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				<journal-title>Oculum Ensaios</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Oculum Ens.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2318-0919</issn>
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				<publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas - Programa de Pós-Graduação em Urbanismo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v22e2025a14879</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>ORIGINAL</subject>
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			<title-group>
				<article-title>Sobre imagens, perspectivas e memórias: procedimento metodológico de entrevistas na Vila Belga em Santa Maria, RS</article-title>
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					<trans-title>About images, perspectives and memories: Methodological procedure for interviews in Vila Belga, Santa Maria, RS</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-6428-0265</contrib-id>
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						<surname>Magoga</surname>
						<given-names>Milena Rubin</given-names>
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					<xref ref-type="corresp" rid="c1"><sup>a</sup></xref>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-4856-8370</contrib-id>
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						<surname>Donoso</surname>
						<given-names>Verônica Garcia</given-names>
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						<surname>Alberton</surname>
						<given-names>Josicler Orbem</given-names>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="original">Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Arquitetura, Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional. Porto Alegre, RS, Brasil. </institution>
				<institution content-type="normalized">Universidade Federal do Rio Grande do Sul</institution>
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				<label>2</label>
				<institution content-type="original">Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Tecnologia, Programa de Pós-graduação em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo. Santa Maria, RS, Brasil.</institution>
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			<author-notes>
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					<label>E-mail:</label>
					<email>milena.rubinmagoga@gmail.com</email>
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					<label>Colaboradores:</label>
					<p>M. R. Magoga: Conceitualização; Metodologia; Pesquisa; Redação do manuscrito original; Revisão e Edição; Design da apresentação de dados; Recebimento de financiamento. J. O. Alberton e V. G. Donoso: Conceitualização; Supervisão; Metodologia; Redação, Revisão e Edição.</p>
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				<fn fn-type="edited-by">
					<label>Editor:</label>
					<p>Dirceu Piccinato Junior </p>
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					<label>Conflito de interesses:</label>
					<p>Não há conflito de interesses. </p>
				</fn>
			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>09</day>
				<month>10</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2025</year>
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			<volume>22</volume>
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				<date date-type="received">
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					<year>2024</year>
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				<date date-type="accepted">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este artigo tem por objetivo apresentar o procedimento metodológico utilizado em entrevistas durante uma pesquisa de mestrado que investigou o uso do espaço público na Vila Belga, Santa Maria, RS. As dinâmicas foram pensadas visando a escuta de diferentes pessoas para compreender memórias, experiências e a relação que possuem com o lugar em questão. A pesquisa se baseou na manipulação de imagens para estimular a criação de diversas narrativas e interpretações. Duas abordagens foram utilizadas: a “Escuta”, realizada com moradores mais antigos, com o objetivo de ouvir memórias, afetos (ou desafetos) e histórias de pessoas que vivenciaram o lugar há mais tempo; e a “Dinâmica”, conduzida com narradores que possuíam diferentes perspectivas sobre o lugar, a fim de compreender relações que as pessoas mantêm com o espaço da rua. Além disso, a técnica da colagem também foi utilizada no processo de interpretação dos relatos verbais e imagéticos. Dessa forma, o artigo explora como imagens e visualidades enriquecem a compreensão das relações humanas com o espaço urbano, podendo ser instrumentos potentes para construção de conhecimento. Os resultados da pesquisa demonstram como o encontro das imagens, aliado aos relatos verbais, possibilitou o surgimento de novas perspectivas, destacando as afetividades e memórias evocadas pelo lugar.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This article aims to present the methodological procedure used in interviews during a master’s degree research that investigated the use of public space in Vila Belga, Santa Maria, RS. The dynamics were designed with the aim of listening to different people to understand memories, experiences, and the relationship they have with the place in question. The research was based on image manipulation to encourage the creation of different narratives and interpretations. Two approaches were used: “Listen”, with older residents, to gather memories, affections (or disaffections), and stories from those who have experienced the place for a longer time; and “Dynamics”, conducted with narrators who had different perspectives on the place, aiming to understand the relationships people maintain with the street space. In addition, the technique of collage was also used in the process of interpreting verbal and visual reports. In this way, the article explores how images and visualities enrich the understanding of human relationships with urban space, and can be powerful instruments for building knowledge. The research results demonstrate how the encounter between images and verbal narratives enabled the emergence of new perspectives, highlighting the affectivities and memories evoked by the place.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Imagens. Memória. Procedimento Metodológico. Entrevistas. Vila Belga</kwd>
				<kwd>Santa Maria</kwd>
				<kwd>RS.</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Images. Memory. Methodological Procedure. Interviews. <italic>Vila Belga</italic></kwd>
				<kwd>Santa Maria</kwd>
