Caracterização dos octogenários submetidos à cirurgia cardiovascular sob intervenção fisioterapêutica

Marina Caçador Alexandre, Emilia Nozawa, Antonio Rafael Wong Ramos, João Vítor Durães Pereira Duarte, Adriana Marques Battaglin, Maria Ignez Zanetti Feltrim

Resumo


Objetivo

Caracterizar a evolução de octogenários submetidos à cirurgia cardiovascular sob intervenção fisioterapêutica.

Métodos

Estudo prospectivo e quantitativo, desenvolvido a partir de levantamento dos prontuários de octogenários submetidos à cirurgia cardiovascular, sendo identificados a partir da programação cirúrgica e acompanhados até a alta hospitalar ou óbito.

Resultados

Estudaram-se 50 pacientes, idade média de 82±2 anos, 64% do sexo masculino. Antecedentes pré-operatórios predominantes incluíam hipertensão arterial sistêmica (84%), tabagismo (36%), dislipidemia (36%) e infarto agudo do miocárdio prévio (30%). Revascularização do miocárdio foi o procedimento cirúrgico mais frequente (58%). Deste total, 1 paciente foi a óbito no intraoperatório, 40 foram extubados com sucesso (grupo sem reitubação orotraqueal) e 9 necessitaram de reintubação (grupo reitubação orotraqueal). Observou-se alta incidência de complicações pós-operatórias, principalmente arritmias cardíacas (44%), derrame pleural e pneumonia (24%), e delirium (24%). O grupo reitubação orotraqueal tinha menores valores de fração de ejeção de ventrículo esquerdo e as pneumonias (80%), arritmias (70%), derrame pleural (60%) e delirium (50%) foram as complicações de maior incidência, o que elevou os tempos de intubação, de unidades de terapia intensiva, de internação hospitalar e a taxa de óbitos na comparação ao grupo sem reitubação orotraqueal (p<0,05). A fisioterapia foi aplicada em um maior número de sessões e de estratégias de pressão positiva não invasiva, principalmente naqueles com complicações pulmonares e neurológicas (p<0,05).

Conclusão

A cirurgia cardíaca em octogenários, apesar da alta incidência de comorbidades, tem resultados positivos. As complicações pós-operatórias de maior morbimortalidade ocorreram, sobretudo, naqueles pacientes que não conseguiram permanecer sem suporte ventilatório invasivo. Embora as complicações cardiovasculares tenham sido as mais frequentes, foram as pulmonares e neurológicas que demandaram maior atenção da equipe de fisioterapia.

Termos de indexação: Complicações pós-operatórias. Fisioterapia. Idoso de 80 anos ou mais. Procedimentos cirúrgicos cardiovasculares.


Palavras-chave


Complicações pós-operatórias. Fisioterapia. Idoso de 80 anos ou mais. Procedimentos cirúrgicos cardiovasculares.

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DOI: https://doi.org/10.24220/2318-0897v21n1/6a1870

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