Segunda licenciatura em dança do PARFOR: da cidadania consentida à cidadania negada

Iria Brzezinski

Resumo


Este artigo é resultante de duas pesquisas matrizes de abrangência nacional e da Região Centro-Oeste, financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Os impactos das políticas emergenciais de formação de professores constituem seu objeto. São políticas fomentadas pela Coordenação de Desenvolvimento de Pessoal do Ensino Superior, via Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Decreto nº 6.755/2009). Os planos estratégicos de formação de professores dos sistemas estaduais e distrital de ensino são elaborados e implementados pelos Fóruns Permanentes de Apoio à Formação Docente. Neste artigo faz-se um recorte das pesquisas matrizes para enfocar a Segunda Licenciatura em Dança, em curso de formação continuada ministrado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia-Campus Brasília. O objetivo foi avaliar o curso, com submissão de questionários aos egressos de 2013. O método de investigação é o materialismo histórico dialético, com abordagem qualitativa, na modalidade de pesquisa participante e análise comparativa de dados de duas pesquisas com o mesmo objeto: uma pesquisa oficial feita pela Secretaria de Educação do Distrito Federal, e outra coordenada pela Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação. Os resultados revelam que, embora a investigação oficial seja otimista quanto à qualidade do curso cidadania - consentida -, a pesquisa não oficial detectou fragilidades que desvelam a cidadania negada aos professores cursistas.

Palavras-chave: Formação continuada. Investigação qualitativa. Políticas de formação. Profissionais da educação.


Palavras-chave


Formação continuada; Investigação qualitativa; Políticas de formação; Profissionais da educação

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DOI: https://doi.org/10.24220/2318-0870v22n2a3665

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