				<kwd>RS.</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O presente artigo é um fragmento da pesquisa de mestrado intitulada “Entre ruas e singularidades: uso e apropriação do espaço público na Vila Belga em Santa Maria - RS” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Magoga, 2023</xref>), em que se busca compreender as dinâmicas de uso e apropriação do espaço público da rua na Vila Belga, em Santa Maria, RS. Durante todo o processo da pesquisa, as imagens e visualidades tiveram grande importância não só como recursos ilustrativos e imagéticos, mas também na constituição de informações e na interpretação dos resultados.</p>
			<p>Nesse contexto, o artigo tem como objetivo apresentar a abordagem metodológica utilizada nas entrevistas, visando o acesso e a escuta de pessoas que experienciam o lugar, para expandir a visão sobre a utilização das ruas, tanto no passado, como no presente, de acordo com cada vivência. Enfatiza-se a importância de compreender não apenas os laços estabelecidos com o ambiente, mas também as complexas questões que permeiam a memória e as vivências vinculadas ao cenário urbano. Esta pesquisa recorre à manipulação de imagens como um meio de fomentar a construção de diferentes relatos e pontos de vista.</p>
			<p>Buscou-se, assim, diferentes perspectivas, relatos e lembranças de pessoas que vivenciam direta ou indiretamente o espaço analisado. As entrevistas fazem parte de uma experiência compartilhada, onde as imagens possuem papel central no processo investigativo. A troca entre a pesquisadora e os entrevistados foi dinâmica e aberta. A condução da conversa teve como base principal a flexibilidade diante dos acontecimentos imprevisíveis e a valorização do encontro, promovendo a receptividade aos diferentes modos de expressão, às múltiplas formas de ser, permitindo que o entrevistado pensasse e divagasse , se comunicasse livremente e tivesse tempo para refletir. aos diferentes modos de expressão e linguagem, às múltiplas formas de ser, permitindo que o entrevistado</p>
			<p>Foram realizadas em dois formatos diferentes: Escuta (identificando imagens), com dois residentes de longa data do lugar, que testemunharam as etapas e transformações do espaço ao longo dos anos. E a Dinâmica (conduzindo a partir de imagens), realizada com um pesquisador/ arquiteto e urbanista, um envolvido diretamente com a comunidade e um ocupante de cargo público, uma vez que possuem diferentes perspectivas e visões sobre o espaço.</p>
			<p>Dessa forma, o artigo mobiliza a seguinte pergunta: como as imagens e os recursos visuais podem auxiliar na condução de entrevistas e na compreensão da relação das pessoas com um determinado lugar?</p>
			<sec>
				<title>Lugares, memórias e imagens</title>
				<p>O espaço construído constitui a fusão entre diferentes temporalidades, tornando-se elemento essencial para compreender os modos de vida de uma cidade através do tempo. A relação humana com o espaço urbano, vinculada com as memórias e imagens que um lugar carrega, forma relações complexas e expressivas.</p>
				<p>Nas cidades, a identificação e atribuição de valor a um lugar podem variar dependendo da perspectiva de cada indivíduo. Isso significa que o mesmo espaço pode abrigar diversos significados e lugares para diferentes indivíduos, ou sequer ser percebido como um lugar por alguns que o frequentam. No entanto, mesmo que essa percepção da paisagem seja um processo individual, o reconhecimento de significados pode ocorrer em um contexto coletivo, quando uma comunidade compartilha valores culturais, tornando o espaço familiar para esse grupo de pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Lamounier, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Tuan, 1983</xref>).</p>
				<p>Consequentemente, os lugares se tornam núcleos de valor, exercendo diferentes graus de atração ou repulsa e evocando sentimentos intensos resultantes de diversas vivências. Por essa razão, as experiências são capazes de ressignificar o espaço, tornando-o um lugar habitado por memórias (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Tuan, 1983</xref>).</p>
				<p>A experiência compreende a relação humana com o espaço, que desperta sensações, percepções e concepções. Implica também movimento e contato com o mundo exterior. É a partir desse contato que o ser humano percebe e dá forma ao real. Utilizando seus sentidos e percepções sensoriais, o indivíduo é capaz de criar consciência dos lugares. Como consequência, a memória e a intuição geram e recriam impressões, sentimentos, sensações e estados emocionais (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Tuan, 1983</xref>).</p>
				<p>Ao demorar-se nos lugares, o indivíduo percebe e absorve o mundo à sua volta. Porém, no mundo contemporâneo acelerado, as pessoas têm cada vez menos oportunidade de experimentar a vida cotidiana na cidade. Segundo Larrosa, essa situação se deve à escassez de tempo, tornando as experiências reais cada vez mais incomuns. Para o autor, experiência é tudo aquilo que acontece e afeta o indivíduo de forma sensível. Nesse contexto, quando o ritmo do tempo aumenta, os estímulos se transformam em fragmentos breves e efêmeros, vividos de maneira veloz e repetitiva. Assim, apesar de muitos eventos ocorrerem, poucos realmente deixam marcas profundas nas pessoas (Larrosa, 2015).</p>
				<p>Na sociedade moderna, a incessante busca por renovação e a constante ocupação do tempo com atividades produtivas dificultam o acontecimento de experiências memoráveis, que requerem pausas para reflexão e atenção aos detalhes. Dessa forma, a experiência exige um ato de pausa, para refletir, observar, ouvir, pensar e sentir com tranquilidade e sensibilidade, algo que é quase inatingível nos dias atuais.</p>
				<p>Nesse cenário, o indivíduo que se expõe à experiência também se torna aberto à possibilidade de transformação no encontro e na relação com aquilo que está sendo experimentado. O entendimento oriundo desse processo é pessoal e singular, pois é vivenciado de forma única por cada pessoa, não sendo possível replicá-lo ou repassá-lo com exatidão (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Larrosa, 2015</xref>). Assim, a vivência urbana dá suporte a diversos momentos significativos e individuais, ao mesmo tempo que os conecta por meio de experiências coletivas.</p>
				<p>A interação do corpo humano com o “corpo da cidade” engloba a totalidade da experiência urbana. A vida cotidiana nas ruas deixa impressões duradouras e, frequentemente, molda a identidade do indivíduo e suas diversas interações no ambiente urbano. Juhani Pallasmaa descreve esse vínculo intrínseco entre o corpo e o espaço urbano da seguinte maneira: “eu me experimento na cidade; a cidade existe por meio de minha experiência corporal. A cidade e meu corpo se complementam e se definem. Eu moro na cidade, e a cidade mora em mim” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Pallasmaa, 2011</xref>, p. 38).</p>
