Religião e defesa da paz: poder, justiça e responsabilidade comum | Religion supporting peace: power, justice and common responsibility

Douglas Ferreira Barros

Resumo


Este artigo tem por objetivo debater a relação entre religião e a promoção da paz, à luz de algumas interpretações que, embora distantes do enquadramento estabelecido por Agostinho, ainda exploram aspectos por ele trabalhados. Assim, pretende-se mostrar como as abordagens da paz propostas por Marsílio de Pádua e Hobbes inovam em relação ao filósofo cristão. Pretende-se também apontar que, desde o fim da modernidade, com Kant, até a contemporaneidade, o debate sobre o tema transita da tese da obediência para a de que a paz pressupõe o estabelecimento de novas relações de domínio sobre os homens e destes entre si e com o poder. Como metodologia, utiliza-se a interpretação de textos desses filósofos e de alguns parágrafos da Doutrina Social da Igreja. Concluindo, o estudo propõe que a defesa da paz demanda que ela seja pensada prioritariamente segundo o registro das relações entre os homens, e não necessariamente sob o viés exclusivo da obediência ou da submissão a poderes políticos.


Palavras-chave


Guerra. Justiça. Promoção da paz. Religião. Responsabilidade coletiva

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.24220/2525-9180v4n12019a4641

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