Experiências escolares de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa | School experiences of juveniles under socio-educational corrective measure

Renata Petry Brondani, Dorian Mônica Arpini

Resumo


Considerando a importância do ambiente escolar na trajetória de vida de adolescentes e a relevância atual da temática do cumprimento de medidas socioeducativas no país, o presente estudo buscou compreender a experiência escolar anterior de seis jovens que se encontravam cumprindo a medida socioeducativa de semiliberdade. A pesquisa foi desenvolvida em uma unidade de execução dessa medida, por meio de entrevistas semiestruturadas, realizadas com adolescentes do sexo masculino. Foi possível constatar que, nos contextos de vulnerabilidade que permeiam as trajetórias de vida dos adolescentes entrevistados, a experiência escolar mostrou-se empobrecida, atravessada por situações de evasão, defasagem escolar e infrequência, assim como por baixa participação e incentivo familiar. Os adolescentes referem pouco envolvimento de seus pais e/ou familiares no contexto escolar, revelando, muitas vezes, dificuldades nesse aspecto. Com isso, compreende-se ser primordial que a escola, por meio de relações empáticas, possibilite a construção de novos referenciais aos adolescentes que apresentem pouca vinculação e investimento escolar, sobretudo quando em cumprimento de medida socioeducativa, visto que esta pode disparar preconceitos e estereótipos que precisam ser superados.


Palavras-chave


Adolescente em conflito com a lei. Escola pública. Relação escola-família.

Texto completo:

PDF

Referências


Arpini, D.M. Violência e exclusão: a adolescência em grupos populares. Bauru: EdUSC, 2003.

Barbiani, R. Violação de direitos de crianças e adolescentes no Brasil: interfaces com a política de saúde. Saúde Debate, v.40, n.120, p.200-211, 2016. Disponível em: . Acesso em: 2 dez. 2017.

Bardin, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 1998.

Brasil. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília: Câmara dos Deputados, 1990.

Brasil. Ministério dos Direitos Humanos. Levantamento anual Sinase 2014. Brasília: Ministério dos Direitos Humanos, 2017.

Brasil. Presidênca da Republica. Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo: Sinase. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2006.

Burgos, M.B. Escola pública e segmentos populares em um contexto de construção institucional da democracia. Dados, v.55, n.4, p.1015-1054, 2012. Disponível em: . Acesso em: 14 dez. 2017.

Cavalcante, R.B.; Calixto, P.; Pinheiro, M.M.K. Análise de Conteúdo: considerações gerais, relações com a pergunta de pesquisa, possibilidades e limitações do método. Informação e Sociedade: Estudos, v.24, n.1, p.13-18, 2014. Disponível em: . Acesso em: 16 fev. 2018.

Cordeiro, D.M.A. Juventude nas sombras: escola, trabalho e moradia em territórios de precariedades. 2008. 186f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2008.

Dessen, M.A.; Polonia, A.C. A Família e a escola como contextos de desenvolvimento humano. Paidéia, v.17, n.36, p.21-32, 2007. Disponível em: . Acesso em: 24 jan. 2018.

Feijó, M.C.; Assis, S.G. O contexto de exclusão social e de vulnerabilidades de jovens infratores e de suas famílias. Estudos de Psicologia (Natal), v.9, n.1, p.157-166, 2004. Disponível em: . Acesso em: 2 nov. 2017.

Gaskell, G. Entrevistas individuais e grupais. In: Bauer, M.W.; Gaskell, G. (Ed.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som. Rio de Janeiro: Vozes, 2005. p.64-89.

Graciani, M.S.S. Pedagogia social. São Paulo: Cortez Editora, 2014.

Mello, S. L. Estatuto da criança e do adolescente: é possível torná-lo uma realidade psicológica? Psicologia USP, v.10, n.2, p.139-151, 1999. Disponível em: . Acesso em: 15 jan. 2018.

Mészáros, I. A educação para além do capital. São Paulo: Boitempo, 2008.

Milani, F.M. Adolescência e violência: mais uma forma de exclusão. Educar em Revista, n.15, p.1-8, 1999. Disponível em: . Acesso em: 15 jan. 2018.

Minayo, M.C.S. Análise qualitativa: teoria, passos e fidedignidade. Ciência e Saúde Coletiva, v.17, n.3, p.621-626, 2012. Disponível em: . Acesso em: 25 jan. 2018.

Minayo, M.C.S. Ciência, técnica e arte: o desafio da pesquisa social. In: Minayo, M.C.S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2013. p.9-30.

Murgo, C.S.; Alves, W.A.; Francisco, M.V. A afetividade na relação professor-aluno: perspectivas de estudantes de Pedagogia. Revista de Educação PUC-Campinas, v.21, n.2, p.211-220, 2016. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2017.

Oliveira, M.K. Escolarização e organização do pensamento. Revista Brasileira de Educação, n.3, p.97-102, 1996.

Pereira, A.B. Outros ritmos em escolas da periferia de São Paulo. Educação e Realidade, v.41, n.1, p.217-237, 2016. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2018.

Polonia, A.C.; Dessen, M. A. Em busca de uma compreensão das relações entre família escola. Psicologia Escolar e Educacional, v.9, n.2, p.303-312, 2005. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2018.

Rocha, P.J. et al. Reflexões sobre a violência reproduzida por crianças e adolescentes inseridos em uma escola aberta. In: Arpini, D.M.; Cúnico, S.D. (Org.). Novos olhares sobre a família: aspectos psicológicos, sociais e jurídicos. Curitiba: Editora CRV, 2014. p.139-156.

Santos, R.M.; Nascimento, M.A.; Menezes, J.A. Os sentidos da escola pública para jovens pobres da cidade do Recife. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, v.10, n.1, p.289-300, 2012. Disponível em: . Acesso em: 22 jan. 2018.

Seabra, R.C.F.F.; Oliveira, M.C.S.L. Adolescentes em atendimento socioeducativo e escolarização: desafios apontados por orientadores educacionais. Psicologia Escolar e Educacional, v.21, n.3, p.639-647, 2017. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2018.

Silva, T.G. Protagonismo na adolescência: a escola como espaço e lugar de desenvolvimento humano. 2009. 115f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2009.

Soares, A.S. A autoridade do professor e a função da escola. Educação e Realidade, v.37, n.3, p.841-861, 2012. Disponível em: . Acesso em: 14 dez. 2017.

Sobrosa, G.M.R. et al. Opiniões sobre trabalho em jovens de classes populares. Revista Brasileira de Orientação Profissional, v.14, n.2, p.265-276, 2013. Disponível em: . Acesso em: 15 jan. 2018.

Tejadas, S.S. Juventude e ato infracional: as múltiplas determinações da reincidência. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2007.

Vasconcellos, A.T.M. Violência e educação. In: Levisky, D.L. (Org.). Adolescência e violência: consequências da realidade brasileira. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. p.111-118.

Zappe, J.G. Adolescência, ato infracional e processos de identificação: um estudo de caso com adolescentes privados de liberdade. 2010. 150f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2010.




DOI: https://doi.org/10.24220/2318-0870v24n1a4228

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Revista de Educação PUC-Campinas

ISSNe 2318-0870 (eletrônico)
ISSN 1519-3993 (impresso)

Este site é melhor visualizado utilizando navegador gratuito Firefox.