				<p>Nesse contexto, as pessoas se identificam e se conectam a lugares, seja através da memória, da imaginação ou de vivências. No caso de lugares históricos, as arquiteturas funcionam como estruturas de sustentação para a memória. Assim, as lembranças encontram sua base de apoio na materialidade do espaço construído, fortalecendo também o sentimento de pertencimento dos indivíduos a uma comunidade.</p>
				<p>Para Nora, “a memória se enraíza no concreto, no espaço, no gesto, na imagem, no objeto” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Nora, 1993</xref>, p. 9). A memória é conduzida por indivíduos vivos e, por isso, está em constante transformação e evolução, sujeita à dialética entre recordar e esquecer, sempre vulnerável e suscetível a mudanças. Em contraste, a história é uma reconstrução problemática e incompleta do que já não existe mais, uma representação do passado. Já a memória, por outro lado, é um fenômeno perpetuamente presente, um elo vivido no eterno agora (Nora,1993).</p>
				<p>A memória individual, mesmo que subjetiva, pode desempenhar um papel significativo na preservação das memórias das cidades. A partir da memória pessoal ou de seus registros, é possível resgatar momentos, costumes, modos de viver ou edificações que já não existem mais (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abreu, 1998</xref>).</p>
				<p>Embora a memória seja uma dimensão individual, muitos de seus elementos são de natureza social, permitindo a construção de uma memória também coletiva. Destaca-se, nesse contexto, a importância do conhecimento coletivo, que consiste em um conjunto de lembranças, construídas socialmente e associadas a uma comunidade, que ultrapassa o indivíduo. Assim, a habilidade de recordar não está unicamente ligada à conexão de uma pessoa com um lugar particular, mas também depende da coletividade à qual ela se associa (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Halbwachs, 1990</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abreu, 1998</xref>).</p>
				<p>Nesse contexto, destaca-se a importância das imagens no enriquecimento da experiência humana, tanto no processo de preservar momentos vividos pela sociedade, quanto no desafio à percepção convencional do tempo.</p>
				<p>Na filosofia de Bergson, a base conceitual está centrada na ideia de que o mundo material pode ser entendido como um “aglomerado de imagens”, onde os estímulos cerebrais são igualmente percebidos como imagens, assim como o próprio corpo é concebido como uma imagem. Nesse contexto, o corpo humano, enquanto parte integrante do mundo material, é considerado uma manifestação imagética, centro de ação, recebendo e devolvendo movimento (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bergson, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Rozestraten, 2017</xref>).</p>
				<p>Para Didi-Huberman, “sempre, diante da imagem, estamos diante do tempo” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Didi-Huberman, 2015</xref>, p. 15). Ao observar uma imagem, mesmo contemporânea, o passado se reconfigura continuamente, pois sua compreensão depende da construção da memória. Segundo o autor, deve-se reconhecer que a imagem sobrevive e persiste além da existência do indivíduo, representando o elemento do futuro e da duração, muitas vezes possuindo mais continuidade do que o observador. Dessa forma, a ideia enfatiza a importância da memória, da perspectiva temporal e da percepção da imagem como algo duradouro e significativo.</p>
				<p>A imagem revela e torna o mundo visível, ao mesmo tempo que fragmenta e o espalha em várias direções. Assim, as imagens partem da dualidade de interromper e desafiar a compreensão existente, enquanto podem ser uma ferramenta poderosa para criar ordem e conhecimento a partir do caos visual. Portanto, têm o potencial de serem disruptivas e informativas simultaneamente (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Didi-Huberman, 2012</xref>; 2015).</p>
				<p>Partindo desse contexto, o autor acredita que a imagem se transforma quando entra em contato com a realidade. Assim, surge a pergunta: que tipo de conhecimento pode ser gerado pela imagem? (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Didi-Huberman, 2012</xref>). Nesse cenário, as imagens não são apenas representações visuais do mundo, mas também uma marca visual do tempo. Para o autor, “uma imagem bem olhada seria, portanto, uma imagem que soube desconcertar, depois renovar nossa linguagem e, portanto, nosso pensamento” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Didi-Huberman, 2012</xref>, p. 216).</p>
				<p>Na busca por outras formas de comunicar com imagens, destaca-se o trabalho do historiador de arte alemão Aby Warburg, que confrontou a concepção linear do tempo em seu projeto inacabado chamado “<italic>Atlas Mnemosyne</italic>”, desenvolvido entre 1924 e 1929. Nesse projeto, Warburg reuniu imagens de diversas fontes, como fotografias, desenhos, pinturas e textos, agrupando-as por tema em painéis de madeira. Essas imagens eram dispostas lado a lado, convidando os observadores a explorarem uma “história da arte sem palavras”. O objetivo não era decifrar as imagens, mas sim articular conexões entre elas, criando uma estrutura visual baseada na mobilidade e no movimento das imagens. Dessa forma, Warburg desafiou a ideia tradicional de temporalidade e espacialidade na história da arte (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Didi-Huberman, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">Gerencer; Rozestraten, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Jacques et al., 2017</xref>).</p>
				<p>Ao resgatar a “poeira do tempo” que persiste ao longo dos anos, as imagens ganham uma dimensão simbólica, em constante evolução, moldada pelas mudanças, incorporando novos e antigos significados. Elas atuam como ferramentas, mas também como fontes de conhecimento, transcendendo leituras que separam conteúdo e forma. Por isso, a interpretação das imagens precisa considerar a profundidade das dimensões sociais e históricas em toda a sua amplitude (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Waizbort, 2015</xref>).</p>
				<p>Assim, a vida urbana compreende lugares, experiências, memórias e imagens. Cada rua, praça ou edifício carrega consigo narrativas entrelaçadas, interações sociais e eventos cotidianos significativos. Nesse contexto, as imagens capturam mais do que visualidades: representam também a essência pulsante da vida urbana sensível, revelando os contrastes, ritmos e transformações que caracterizam esses ambientes dinâmicos.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>A entrevista como experiência compartilhada</title>
