru (SP). <italic>Oculum Ensaios</italic>, v. 22, e2514888, 2025. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v22e2025a14888">https://doi.org/10.24220/2318-0919v22e2025a14888</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Publicado originalmente em 1998.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Especialmente a União, da qual emanam as normas gerais, e os municípios, que têm a responsabilidade constitucional pela gestão das políticas de desenvolvimento urbano.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Podemos citar como exemplo a instalação do polo automobilístico no ABC e, posteriormente, sua ampliação nas regiões de Campinas e do Vale do Paraíba; o incremento ao Programa Nacional do Álcool (Proálcool), tanto na produção agrícola, como no processamento industrial, nas regiões de Ribeirão Preto e Piracicaba, e os impactos e benefícios diretos e indiretos do incentivo às exportações de produtos agroindustriais (cana-de-açúcar, laranja, soja) na região oeste.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>A COHAB-Bauru foi instituída em 1966 e se manteve ativa na produção habitacional até 1996, ano de seu último empreendimento. Nesse período, foi contabilizada uma produção de 17.363 UH no município.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p>Sobre o tema dos enclaves fortificados no caso da cidade de São Paulo, sob uma abordagem antropológica, ver <xref ref-type="bibr" rid="B12">Caldeira (2003)</xref>. Para uma análise do mesmo fenômeno em cidades médias do interior do estado de São Paulo, sob uma abordagem socioespacial, ver <xref ref-type="bibr" rid="B35">Sposito e Goes (2013)</xref>. Para uma análise comparada do fenômeno em cidades médias incluindo Bauru, ver <xref ref-type="bibr" rid="B22">Goulart e Bertoni (2023)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>A ampla produção habitacional inclui tanto a provisão pública, iniciada durante o período de atuação da COHAB-Bauru e, posteriormente, pelo PMCMV, quanto privada, produção de loteamentos fechados para alta renda e habitação social de mercado.</p>
            </fn>
        </fn-group>
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            <title>Referências</title>
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                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://sites.bauru.sp.gov.br/planodiretor/etapas.aspx">https://sites.bauru.sp.gov.br/planodiretor/etapas.aspx</ext-link></comment>
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                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://pdbauru2019.webflow.io/p-documentos/documentos">https://pdbauru2019.webflow.io/p-documentos/documentos</ext-link></comment>
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                    <comment>Dispõe sobre o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social – SNHIS</comment>
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                    <comment>Institui o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, seu Comitê Gestor e dá outras providências</comment>
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                    <comment>Dispõe sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida – PMCMV e a regularização fundiária de assentamentos localizados em áreas urbanas; altera, entre outras, a Lei nº 10.257/2001</comment>
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