“QUEM ENTRA COM ESTUPRO É ESTUPRADO”: A COMPETÊNCIA DOS PRESOS NA PUNIÇÃO DO ESTUPRADOR

Autores

  • Gessé MARQUES JR

Palavras-chave:

Pluralismo jurídico, violência prisional, estuprador, condições carcerárias

Resumo

A partir de dados coletados em pesquisa de campo realizada entre presos albergados, este trabalho mostra que a convivência entre os presos no interior do sistema carcerário impõe a seguinte regra: “quem entra estupro, deve ser estuprado”. Analisando esta regra como uma forma de pluralismo jurídico, o artigo demonstra a sua recorrência e imposição, assim como questiona a centralidade do ordenamento jurídico estatal, como o único capaz de impor normas jurídicas. Como a punição é exercida pelos próprios presos, e aparentemente independente da lei, o trabalho conclui que os encargos da punição são transferidos para os presos, eximindo o Estado do cumprimento da formalidade legal de proteção aos estupradores.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

CANDIDO, Antonio. “Dialética da Malandragem”. Revista do instituto de estudos brasileiros, nº 8. São Paulo : Universidade de São Paulo, 1970.

DA MATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. 4ª ed.. Rio de Janeiro : Zahar editores, 1983.

ELIAS, NORBERT. O processo civilizador: uma historia dos costumes. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 1990.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis : Ed. Vozes, 1986.

MARQUES Jr., Gessé. “O mundo do crime é uma ordem jurídica”. In: LEMOS FILHO, Arnaldo et al. (orgs). Sociologia geral e do direito. Campinas, SP: Editora Alínea, 2004. p. 197-216

MARQUES Jr., Gessé. “Malandro: o personagem principal do crime”. Rev. Brasileira de Ciências Criminais. Ano 4, No 16. São Paulo: IBCCRIM, OutubroDezembro, 1996. p. 298-310.

MARQUES Jr, Gessé. A vida no fio: crime e criminalidade num albergue. 1991. 120 f. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – IFCH, UNICAMP, Campinas.

RAMALHO, José Ricardo. O mundo do crime: a ordem pelo avesso. Rio de Janeiro : Graal, 1983.

SABADELL, Ana Lucia. Manual de sociologia jurídica: introdução a uma leitura externa do direito. 2ª ed. rev.atual. e ampl.. São Paulo: Ed. Rev. dos Tribunais, 2002.

SANTOS, Boaventura de Sousa. “The law of the oppressed: the construction and reproduction of legality in Pasargada”. Law & Society. 12, Fall 1977.

SANTOS, Boaventura de Sousa. “Introdução à sociologia da administração da justiça”. Revista crítica de ciências sociais, n. 21, 1986, p. 11-37.

SANTOS, Boaventura de Souza.. “Notas sobre a historia jurídico-social de Pasárgada”. In: SOUTO, C.; FALCÃO, J.. Sociologia e direito: textos básicos para a disciplina de sociologia jurídica. 2a ed. atual. São Paulo : Pioneira / Thomson Learning, 2001. p. 87-95.

SOUSA Jr., José Geraldo (org.) O direito achado na rua. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1987.

VARELLA, D. Estação Carandiru. São Paulo : Companhia das letras, 1999.

WIEDER, D. Lawrence. “Telling the code”. In: TURNER, Roy (ed.). Ethnomethodology. New York : Penguin Books, 1974.

ZALUAR, Alba. A máquina e a revolta: as organizações populares e o significado da pobreza. São Paulo : Brasiliense, 1985.

ZALUAR, Alba. Crime, justiça e moral: a versão das classes populares. São Paulo : Relatório de pesquisa FINEP, 1988.mimeo.

ZALUAR, Alba. “Nem líderes nem heróis: a verdade da história oral”. Revista presença. Rio de Janeiro, 1989.

Downloads

Publicado

2005-12-31

Edição

Seção

Artigos