				<p>O procedimento metodológico concebido foi testado e experimentado na Vila Belga, em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>). Nesse contexto, a Vila foi selecionada por apresentar dinâmicas socioespaciais únicas, que a individualizam em relação ao restante da cidade, tanto em aspectos físicos quanto subjetivos. Seu espaço público, especialmente as ruas, apresenta formas específicas de uso e apropriação, tornando-se um território relevante para compreender as relações entre espaço, memória e vivência urbana. O conjunto arquitetônico, construído no início do século XX, de estilo eclético e elementos inspirados no <italic>Art Nouveau</italic>, é composto por 84 residências térreas, geminadas duas a duas, sem afastamento frontal, alinhadas diretamente com a calçada. As casas foram construídas pela empresa ‘<italic>Compagnie Auxiliaire des Chemins de Fer au Brésil</italic>‘ para abrigar seus funcionários, trabalhadores da Estação Férrea, que hoje se encontra desativada e abandonada (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Mello, 2010</xref>).</p>
				<p>A Vila Belga, desde 1988, foi declarada patrimônio histórico e cultural de Santa Maria. Assim, a relação com o passado ainda emerge no cenário presente, tanto nas materialidades quanto nas histórias e lembranças dos moradores mais antigos do lugar.</p>
				<p>Nesse contexto, as entrevistas foram necessárias para acessar múltiplas perspectivas e visões existentes sobre esse mesmo espaço, além de absorver relatos e memórias de pessoas que possuem relações afetivas com o lugar, ampliando o processo da pesquisa para além dos elementos visíveis, com foco também na experiência compartilhada durante as conversas realizadas. Dessa forma, as entrevistas não se limitam apenas a coletar informações e conteúdos expressos durante o diálogo, pois também desempenham papel fundamental na formação de uma comunicação livre e afetiva, envolvendo vínculos, significados e a relação intrínseca dos colaboradores com o ambiente em questão, resultando em um momento compartilhado com impactos coletivos.</p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<label>Figura 1</label>
						<caption>
							<title>Vila Belga em Santa Maria, RS.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-22-e2514879-gf1.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Arquivo pessoal dos autores (2024).</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Ao adotar uma abordagem cuidadosa e atenta, cada entrevista pode também influenciar a criação de realidades e imaginários distintos. Por isso, a condução da conversa deve ser flexível e receptiva, permitindo que ela siga as próprias linhas de interesse e abra espaço para diferentes formas de expressão e linguagem, evitando, assim, a imposição de perspectivas totalizantes e permitindo que o entrevistado se expresse livremente, usando suas próprias palavras, com tempo para refletir e lembrar. A escuta, nesse caso, assim como a abertura do pesquisador, é fundamental para assimilar informações até então desconhecidas.</p>
				<p>Nesse contexto, o propósito consiste em conduzir as entrevistas em colaboração com os narradores. As discussões são baseadas em perguntas abertas, que contam, muitas vezes, com o auxílio de imagens. Além de contribuir para a formação de conhecimento, as imagens têm como objetivo facilitar a condução da conversa, uma vez que podem estabelecer vínculos existenciais e emocionais entre o entrevistado e o material visual, servindo como meio para conectar ideias, memórias, sentimentos e sensações. Acredita-se, portanto, que os eventos são registrados na memória por meio de imagens que vão além de simples informações ilustrativas, desempenhando um papel na criação de realidades diversas (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Cunha, 2015</xref>).</p>
				<p>Neste estudo, as imagens formam constelações. A metáfora surge inspirada no trabalho concebido por Aby Warburg, o qual consistia no rearranjo de figuras e na formação de conjuntos, materializando-se na disposição física de painéis fotográficos. Dessa forma, as imagens são dispostas lado a lado para ressaltar tanto semelhanças quanto disparidades no processo investigativo e interpretativo dos resultados. Assim, durante a coleta de dados, as informações e imagens são ferramentas ativas na condução das ideias. A disposição em constelações não apenas contribui para a compreensão dos dados, mas também realça a importância da abordagem visual como um elemento integral no processo de pesquisa.</p>
				<p>As entrevistas foram separadas em dois momentos: Escuta (identificando imagens) e a Dinâmica (conduzindo a partir de imagens). Apresentadas no <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>:</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1">
						<label>Quadro 1</label>
						<caption>
							<title>Entrevistas.</title>
						</caption>
						<table style="width:100%; border-collapse: collapse ; border-top:2px solid black; border-bottom:2px solid black">
							<tbody>
								<tr style="border-bottom:2px solid black">
									<td align="left">Entrevistas</td>
									<td align="center">Narradores</td>
									<td align="center">Objetivo</td>
									<td align="center">Formato</td>
								</tr>
								<tr style="border-bottom:1px solid black">
									<td align="left">Escuta</td>
									<td align="justify">2 moradores antigos que vivenciaram os processos do tempo no Estudo de Caso.</td>
									<td align="justify">Escutar memórias, afetos (ou desafetos) e lembranças de pessoas que vivenciaram o lugar há mais tempo.</td>
									<td align="justify">Semiestruturada, com um pequeno protocolo de questionamentos para guiar a conversa.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Dinâmica</td>
									<td align="justify">3 pessoas com relações distintas com o lugar: um pesquisador; um morador que participa ativamente da comunidade; um agente público.</td>
									<td align="justify">Compreender vínculos e narrativas que emergem da relação do indivíduo com o lugar. Além disso, visa utilizar imagens como instrumento investigativo.</td>
									<td align="justify">Utiliza imagens fornecidas pelos entrevistados, bem como imagens-disparadoras para conduzir a conversa. </td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
						<table-wrap-foot>
							<fn>
								<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2024</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>Tanto na primeira como na segunda modalidade de entrevista, a ênfase recai sobre o processo, e não apenas à limitação de coleta de dados específicos, proporcionando espaço para um diálogo aberto que possibilite o surgimento de novas informações.</p>
				<sec>
					<title>Escuta: Identificando Imagens</title>
					<p>Em um lugar com notável importância histórica e cultural, repleto de acontecimentos passados, como a Vila Belga, as memórias e lembranças guardadas por pessoas mais velhas podem ter valores inestimáveis também para compreender o tempo presente. Além disso, parte-se da necessidade de interpretar como o lugar analisado suporta e resiste e se adapta à modernidade urbana vivenciada na cidade de Santa Maria nos últimos anos. Os moradores mais antigos carregam consigo lembranças e vivências que contribuem para preservar a narrativa do ambiente construído, assegurando que a história continue a ser contada através de suas palavras.</p>
					<p>Com os relatos verbais de dois habitantes da Vila Belga, ambos trabalhadores aposentados que exerceram atividades na Estação Férrea, pôde-se acessar os pensamentos, as divagações, sentimentos e experiências de pessoas que conhecem e vivenciam o lugar tanto no presente quanto no passado. Dessa forma, outras camadas e cenários surgiram.</p>
					<p>As conversas foram concebidas seguindo um formato de entrevista semiestruturada, ou seja, embora tenham uma estrutura pré-definida com assuntos principais, também permitiram flexibilidade para que pesquisadora e entrevistados pudessem explorar tópicos e detalhes específicos livremente, adaptando ao contexto. Isso possibilitou uma abordagem mais aberta e dinâmica durante as conversas. Mesmo assim, a entrevista procurou aproximar-se de alguns assuntos centrais, envolvendo o espaço físico da Vila Belga, a apropriação das ruas, e as experiências marcantes envolvendo o lugar.</p>
					<p>Assim, a Escuta parte de duas etapas principais: (1) A primeira é conversa com o narrador. Nesse encontro, com o intuito de ilustrar e incentivar diferentes formas de reflexão, são requisitadas imagens dos espaços ou instantes citados ao longo da conversa. No contexto da condução da Escuta, essas visualidades funcionam como estímulos que evocam instantes, vivências e memórias que os próprios entrevistados experimentaram no passado, mas que continuam a ressoar no presente. (2) Já a segunda etapa, consiste na interpretação e cruzamento das informações faladas com as imagens que emergiram, por meio de colagens digitais.</p>
					<p>A <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref> explicita as imagens que emergiram na primeira etapa de cada uma das escutas.</p>
					<p>
						<fig id="f2">
							<label>Figura 2</label>
							<caption>
								<title>Imagens Escuta 01 e 02.</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-22-e2514879-gf2.jpg"/>
							<attrib>Fonte: Arquivo pessoal dos autores (2024).</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>Em um segundo momento, através do uso de ferramentas digitais, as imagens que surgiram durante as entrevistas, expostas na <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>, foram cuidadosamente interpretadas e incorporadas aos relatos verbais por meio de colagens digitais (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>). Nas composições resultantes, ocorre um entrelaçamento de diferentes temporalidades, bem como a intersecção de representações de memórias passadas e elementos da imaginação. As colagens, nesse contexto, formam uma síntese, ao mesmo tempo que evidenciam e expandem para outras interpretações os principais pontos tratados durante as entrevistas.</p>
					<p>
						<fig id="f3">
							<label>Figura 3</label>
							<caption>
								<title>Colagens a partir das imagens que emergiram.</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-22-e2514879-gf3.jpg"/>
							<attrib>Fonte: Arquivo pessoal dos autores (2023).</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>As imagens da primeira Escuta foram fotografias enviadas pelo próprio narrador, minutos antes da entrevista. Essas imagens desempenham papel fundamental, uma vez que capturam lugares de significado profundo em termos de memória pessoal. Elas não só evocam lembranças, mas também abordam questões que vão além do simples registro visual. Assim, as fotografias retratam locais de relevância, entrelaçados com a história e experiências do narrador. Ao interpretá-las, é possível explorar não apenas as características físicas do lugar, como também as narrativas individuais, as emoções e conexões pessoais estabelecidas com o Estudo de Caso, desencadeando reflexões sobre o habitar, o patrimônio e a relação singular do indivíduo com o ambiente estudado.</p>
					<p>Já as imagens da segunda Escuta foram obtidas durante a entrevista, de documentos, fotografias e recordações armazenadas no acervo pessoal do narrador. Esse fator cola bora para a compreensão da relação afetiva com o passado, resguardado com carinho e cuidado.</p>
					<p>Essas imagens não são apenas testemunhos visuais do passado, mas fragmentos tangíveis de experiências e momentos que têm valor emocional e afetivo significativo para o indivíduo, carregam histórias e sentimentos que podem não ser imediatamente identificáveis. Dessa forma, os registros são uma janela para o mundo interior do narrador, revelando sua relação afetiva com o passado e a forma como essas experiências moldaram sua visão do lugar em questão.</p>
					<p>A abordagem não só ajuda a compreender a relação do indivíduo com o passado, mas também enriquece a compreensão da história e das camadas emocionais que estão entrelaçadas com o Estudo de Caso. Além disso, as imagens da segunda Escuta capturam não apenas a memória individual, mas também explicitam recordações de uma antiga comunidade ferroviária, ainda presente na Vila Belga.</p>
					<p>Nas duas entrevistas, destaca-se a relação amigável entre vizinhos, antigamente anteriormente pautada pelos vínculos de trabalho, associados a Ferrovia, e atualmente mantidos devido à proximidade e compartilhamento da identidade e cultura. Para eles, os vínculos interpessoais e o senso de comunidade são elementos significativos que enriquecem a vivência na Vila.</p>
					<p>Nas colagens da Escuta 01 e 02, pode-se observar alguns elementos que foram citados durante a conversa, bem como a interpretação da pesquisadora sobre os fatos e sentimentos: é o resultado do encontro de imagens, afetos e significados.</p>
					<p>Destaca-se que, além das imagens, os relatos verbais, nas duas entrevistas, desempenharam um papel igualmente essencial na ampliação das descobertas sobre o lugar. Enquanto as imagens oferecem um aspecto visual e simbólico, os relatos verbais fornecem a voz, o contexto e a profundidade da narrativa. Durante as entrevistas, os narradores puderam compartilhar não apenas o que é imediatamente visível nas imagens, mas também suas histórias, experiências, emoções e pensamentos que estão intrinsecamente ligados ao lugar em estudo. Nesse contexto, a fala de cada narrador preencheu lacunas na compreensão, esclarecendo elementos que podem não ser imediatamente óbvios à primeira vista</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Dinâmica: conduzindo a partir de imagens</title>
					<p>O procedimento metodológico, nomeado “Dinâmica”, teve como base e referência o jogo “<italic>S.I.S.M.O</italic>: <italic>Significações Imaginárias em Movimento</italic>”, elaborado na Tese de doutorado intitulada “<italic>Lugar da poética na docência de projetos nos cursos de Arquitetura e Urbanismo</italic>: <italic>Imaginário social e educação</italic>”, da autora Josicler Alberton. O jogo, fundamentado em elaborações teóricas dos filósofos Hans-Georg Gadamer e Gaston Bachelard, utiliza imagens como ponto de partida para provocar o diálogo e construir, em conjunto com os participantes da pesquisa, diferentes narrativas (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alberton, 2021</xref>).</p>
					<p>A Dinâmica é dividida nas seguintes etapas, descritas a seguir: (1) na primeira etapa, aproximação com os narradores e solicitação de “Imagens-Afeto”; (2) na segunda etapa , durante o encontro com cada narrador, a conversa se inicia a partir das imagens afetivas, solicitadas na primeira etapa; (3) na terceira etapa, são incluídas Imagens-Disparadoras, para dar continuidade e profundidade à conversa; (4) em um quarto momento, após as entrevistas, é realizada a interpretação dos resultados e comparação das reflexões que emergiram nas três Dinâmicas realizadas.</p>
					<p>Durante a aplicação da metodologia, as imagens são utilizadas em dois momentos principais: o primeiro é realizado durante a etapa 1, com a solicitação de, no mínimo, cinco imagens que represente m a Vila Belga, segundo a perspectiva do entrevistado. Assim, os narradores puderam escolher imagens autorais, de terceiros , obras artísticas, pinturas, textos literários ou qualquer material visual relacionado à temática . As figuras escolhidas e enviadas pelos colaboradores, denominadas nesta pesquisa como “Imagens-Afeto” (<xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>), contêm pistas sobre a relação que cada indivíduo estabelece com o lugar. Elas foram impressas e levadas para a dinâmica, com o objetivo de iniciar a conversa, promovendo reflexões e divagações sobre o espaço.</p>
					<p>
						<fig id="f4">
							<label>Figura 4</label>
							<caption>
								<title>Imagens-Afeto dos narradores.</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-22-e2514879-gf4.jpg"/>
							<attrib>Fonte: Arquivo pessoal dos autores (2024).</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>Assim, já durante a entrevista, cada narrador pôde explicar e divagar sobre as motivações que levaram à escolha de cada imagem, individualmente (Etapa 2). Em seguida, quando as divagações sobre as Imagens-Afeto aparenta vam terminar, são incluídas as “Imagens-Disparadoras”, criadas especificamente para esta pesquisa, com o objetivo de gerar diferentes discussões e conexões sobre os assuntos centrais que balizam a investigação (Etapa 3).</p>
					<p>As Imagens-Disparadoras foram categorizadas em três grupos: (1) Rua; (2) Apropriação; (3); (4) Cinco Sentidos, juntamente com uma Imagem-Âncora (Vila Belga).</p>
					<p>Além dos grupos citados, as Imagens-Disparadoras também podem ser divididas em imagens-textos e imagens-figura. As imagens-texto têm o propósito de guiar a conversa de maneira mais específica, incentivando o entrevistado a abordar os tópicos relevantes e expressar sua perspectiva acerca dos principais assuntos do estudo. Por outro lado, as imagens-figura visam estimular reflexões singulares e individuais, enquanto também incorporam aspectos relacionados ao ambiente das ruas, suas percepções e hábitos de utilização. As Imagens-Disparadoras são apresentadas na <xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>.</p>
					<p>A categoria “Rua” inclui um total de 12 Imagens-Disparadoras, compreendendo uma imagem principal, seis imagens-texto e cinco imagens-figura. Seu propósito é provocar o narrador a refletir sobre o espaço físico da Rua no contexto do objeto de pesquisa, abordando alguns pontos essenciais.</p>
					<p>A categoria “Apropriação” tem como finalidade inspirar o entrevistado a discutir sobre as atividades de uso e apropriação realizadas no espaço analisado. Ela é composta por um total de 11 imagens, consistindo em uma imagem principal, cinco imagens-texto e cinco imagens-figura.</p>
					<p>As imagens que envolvem os cinco sentidos têm como objetivo instigar o narrador a refletir sensorialmente sobre o espaço. Em conjunto com as imagens anteriores, possibilitam a conexão e reflexão sobre as sensações que as pessoas experimentam ao utilizar um local. Além disso, frequentemente, os sentidos estão intrinsecamente ligados à memória e às experiências em um determinado lugar, e essa conexão também é explorada na etapa “Dinâmica” por meio das imagens.</p>
					<p>Por fim, a Imagem-Âncora tem a finalidade de orientar a entrevista em direção ao objeto de pesquisa (Vila Belga). Dessa forma, quando o assunto parecer desviar do foco principal, a entrevistadora pode utilizar a Imagem-Âncora para relembrar o narrador de que deverá direcionar sua fala para as percepções sobre o lugar. Assim, ela tem a função de trazer novamente o narrador para a temática principal da dinâmica.</p>
					<p>Durante a dinâmica, as Imagens são dispostas na superfície - uma categoria por vez - e a pessoa entrevistada é solicitada a abordar as que julgar mais significativas, podendo desconsiderar as que não achar pertinentes, bem como mover, realocar e conectar as figuras sobre a superfície. A Imagem-Âncora (Vila Belga p). Pode ser acionada a qualquer instante, caso o narrador se afaste do tema durante suas reflexões.</p>
					<p>O colaborador pode estabelecer vínculos entre suas próprias imagens e as Imagens-Disparadoras, articulando o espaço físico com as formas de apropriação a fim de responder às divagações, elaborando uma composição única. Por fim, as figuras colocadas sobre a superfície são registradas durante todo o processo da Dinâmica.</p>
					<p>Dessa forma, os participantes foram capazes de desenvolver reflexões e acessar memórias através da utilização de imagens estratégicas. No decorrer das entrevistas, realizadas com três narradores, alguns pontos relevantes se destacaram. Inicialmente, as Imagens-Afeto fornecidas pelos entrevistados desencadearam discussões essenciais para compreender a ligação das pessoas com o objeto de pesquisa, bem como suscitar memórias e experiências significativas.</p>
					<p>As Imagens-Disparadoras direcionaram o diálogo, introduzindo tópicos de relevância que, frequentemente, podem não emergir em uma entrevista com questões específicas. Por fim, as associações criadas com as figuras ao término de cada Dinâmica produziram resultados diversos, tanto em relação às conexões formadas pelas imagens quanto às perspectivas distintas sobre o lugar, com base na vivência de cada narrador (<xref ref-type="fig" rid="f6">Figura 6</xref>).</p>
					<p>Na primeira dinâmica, realizada com um pesquisador, arquiteto e urbanista, o narrador estabeleceu conexões entre as imagens, seguindo uma linha do tempo que tinha como base principal suas próprias Imagens-Afeto. Durante os diversos momentos da conversa, ele moveu as</p>
					<p>
						<fig id="f5">
							<label>Figura 5</label>
							<caption>
								<title>Imagens Disparadoras da Dinâmica.</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-22-e2514879-gf5.jpg"/>
							<attrib>Fonte: Arquivo pessoal dos autores (2023).</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>
						<fig id="f6">
							<label>Figura 6</label>
							<caption>
								<title>Combinações de Imagens realizadas na Dinâmica 03.</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-22-e2514879-gf6.jpg"/>
							<attrib>Fonte: Arquivo pessoal dos autores (2023).</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>Imagens-Disparadoras e teceu comentários sobre os temas abordados, principalmente sobre o espaço físico e a importância da Vila Belga enquanto patrimônio arquitetônico e cultural da cidade. Ao final, a constelação formada deu origem a um percurso cronológico que abarcava o antes, o agora e o depois.</p>
					<p>Na segunda dinâmica, realizada com um morador que participa ativamente da comunidade, a maioria das Imagens-Disparadoras não foi movida pelo narrador. No entanto, as figuras apresentadas contribuíram para sua narrativa e evocaram memórias relacionadas ao lugar, permitindo resgatar o passado e pensar efetivamente sobre o momento atual. Durante sua fala, delineada e expandida pelas imagens, foi possível perceber a capacidade organizativa da comunidade, bem como a relevância e a importância de um evento que acontece nas ruas da Vila, duas vezes por mês, aos domingos, chamado Brique da Vila Belga. O evento foi idealizado em 2015 pelos próprios moradores, partindo de uma necessidade coletiva, econômica e patrimonial.</p>
					<p>Na terceira dinâmica, com um agente público, algumas correlações foram estabelecidas com as imagens-figura. As Imagens-Afeto revelaram a conexão do entrevistado com o objeto de pesquisa. Em suas associações, as figuras que simbolizavam os edifícios históricos estiveram presentes, juntamente com reflexões, relacionadas com as possibilidades promissoras dos próximos anos, especialmente em razão dos planos em andamento na região.</p>
					<p>A <xref ref-type="fig" rid="f7">Figura 7</xref> representa as relações mais relevantes estabelecidas pelos participantes da pesquisa por meio das Imagens-Disparadoras durante as três dinâmicas, além das associações com assuntos correlatos à Vila Belga que surgiram a partir de cada imagem ou conexão (Etapa 4).</p>
					<p>Assim, a partir de cada entrevista, pôde-se acessar a perspectiva de pessoas com experiências e relações distintas com o Estudo de Caso. Ao comparar os resultados, a fim de gerar discussões e reflexões diversas, percebe-se que a maioria das imagens desencadeou divagações similares. Entretanto, ao se entrelaçarem com a percepção e as memórias individuais, algumas figuras obtiveram efeitos diversos, principalmente aquelas pertencentes a categoria “cinco sentidos”, que evocaram lembranças da infância ou de outros tempos passados.</p>
					<p>
						<fig id="f7">
							<label>Figura 7</label>
							<caption>
								<title>Combinações de Imagens realizadas nas Dinâmicas.</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-22-e2514879-gf7.jpg"/>
							<attrib>Fonte: Arquivo pessoal dos autores (2023).</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>A “montagem”, realizada na última etapa, explicita também as conexões que emergiram entre imagens similares, que puderam ser relacionadas e vinculadas a uma mesma temática. Dessa forma, ao serem posicionadas lado a lado, as figuras tiveram seus significados ampliados e expandidos em outra narrativa. Assim, a manipulação de imagens em montagens ou constelações permitiu a criação de diversas possibilidades de narrativas e interpretações. Conforme Georges Didi-Huberman argumenta, a noção de “montagem” envolve a construção de relações não lineares, promovendo uma abordagem subjetiva e aberta (Didi-Huberman, 2015). Esse método ampliou também as discussões realizadas posteriormente na pesquisa de mestrado.</p>
					<p>Dessa forma, os resultados, identificados tanto nas Dinâmicas, como nas Escutas, demonstram que a construção da Vila Belga como lugar, está profundamente ligada à memória e à experiência, processos que articulam dimensões individuais e coletivas na atribuição de significado ao espaço. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B8">Halbwachs (1990</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abreu (1998</xref>), a memória individual, ainda que subjetiva, se insere em um contexto social, permitindo a construção de uma memória coletiva que resguarda e reinventa a cidade. De modo semelhante, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Tuan (1983</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B10">Lamounier (2017</xref>) destacam que um espaço pode conter múltiplos significados, variando conforme as vivências e percepções dos indivíduos e comunidades. No caso da Vila Belga, as narrativas evidenciam essa relação, e o lugar se configura não apenas como um cenário físico, mas como um território marcado por afetos, práticas e memórias compartilhadas (Tuan 1983; Halbwachs 1990; Abreu 1998; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Larrosa, 2015</xref>; Lamounier 2017).</p>
				</sec>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>Reflexões Finais</title>
			<p>Nas interações realizadas com os narradores deste estudo, pôde-se explorar diferentes perspectivas e realidades. Em linhas gerais, cada narrador delimitou reflexões sobre experiências pessoais e sua compreensão do mundo ao seu redor. Mesmo assim, como elucida Halbwachs, a memória, embora inicialmente individual, incorpora elementos sociais, dando origem a uma memória coletiva construída em conjunto. Portanto, em cada relato individual, principalmente com moradores do lugar, pôde-se ter acesso às lembranças e ao modo de vida de uma comunidade.</p>
			<p>Durante as entrevistas no primeiro formado, a Escuta, foi possível compreender a apropriação das ruas e a importância do lugar Vila Belga ao longo dos anos. Além disso, foi possível acessar momentos do passado, compreender sobre a ambiência do espaço público, as ausências e memórias de um tempo que não existe mais e que só pode ser imaginado, resgatado por meio das lembranças.</p>
			<p>Já durante a Dinâmica, com o auxílio das Imagens-Disparadoras, foi possível entender melhor a relação e a visão de algumas pessoas sobre o lugar, assim como a forma que o utilizam e sua importância em um contexto maior. Destaca-se a valorização patrimonial da arquitetura e cultura da Vila, a paisagem marcante, os dias de evento, além das lembranças e experiências interessantes que surgiram com o auxílio das imagens.</p>
			<p>Nos dois formatos foi possível explorar a potência das imagens no processo investigativo e interpretativo. Os recursos visuais tiveram como objetivo facilitar a condução da conversa, valendo-se do elo afetivo e emocional entre o entrevistado e o material imagético, contribuindo como um meio para conectar ideias, memórias, sentimentos e sensações.</p>
			<p>Tanto nas interpretações com colagens realizadas após as Escutas, como nas montagens que surgiram a partir das Dinâmicas, o encontro das figuras, juntamente com os relatos verbais, fez emergir novas perspectivas, com atenção às afetividades e memórias que surgem a partir do lugar.</p>
			<p>Por fim, destaca-se a importância da valorização poética e ativa do uso das imagens, principalmente no campo da arquitetura e do urbanismo, onde as visualidades possuem grande potencial na formação de conhecimento, além de sua utilização como representação visual. Como destaca Didi-Huberman, a imagem desconcerta e renova as formas de pensar e refletir sobre o mundo. Assim, torna-se fundamental integrar as ferramentas visuais como elementos ativos na produção de significados.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>Abreu, M. A. Sobre as memórias das cidades. <italic>Revista da Faculdade de Letras - Geografia</italic>, v. 14, p. 77-97, 1998.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Abreu</surname>
							<given-names>M. A</given-names>
						</name>
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					<article-title>Sobre as memórias das cidades</article-title>
					<source>Revista da Faculdade de Letras - Geografia</source>
					<volume>14</volume>
					<fpage>77</fpage>
					<lpage>97</lpage>
					<year>1998</year>
				</element-citation>
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				<mixed-citation>Alberton, J. O. <italic>O lugar da poética na docência de projeto nos cursos de arquitetura e urbanismo</italic>: imaginário social e educação. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2021.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>Alberton</surname>
							<given-names>J. O</given-names>
						</name>
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					<source><italic>O lugar da poética na docência de projeto nos cursos de arquitetura e urbanismo</italic>: imaginário social e educação</source>
					<comment content-type="degree">Tese (Doutorado em Educação)</comment>
					<publisher-name>Universidade Federal de Santa Maria</publisher-name>
					<publisher-loc>Santa Maria</publisher-loc>
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				<mixed-citation>Larrosa, J. <italic>Tremores</italic>: escritos sobre experiência. São Paulo: Editora Autêntica, 2015.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Magoga, M. R. <italic>Entre ruas e singularidades</italic>: uso e apropriação do espaço público na Vila Belga em Santa Maria - RS. 2023. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2023.</mixed-citation>
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					<year>2023</year>
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				<mixed-citation>Mello, L. F. S. <italic>O pensamento utópico e a produção do espaço social</italic>: a cooperativa de consumo dos empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul. Tese (Doutorado em Planejamento Urbano e Regional) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.</mixed-citation>
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					<source><italic>O pensamento utópico e a produção do espaço social</italic>: a cooperativa de consumo dos empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul</source>
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				<mixed-citation>Nora, P. Entre memória e história: a problemática dos lugares. <italic>Projeto História</italic>, v. 10, 1993.</mixed-citation>
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					<article-title>Entre memória e história: a problemática dos lugares</article-title>
					<source>Projeto História</source>
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				<mixed-citation>Pallasmaa, J. <italic>Os olhos da pele</italic>: a arquitetura e os sentidos. Porto Alegre: Boockman, 2011.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Rozestraten, A. S. <italic>Representações</italic>: imaginário e tecnologia. 2017. 216 f. Tese (Livre-Docência em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Tuan, Y-F. <italic>Espaço e Lugar</italic>: a perspectiva da experiência. São Paulo: DIFEL, 1983.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Waizbort, L. Apresentação. In: Warburg, A. <italic>Histórias de fantasma para gente grande</italic>: escritos, esboços e conferências. São Paulo: Companhia das letras, 2015. p. 14-25.</mixed-citation>
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					<source><italic>Histórias de fantasma para gente grande</italic>: escritos, esboços e conferências</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das letras</publisher-name>
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				<label>Apoio:</label>
				<p> Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Processo nº 88887.714802/2022-00 e nº 88887.667667/2022-00). </p>
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				<label>Parecer do Comitê de Ética:</label>
				<p> Aprovado no Comitê de ética. Número do parecer: 5.811.666.</p>
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			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Artigo elaborado a partir da dissertação de M. R. Magoga, intitulada “Entre ruas e singularidades: uso e apropriação do espaço público na Vila Belga em Santa Maria, RS.” Universidade Federal de Santa Maria, 2023.</p>
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				<label>Como citar este artigo/How to cite this article:</label>
				<p> Magoga, M. R.; Donoso, V. G.; Alberton, J. O. Sobre imagens, perspectivas e memórias: procedimento metodológico de entrevistas na Vila Belga em Santa Maria, RS. Oculum Ensaios, v. 22, e22514879, 2025. https://doi.org/10.24220/2318-0919v2Xe2025a14879</p>
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